terça-feira, 11 de abril de 2017

COMO IMAGINAMOS OS EXTRATERRESTRES

COMO IMAGINAMOS OS EXTRATERRESTRES

Longe vão os tempos em que as mentes especuladoras imaginavam a existência de seres residentes noutros planetas, ao estilo dos selenitas (semelhantes a galináceos) que os intrépidos irmãos Lumiére encontraram ao visitar a Lua.

De então para cá há centenas de “testemunhas fidedignas” que afirmamn sermos visitados insistentemente. Com propósitos nada claros a julgar pelo que os especuladores descrevem. Foi comum, e persistem hoje, entre os vocacionados a imaginar como seriam os seres de outro mundo, apoiarem-se em animais nossos conhecidos na Terra, incorporando partes de uns e outros, tal como se gerassem uma nova quimera.

Os avanços científicos e, em concreto a noção das distâncias que nos separam de outros mundos, e dos limites que ainda se consideram como impossíveis de ultrapassar, pelo menos enquanto não surjam novas teorias na física e astronomia, fecham-nos no que respeita a visitar ou sermos visitados. Por enquanto a velocidade da luz é um obstáculo inultrapassável. Que inclui a dificuldade, até hoje sem resolver, de poder transmitir matéria dum ponto a outro, seja na Terra como fora dela.

Como conseguir? As mentes mais expeditas dizem que isso se conseguirá enviando os átomos como mensagens de radio e reconstruindo o objecto, ou a pessoa, no outro lugar. Para tal, além de muitos problemas tecnológicos ainda nem sequer esboçados, implicaria a existência de um equipamento receptor e reestruturador no ponto onde desejássemos enviar o tal tele-transporte. Ou seja, que não bastaria fazer pontaria a um planeta determinado se não existisse, disponível, uma aparelhagem receptora e reconstrutiva. Daí que antes deste teletransporte teriam que ter ido os montadores, fossem humanos ou robots comandados desde a Terra ou uma base de terrestres em local próximo.

Apesar destas dificuldades, por enquanto impossíveis de ultrapassar, continuamos a imaginar seres extraterrestres. E, como sempre aconteceu, a base destas criações é função do que conhecemos ou que damos como ser possível no futuro mais ou menos próximo.

Quando se admite que os seres imaginários devem ter um aspecto plausível a especulação, mais uma vez, parte do que sabemos. Assim sendo os humanoides em questão, possivelmente dissemelhantes de nos, devem ter um conhecimento científico bastante superior ao nosso. E isso implica terem um cérebro ainda mais volumoso do que o nosso. Por isso é habitual serem representados como dolicocéfalos em grau superlativo. Ter tanto poder mental liberta-os dos esforços físicos e, em consequência imaginam-se corpos frágeis, qual pigmeus anoréticos.

Outros inventivos já dispensam o corpo físico. Reduzem estes seres, hipotéticos, a uma espécie de hologramas, que devem deslocar-se pela força do pensamento, e esta não deve obedecer às nossas leis da física. Mas então como se explicam as pretensas naves galácticas que se afirma nos visitam com insistência?

Poder acreditar nas notícias, nunca confirmadas oficialmente, de visitas de seres de outros mundos colide, frontalmente, com todo o progresso que se tem feito na astronomia e no envio de naves exploratórias. Estes sucessos estão baseados nas teorias da relatividade restrita e geral, cujos postulados iniciais nos foram dados por Einstein.

Admitindo que as fronteiras do conhecimento são colocadas, constantemente, mais longe dados os avanços que, progressivamente, se alcançam, devemos ser cientes de que faltam grandes saltos até conseguir, se tal for possível, ultrapassar o nosso sistema solar e mesmo a nossa galáxia. Se hoje outros seres nos conseguem visitar é pertinente deduzir que, comparativamente, somos uns primitivos e que os nossos foguetões equivalem às pirogas dos nativos que tão brilhantemente colonizamos.



ONDE ESTÁ A RESPONSABILIDADE ?



Antes de iniciar a apresentação do meu parecer, que corresponde ao de um velho com 79 anos de casa, quero dar entrada a um pequeno excerto do que um reputado psiquiatra manifestou:

Uma atitude que o psiquiatra juvenil Daniel Sampaio considera ser um reflexo de "um défice de autoridade" por parte dos pais. "Os jovens devem ser responsabilizados pelos seus gestos e comportamentos. Depois os pais têm de exercer autoridade, não autoritarismo, mas autoridade baseada numa relação de regras com cumprimento de direitos e deveres, que deve começar na infância."

