sexta-feira, 7 de abril de 2017

HOMENS, NÃO SE SINTAM DESPREZADOS



Tenham calma. Não vos tiro o valor que imaginam ter, e que sempre está uns degraus bem acima do que realmente cada um de nós vale. Exceptuando os irremediavelmente depressivos, que se julgam, também erradamente, com menos valia do que um cagalhão de cão. Se bem que até nisto as coisas mudaram, pois desde que os canideos passaram a ser alimentados com rações manipuladas defecam mole. Quanto aos depressivos em grau supremo a realidade nos diz que também este tem qualidades positivas, merecedoras de realce, mas que pouco utilizam por se desprezarem internamente.

Quem duvidar do que tão solenemente afirmei no parágrafo anterior, mas tiver a sorte de estar casado ou ter uma companheira voluntária, mas fiel e de duração prolongada, aguarde com estoicismo o dia em que ela lhe atirará para a cara o qualificação, quase sempre correcta, que lhe atribui. De qualquer forma não aconselho a que cheguem a este ponto, pois as consequências podem ser desastrosas. O melhor é ficar no limbo, apesar que no centro do poder eclesiástico, em Roma, já retiraram do activo este lugar de repouso e espera.

Todavia, e esclarecendo que sexualmente o lugar das nossas fêmeas é, para mim, incontornável (estava ansioso de colocar este adjectivo...) é de lei não esconder os valores inestimáveis dos meus companheiros na secção do urogenital a que pertenço.

As características dignas de realce são tantas que não posso comentar todas elas. Vou deixar uns apontamentos que referem qualidades e defeitos universalmente reconhecidos.

Aguerridos, valentes, destemidos, corajosos, audazes, belicosos.

Anódinos os que mudam com facilidade. São pessoas com as quais não nos podemos fiar, e daí que se qualifiquem como insignificantes, medíocres, inofensivos mas perigosos.

Claudicantes são os que não conseguem manter as suas convicções ou compromissos. Cedem facilmente às pressões e argumentos.
Concretos são aqueles que, em poucas palavras, conseguem definir ou transmitir um facto ou uma ideia sem ambiguidades.

Confusos os opostos aos concretos. Tentar esclarecer alguma coisa com estes é tempo perdido.

Cultos ou instruído, ilustrado, erudito. Como dizem que estava escrito no frontão dum manicómio: Não estão todos os que são, nem são todos os que estão, ou o ditado Nem tudo o que reluz é ouro. Cada dia que passa é mais inalcançável o propósito de ser enciclopedista.

Empreendedores alguns e nem sempre conseguem que as suas iniciativas frutifiquem nas suas mãos. Tristemente outros surgem que as aproveitam e se beneficiam.

Estoicos ou seja firme, inabalável, rígido ou austero. Pode acontecer
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Fechados, o mesmo que anódino.

Fieis tudo depende de que fidelidade falamos, se à esposa, à empresa, à Pátria, ou a outro capítulo qualquer. Nem sequer podemos por a mão no fogo em defesa de alguns dos que se empregam como fiel de armazém. Quanto mais aos outros compromissos.

Herméticos que fazem questão de não deixar transparecer o seu pensamento e menos as emoções. Tornam-se desagradáveis para que lida com eles.
Honestos sem exagerar, pois atirar a primeira pedra não está ao alcance de qualquer um. Por isso se afirma que A ocasião faz o ladrão.

Inquiridor no sentido de procurar conhecer, até o fundo, os temas que lhe surgem. Habitualmente as pessoas seleccionam e abandonam a sua curiosidade com displicência.

Monógamos nem sempre Tudo depende de surgirem ou procurarem oportunidades para deixar de o ser.

Prestáveis, muito apreciados quando ajudam a quem necessita de um apoio.

Reactivos quando não consentem que lhes comam as papas na cabeça, e até se manifestam, abertamente, para defenderem um lesado.

Timoratos, medrosos, tímidos, acanhados

Visionários que nos indicam ser equivalente a ser excêntrico, extravagante, sonhador, utopista, quimérico ou lunático, quem nunca passou por estas fases?


Por sorte estas características, e outras mais, não são cumulativas, o que nos permite seleccionar aqueles com quem encaixamos, sempre e tanto que o outro nos aceite. E nesta coisa do azeite há muitas adulterações.

