sexta-feira, 23 de junho de 2017

VIDEO KILLED THE RADIO STARS


Uma composição de The Bugles que foi um êxito em 1979, pela denúncia das consequências, nefastas, que a evolução trazia na manga e que se tornavam irreversíveis.

Inicialmente tinha previsto intitular esta crónica forçando uma similitude entre o eucalipto -que mais uma vez está no foco dos sucessos e estamos cientes de que para o ano voltaremos ao mesmo- e os maravilhosos progressos da electrónica de uso corrente. Daí que tinha magicado EUCALIPTOS E ELECTRÓNICA SÃO ASSASINOS.

Explicarei o porque recordei esta canção:

Esta manhã, depois de deixar o leito e iniciar o percurso caseiro, dei por mim, mais uma vez, entre as muitas com que este pensamento me surgiu, ver que a extensa colecção de molduras que albergam fotografias de antecessores, nomeadamente familiares, incluindo filhos e netas, ficou interrompida subitamente com a utilização, massiva e exclusiva, das fotografias electrónicas.

Em álbuns e caixas de arquivo insisto em manter guardados testemunhos de avós, familiares directos e colaterais, incluindo amigos e até a minha figura. Suspeito que, tal como foi acontecendo com outras peças de arquivo modernas, também esta memória actual, que os mais fervorosos adeptos colocam no arquivo do computador, ou em peças de suporte que se diz serem de fiabilidade a perpétuidade, terão a surpresa, ou nem isso, de ver que a possibilidade de aceder a estes arquivos vai desaparecer na poeira da evolução.

Se os discos de vinil, que muitos ainda continuamos a guardar, já são de reprodução difícil, e para muitos impossível, dada a carência de aparelhagens adequadas, também sabemos que o mesmo aconteceu com as fitas de música. A seguir “morreram” as vídeo cassetes e pouco falta para ficarem obsoletos os discos de computador. Quem se lembra das consolas de jogos que foram viciantes para os nossos filhos, hoje por sua vez pais de outros viciados em jogos em telemóveis, que nunca são da última geração, nem sequer a penúltima?

O que teremos para satisfazer a nossa vontade em avivar a memória visual, caseira, em disposição imediata, daqui a breves anos?


O torrente indomável do progresso electrónico, mais o das novas tecnologias vai trazer o maná para as novas gerações, ou, pelo contrário, conduzirá à deshumanização e ao caos? Espero que não tenha oportunidade para ver o que irá surgir, quando frutificar este casamento entre tecnologias de ponta e consumismo.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A ACTUALIDADE DESACTUALIZA-SE



Arrisco-me ao afirmar que todos, absolutamente todos, somos conscientes de que aquilo que hoje nos é apresentado como de primeira magnitude, amanhã ou poucos dias mais, será afastado da ribalta por outro tema, possivelmente de menor valia social, nacional ou internacional.

Quem conhece em profundidade a volubilidade dos cidadãos, e as técnicas para escamotear temas que incomodam, são os políticos, os mesmos que com frequência e por mérito próprio desqualificamos. Os cidadãos, practicamente anónimos, é que valorizam os seus eleitos de uma forma irreal. Não captamos que eles agem, sempre, consoante os seus objectivos, que raramente até podem coincidir com as prioridades dos cidadãos. Mas depressa darão uma machadada que nos coloque na vida real.

Uma das manobras mais usadas quando se encontram no que parece ser um beco sem saída, popularmente “com as calças na mão”, é a de fazer promessas de acções importantes, necessárias e que até já podem ter sido proferidas em ocasiões anteriores. Sempre com cara séria e mostras de virem a ser zelosos cumpridores. Consoante os temas, e as ocasiões, juntam-se uns abraços, puxa-se alguma lágrima, organizando sempre o espectáculo com a presença dos meios de comunicação, especialmente das televisões. Dá realce e brilho, mas em nada compromete, pois estes mesmos comparsas se encarregam, com zelo profissional, de arrumas o assunto na canto mais escuro da sua despensa mediática.

Só os grandes artistas, os que não se engasgam ao mentir e prometer, é que conseguem singrar na difícil tarefa de governar. Eles tem que aguentar uma larga lista de temas, alguns velhos de séculos, anos, meses ou dias, e outros que surgem de improviso.

Sabendo isso, a cidadania já caleja no azedume de ver que as promessas poucas vezes de cumprem, decidiu actualizar um dos muitos adágios que, desde séculos atrás, cristalizaram o saber e o cepticismo do tal povo que nada ordena.