As ocorrências recentes, em diversos patamares da vida nacional, mostram como o sentimento de irresponsabilidade se instalou fortemente entre nós. O caso dos excessos de incivismo e carência de educação que foram destacados estes dias, apontando a grupos de jovens, que se julgam adultos, mas irresponsáveis, nem sequer é uma situação nova.

Antes de que os grupos de jovens, sem hábitos de qual deve ser o seu comportamento segundo as normas de convivência social, se tornassem evidentes num hotel na costa sul de Espanha, já anteriormente se tornaram indesejáveis nas unidades hoteleiras entre a costa de Tarragona até a norte de Barcelona. Parece que entrou no fosso do esquecimento os que morreram ao tentar saltar de umas varandas para outras, possivelmente incitados pela vontade de armar barraca, associado a uma desejada embriagues. Outros grupos, nomeadamente de ingleses, já antes deram exemplo deste péssimo comportamento. Cá temos por hábito imitar, e habitualmente as imitações são piores do que os originais.

Tal como nos diz o Professor Daniel Sampaio, o cerne deste problema comportamental está nos pais, e até acrescento de muitos avós. A obrigação de educar e orientar os descendentes degradou-se com a evolução da sociedade.

É reconhecida a concepção errada, mas instalada em demasiadas famílias, de que o civismo deve ser ministrado pelos docentes nas escolas, abdicando com total descontracção do que sempre foi uma das principais tarefas e obrigações dos adultos para os seus descendentes. É no seio da família que se devem inculcar as boas regras. Assim fazem a maioria dos mamíferos, animais que qualificamos de irracionais, mas que mostram ter um sentido de responsabilidade maior do que os humanos da actualidade.

Outro sintoma que nos é desfavorável é o de os pais entregarem importâncias excessivas de dinheiro aos seus filhos, por não resistirem com a autoridade que, no fundo, os educaria na sensatez. Deste facto, inquestionável, podemos concluir que, apesar da sempre referida crise, existe um sobrante de dinheiro disponível, seja resultado de trabalho ou negócios, ou conseguido através de crédito. Seja como for, habituamos mal os jovens. E muitos dos pais actuais já foram assim mal educados.

Outra faceta que está presente neste acontecimento, que insistem em apresentar como pontual, é o de desculpar as tropelias, como se o alardear de incivismo seja justificável. Desculpar a chusma, mesmo que se confirme serem uma parte do todo, não é método que eduque. Tão ladrão é o que vai ao nabal como o que fica ao portal.

Esta tendência a desculpar, usando subterfúgios e deixar os evidentes responsáveis de fora, nem sequer é exclusivo de Portugal. As manifestações emanadas dos países do sul da UE a propósito das palavras, de Dijesselbloem qualificando, de uma forma descontraída e até amiga por não ser tão agressiva quanto poderia ter sido, é uma dupla vergonha.

Em primeiro lugar, e com destaque, todos somos conscientes que muito do dinheiro que, desde os centros de decisão da UE, foi entregue aos países do sul com o propósito de que recuperassem o seu atraso em relação aos mais avançados, foi mal gasto, desapareceu sem dar os resultados prometidos. Indo, mais uma vez, ao rifoneiro, ali encontramos Dinheiro “emprestado” será mal parado. Ninguém duvida nem pode por as suas mãos no fogo pela boa gestão daquelas enormes verbas.


Mas este reconhecimento interno não impede que tantos gritem, berrem, se mostrem ofendidos, e “exijam” a demissão de quem, a meu ver, pode ter sido infeliz quando não pretendia ser demasiado explícito. Poucas opiniões encontrei, sem as procurar exaustivamente, onde se escalpelize a verdade dos factos.

domingo, 9 de abril de 2017

TEMOS QUE ACERTAR O PASSO



Contam, aqueles que “fizeram a tropa, quando recordam a recruta, que para alguns era difícil acertar a passada, e não trocar os pés, com os restantes membros do pelotão. Penso que para a estrutura militar poder apresentar um grupo compacto de soldados marchando síncronos é a primeira mostra de que não se trata de uma, patuleia (termo que teve origem na tropa, mais ou menos irregular e com pouca preparação prévia, integrada no Partido Popular na revolução de 1876). Hoje estas formaturas são reservadas, quase que exclusivamente, para desfiles em parada, pois aquelas cargas de infantaria que eram normais nas guerras que antecederam a de 1914-1928 já passaram à história.