JÁ DEPOIS DA HORA

Propositadamente não referí características pessoais que, algumas, entram no foro da justiça. tais como: ladrão, vigarista, gatuno, assassino, pedófilo, falsário e outras mais. Tampouco faço citação de ser político, deputado, autarca, gestor modélico, etc. São temas que desagradam e que prefiro olvidar.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

PORQUE PREFIRO AS MULHERES

PORQUE PREFIRO AS MULHERES

Para já e como prelúdio importante quero que fique bem claro que separo sexo e sentimentos anexos da personalidade e formas de encarar e abordar a vida. São capítulos opostos, como a mão direita é da esquerda.

Fazendo um balanço que estatisticamente não pode ser considerado como fidedigno, ao longo das minhas quase nove décadas de vida, pude ter mantido contacto social e familiar com uma série de homens e mulheres, e, sem possibilidade de erro, verifiquei que descartando os exemplares que escapam da maioria, as mulheres nos batem aos pontos. Tem menos força muscular mas compensam com agilidade mental e discernimento.

Temos a ideia, motivada pela forma como entram em acesas discussões por banalidades e por como é difícil ou mesmo impossível, quando no calor da discussão, conseguir que mudem de opinião. Naqueles momentos de exaltação nunca cedem um milímetro. Mas, depois, são capazes de girar 180 graus sem se sentirem diminuídas. Quantos homens aceitam o pragmatismo sem considerar ser uma derrota?

Mais afirmo: Ajuizando sempre pelo comportamento médio, as mulheres nos deixam a impressão de serem mais impulsivas do que os homens. O seu gesticular e aplicar os tons de voz mais altos e agudos quando estão no calor de uma discussão, as colocam, segundo os homens, como não dignas de crédito. A realidade, abstraindo este teatro, é bem outra.

Não consigo escapar da vontade em dissertar em terreno que desconheço. Suponho que a natureza “programou” as fêmeas, tanto as nossas como as da maioria dos mamíferos, para serem pacientes e não ceder a impulsos exagerados. Não seria de estranhar que o tempo de gestação de um filho, mais o que era necessário para cuidar da criança, indefesa e inepta para sobreviver (1) a mãe, normal (hoje está tudo muito alterado) as impede de agir obedecendo impulsos imediatistas.

Um exemplo curioso, que hoje já conhecemos todos, é que no animal terrestre de maior porte actualmente, o elefante, quem eles escolher para conduzir a manada é a fêmea mais velha. Estes animais, que são considerados como dos que possuem mais memória activa, funcionam em regime de matriarcado. E os humanos? Em muitos casos, dentro das paredes, também. Não é por graça que se refere a “dona da casa”. Assim como se tornou banal a frase de que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher.

Seja qual for a razão, é factual que qualquer um de nós deve ter constatado, sempre escapando de casos pontuais, que as opiniões de uma mulher são mais merecedoras de atenção do que as de muitos homens. Mas, cuidado, temos que nos acautelar, fugir mesmo, das mulheres que pensam como homens. Estas são as mais perigosas.

(1) dado que devido ao volume da cabeça dos humanos o parto é sempre mais prematuro do que nos outros mamíferos


quarta-feira, 5 de abril de 2017

MUDAR DE DIAPASÃO


No fim de semana passada, que passou sem chover apesar de que a lua continuava na sua órbita Celeste Rodrigues, decidi embrenhar-me noutro campo das despreciadas artes menores. Por sinal até mais menor do que a fenecida cerâmica, com a qual ainda tenho sonhos, mais perto de pesadelos do que dos sonhos e pasteis de bacalhau. Para a eliminar esta tentação definitivamente despachei os dois fornos, de tamanho médio, mais a mufla para provas, e assim pude dar fé ao ditado que refere que morto o cão terminou a raiva.

Desta feita enveredei na tentativa atrevida e imprópria de tentar executar um trabalho parietal usando um pedaço de tábua, pouco grossa mas ampla quanto baste, como nas receitas de cozinha antigas. (aquelas que a minha mãe me pedia par escrever a partir dum Pantacruel emprestado. Eu rebaptizei o autor, sem a sua licença, porque ao folhear encontrei muitas receitas cuja preparação tinha como base o aproveitamento de restos da refeição anterior. Uma maravilha para a economia das casas abastadas, pois que nas de casta inferior seria pouco provável que ficassem restos. Quem conseguir um livro destes, editado lá por 1950, pode desfrutar com as lições dos aproveitamentos).