Dizia-se O PROMETIDO É DEVIDO, mas a realidade vivida esclarece que O PROMETIDO É DE VIDRO, dada a facilidade com que se quebram as promessas. E mais quando elas são enviadas desde o topo, ou por alguém que se admite o representa. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

AFINAL RECORRO A OUTRO OPINADOR

Falto à minha promessa de ser uma vez sem exemplo. O escrito que transcrevo merece ser conhecido pelos meus 3 ou 4 leitores mudos e quedos.

Apanhado da BLASFÉMIAS, que habitualmente está dedicada, em exclusividade, e malhar no governo, na troika e na esquerda em geral. UM ASCO, por serem facciosos obcedaos. Mas tal como o burro soprou na flauta e ela tocou, uma nota, por vezes escrevem arrazoados correctos.


por rui a.

Todos os anos, nos meses de Verão, Portugal arde de norte a sul, de leste a oeste. Todos os anos, depois da «época de incêndios», os políticos fazem declarações exaltadas contra quem governa ou quem governou, por não ter resolver ou não ter resolvido o problema. Todos os anos os governantes anunciam novas medida que resolverão, ou reduzirão muito, este horrível drama nacional, «já no próximo ano». Todos os anos se reclamam duras penas contra os donos de terrenos que não estejam devidamente limpos e preparados para a época incendiária. Todos os anos se pedem castigos mais severos para os responsáveis por estes crimes. Todos os anos choramos os mortos. E todos os anos exaltamos a heroicidade e a coragem dos nossos bombeiros.
Todos os anos é assim, desde que me conheço. Com excepção de alguns poucos em que o clima ajudou, todos os anos Portugal arde, de lés-a-lés, perante a impotência de todos, governantes e governados. Aí há uns dois meses, um responsável, de cujo pelouro não me lembro, teve, na TSF, um assombro de honestidade e disse o óbvio que ninguém aceita reconhecer: se chovesse um pouco mais antes do Verão, as coisas correriam melhor, porque as florestas ficariam mais húmidas e menos explosivas; caso contrário, que Deus nos ajude! Neste ano, desgraçadamente, não ajudou.
Estamos condenados a isto? Estamos, enquanto Portugal for um país pobre, pouco desenvolvido, sem riqueza privada que seja capaz de manter e preservar o que lhe pertence. Porque, apesar das proclamações de António Costa, boas para lhe serenar a consciência e não o fazer perder muitos votos em Outubro, a verdade é que, se alguém falha, ao longo de todos estes anos, é o estado português. Se bem me recordo, uma das funções do estado, de qualquer estado, a primeira razão que justifica o «contrato social» é a de prover a segurança dos seus. Para isso lhe pagamos impostos. Que, no caso português, não são baixos.
Pois bem, o problema não é um problema: são muitos e, afinal de contas, sempre o mesmo: Portugal não tem dinheiro e os portugueses não têm dinheiro. Não tem dinheiro, o estado, para mandar limpar os seus terrenos (antes de chatearem os privados verifiquem como estão as matas públicas…), para montar meios humanos e técnicos de prevenção e de fiscalização, para comprar e manter meios eficazes de combate ao flagelo dos incêndios. Não têm dinheiro, as pessoas comuns, para mandarem limpar os seus terrenos (antes de vociferarem, informem-se sobre o preço do m2 da limpeza de terrenos de mato), para os cultivarem com espécies menos perigosas para o ambiente e para os incêndios (os eucaliptos são um recurso de «tesos» e de quem não acredita no retorno de um investimento florestal a médio, longo prazo…), enfim, para manterem o que é seu. Não tendo, uns e outros dinheiro, o estado faz leis! As leis são a confissão da sua incompetência e impotência face a este problema. Os particulares procuram esquecer que são proprietários.
O problema de Portugal com os seus incêndios só se resolverá a médio, longo prazo. E se quem nos governa não apostar no empobrecimento das pessoas e se as deixar (já não digo incentivar) ganhar dinheiro e mantê-lo na sua propriedade. Tudo o mais é conversa para aliviar consciências e ganhar votos, cujo dramático resultado testemunhamos ano após ano.
rui a. | 20 Junho, 2017 às 16:36 | Categorias: Geral | URL: http://wp.me/pai

segunda-feira, 19 de junho de 2017

UMA VEZ SEM EXEMPLO

Não está nos meus hábitos ligar, sem criticar mentalmente, os escritos que aparecem nas BLASFÉMIAS. Mas desta vez entendí que as reguadas merecem ser conhecidas por mais meia dúzia de pessoas, que são as poucas que seguem este espaço.