Mesmo assim e dado que os tempos mudam, e neste século as mudanças são tão rápidas nos campos da tecnologia, e em especial de tudo o que estiver ligado à informática, que é difícil conseguir adaptar-se com a mesma ligeireza em todos os sectores que afectam à nossa vida em comunidade.

Sentimos que nem todos conseguem, ou dão a mesma importância às mudanças sociais do que aquela que aplicam às novas tecnologias, tanto de informação, como de trabalho e recreio. Admite-se que está à nossa disposição um fabuloso manancial de conhecimentos, como se as bibliotecas anteriores não tivessem existido.

Neste capítulo do conhecimento, da erudição, do saber, é pertinente considerar que não basta ter as estantes repletas de volumes de toda a índole, ou mesmo se restringida a certos capítulos. De pouco servem os livros se não são consultados. Assim como também é fundamental ter a mente preparada para que oriente os nossos passos na pesquisa e, depois, para possibilitar que se façam as meditações que permitam chegar a conclusões. Conclusões que pode acontecer, e assim sucede amiúde, não serem definitivas. A sapiência permite encontrar novos conhecimentos e incorporar estas novidades para assim ter uma visão mais correcta e abrangente. E esperar, com paciência, outras incorporações.

Chegados a esta base creio que estamos preparados para fazer a abordagem do tema que me incitou a escrever hoje. Concretamente é o de sentir a necessidade fundamental de fazer a conexão da sociedade actual e os partidos políticos que existiam meio século atrás.


Quem permanecer estagnado nas querenças e noções, já do domínio da história, acerca do comportamento das camadas sociais, vigentes seis décadas atrás, está totalmente fora da realidade. Ou, em opção, está convicto de que, pressionando a sociedade com tácticas de medo e desestabilização conseguirão mudar o rumo actual.

Persistentes em querer viver fora da época são aqueles saudosistas, de novo cunho, que se incorporaram fosse por uma sequência familiar ou por uma adesão viral irremediável. Ficam estagnados nos dois polos opostos, que sem os referir pelos nomes que conservam, mas que nem sempre respeitam, podemos encontrar nos cacifos dos ultra-conservadores e dos revolucionários. Ambos são temidos, e massivamente rejeitados, por não terem doutrinas adaptadas ao pensamento e desejos da maioria da população.

Se os da esquerda já não comem criancinhas ao mata-bicho, os da direita também podem entender que o sector da população que adere, convictamente, aos sentimentos inculcados durante séculos, é cada dia menos numeroso. A cultura e o afastamento da pobreza extrema, mesmo com resíduos importantes neste extremo, vai progressivamente igualando os segmentos ou classes sociais. O efeito mais evidente é que leva o cidadão médio, já mais instruído, a renegar a bipolaridade, a preferência está no centro, em fugir dos compromissos e daí o absentismo nas eleições. Não querem saber de partidos políticos!

Uma atitude, compreensível, mas que é sumamente funesta para o futuro imediato, pois de facto deixa o campo livre para que, aqueles grupos partidários que desejam o poder, com egoísmo e espírito de ganância pessoal continuem a receber o poder.

Os cidadãos que podem presumir de ter uma cultura acima da média, mesmo que estiver concentrada em domínios muito restritos, devem aceitar que tem a obrigação moral e social de escapar dos extremos e oferecer parte do seu saber aos sectores da população a que tem acesso (se se esforçar a isso) a fim de tentar abrir-lhes caminhos para a concórdia que, mesmo existindo por instinto, nem sempre se aplicam devidamente.



sexta-feira, 7 de abril de 2017

HOMENS, NÃO SE SINTAM DESPREZADOS



Tenham calma. Não vos tiro o valor que imaginam ter, e que sempre está uns degraus bem acima do que realmente cada um de nós vale. Exceptuando os irremediavelmente depressivos, que se julgam, também erradamente, com menos valia do que um cagalhão de cão. Se bem que até nisto as coisas mudaram, pois desde que os canideos passaram a ser alimentados com rações manipuladas defecam mole. Quanto aos depressivos em grau supremo a realidade nos diz que também este tem qualidades positivas, merecedoras de realce, mas que pouco utilizam por se desprezarem internamente.