Regressando à tábua de base. Utilizando retalhos (da vida de um médico? Nada disso) de madeira, com diversas origens, fui montando, sempre na parietalidade, uma face, propositadamente disforme, que ao longo do processo fui batizando e rebatizando com diferentes títulos nobiliários. Tanto é assim que hoje, quase terminado, já arvora, com digna autoridade, uma coroa com vários bicos. Apesar de não respeitar os detalhes que o armorial preceitua, não hesito em lhe dar a categoria de rei, ou mesmo de imperador.

Ainda faltam alguns acabamentos, uns retoques justificativos dada a representatividade da obra, que se não é prima em primeiro grau anda perto. Todavia julgo que chegou a altura de lhe dar um nome condigno.

Provisoriamente engendrei este: O VERDADEIRO ROSTO DE MOCTEZUMA DEPOIS DE TER DERROTADO OS SAXÕES NA BATALHA NAVAL DAS TERMOPUPILAS DO SENHOR REITOR

ou RAMSES, REI DOS ESTILISTAS, DEPOIS DE ASSISTIR, NA HORA DA MORTE, QUE O VENCEU, AO DESFILE DA MODA JÓVEM NOS SALÕES IMPERIAIS DO PAÍS MAIS PROFUNDO.


Ou MÁSCARA MORTUÓRIA DO SUPREMO SACERDOTE DEPOIS DE ENGOLIR UMA LATA DE SARDINHAS COM BOTULISMO. NEM OS TRÊS PASTORINHOS CHEGARAM A TEMPO DE O SALVAR. MORREU GLUTÃO DE BAIXA CATEGORIA.

terça-feira, 4 de abril de 2017

UM LIVRO ABORTADO

UM LIVRO ABORTADO

Devem ser muitos os manuscritos iniciados, ilustrados, revistos, e paginados, já “prontos a comer” que foram colocados na gaveta do esquecimento. Penso que os respectivos autores, enquanto passaram muitas horas trabalhando na sua obra, pensaram que o seu fruto devia atingir a meta de ser publicado, distribuído e adquirido por anónimos. Por vezes pode acontecer que a sensatez, que sempre cohabita com as ilusões, faça prevalecer a sua noção acerca da realidade e aconselhe o abandono.

É o que me aconteceu após terminar o longo e extenuante trabalho a que dediquei a minha, esporádica, disponibilidade de tempo ao estudo do que chamei O MITO DOS DRAGÕES. Por casualidade temporal, e já estando metido nesta pesquisa, a publicidade e comercialização colocaram os dragões no pódio. Foram filmes, series, livros, banda desenhada e tudo o mais que se imaginasse poder levar a consumir. E sempre com seres inverossímeis. Durou até que este lume foi substituído por outro. Mas ainda existem brasas incandescentes.

Como a minha visão a respeito dos mitos draconianos era e é, exclusivamente, racional, e estava agarrado sem remédio, inclusive utilizei as minhas fracas capacidades artísticas, e assim sendo desenhei, pintei, modelei uma excessiva quantidade de peças representativas de dragões e outros mitos a ele associados, sempre procurando interpretar as descrições que encontrava em textos fidedignos.

Quando, depois de ter considerado o estudo como quase exaurido (desculpem não ter usado o termo esgotado. Não resisti) o tendo o “manuscrito” revisto, paginado, com muitas ilustrações, próprias e retiradas de fontes, chegou o toque de clarim: Como conseguir que isto ficasse impresso e à disposição do público?

Meditei, voltei a meditar, e fiz o balanço interior baseado no que via pelas livrarias. Nem sequer tentei uma abordagem junto de alguma editora. Fazer uma edição de autor, como fazem os poetas que se satisfazem com os exemplares que distribuem gratuitamente e uns poucos que são pagos, foi posta de lado. Hoje está tudo metido (1) numa grande caixa à espera que os meus descendentes deitem fora, dado que não fui capaz de abortar um feto (metafóricamente falando), que já tinha completado o seu tempo de gestação.

Mas tenho pena. Ali tinha deixado tão explicitamente como fui capaz, como e donde tiveram início muitos mitos que estão abrangidos no tema draconiano. São simples curiosidades que não devem ofender ninguém e que nunca afectarão os dogmas cimentados. A ignorância é mais perniciosa.

