segunda-feira, 17 de abril de 2017

VEM AÍ AS MOSCAS

Com o aumento da temperatura a bicharada prolifera. A partir daí já sabemos o que nos espera. Sendo um cidadão previdente decidiu que estava no momento certo de se prevenir.
Neste sentido dirigiu-se a uma drogaria que estava no seu percurso habitual. Alí decorreu o diálogo que segue:

- Boa tarde. Pode-me atender?
- Com certeza, e com todo o prazer. Em que o posso servir?
- Não será difícil. Tem um remédio para as moscas?
- Precisamente chegou ontem um produto de excepção. Mas terá que tomar muito cuidado com crianças e animais de companhia.
- Pode estar tranquilo,pois sou uma pessoa consciente e cuidadosa.
- Aplique o produto sobre um isco e garantimos que depois de pouco tempo. Uma hora no máximo. Só verá moscas mortas no chão.
- Mas o que propõe horroriza-me! Não é meu propósito liquidar as moscas! Antes pelo contrário. Eu vinha procurar um remédio para as curar do extermínio que os homens decidiram aplicar a estas criaturas,

GLOBALIZAÇÃO OU NOVA COLONIZAÇÃO



O facto de que me mantenha em regime de reclusão domiciliária, admitindo que, em parte, por vontade pessoal, pelo menos, no que respeita à carência, quase que absoluta, de “vida social”, tal não impede a minha cabeça sofra desvarios e a pensar em horizontes que não conheço directamente, mas que admito existem.

A madrugada é a fonte de inspiração, e a última não falhou. Meditava eu na enorme reviravolta em que está o mundo. Só comparável a alguns dos grandes acontecimentos históricos que nos precederam e que ainda recordamos. Basta referir, como exemplo, a formação do grande império mongol, ou do fim do império romano, a descoberta formal do continente americano, ou da rota para as Índias orientais.

Aquilo que, a meu entender, está marcando o roteiro é a substituição da antiga colonização e esbulho das riquezas e trabalho dos povos não ocidentais, sempre conseguido pela força das armas, e depois do dinheiro, e que actualmente funciona com base à globalização e com o recurso às novas tecnologias. Identificadas com a informática e o automatismo. que dispõe de uma arma muitíssimo eficaz para descaracterizar os povos, novamente escravizados, mas que por não recorrer à força bruta mal se apercebem do que lhes espera.

Como me acontece quando utilizo este sistema de escrita tão actual (enquanto não for substituído por outro) tudo funciona aplicando uma linguagem que, derivada do inglês, certamente seria ininteligível a Shakespeare ou a Lord Bacon. A maioria dos termos utilizados são de poucas letras, curtos e incisivos, mas aos quais correspondem funções basilares para conseguir obter uma utilização eficiente das imensas possibilidades que a informática nos proporciona.

Esta situação está ocasionando uma cultura muito centralizada, cada vez mais funcional ou pelo menos afastada da leitura em papel e dos temas clássicos. Os mais jovens sabem que hoje o domínio da língua inglesa, e em especial da utilizada na informática é fundamental. Até certo ponto, mas respeitando as diferenças existentes, é semelhante ao fenecido domínio do latim, que deixou de ser ensinado massivamente e ficou reduzido aos textos religiosos, a certas expressões do domínio da jurisprudência e, juntamente com o grego clássico, para a composição de termos científicos de novo cunho.

É reconhecido que os povos, tanto de regiões concretas do ocidente, como de países que foram formal e factualmente colónias até poucas décadas, quando os seus representantes pretendem comunicar com países mais avançados tem que utilizar alguma língua europeia, que já foi o francês mas que hoje é o inglés, ameaçado de perto pelo chinés.

Esta realidade leva-me a deduzir que as línguas regionais e autóctonas tendem a ser cada vez mais residuais, a só servirem para comunicar entre pessoas sem representatividade perante o exterior. Vendo do lado mais negro, a globalização carrega armas poderosas, que não se resumem à exploração comercial mas, socialmente, a uma cada vez mais notória descaracterização das populações autóctones. Neste sector da uniformidade linguística incluo, como deixei indicado na primeira linha deste parágrafo, a limitação das variantes regionais no estrito âmbito familiar ou, quando muito, válido num sector da população que seja cioso da cultura herdada.

Ao referir o declínio do latim quando a Europa medieval foi desmembrada e se optou por dar valor às línguas utilizadas pela população em geral, é citada a data de 880 por corresponder ao mais antigo escrito, conhecido até hoje, totalmente redigido no francês popular. A data é importante por corresponder à entrada oficial da primeira língua derivada do latim. Hoje, ouvindo como falam os jovens, já absortos na referida informática, sente-se como inserem muitas palavras inglesas no meio dos seus discursos.