O meu pedido de desculpa caso não apreciem esta retransmissão em diferido.

Virella

de Há Fogo, Há Governos Incompetentes

por Cristina Miranda
A história da árvore descoberta em 24h no meio de centenas de hectares de mata no calor da noite, como "única arguida" neste processo hediondo de mortes no incêndio de Pedrógão Grande, não convence ninguém. Como sempre, sempre acontece, nas governações socialistas A CULPA É SEMPRE de alguém ou alguma coisa MENOS de quem governa. Volvidos ano e meio, APENAS de governação, esta aliança de esquerdas consegue o maior feito jamais visto em Portugal num tão curto espaço de tempo: o mérito de ter conseguido as duas maiores tragédias em área ardida e mortes em incêndios.
A verdade é só uma, doa a quem doer: os incêndios em Portugal são da responsabilidade EXCLUSIVA dos governos. Somos o único país no Mundo que "abre" todos os anos a "época de incêndios" amplamente noticiados nos média como se de uma coisa banal e perfeitamente natural se tratasse! Apesar de termos um país pequeno com florestas pouco densas,  Protecção Civil, militares, bombeiros, Kamovs, legislação, estudos mais que suficientes sobre reordenamento de território e estarmos integrados na UE, ainda conseguimos o feito de em pleno século XXI termos povoações a morrer SOZINHAS no combate às chamas!! Valha-me Santa Eugénia!!!! Mas que raio de país de bananas é este? É claro que a responsabilidade não começa e acaba neste governo. Já somos fósforos queimados desde que Salazar foi à vida. Pois claro. Alguém se lembra porque não haviam fogos nessa época? Claro que não convém lembrar... A República das Bananas esteve mais ocupada em fazer crescer as clientelas e lobbies a viver à conta do povo do que zelar por eles. Foram 43 anos a fazer crescer o Estado de forma criminosa para se servirem dele descaradamente e não para servir os cidadãos como é obrigação.  E o resultado está aqui bem à vista. A cada ano que passa as proporções do problema adensam-se. E morre cada vez mais gente. Porque dizem eles que não há dinheiro... Mas houve 18 milhões  para amigos plantarem eucaliptos!!
Mas, quando se está no poder, e não se faz nada para  impedir de todo estas tragédias, somos AINDA MAIS responsáveis que todos os anteriores. Porquê? Simplesmente porque se ignorou o passado recente. Simples. E quanto a ignorar e tomar medidas desastrosas, esta Geringonça de irresponsáveis entrou com Pedrógão Grande para o Guiness. Porque a  9 Junho 2016 a Ministra da Administração Interna reverteu a decisão do anterior Governo recusando concentrar na Força Aérea os meios aéreos do Estado para combate a incêndios e emergência médica.  Porque em 14 Agosto 2016 António Costa afirmou que as verbas para combate a incêndios seriam desviadas da Segurança Interna. Porque em 28 Agosto 2016 depois de ter sido conseguido 50 milhões da UE para a compra de aviões de combate aéreo, pelo anterior executivo, António Costa decidiu recusar esse dinheiro. Porque em Abril 2017 António Costa anunciou que os helicópteros Russos Kamov só voltariam a ser utilizados em 2018, devido aos elevados custos de manutenção. Porque a 18 Maio 2017 António Costa decreta que  bombeiros passarão a ir  de autocarro ou comboio para combater incêndios por razões de contenção de custos. Porque em 2017 para se obter o melhor défice do planeta fizeram-se cortes cegos e obscenos nos meios dos soldados da paz e suspendeu-se remunerações por falta de verbas.
E depois desculpabiliza-se a acção medíocre e irresponsável de todo um governo por via de uma trovoada seca. A sério? Então se assim foi, que respondam: como pode o raio que supostamente caiu numa árvore às 18h ter provocado um incêndio que começou às 15h com ausência total de trovoada segundo os populares? Como é possível não haver registo das horas e localizações das  descargas eléctricas desse dia no IPMA? Porque razão não se viu um único bombeiro a pé ou de carro, um único meio aéreo?  Onde estavam os 700 bombeiros que a Protecção Civil dizia ter disponibilizado e que ninguém viu? Porque razão as pessoas que tentaram fugir foram encaminhadas pela GNR a seguir para a "estrada da morte"? Porque razão às 5h com fogo por todo o lados da estrada, ela ainda não estava cortada? Porque razão só depois do fogo ter feito vítimas, foi notícia nos noticiários? Porque razão o Sr. Afectos não deu uma única palavra sobre responsabilidade do governo nesta acção? Com um fogo de 4 frentes activas porque demorou tanto o pedido de ajuda internacional?
Respondo eu, sem problemas: porque somos governados por bananas. Não há governo, há marionetas. Não há liderança, há ocupação de lugares de chefia para encher bolsos. Porque é nos momentos de crise que se vê a qualidade de quem governa na forma como acodem aos problemas e nas medidas implementadas para os resolver. E estes não resolvem nada, maquilham a realidade.
Podem guardar as romarias ao local da morte, lágrimas de crocodilo e discursos emotivos para os vossos gatos lá de casa. Quem viveu a tragédia, perdeu tudo inclusive familiares sabe bem que foi abandonado por um bando de políticos hipócritas que só aparece no fim das tragédias e antes das eleições. 
Tarde demais. Porque onde há fogo há sempre governos incompetentes culpados pela inacção. Quem paga impostos elevados como nós em Portugal devia ter um serviço público de excelência. Se não o tem é porque o desviam para outros fins. Ponto.