A razão de mais peso sobre a minha obra, abortada, é que sempre procurei as origens reais destes mitos, que abrangem practicamente todo o globo terrestre, e que, quase sempre foram utilizados pelas doutrinas religiosas com o propósito de, dando-lhe interpretações tendenciosas, passarem a ser mais uma pedra nos seus edifícios dialécticos.

As pessoas, vistas globalmente, gostam de ser enganadas, mesmo quando lhes cheira a aldrabice. E contrariar esta realidade, que contraria a sua tranquilidade, não é aceite nem perdoada.


(1) manuscritos, cópias do texto, disquetes, pen, fotografias, esboços, livros de consulta, etc.

quarta-feira, 29 de março de 2017

SOMOS QUEM IMAGINAMOS ?



Excepto aqueles que sofrem de alguma psicose que os induz a se desprezar (cujo nome profissional desconheço), admito que a maior parte das pessoas sobrevalorizam-se ou, pelo menos, qualificam-se a si mesmos como tendo uma característica dominante bem aceite pelos membros do seu entorno social, mas que pode não corresponder exactamente ao que os outros entendem a seu respeito.

O tema de hoje surgiu por arrastamento de uma meditação totalmente inútil, mas apesar disso a meu entender, continha algum interesse no caso de pretender arrumar convenientemente algumas noções de uso corrente, que julgo se empregam com excessivo à vontade.

Concretamente se navegarmos em torno das manifestações pessoais de adesão ou convicção. Vejamos:

Uma pessoa pode-se mostrar como formalmente adepto a qualquer grupo ou movimento, civil ou religioso, sem contudo se comprometer perante o público. Ou seja, procede conforme indicam as formalidades, regras ou praxes, daqueles a quem se chega, sem se entregar a exibicionismos.

No extremo do menor compromisso temos o simples seguidor. Um indivíduo que está incorporado no grupo por simples arrastamento, sem uma convicção própria. Ao estilo da personagem Maria vai com as outras. A meu entender é o comportamento maioritário em quase todos os ajuntamentos. De facto estão e não estão ao mesmo tempo, só colaboram para fazer monte, como manequins de montra.

Diferente é a situação do convicto, dado que este está convencido sem reservas; é o que se deve qualificar de persuadido. Este inclusivamente pode desejar, e manter tanto quanto lhe é possível, um certo anonimato. Para ele ser é mais importante do que parecer.

No extremo oposto estão os fanáticos, caracterizados por terem uma fé cega nas razões do seu grupo, e em consequência, pouco ou nada racionais. São, sem dívida, os elementos mais perigosos da sociedade, pois a sua obsessão, que não admitem ter, lhes justifica todas as faltas e abusos sociais. Podemos qualificar como iluminados.

Finalmente encontro os oportunistas também qualificados de aproveitadores, interesseiros, cínicos. São indivíduos repelentes, imundos, que com o seu descaramento conseguem singrar melhor do que muitos honestos e cumpridores. Entre eles encontramos os famosos vira-casacas.


E termino propondo um exercício, nada fácil: O leitor atreve-se a classificar alguma ou algumas das pessoas que conhece? E a seguir atreve-se a se qualificar? Tem a certeza de que os outros o veem da mesma forma como se imagina?

segunda-feira, 27 de março de 2017

AS VERDADES SÃO TANTAS


E, entre elas muitas são difíceis de engolir. Defendemo-nos mais facilmente das mentiras do que das verdades. Estas são habitualmente amargas e tiram-nos o sono.

Além desta problemática acontece que muitas das nossas convicções não se aguentam em pé. São fruto daquilo que se diz: engravidar de ouvido.

Encurtando caminho, sinto que as pessoas, catequizadas desde gerações no sentido de que a Pátria, ou País, ou a mãe (que é valorizada da mesma maneira) não podem ser criticadas por alguêm que seja forasteiro. Mesmo que a crítica seja apresentada ao de leve, e, pior se com razões de peso que a justifiquem. (1)

Qualquer tentativa que faça para ver de descarregar a “raiva” que o holandés provocou é, de imediato, rejeitada liminarmente, socorrendo-se de argumentos estereotipados, fornecidos pela manipulação abusiva dos "média", com a colaboração de jornalistas, ignorantes ou vendidos, de comentadores e cidadãos pouco ou nada isentos e correctos no seus discursos.