Quem duvidar do que tão solenemente afirmei no parágrafo anterior, mas tiver a sorte de estar casado ou ter uma companheira voluntária, mas fiel e de duração prolongada, aguarde com estoicismo o dia em que ela lhe atirará para a cara o qualificação, quase sempre correcta, que lhe atribui. De qualquer forma não aconselho a que cheguem a este ponto, pois as consequências podem ser desastrosas. O melhor é ficar no limbo, apesar que no centro do poder eclesiástico, em Roma, já retiraram do activo este lugar de repouso e espera.

Todavia, e esclarecendo que sexualmente o lugar das nossas fêmeas é, para mim, incontornável (estava ansioso de colocar este adjectivo...) é de lei não esconder os valores inestimáveis dos meus companheiros na secção do urogenital a que pertenço.

As características dignas de realce são tantas que não posso comentar todas elas. Vou deixar uns apontamentos que referem qualidades e defeitos universalmente reconhecidos.

Aguerridos, valentes, destemidos, corajosos, audazes, belicosos.

Anódinos os que mudam com facilidade. São pessoas com as quais não nos podemos fiar, e daí que se qualifiquem como insignificantes, medíocres, inofensivos mas perigosos.

Claudicantes são os que não conseguem manter as suas convicções ou compromissos. Cedem facilmente às pressões e argumentos.
Concretos são aqueles que, em poucas palavras, conseguem definir ou transmitir um facto ou uma ideia sem ambiguidades.

Confusos os opostos aos concretos. Tentar esclarecer alguma coisa com estes é tempo perdido.

Cultos ou instruído, ilustrado, erudito. Como dizem que estava escrito no frontão dum manicómio: Não estão todos os que são, nem são todos os que estão, ou o ditado Nem tudo o que reluz é ouro. Cada dia que passa é mais inalcançável o propósito de ser enciclopedista.

Empreendedores alguns e nem sempre conseguem que as suas iniciativas frutifiquem nas suas mãos. Tristemente outros surgem que as aproveitam e se beneficiam.

Estoicos ou seja firme, inabalável, rígido ou austero. Pode acontecer
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Fechados, o mesmo que anódino.

Fieis tudo depende de que fidelidade falamos, se à esposa, à empresa, à Pátria, ou a outro capítulo qualquer. Nem sequer podemos por a mão no fogo em defesa de alguns dos que se empregam como fiel de armazém. Quanto mais aos outros compromissos.

Herméticos que fazem questão de não deixar transparecer o seu pensamento e menos as emoções. Tornam-se desagradáveis para que lida com eles.
Honestos sem exagerar, pois atirar a primeira pedra não está ao alcance de qualquer um. Por isso se afirma que A ocasião faz o ladrão.

Inquiridor no sentido de procurar conhecer, até o fundo, os temas que lhe surgem. Habitualmente as pessoas seleccionam e abandonam a sua curiosidade com displicência.

Monógamos nem sempre Tudo depende de surgirem ou procurarem oportunidades para deixar de o ser.

Prestáveis, muito apreciados quando ajudam a quem necessita de um apoio.

Reactivos quando não consentem que lhes comam as papas na cabeça, e até se manifestam, abertamente, para defenderem um lesado.

Timoratos, medrosos, tímidos, acanhados

Visionários que nos indicam ser equivalente a ser excêntrico, extravagante, sonhador, utopista, quimérico ou lunático, quem nunca passou por estas fases?


Por sorte estas características, e outras mais, não são cumulativas, o que nos permite seleccionar aqueles com quem encaixamos, sempre e tanto que o outro nos aceite. E nesta coisa do azeite há muitas adulterações.

JÁ DEPOIS DA HORA

Propositadamente não referí características pessoais que, algumas, entram no foro da justiça. tais como: ladrão, vigarista, gatuno, assassino, pedófilo, falsário e outras mais. Tampouco faço citação de ser político, deputado, autarca, gestor modélico, etc. São temas que desagradam e que prefiro olvidar.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

PORQUE PREFIRO AS MULHERES

PORQUE PREFIRO AS MULHERES

Para já e como prelúdio importante quero que fique bem claro que separo sexo e sentimentos anexos da personalidade e formas de encarar e abordar a vida. São capítulos opostos, como a mão direita é da esquerda.