Pergunto: surgirão novas linguagens, não eruditas, no seio dos diversos países, derivadas deste inglês “abastardado”? Ou seja, veremos que a história repete-se com novos actores?

quinta-feira, 13 de abril de 2017

UMA AMOSTRA







Se conseguirem manobrar a fotografia adjunta terão a oportunidade de poder apreciar uma pequena parte dos trabalhos de modelação e pintura, fruto da minha dedicação, ao longo de bastantes anos, ao tema de como surgiram os mitos dos dragões, muitos deles ligados às serpentes e a interpretações esotéricas.







O REI DE NARIZ TORCIDO

O REI DE NARIZ TORCIDO

Depois de uma serie de possíveis títulos, sempre dentro do cariz nobiliário, optou-se por referir uma das características dominantes deste monarca.

O retratista utilizou uma palete de materiais que ultrapassam a conhecida Arte Povera. Socorreu-se de pedaços de madeira já rejeitados, excepto as que serviram para representar a barba encanudada da insigne personagem. Mesmo assim só se pode qualificar como uma porcaria paupérrima.

O autor, que rejeita que o qualifiquem de "artista", por considerar um insulto, tato para si como para os verdadeiros artistas plásticos, nas suas diferentes vertentes.


terça-feira, 11 de abril de 2017

COMO IMAGINAMOS OS EXTRATERRESTRES

COMO IMAGINAMOS OS EXTRATERRESTRES

Longe vão os tempos em que as mentes especuladoras imaginavam a existência de seres residentes noutros planetas, ao estilo dos selenitas (semelhantes a galináceos) que os intrépidos irmãos Lumiére encontraram ao visitar a Lua.

De então para cá há centenas de “testemunhas fidedignas” que afirmamn sermos visitados insistentemente. Com propósitos nada claros a julgar pelo que os especuladores descrevem. Foi comum, e persistem hoje, entre os vocacionados a imaginar como seriam os seres de outro mundo, apoiarem-se em animais nossos conhecidos na Terra, incorporando partes de uns e outros, tal como se gerassem uma nova quimera.

Os avanços científicos e, em concreto a noção das distâncias que nos separam de outros mundos, e dos limites que ainda se consideram como impossíveis de ultrapassar, pelo menos enquanto não surjam novas teorias na física e astronomia, fecham-nos no que respeita a visitar ou sermos visitados. Por enquanto a velocidade da luz é um obstáculo inultrapassável. Que inclui a dificuldade, até hoje sem resolver, de poder transmitir matéria dum ponto a outro, seja na Terra como fora dela.

Como conseguir? As mentes mais expeditas dizem que isso se conseguirá enviando os átomos como mensagens de radio e reconstruindo o objecto, ou a pessoa, no outro lugar. Para tal, além de muitos problemas tecnológicos ainda nem sequer esboçados, implicaria a existência de um equipamento receptor e reestruturador no ponto onde desejássemos enviar o tal tele-transporte. Ou seja, que não bastaria fazer pontaria a um planeta determinado se não existisse, disponível, uma aparelhagem receptora e reconstrutiva. Daí que antes deste teletransporte teriam que ter ido os montadores, fossem humanos ou robots comandados desde a Terra ou uma base de terrestres em local próximo.

Apesar destas dificuldades, por enquanto impossíveis de ultrapassar, continuamos a imaginar seres extraterrestres. E, como sempre aconteceu, a base destas criações é função do que conhecemos ou que damos como ser possível no futuro mais ou menos próximo.

Quando se admite que os seres imaginários devem ter um aspecto plausível a especulação, mais uma vez, parte do que sabemos. Assim sendo os humanoides em questão, possivelmente dissemelhantes de nos, devem ter um conhecimento científico bastante superior ao nosso. E isso implica terem um cérebro ainda mais volumoso do que o nosso. Por isso é habitual serem representados como dolicocéfalos em grau superlativo. Ter tanto poder mental liberta-os dos esforços físicos e, em consequência imaginam-se corpos frágeis, qual pigmeus anoréticos.

Outros inventivos já dispensam o corpo físico. Reduzem estes seres, hipotéticos, a uma espécie de hologramas, que devem deslocar-se pela força do pensamento, e esta não deve obedecer às nossas leis da física. Mas então como se explicam as pretensas naves galácticas que se afirma nos visitam com insistência?