Os argumentos habituais são simples. Ou mesmo simplórios:

Os europeus do norte são uns invejosos. Cobiçam o nosso clima, o sol, a praia, a comida e a nossa forma de encarar a vida. Apesar disso, ou em conseuência de sermos servis e educados, nos qualificam de calões, mandriões e despesistas. Nesta Europa a que pertencemos devemos ser aqueles que mais nos "colocamos de cócoras"  para lhes agradar. Um excesso de vontade de agradar que os incita a nos desqualificar. 

Exagerando bastante damos a impressão de que nos comportamos como (dizem, e não confirmo que seja verdade) é hábito entre os esquimós. Oferecer as suas mulheres ao forasteiro (será justificado se com isso conseguem contrariar os efeitos da consanguinidade?) 

Malandros, gatunos, vigaristas, aproveitadores sem escrúpulos, existem em todos os paralelos e meridianos. E os países do Norte não escapam à regra. Os “do sul” não temos a exclusividade. CERTO. Mas este facto, nos seus países, quando as faltas são descobertas, parece que tem sido objecto de sanções pesadas. Um detalhe sem impotância quando se compara com os do sul, onde se pede justiça exemplar mas não se aplica. UMA PEQUENA DIFERENÇA.

Dizem que, dada a nossa tendência a malbaratar as ajudas financeiras, que tão generosamente (?) no deram, já não é admissível, pelos habitantes dos seus laboriosos países. Não nos continuar a ajudar. A primeira afirmação não pode ser rebatida. Todos conhecemos as falcatruas cometidas, e “eles” também as conheciam e consentiram tácitamente.

. Quanto à falta de vocação para trabalhar podiamos passar horas debatendo o tema. Aqui se citariam tantos meridionais alí radicados, que trabalham tanto ou mais do que os seus indígenas. E noutra página podiamos referir que nos climas frios, donde a neve está presente durante longas semanas, quem não tomar previdências, trabalhando no duro como a formiga, morrerá de frio. Completa-se a situação referindo que são eles os que estudam e aplicam as evoluções tecnológicas que proporcionam maior produtividade. Diz-se que em Portugal estamos avançaudo neste domínio. Oxalá seja assim.

.  Antes ou depois nos dizem que os empréstimos deram chorudos juros aos bancos  “beneméritos” que agora fingem que nos rejeitam. Aqui temos uma duplicidade, equivalente aos "deelers" que oferecem drogas aos inconscientes a fim de os agarrar. Como acontece sempre que nos põem na mão dinheiro que não suamos, habituamo-nos a gastar à tripa forra, e depois, quando a carteira ficou vazia, pedimos emprestado. As leis dos bancos são claras e duras. Quanto mais aflito está o pedinte, mais alto é o juro aplicado.

.  Afirmam que não produzimos bens e serviços, excepto na hotelaria, que compensem a nossa despesa. Daí que o défecit sempre esté subindo.. Mas então podemos retorquir que eles têm muita culpa nesta situação, que não podemos negar. Quando nos incitaram, quase obrigaram, a desmantelar fábricas, navios e frota de pesca, entre outras actividades que afirmavam ser mais rentáveis nos seus países, dissseram que nos compensariam e que, graciosamente, poderiam servir-nos sem problemas.

Os problemas vieram depois. Mas porque acreditamos nestas fantasias, e destruimos o pouco que tinhamos? Sem previamente ter organizado e em funcionamente ocupações alternativas para os, fatalmente, desempregados?

Concluo com o mesmo sentimento que apresentei dias atrás. O homem pode ter sido rude na linguagem, mas disse uma verdade que não se pode rebater. MATAR O MENSAGEIRO É UMA ATITUDE CRITICÁVEL.

Por mais argumentos e caras feias que se façam, os países do sul da Europa mostraram que, até agora, não conseguiram anular os seus erros. E aqui, para mal dos nossos pecados, os indícios são de que, mal nos apanhem distraidos, os nossos eleitos retomarão o caminho de mais uma derrapagem incontrolável, com a convicção de jamais teremos que pagar a dívida (??) E todos contentes ou patrioticamente ofendidos, sem admitir que aquele que tem a faca e o queijo na mão é que manda. Se não for de uma maneira será de outra, mas que pagaremos, os de sempre, enquanto que os bem colocados comem os melhores e maiores bocados, isso é como que ao dia lhe segue a noite.