Fazendo um balanço que estatisticamente não pode ser considerado como fidedigno, ao longo das minhas quase nove décadas de vida, pude ter mantido contacto social e familiar com uma série de homens e mulheres, e, sem possibilidade de erro, verifiquei que descartando os exemplares que escapam da maioria, as mulheres nos batem aos pontos. Tem menos força muscular mas compensam com agilidade mental e discernimento.

Temos a ideia, motivada pela forma como entram em acesas discussões por banalidades e por como é difícil ou mesmo impossível, quando no calor da discussão, conseguir que mudem de opinião. Naqueles momentos de exaltação nunca cedem um milímetro. Mas, depois, são capazes de girar 180 graus sem se sentirem diminuídas. Quantos homens aceitam o pragmatismo sem considerar ser uma derrota?

Mais afirmo: Ajuizando sempre pelo comportamento médio, as mulheres nos deixam a impressão de serem mais impulsivas do que os homens. O seu gesticular e aplicar os tons de voz mais altos e agudos quando estão no calor de uma discussão, as colocam, segundo os homens, como não dignas de crédito. A realidade, abstraindo este teatro, é bem outra.

Não consigo escapar da vontade em dissertar em terreno que desconheço. Suponho que a natureza “programou” as fêmeas, tanto as nossas como as da maioria dos mamíferos, para serem pacientes e não ceder a impulsos exagerados. Não seria de estranhar que o tempo de gestação de um filho, mais o que era necessário para cuidar da criança, indefesa e inepta para sobreviver (1) a mãe, normal (hoje está tudo muito alterado) as impede de agir obedecendo impulsos imediatistas.

Um exemplo curioso, que hoje já conhecemos todos, é que no animal terrestre de maior porte actualmente, o elefante, quem eles escolher para conduzir a manada é a fêmea mais velha. Estes animais, que são considerados como dos que possuem mais memória activa, funcionam em regime de matriarcado. E os humanos? Em muitos casos, dentro das paredes, também. Não é por graça que se refere a “dona da casa”. Assim como se tornou banal a frase de que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher.

Seja qual for a razão, é factual que qualquer um de nós deve ter constatado, sempre escapando de casos pontuais, que as opiniões de uma mulher são mais merecedoras de atenção do que as de muitos homens. Mas, cuidado, temos que nos acautelar, fugir mesmo, das mulheres que pensam como homens. Estas são as mais perigosas.

(1) dado que devido ao volume da cabeça dos humanos o parto é sempre mais prematuro do que nos outros mamíferos


quarta-feira, 5 de abril de 2017

MUDAR DE DIAPASÃO


No fim de semana passada, que passou sem chover apesar de que a lua continuava na sua órbita Celeste Rodrigues, decidi embrenhar-me noutro campo das despreciadas artes menores. Por sinal até mais menor do que a fenecida cerâmica, com a qual ainda tenho sonhos, mais perto de pesadelos do que dos sonhos e pasteis de bacalhau. Para a eliminar esta tentação definitivamente despachei os dois fornos, de tamanho médio, mais a mufla para provas, e assim pude dar fé ao ditado que refere que morto o cão terminou a raiva.

Desta feita enveredei na tentativa atrevida e imprópria de tentar executar um trabalho parietal usando um pedaço de tábua, pouco grossa mas ampla quanto baste, como nas receitas de cozinha antigas. (aquelas que a minha mãe me pedia par escrever a partir dum Pantacruel emprestado. Eu rebaptizei o autor, sem a sua licença, porque ao folhear encontrei muitas receitas cuja preparação tinha como base o aproveitamento de restos da refeição anterior. Uma maravilha para a economia das casas abastadas, pois que nas de casta inferior seria pouco provável que ficassem restos. Quem conseguir um livro destes, editado lá por 1950, pode desfrutar com as lições dos aproveitamentos).

Regressando à tábua de base. Utilizando retalhos (da vida de um médico? Nada disso) de madeira, com diversas origens, fui montando, sempre na parietalidade, uma face, propositadamente disforme, que ao longo do processo fui batizando e rebatizando com diferentes títulos nobiliários. Tanto é assim que hoje, quase terminado, já arvora, com digna autoridade, uma coroa com vários bicos. Apesar de não respeitar os detalhes que o armorial preceitua, não hesito em lhe dar a categoria de rei, ou mesmo de imperador.