Poder acreditar nas notícias, nunca confirmadas oficialmente, de visitas de seres de outros mundos colide, frontalmente, com todo o progresso que se tem feito na astronomia e no envio de naves exploratórias. Estes sucessos estão baseados nas teorias da relatividade restrita e geral, cujos postulados iniciais nos foram dados por Einstein.

Admitindo que as fronteiras do conhecimento são colocadas, constantemente, mais longe dados os avanços que, progressivamente, se alcançam, devemos ser cientes de que faltam grandes saltos até conseguir, se tal for possível, ultrapassar o nosso sistema solar e mesmo a nossa galáxia. Se hoje outros seres nos conseguem visitar é pertinente deduzir que, comparativamente, somos uns primitivos e que os nossos foguetões equivalem às pirogas dos nativos que tão brilhantemente colonizamos.



ONDE ESTÁ A RESPONSABILIDADE ?



Antes de iniciar a apresentação do meu parecer, que corresponde ao de um velho com 79 anos de casa, quero dar entrada a um pequeno excerto do que um reputado psiquiatra manifestou:

Uma atitude que o psiquiatra juvenil Daniel Sampaio considera ser um reflexo de "um défice de autoridade" por parte dos pais. "Os jovens devem ser responsabilizados pelos seus gestos e comportamentos. Depois os pais têm de exercer autoridade, não autoritarismo, mas autoridade baseada numa relação de regras com cumprimento de direitos e deveres, que deve começar na infância."

As ocorrências recentes, em diversos patamares da vida nacional, mostram como o sentimento de irresponsabilidade se instalou fortemente entre nós. O caso dos excessos de incivismo e carência de educação que foram destacados estes dias, apontando a grupos de jovens, que se julgam adultos, mas irresponsáveis, nem sequer é uma situação nova.

Antes de que os grupos de jovens, sem hábitos de qual deve ser o seu comportamento segundo as normas de convivência social, se tornassem evidentes num hotel na costa sul de Espanha, já anteriormente se tornaram indesejáveis nas unidades hoteleiras entre a costa de Tarragona até a norte de Barcelona. Parece que entrou no fosso do esquecimento os que morreram ao tentar saltar de umas varandas para outras, possivelmente incitados pela vontade de armar barraca, associado a uma desejada embriagues. Outros grupos, nomeadamente de ingleses, já antes deram exemplo deste péssimo comportamento. Cá temos por hábito imitar, e habitualmente as imitações são piores do que os originais.

Tal como nos diz o Professor Daniel Sampaio, o cerne deste problema comportamental está nos pais, e até acrescento de muitos avós. A obrigação de educar e orientar os descendentes degradou-se com a evolução da sociedade.

É reconhecida a concepção errada, mas instalada em demasiadas famílias, de que o civismo deve ser ministrado pelos docentes nas escolas, abdicando com total descontracção do que sempre foi uma das principais tarefas e obrigações dos adultos para os seus descendentes. É no seio da família que se devem inculcar as boas regras. Assim fazem a maioria dos mamíferos, animais que qualificamos de irracionais, mas que mostram ter um sentido de responsabilidade maior do que os humanos da actualidade.

Outro sintoma que nos é desfavorável é o de os pais entregarem importâncias excessivas de dinheiro aos seus filhos, por não resistirem com a autoridade que, no fundo, os educaria na sensatez. Deste facto, inquestionável, podemos concluir que, apesar da sempre referida crise, existe um sobrante de dinheiro disponível, seja resultado de trabalho ou negócios, ou conseguido através de crédito. Seja como for, habituamos mal os jovens. E muitos dos pais actuais já foram assim mal educados.

Outra faceta que está presente neste acontecimento, que insistem em apresentar como pontual, é o de desculpar as tropelias, como se o alardear de incivismo seja justificável. Desculpar a chusma, mesmo que se confirme serem uma parte do todo, não é método que eduque. Tão ladrão é o que vai ao nabal como o que fica ao portal.

Esta tendência a desculpar, usando subterfúgios e deixar os evidentes responsáveis de fora, nem sequer é exclusivo de Portugal. As manifestações emanadas dos países do sul da UE a propósito das palavras, de Dijesselbloem qualificando, de uma forma descontraída e até amiga por não ser tão agressiva quanto poderia ter sido, é uma dupla vergonha.

Em primeiro lugar, e com destaque, todos somos conscientes que muito do dinheiro que, desde os centros de decisão da UE, foi entregue aos países do sul com o propósito de que recuperassem o seu atraso em relação aos mais avançados, foi mal gasto, desapareceu sem dar os resultados prometidos. Indo, mais uma vez, ao rifoneiro, ali encontramos Dinheiro “emprestado” será mal parado. Ninguém duvida nem pode por as suas mãos no fogo pela boa gestão daquelas enormes verbas.