Com a ressalva de que, neste filme, à tempestade não lhe segue a bonança.

(1) Antes de que me apontem aquilo que nunca escondi, eu sou um caso anormal no meio onde me inseri. Nasci na Catalunya, no seio de uma família onde só existiam catalães de gema. Mas logo à nascença fui oficialmente colocado numa Espanha que me empurrou à ser visto como mais um espanhol.

Quando a idade e as circunstâncias políticas o permitiram, optei, sem esitar, por requerer a minha transferência oficial para a nacionalidade portuguesa. Fui atendido rápidamente. A partir daquele dia tive o atrevimento de me comportar como um nacional de pleno direito, mesmo que note não ser aceite pelos mais nacionalistas.


Tenham paciência e pensem que eu optei conscientemente e voluntariamente, enquanto que a “eles” lhes foi oferecida de borla, sem serem preguntados, tidos ou achados. Tal como me aconteceu quando as autoridades que mandavam, e conti«nuam a mandar, na Catalunha fizeram de mim um espanhol.

sábado, 25 de março de 2017

O QUE A PIDE NÃO CONSEGUIU



Imagino que o homem desde que começou a andar erguido e conseguiu ter tempo livre para dar trabalho especulativo ao seu cérebro, uma das coisas em que reparou e perante a qual lamentou da sua inépcia, foi a das mudanças climatéricas. Bem pensou em se agasalhar melhor, em procurar abrigo em grutas e utilIzar o fogo, a sua grande descoberta tecnológica, para se aquecer.

Os anos foram passando, as décadas, séculos, milénios continuaram inenterruptamente e as meditações avançaram para ambitos cada vez mais afastados das necessidades mais imediatas, Muitas cabeças buliram em fervura tumultuosa tentando descobrir novos problemas, para depois imaginar soluções. E, por outro lado, o progresso da linguagem parecia imparável, dado o seu carácter apelativo, incitador ao discurso dedicado a ouvintes e a justificar convívios sob as mais diversas motivações.

Os gestores das sucessivas ditaduras, que se criaram no seio da sociedade, viram que estas, inicialmente inócuas, reuniões de seres em comunicação verbal e visual eram um perigo para a manutenção do seu esquema de poder. Os grupos eram, sem dúvida, um grande perigo em potência, que convinha eliminar com persistência.

E assim se gerou o serviço de denunciantes sigilosos e a consequênte perseguição, ou até de eliminação, dos díscolos. Conseguiram travar, até certo ponto, a vocação contestatária da maior parte da população, mais devido ao medo que geraram, dado que, excepto os mais empenhados na guerra subterrânea, ninguém se podia considerar livre de ser denunciado, apesar de saber não ter cometido nenhuma falta. Os carrascos aplicavam aquele “sábio” preceito que diz: Quando chegares a casa dá uma tareia á tua mulher, mesmo que não vejas razão para tal. Ela sabe porque lhe bates. É o método de prevenção mais antigo, e dizem que eficaz.

Apesar de todas as acções repressivas continuou a existir a necessidade humana de manter um diálogo presencial, nem que a temática ficasse restrita a banalidades no estilo do falso desporto para as bancadas. Mesmo nestas tertúlias que se podiam considerar de inofensivas, estavam colocados os bufos prontos a denunciar qualquer desvio inaceitável. E isso permaneceu assim até ontem.

Hoje os contactos verbais e visuais, em simultaneidade, quase que desapareceram. Tudo foi substituído “eficazmente”, e com uma adesão cada vez mais generalizada, pela comunicação electrónica, que só não é tão instantânea como se julga devido a que, pela acumulação contínua de solicitações, chega a originar decalagens mais potentes do que no esquema de comunicação anterior.

Ganhamos ou perdemos?


A meu ver, perdemos muito mais do que ganhamos, pois a possibilidade de comunicar assertivamente comporta não só a voz, mas também a gesticulação, mais a instintiva mímica facial. Sem esquecer a possibilidade de interpelação imediata, além da voluntária cedência de pareceres em favor de um entendimento comum. A eléctrónica matou a necessidade e capacidade humana de conseguir entendimentos efectivos. Tudo é virtual e mais fácil de vigiar do que o ter que colocar meios humanos em cafés e outros locais de reunião.