O
espectro partidário em Portugal ampliou-se ?
Nos
últimos meses surgiram corpúsculos “reformistas”, situados
principalmente do lado esquerdo do sistema, mas também no ultra-conservador. Uma situação anormal que recorda os primeiros tempos
da reinstauração da democracia em 1975.
Creio
que, além do enfraquecimento progressivo do CDS e de quase
desaparecido Partido Monárquico -do
qual morreu, recentemente, uma das suas figuras mais destacadas,
embora últimamente retirado do activismo em comícios- o
chamado sector direitista está bastante alquebrado devido à deriva,
indesejada, do seu mentor principal, herdeiro natural do
conservadorismo do Esatado Novo. É uma versão actual do “cristão
novo”, ou até de “renegado”. E como tal, não muito digno de
crédito.
Ao
o actual Presidente da República, com o argumento, pouco sólido, de
pretender manter uma “estabilidade” no governo da nação optou
por estar morganaticamente “casado” com o Partido Socialista e
com os seus aderentes que formam a inusitada “troika”,
actualmente instável,
levou a uma desorientação de centristas e direitistas.
Mais
cedo ou mais demoradamente esta falsa estabilidade terá que se
clarificar.
Pensando
nisso e por estar dedicando algumas das minhas horas mortas na
releitura de textos já históricos, nomeadamente do Séc XVIII,
recordei que, nos países maioritáriamente católicos -não
por convicção profunda e consciênte dos seus habitantes mas por
efeitos de uma intensa e prolongada pressão dos profissionais da
religião romana, e pelo apoio dos governos, monárquicos, sempre
avalados pelo Vaticano- não
existia uma liberdade factual para criar agrupações de índole
política. A tentativa social, mas muito restrita, embora importante,
foi o da introdução, vinda de França e da sua revolução, da
masonaria,
base dos republicanos de então.
Mas
no campo da política existiam outras capas, tão ocultistas e mais
poderosas do que a dos “pedreiros
livres”.
Refiro-me às ordens
religiosas. Algumas
com ambições de poder civil, mesmo que por trás do pano. Estas
mantinham guerras surdas entre elas para conseguir o apoio do monarca
em activo. A lista das mais importantes incluía Benedictinos,
Cistercienses, Franciscanos, Dominicanos, Carmelitas e Jesuítas.
Muitos deles com ramas femeninas e com orientações de acção
social definidas, ou mesmo equivalentes nalguns casos.
O
convívio entre as diferentes congeregações era, em geral, de
tentar ser independente e roubar alguma da influência que os outros
tivessem sobre a população, especialmente cativando os poderosos.
Pois a plebe, como sempre, era “carne de canhão”, miserável e
explorada tanto quanto pudessem aguentar sem morrer de inanição. Só
as ordens com estatutos caritativos é que diferiam deste cinismo.
Curiosamente
na actualidade as duas formações, ou ordens religiosas, que tem
mais poder no mundo católico são os jesuítas
e o Opus Dei,
ambas de geração espanhola, e, por arrastamento atávico, com
tendências ocultistas e selectivas. Esta é a razão porque tanto os
jesuítas como os seguidores de Escrivá, procurem, com insistência,
cativar e moldar as elites. Os jesuítas dedicando-se ao ensino
secundário para ali semear e colher novos elementos, e também no
universitário. E os do Opus, lançando as redes nos bem instalados
socialmente, sejam diplomados ou capitalistas. Os dois grupos lutam,
surdamente, nas mesmas searas.
A
novidade actual, que não sabemos se criará raízes profundas, dado
que internamente -no
seio da Curia vaticana e não só- a
decisão do actual Papa, sendo ele de origem jesuíta, dedidiu tomar
o nome “de guerra” de Francisco, para indicar que seria asceta e
contemporizador tal como Francisco de Assis estabeleceu nas normas da
sua congregação. Com esta atitude, inevitávelmente, criou
anticorpos de peso não só entre os seus “colegas de curso” como
entre os membros do Opus Dei, expertos em sapa. Por isso insistem,
tanto quanto lhes é possível, em se manter ocultos, tanto ou mais
do que os membros das lojas maçónicas.
NOTA - Tanto este escrito como s anteriores podem ser re-enviados, sem objecções do autor.