Ainda faltam alguns acabamentos, uns retoques justificativos dada a representatividade da obra, que se não é prima em primeiro grau anda perto. Todavia julgo que chegou a altura de lhe dar um nome condigno.

Provisoriamente engendrei este: O VERDADEIRO ROSTO DE MOCTEZUMA DEPOIS DE TER DERROTADO OS SAXÕES NA BATALHA NAVAL DAS TERMOPUPILAS DO SENHOR REITOR

ou RAMSES, REI DOS ESTILISTAS, DEPOIS DE ASSISTIR, NA HORA DA MORTE, QUE O VENCEU, AO DESFILE DA MODA JÓVEM NOS SALÕES IMPERIAIS DO PAÍS MAIS PROFUNDO.


Ou MÁSCARA MORTUÓRIA DO SUPREMO SACERDOTE DEPOIS DE ENGOLIR UMA LATA DE SARDINHAS COM BOTULISMO. NEM OS TRÊS PASTORINHOS CHEGARAM A TEMPO DE O SALVAR. MORREU GLUTÃO DE BAIXA CATEGORIA.

terça-feira, 4 de abril de 2017

UM LIVRO ABORTADO

UM LIVRO ABORTADO

Devem ser muitos os manuscritos iniciados, ilustrados, revistos, e paginados, já “prontos a comer” que foram colocados na gaveta do esquecimento. Penso que os respectivos autores, enquanto passaram muitas horas trabalhando na sua obra, pensaram que o seu fruto devia atingir a meta de ser publicado, distribuído e adquirido por anónimos. Por vezes pode acontecer que a sensatez, que sempre cohabita com as ilusões, faça prevalecer a sua noção acerca da realidade e aconselhe o abandono.

É o que me aconteceu após terminar o longo e extenuante trabalho a que dediquei a minha, esporádica, disponibilidade de tempo ao estudo do que chamei O MITO DOS DRAGÕES. Por casualidade temporal, e já estando metido nesta pesquisa, a publicidade e comercialização colocaram os dragões no pódio. Foram filmes, series, livros, banda desenhada e tudo o mais que se imaginasse poder levar a consumir. E sempre com seres inverossímeis. Durou até que este lume foi substituído por outro. Mas ainda existem brasas incandescentes.

Como a minha visão a respeito dos mitos draconianos era e é, exclusivamente, racional, e estava agarrado sem remédio, inclusive utilizei as minhas fracas capacidades artísticas, e assim sendo desenhei, pintei, modelei uma excessiva quantidade de peças representativas de dragões e outros mitos a ele associados, sempre procurando interpretar as descrições que encontrava em textos fidedignos.

Quando, depois de ter considerado o estudo como quase exaurido (desculpem não ter usado o termo esgotado. Não resisti) o tendo o “manuscrito” revisto, paginado, com muitas ilustrações, próprias e retiradas de fontes, chegou o toque de clarim: Como conseguir que isto ficasse impresso e à disposição do público?

Meditei, voltei a meditar, e fiz o balanço interior baseado no que via pelas livrarias. Nem sequer tentei uma abordagem junto de alguma editora. Fazer uma edição de autor, como fazem os poetas que se satisfazem com os exemplares que distribuem gratuitamente e uns poucos que são pagos, foi posta de lado. Hoje está tudo metido (1) numa grande caixa à espera que os meus descendentes deitem fora, dado que não fui capaz de abortar um feto (metafóricamente falando), que já tinha completado o seu tempo de gestação.

Mas tenho pena. Ali tinha deixado tão explicitamente como fui capaz, como e donde tiveram início muitos mitos que estão abrangidos no tema draconiano. São simples curiosidades que não devem ofender ninguém e que nunca afectarão os dogmas cimentados. A ignorância é mais perniciosa.

A razão de mais peso sobre a minha obra, abortada, é que sempre procurei as origens reais destes mitos, que abrangem practicamente todo o globo terrestre, e que, quase sempre foram utilizados pelas doutrinas religiosas com o propósito de, dando-lhe interpretações tendenciosas, passarem a ser mais uma pedra nos seus edifícios dialécticos.

As pessoas, vistas globalmente, gostam de ser enganadas, mesmo quando lhes cheira a aldrabice. E contrariar esta realidade, que contraria a sua tranquilidade, não é aceite nem perdoada.


(1) manuscritos, cópias do texto, disquetes, pen, fotografias, esboços, livros de consulta, etc.