Neste espaço pretendo colocar relatos de experiência próprias e algumas elucubrações mais ou menos disparatadas.
sábado, 10 de junho de 2017
quarta-feira, 7 de junho de 2017
terça-feira, 6 de junho de 2017
O MONTEPIO, A SANTA CASA E AS MISERIC+ORDIAS
O
MONTEPIO, A SANTA CASA E AS MISERICÓRDIAS
Um
tema que ...
domingo, 4 de junho de 2017
MAIS LENHA À FOGUEIRA
O
tema dos carros eléctricos, excluídos os que chocam
provocando o gáudio dos ocupantes nas pistas das festas locais,
ainda dará bastante pano para mangas. As mangas serão tantas que
muitos coletes vão ser transformados em novas peças de vestuário.
Recordemos
que foi para substituir a tracção de sangue, identificada pelas
mulas, que se electrificaram os anteriores “americanos” também
conhecidos, na época, como “choras”. Foi um progresso nas
deslocações citadinas, que posteriormente tratou de eliminar a
sujeição ao traçado de carris de ferro, embutidos no pavimento,
usando uma dupla linha eléctrica, uma com corrente e outra para
fazer a ligação à terra. Eram os chamados trólei-bus, com rodados
de borracha. Mesmo com esta evolução permanecia a imposição de um
percurso fixo e a impossibilidade de poder ultrapassar um veículo
avariado por outro funcional.
Ou
seja, que as tentativas de reduzir a emissão de gases poluentes
originados na combustão dos motores dos veículos, já se tinha
ensaiado mais de um século atrás. Mas a evolução da sociedade não
parou e as exigências dos cidadãos incluíram o poder usar um
veículo próprio.
A
solução a muitos dos problemas técnicos que retraiam a introdução
massiva de automóveis movidos pela energia eléctrica estavam
centrados no peso das baterias necessárias para garantir a potência
desejada, e também na recarga das mesmas quando deixavam de
responder. Progressos técnicos nas baterias conseguiram reduzir, em
parte, os inconvenientes sentidos pelo utente.
O
que impulsou a introdução destas viaturas, quase autónomas, foi
não só o sentimento de respeitar o ambiente e o receio de
contribuir ao temido aquecimento global, mas algumas decisões,
mais prosaicas, que os governantes tomaram. Por um lado a instalação
de um número de centros de recarga das baterias que equivalesse à
actual rede de venda de combustíveis, o que ainda não está
plenamente conseguido, mesmo com o recurso à “carga rápida”. Um
aumento de veículos deste tipo, se activos, obrigará a colocar
mais postos de recarga, evitando assim as enervantes filas de espera.
Outro
factor exógeno foi o de os governos arcarem numa fracção,
importante, do preço de venda destes veículos, no intuito de os
tornar mais apetecíveis ao comprador. Neste momento já se fala em
eliminar este subsídio, o que seria uma série machadada nos países
em que a decisão se torne efectiva.
Olhando
para o transito actual, maioritário com motores de combustão
interna, podemos imaginar que os carros eléctricos podem ser uma
parte da solução para os fluxos pendulares de entrada e saída das
cidades e distribuição dos cidadãos para os seus lares, muitos
deles sitos em locais relativamente distantes e onde a rigidez dos
transportes colectivos não os satisfazem. Será possível instalar
postos de recarga em locais e número equivalente aos actuais postos
de combustíveis?
Com
mais ou menos esforço, e com uma revisão profunda da rede de
transportes colectivos, os veículos com motor eléctrico podem ser
parte da solução para os urbanitas. Mas onde a porca torce o rabo
será nas zonas maiormente agrícolas, dos tractores e veículos de
carga. Muitos residentes fora dos núcleos urbanos, incluindo vilas,
possuem viaturas “clássicas”, que usam esporadicamente e, em
muitas ocasiões, para percursos curtos. Estes cidadãos não é
provável que se decidam por juntar um carro eléctrico à sua frota.
Independente
destes raciocínios especulativos é pertinente recordar que existem
poderosos interesses económicos que pressionam num ou noutro
sentido, nem sempre opostos, mas cada um puxando a brasa para a sua
sardinha. E entretanto planeta continua a girar, em mais um ciclo de
aquecimento/arrefecimento, desta vez com a colaboração teimosa e
insensata do homem.
NOTA:
ao citar homem não aponto
ao Trump, mas ao bípede geral que nos representa, incluindo mulheres
e variantes.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
SOBRE O AQUECIMENTO GLOBAL
A
notícia do dia é, sem dúvida, o anúncio do presidente ELEITO
americano, de que cumpria uma das suas promessas eleitorais,
retirando os EUA dos Acordos de Paris. Depois, de imediato,
quis modular este abandono caso aceitassem as suas novas propostas,
ainda não definidas.
Independentemente
das políticas, dos jornais, dos comentaristas que empurram ou puxam,
e que nem sempre dominam a visão abrangente do problema, sinto que
este tema comporta factores importantes que, sistematicamente, são
pouco referidos.
