A
evolução das espécies
UM
AXIOMA. A Mãe Natureza quando encontra uma solução que
considera ser a melhor, quase perfeita, adopta para todo o sempre.
Tenho
a ideia, possivelmente errada, que quando olhamos para um animal
qualquer mais cedo ou mais tarde procuramos alguns pormenores que
sejam compatíveis com os humanos. Eles existem, e não só entre os
classificados como primatas , e por extensão aos mamíferos, como a
muitos outros animais com quatro membros, digamos genericamente
pernas, pois que braços com mãos e dedos existem, além dos
humanos, como acontece com os répteis com pernas e até as aves.
Pois
acontece que a estrutura óssea dos membros locomotores de locomoção,
é em tudo semelhante à das pessoas. Se fosse adicto da criação
divina consideraria que, tendo encontrado uma solução funcional, só
foi necessário adapta a cada nova espécie.
A
observação é simples e muito curiosa. Tomando o nosso corpo como
base de comparação vemos que os membros anteriores, ou seja os
braços, deslocam-se do corpo começando pelo braço, que se adianta
do tronco e depois prolonga-se com o braço e mão. O fulcro, que
funciona como uma dobradiça, está no cotovelo. O quando dobrado,
fica, normalmente recuado em relação ao ombro, que á a primeira
junção móvel.
Inversamente
os membros inferiores, ou traseiros nos quadrúpedes, dobram ao
contrário. O conjunto ósseo que está ligado ao esqueleto fixo,
mesmo que flexível através dos vértebras e uniões elásticas,
avança primeiro para trás, dobra num joelho ao contrário do
cotovelo, permitindo que a perna avance e possibilite a nova
implantação do pé no solo.
O
mais interessante é que esta disparidade de articulação entre os
membros anteriores e posteriores encontra-se já nos mais antigos
fósseis de vertebrados. De onde se pode concluir que a natureza,
quando encontrou uma solução funcional para a deslocação dos
animais terrestres manteve, sem alterações, o mesmo esquema de
articulações. Tanto serviu para os dinossauros mais volumosos como
para os minúsculos precursores dos mamíferos. E também com os
répteis, cujos descendentes mais actuais são as diferentes
famílias de crocodilos, jacarés e até nas tartarugas (Quelónios),
cujo esqueleto complementar ao dos membros está incluído na
carapaça.
Nos
animais marinhos encontramos mamíferos que sob um corpo adaptado à
natação trazem os esquemas ósseos dos animais terrestres. E, mais
no reino dos peixes, encontrou-se, ainda vivo, um peixe com membros
atrofiados equivalentes a braços e pernas. O primeiro exemplar que,
em 1938, chegou aos zoólogos investigadores a notícia de que na
zona do Oceano Índico entre Moçambique e Madagáscar, era frequente
que os os pescadores locais apanhassem um peixe, esquisito, com umas
patas incipientes. Pela descrição correspondia a um fóssil que se
suponha extinto desde uns 65 milhões de anos. Um elo perdido da
cadeia evolutiva, e que fora baptizado de Celacanto.
Deslocaram-se
até a comunidade piscatória e, desde então, conseguiram-se vários
exemplares deste “fóssil” vivo.
Muitos
outros peixes conservam rudimentos dos membros dianteiros e
posteriores nas barbatanas peitorais e ventrais. E nos mangais do
Índico encontram-se peixes, que se deslocam sobre as barbatanas como
se fossem pernas e até conseguem respirar o ar.
Ou
seja, que olhando para as características de uma espécie nos
podemos deparar com detalhes inesperados, por serem comuns a outras
mais definidas.