SE NON É VERO, É BENE TROVATO



Este escrito teve um título inicial de FÉ E RACIONALISMO, mas uma vez escrito optei por um outro (o que está como cabeçalho) que nos pode alertar para aceitar o aviso de que nem tudo o que luz é oiro. A razão desta mudança não é outra do que, mesmo que sempre circulassem notícias falsas e existisse a contra-informação, temos a impressão de que hoje atingimos a um cúmulo de informação que não deveríamos aceitar. Sendo assim é prudente desconfiar, e depois podemos lastimar que, de facto, nos enganassem.

Desta vez, caso o que vimos e ouvimos nos situam perante uma situação pouco habitual quando, já em pleno século XXI, julgávamos que a racionalidade tinha adquirido um nível de crédito que, sem dúvida, ultrapassava a habitual fé cega. Recordemos, para nos consolar, que muito tardou a Igreja Católica em aceitar que a Terra, nosso habitat, girava sobre um eixo e percorria uma órbita, não circular, em torno do sol. De onde se hoje não foi mesmo assim que as coisas foram ditas, pode ser que amanhã venham a ser confirmadas.

O actual Papa (da Igreja Católica, pois que existem outros papas em serviço activo) escolheu o nome de Francisco quando foi eleito pelo colégio, sob a orientação do Espírito Santo (creio que é assim que afirmam acontecer) na sua visita a Fátima, na data em que se celebrou o centenário da aparição da Virgem Maria aos pastorinhos ainda em estado de rusticidade acentuada.

Ao longo das notícias que se difundiram naquele dia, muitas delas sem o mínimo interesse, anunciaram que o Papa Francisco entendeu, por bem ser, afirmar que de facto o que aconteceu foram visões (mentais) e não aparições, assim como não podem ter existido diálogos ou discursos directos entre a mãe de Jesus e as crianças. Caso de facto fez estas afirmações, estaremos num momento histórico, só equiparável à anulação da sentença sobre Copérnico.

Possivelmente seria a primeira vez que um Papa, na dignidade de ser o máximo dirigente da Igreja Católica, teria a “ousadia” de colocar as pretensas aparições no seu estatuto real. Mas devemos notar que preferiu não entrar na catequização que de deve ter sido efectuada sobre aquelas crianças. Esqueceu ou deixou para outra ocasião. A não ser que valorize, prudentemente, não oferecer argumentos de peso aos críticos ateus.

Insisto: a ser verdade estas declarações que se atribuem ao Papa Francisco, muito do que se faz e diz em Fátima, e que é a base de um complexo negócio multimilionário, teria que ser actualizado, limpo de fanatismos sem sentido e orientar a fé dos crentes na divindade de uma forma mais espiritual, menos materialista.

Não podemos pensar em que os humanos, ou uma boa parte deles, abdiquem da sua fé no que não e palpável. O pensar e acreditar em divindades, sejam protectoras ou castigadoras, é inato para muitos. Tentar negar a sua fé. seja ela qual for, poderia colocar muitas pessoas num estado de orfandade anímica da qual dificilmente seriam capazes de ultrapassar.

Apesar desta necessidade de apoio, de travão, ou de orientação, que é sentida por uma notável parte da humanidade, desde os tempos mais remotos, aquilo que o Papa Francisco nos disse, (insisto: caso tenha-se manifestado como se noticiou) de uma forma subliminar, nas entre-linhas, é que antes de nos entregar cegamente a certas manifestações de credibilidade duvidosa, os crentes deveriam procurar saber e entender o que realmente aconteceu, e deduzir se de facto aconteceu algo notável, surpreendente, inexplicável.