É
indiscutível que o progresso tecnológico iniciado no séc XIX com a
possibilidade de complementar as energias eólicas e hidráulicas,
então não poluentes no seu funcionamento, pelas máquinas de vapor,
deu-se início a uma progressiva necessidade de muita energia activa,
socorrendo-se da energia potencial existente nas matérias
combustíveis, dando uso à energia libertada neste processo
químico, tão quotidiano desde que nos abrigava-mos em cavernas
e aquecíamos com fogueiras.
Simplificando.
O que está sucedendo é que a sociedade em geral não deixa de
consumir, cada vez mais, energia fóssil, dado que o recurso
ás energias renováveis, não poluentes no funcionamento,
não deixam de ser contribuintes ao
aquecimento global na sua geração como máquinas ou
barragens. Outro tanto poderíamos dizer sobre as centrais
foto-voltaicas, cujos painéis e acessórios não surgem da terra
como as ervas silvestres.
Entre
um moinho artesanal, farinheiro,
e uma série de turbinas eólicas
de grande porte, existe uma ingente diferença de consumo energético.
Não me parece que seja necessário explicar como se obtêm os
componentes, tão “limpos”, nem as redes de cabos eléctricos.
Entre uma azenha e uma barragem
existe, também, uma disparidade enorme de consumo de energia e
consequente poluição ambiental. Habituam o cidadão a imaginar que
os kWh produzidos nas turbinas, sejam movidas pelo vento ou pela
energia potencial da água armazenada, caso tiver uma cota
suficiente, são equivalentes aos métodos antigos. FALSO.
Deixemos
de lado a utilização da energia atómica, que teve a sua
fase de prometedora fonte inesgotável, e não poluidora, mas que
dadas as sucessivas catástrofes está desacreditada.
Incidindo
sobre os Acordos de Quioto e Paris, e não esquecendo a
contínua necessidade de energia que a sociedade actual impõe, o que
de facto se comprometeram foi transferir a poluição para outro
lado. Para debaixo do tapete. E assim poder descer uns pontos,
poucos, nas suas emissões de gases
poluentes e libertação de calor, com a consequente
colaboração ao aquecimento global.
Mas
continuamos a fabricar, ou transferir as fábricas poluentes, para
países que aceitam esta poluição. Conseguir uma tonelada de aço,
ou de outro metal qualquer, indispensável, assim como de produtos
manufacturados como seja o vidro, matérias plásticas, transístores,
ou seja o que for, inclusive cozer o pão, carece de uma quantidade
determinada de energia. Extrair minérios, seleccionar o mineral da
ganga, aplicar toda a série de manipulações indispensáveis, e
sempre poluentes, é mal visto quando é feita na nossa casa. O
melhor é transferir estas tarefas
para países do terceiro mundo.
É
semelhante o que sucede com os resíduos tóxicos de difícil
e dispendiosa neutralização. Não é aceitável que os guardemos,
mais ou menos escondidos, no nosso território. A solução que se
adopta, procurando que não seja conhecida, é a de enviar estas
matérias,indesejáveis, para países que as aceitem, desprezando os
perigos que comportam. E aceitam isto por uma bagatela de dinheiro.
Todos
vimos reportagens de como o desmantelamento de navios obsoletos
passou para portos asiáticos. Tal como a recuperação de
componentes metálicos, valiosos e escassos, das aparelhagens
electrónicas. Tarefa que é feita de forma primitiva. Sem cuidados
de protecção, e estragando o ambiente local, mais a saúde dos
desgraçados que aceitam este trabalho em opção à fome.
Apesar
da visão mirífica que se quer dar aos benefícios dos carros
eléctricos, não se pensa que a totalidade das viaturas,
incluídos os de transporte de mercadorias, possam ser movidos com
recurso a baterias. E estas baterias, tanto na sua construção,
desde a mineração até ao fabrico de componentes e, posteriormente,
à sua reciclagem, não poluem nada? Não consomem energia? Ou são o
milagre de chegar ao movimento contínuo sem consumir? Isso deixando
na gaveta a poluição do ar a que contribui o desgaste dos pneus de
milhões de viaturas circulando, travando e acelerando.
Portanto,
o que fez o presidente Trump foi dar um sopro de esperança
aos seus votantes de “colarinho azul”, que ficaram desempregados
ao fechar as minas e as siderurgias, mais as fábricas de automóveis
e outras indústrias com custos de mão-de-obra “exagerdos”. Será
que, de facto, vai reabrir estas instalações ou não passa de uma
manobra?
Os
magnatas do petróleo e das suas refinarias não aceitarão de bom
grado fechar estas instalações, poluentes, pois ficariam nas mãos
dos que as mantivessem activas noutros países. Mesmo que os texanos
comprem as refinarias radicadas fora dos USA sempre existirá
o perigo de que, um dia, pensado mas não concretizado, surja uma
decisão local de as nacionalizar pela força.
A
quem não podemos enganar com manobras de política é ao planeta.
Seja qual for o local onde se localize a fonte de poluição, os
efeitos serão sempre globais. E mudar os hábitos de consumo
energético, que incluem acções tão banais como ir às compras ao
hiper, usando o automóvel, e onde encontramos produtos que foram
levados até lá por um batalhão de camionetes de transporte, e
recuando sempre chegamos às minas de carvão e minérios metálicos,
não é natural que voltemos ao burrinho e à carroça. Por
enquanto...
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