Mas este reconhecimento interno não impede que tantos gritem, berrem, se mostrem ofendidos, e “exijam” a demissão de quem, a meu ver, pode ter sido infeliz quando não pretendia ser demasiado explícito. Poucas opiniões encontrei, sem as procurar exaustivamente, onde se escalpelize a verdade dos factos.

domingo, 9 de abril de 2017

TEMOS QUE ACERTAR O PASSO



Contam, aqueles que “fizeram a tropa, quando recordam a recruta, que para alguns era difícil acertar a passada, e não trocar os pés, com os restantes membros do pelotão. Penso que para a estrutura militar poder apresentar um grupo compacto de soldados marchando síncronos é a primeira mostra de que não se trata de uma, patuleia (termo que teve origem na tropa, mais ou menos irregular e com pouca preparação prévia, integrada no Partido Popular na revolução de 1876). Hoje estas formaturas são reservadas, quase que exclusivamente, para desfiles em parada, pois aquelas cargas de infantaria que eram normais nas guerras que antecederam a de 1914-1928 já passaram à história.

Mesmo assim e dado que os tempos mudam, e neste século as mudanças são tão rápidas nos campos da tecnologia, e em especial de tudo o que estiver ligado à informática, que é difícil conseguir adaptar-se com a mesma ligeireza em todos os sectores que afectam à nossa vida em comunidade.

Sentimos que nem todos conseguem, ou dão a mesma importância às mudanças sociais do que aquela que aplicam às novas tecnologias, tanto de informação, como de trabalho e recreio. Admite-se que está à nossa disposição um fabuloso manancial de conhecimentos, como se as bibliotecas anteriores não tivessem existido.

Neste capítulo do conhecimento, da erudição, do saber, é pertinente considerar que não basta ter as estantes repletas de volumes de toda a índole, ou mesmo se restringida a certos capítulos. De pouco servem os livros se não são consultados. Assim como também é fundamental ter a mente preparada para que oriente os nossos passos na pesquisa e, depois, para possibilitar que se façam as meditações que permitam chegar a conclusões. Conclusões que pode acontecer, e assim sucede amiúde, não serem definitivas. A sapiência permite encontrar novos conhecimentos e incorporar estas novidades para assim ter uma visão mais correcta e abrangente. E esperar, com paciência, outras incorporações.

Chegados a esta base creio que estamos preparados para fazer a abordagem do tema que me incitou a escrever hoje. Concretamente é o de sentir a necessidade fundamental de fazer a conexão da sociedade actual e os partidos políticos que existiam meio século atrás.


Quem permanecer estagnado nas querenças e noções, já do domínio da história, acerca do comportamento das camadas sociais, vigentes seis décadas atrás, está totalmente fora da realidade. Ou, em opção, está convicto de que, pressionando a sociedade com tácticas de medo e desestabilização conseguirão mudar o rumo actual.

Persistentes em querer viver fora da época são aqueles saudosistas, de novo cunho, que se incorporaram fosse por uma sequência familiar ou por uma adesão viral irremediável. Ficam estagnados nos dois polos opostos, que sem os referir pelos nomes que conservam, mas que nem sempre respeitam, podemos encontrar nos cacifos dos ultra-conservadores e dos revolucionários. Ambos são temidos, e massivamente rejeitados, por não terem doutrinas adaptadas ao pensamento e desejos da maioria da população.

Se os da esquerda já não comem criancinhas ao mata-bicho, os da direita também podem entender que o sector da população que adere, convictamente, aos sentimentos inculcados durante séculos, é cada dia menos numeroso. A cultura e o afastamento da pobreza extrema, mesmo com resíduos importantes neste extremo, vai progressivamente igualando os segmentos ou classes sociais. O efeito mais evidente é que leva o cidadão médio, já mais instruído, a renegar a bipolaridade, a preferência está no centro, em fugir dos compromissos e daí o absentismo nas eleições. Não querem saber de partidos políticos!

Uma atitude, compreensível, mas que é sumamente funesta para o futuro imediato, pois de facto deixa o campo livre para que, aqueles grupos partidários que desejam o poder, com egoísmo e espírito de ganância pessoal continuem a receber o poder.

Os cidadãos que podem presumir de ter uma cultura acima da média, mesmo que estiver concentrada em domínios muito restritos, devem aceitar que tem a obrigação moral e social de escapar dos extremos e oferecer parte do seu saber aos sectores da população a que tem acesso (se se esforçar a isso) a fim de tentar abrir-lhes caminhos para a concórdia que, mesmo existindo por instinto, nem sempre se aplicam devidamente.