Quem é apreciador de espectáculos de ilusionismo sabe que, por trás daquelas coisas inexplicáveis, existem truques que raramente o cidadão normal e corrente pode descobrir.

JÁ NOS HABITUAMOS



Não só é percetível que a cidadania deste Portugal, tão mal tratado pelos seus irresponsáveis, já se encontra no mesmo estado anímico daquele que foi sujeito a maus tratos desde a mais tenra infância. Ficou tão calejado que mais pancada ou menos pancada pouco o incomoda.

Apesar do alarido, do impacto visual e do sentimento de impotência junto à solidariedade, o facto de que TODOS OS ANOS, se assista à mesma cena e se oiçam não só choros e lamentos, relatos de terror e morte, mas também alguns comentários coerentes e sensatos com a situação sócio-económica e, por reflexo, de abandono dos campos, que se instalou, como uma praga, que de facto é, no Pais. O mais triste, se avaliarmos o futuro imediato, é que pouco (ou, se calhar, nada) se fez para retirar a espada que pende sobre as cabeças, e seus bens, dos que ainda estão radicados nas zonas “florestais” que restam.

É unânime, entre aqueles que não estão comprometidos com os “altos interesses da Nação” que a plantação intensiva de árvores com interesse industrial -para as celuloses- constitui um perigo não só potencial como efectivo para as populações e o País em geral. Disso creio que os cidadãos estão todos cientes e clamam, nem que se mantenham calados, como é costume, no sentido de que se deveriam tomar medidas efectivas e não só retóricas.

Insisto em que este sentimento está restrito aos que não estão comprometidos, pois estes fazem ouvidos moucos e só tentam compensar com reacções pontuais, mais visitas de condolências, abraços, beijinhos a granel (dos quais, dada a sua profusão constante já deixaram de ser valorizados) e regressar para os seus ninhos, com o sentimento de terem cumprido o seu dever cívico, ou mais propriamente cínico.

Mas olhemos para o lado dos afectados:

O interior do País, que hoje começa numa paralela afastada do mar a poucas dezenas de quilómetros, está já practicamente desabitado, a não ser os núcleos urbanos com alguma importância. Em muitos casos só resistem idosos ou famílias que conseguiram criar algum rendimento que lhes permita insistir na teimosia de não abandonar aquele terreno, que é seu!

Mas aqui entra a bruxa má do conto de Branca de Neves (e os quarenta ladrões de outra história. Se bem que são muitos mais do que as quatro dezenas) Desta feita o visitante, com artes de convicção, não vem mascarado de bruxa de nariz ganchudo e verruga preta no topo deste pedúnculo.

Habitualmente é alguém que está ligado com a indústria da celulose, e que apresentando-se aos residentes isolados, com as boas maneiras de preceito, lhes diz que traz o maná, pois ele entende as suas necessidade e verifica ser uma lástima terem aqueles terrenos em pousio, improdutivos, abandonados, ermos. Ele pode “ajuda-los”, sem custos, para poderem ter um rendimento periódico, quase que perpétuo (?), se aceitarem que ali se plantem eucaliptos. E mais o blá-blá-blá que trazem engatilhado. E quem diz eucaliptos pode dizer pinheiros bravos, pois o que interessa é garantir madeira como matéria prima.

De nada vale que os estudiosos insistam nos malefícios destas duas culturas florestais intensivas. Podem esganiçar-se, escrever, apresentar estudos académicos, ouvem mas viram a cara, e a cabeça, para outro lado. O único efeito visível ó o de lhes mostrarem caras sisudas, querendo demonstrar que os entendem e que lhes querem dar todo o apoio que merecem. Mas nada de positivo. Nem sequer os comovem os relatórios de que o eucalipto não deixa crescer a flora baixa normal das florestas, que “envenena” as terras, além de que seca os aquíferos, pois não se cresce com aquela rapidez sem consumir água, que, com as suas raízes, procurará ansiosamente. Até os caçadores sabem que estas florestas não acolhem animais selvagens. Nada disso interessa.

Então pergunta-se: Se todos estão cientes destes perigos, porque se insiste, impunemente, em deixar não só plantar estas espécies de risco, como em as promover descaradamente?

É fácil de entender.

Por um lado o proprietário decide optar pela promessa de rendimento por não ter outra alternativa, e menos com apoio. Mas a razão principal está nos grupos de pressão, sumamente efectivos, que estão instalados nos departamentos oficiais que podem travar esta invasão e não o fazem. Se formos beatíficos e carregados de boa vontade, aceitaremos o argumento, sempre presente, de que esta indústria da celulose é uma das que proporciona maiores ingressos ao tesouro público; que é um exportador de primeira ordem, e que tem que ser protegida, promovida, nem que seja de uma forma pouco clara, PARA BEM DA NAÇÃO.

Quem for excessivamente maldoso é capaz de imaginar a existência de compensações pessoais que justifiquem esta continuidade. Longe de mim pensar estas velhacarias, nunca provadas.


E para o ano haverá mais incêndios, caso ao longo de 2017 não tenham queimado o resto. Mais vítimas, mais desgraças e mais beijinhos e abraços, nem que seja por outras motivações. Estamos numa de carinhos.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O POVO É QUEM MAIS ORDENA


Podemos acreditar, piamente, nesta que foi palavra de ordem quando a revolta dos capitães, e depois verificar como e em que sentido foi agarrada pelos extremistas da esquerda? E como os conservadores, aparentemente vencidos, mas nunca convencidos, reagiram com ajudas camufladas, mas evidentes, e com a colaboração do deus socialista, que bem soube amordaçar aos que o incomodavam ou criticavam.

Será que o tal povo que se entusiasmou não passava de um grupo de exaltados, alguns deles perigosos, mas na sua maior parte a raiar no lirismo, por desconhecerem a impossibilidade de que o tal dito “povo” conseguisse ser capaz de arrumar as suas ideias, caso sejam de facto suas, engendradas nas suas cabeças, em geral ocupadas com temas muito mais imediatos do que o governar um território, e, após esta, hipotética, arrumação poder enfrentar a marcha do País?

Para complicar tudo, antes de começar, é imperioso entender que não estamos isolados numa pequena ilha da Polinésia, ou numa área esquecida nas profundidades das selvas da Amazónia ou da Papuasia. A realidade, é que não podemos fugir. Tudo nos recorda que estamos inseridos num mundo ocidental, muito complexo, e que pouco nos resta de liberdade decisória, pelo menos nos temas que se imaginava que o tal “povo” nos poderia orientar.

Sabemos que podemos decidir ser sócio ou adepto de um clube determinado. Assim como podemos escolher entre ir ver as marchas de Lisboa, inventadas pelo Estado Novo e que tanto agarraram as querenças do tal “povo”, ou escolher entre sardinhas assadas e febras de porco grelhadas. Existem bastantes mais opções para que o povo se entretenha. Entre elas imaginamos a de guerrear com o vizinho, matar a mulher, o amante responsável dos chifres, ou bater com a porta e partir para outra, pois o que por aí não falta são mulheres.

São muitos os caminhos que estão abertos a este “povo” que mais ordena. Mas desconfio que com estas pessoas não teríamos muitas possibilidades de sair da cepa torta. Quiçá nos afundaríamos mais depressa e mais profundamente do que com esta elite que, em principio, escolhemos, e que está mais preocupada com o trabalho de encher os seus bolsos do que em servir a população, que tanto ordena (?)

Ou seja, se a tal jangada de pedra nos colocasse num local isolado, onde nem sequer os satélites bisbilhoteiros, ou mirones inveterados, nos descobrissem, então podíamos inclusive nos dedicar à antropofagia e a miniaturização das cabeças dos nossos vizinhos, entre outras agradáveis actividades.

Infelizmente e sem tentar descortinar as forças e preconceitos, uns visíveis e outros ocultos, subjacentes, que continuam a prevalecer nas decisões sociais em que a população em geral, ou seja, incluído o povo e as elites, votam sem saber bem o que é que os espera. Havendo festas e bola, comezainas e facebook nada mais importa neste reino. Nem vale a pena tentar avisar que entre o dizer e o fazer muita coisa há meter. Eles, eleitores activos ou abstencionistas, já ouviram falar da cruel realidade, mas preferem virar a cara e não se ralar, pelo menos no dia de escolher, pois que no dia seguinte raro será o elemento que não se lamente.


Não esquecemos que é obrigatório não perder de vista os astutos, vivaços, desavergonhados e anexos que sabem perfeitamente aquilo que desejam. Os outros, os que sem pensar, lhes abriram a porta, deveria estar cientes de que estes desejos não incluem o se preocupar pelas necessidades mais prementes e convenientes para o tal “povo que mais ordena”