sexta-feira, 22 de maio de 2020

MEDITAÇÕES – AUTISTAS


Uma constatação triste. E um mau presságio.

Para quem tenha uma propensão a confundir o significado de termos semelhantes, neste caso entre automobilistas e autistas, posso, com alguma ironia, dizer que primeiro nos dedicamos, com intensidade vocacional, a ser automobilistas, e daí poluidores do ar. Sem descurar o poder de persuasão que tem a máquina publicitária comandada pelo exclusivo interesse de nos conduzir, cegamente, como um enorme rebanho, ao consumismo. Uma vez agarrados a esta degradação da antiga e frágil -como se verificou- força do senso comum para evitar que, sem meditar o suficiente, gastássemos mais do que produzimos, não só ficando eternamente com saldos nulos mas pior até:com saldo devedor.

Uma degradação mental colectiva que só beneficia o grande capital, mas que dá a sensação de ser agradável e nos elevar acima da tristeza companheira da pobreza. Todo este tema é complexo e que carece de muitas páginas para o poder destrinçar, em especial porque traz, inevitavelmente, efeitos colaterais que são de difícil anulação.

Sem o dizer neste momento é óbvio que o maior problema, que está incrementando-se segundo a segundo, sem que surja um movimento com força apelativa para não só o retardar como -e seria mais importante- convencer a cidadania global e, em especial, os grandes capitalistas cujas anteparas lhes impedem de ver que a situação, que eles não só promovem como se beneficiam, é equivalente à história do avarento que pretendia conseguir que o seu burro trabalhasse rijamente enquanto lhe reduzia a ração todos os dias. Como era de prever a quem tivesse a mente lúcida, o burro morreu não só exausto como de fome.

Para nos desorientar e ainda mais nos incitar, com fúria vandálica, a reentrar no destravado consumismo, nos obrigaram a seguir um recolhimento que nos tem impedido de gastar, incluídos os muitos que deixaram de ter um ingresso pelo seu trabalho, parado, seja obrigatoriamente ou por reflexo do mercado em geral. Os governantes, também eles cativos da famosa e bem manipulada economia “real” e com um segundo propósito - mesmo que apresentado como sendo o mais importante- de acalmar o nervosismo dos cidadãos, já decidiram abrir a cancela, mesmo que com umas “medidas” pseudo-restritivas com as quais pretendem “salvar a face”.

E assim, sem mais delongas, voltaremos ao mesmo: CONTINUAR A ENCHER O GLOBO DE LIXO NÃO DEGRADÁVEL. E DESTRUIR O AMBIENTE QUE NOS ACOLHE, QUE É A NOSSA VIDA.

É aqui onde quero insistir, sabendo de que o meu esforço não dará resultados positivos. Dizer que a cidadania tem a obrigação de afirmar, através de um movimento social intenso, que estamos decididos a não nos abastecer usando embalagens não degradáveis. De preferência vender e comprar a peso ou por volume. Escolhendo o vidro como envasamento dado que este material é facilmente reciclável. Embora implique a recolha das embalagens vazias. Nada de anormal, pois temos a experiência de década anteriores à invasão dos termoplásticos, em que o comprador carregava a embalagem vazia para adquirir uma nova, cheia. Existia um depósito em dinheiro que completava o circuito e que se perdia caso não se cumprisse.

É evidente que conseguir esta mudança na distribuição de bens de consumo em geral, e alimentares incluídos, iria causar um enorme transtorno no GRANDE NEGÓCIO DAS GRANDES E MÉDIAS SUPERFÍCIES. Teriam que se adaptar para sobreviver. Já lucraram muito, MUITÍSSIMO, com este negócio, sem se preocuparem com a degradação do planeta.

Os chineses. Que por vezes esquecemos ser um povo com uma civilização multi-milenar, já entenderam a mudança que vai chegar, cedo ou tarde. Já estão abrindo lojas com artigos a granel ! Eu vi e já comprei na que está perto de casa!

Finalmente: PASSEMOS AO COVID – 19

Sem tirar a importância que esta pandemia adquiriu, convêm estar cientes de que outras muitas dizimaram, e com maior intensidade, as populações em épocas anteriores à actual. A mais próxima foi chamada gripe espanhola, da qual faleceram muitos milhares, milhões, de pessoas.

Mas todas as pestes passaram, mataram e até tiveram réplicas, mas a humanidade recuperou sempre, aguardando o seguinte problema. Actualmente temos mais meios de prevenção e de tratamento, e por outro lado a transferência massiva de pessoas de um país a outro, e mesmo entre continentes, facilitou a propagação da epidemia.

Se, obcecados com este perigo actual descuramos aquilo que é certo vir a acontecer, e que para o travar ou eliminar não existirão vacinas, nem meios para remediar os desastres que, inconscientemente, e com muita obsessão, continuamos a produzir, não será o capital que nos salvará, NEM ELES, como seres humanos que são, por muito que o esqueçam, SE SALVARÃO.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

MEDITAÇÕES – O que nos empurra



Porque sentimos o impulso de escrever?

Já com o sol ligado e a sua luz entrando a jorros pela casa adentro, mas mantendo-me deitado no famoso estado de “dolce far niente” a cabeça pensadora matutava em qual ou quais seriam as motivações para dar às teclas e emitir disparates. Após um exaustivo (??) exame mental vislumbrei que podem ser bastantes, mesmo que pouco variem entre si.

No meu caso pessoal, como não me chegou nenhum cheque que me obrigasse a seguir as normas estipuladas para merecer a o apoio à comunicação social. Entre outras razões destaca o facto de, efectivamente,a minha voz -neste caso escrita- não ultrapassar o nariz, e podemos valorizar a minha difusão social como inexistente.

Posto isto, e o que mais adiante se verá, (estava ansioso para colocar esta frase, mesmo que não existisse razão para tal) tentarei definir e destrinçar (outra palavra que tinha na ponta da caneta, à espera de ocasião) algumas das muitíssimas razões que incitam o obcecado escriba.

  • A primeira deve ser a de ter muito tempo disponível e nada que fazer, ou esquecer obrigações mais importantes.
  • Outro impulso, igualmente tresloucado, pode ser o pensar que se tem algo de muito importante e ser imperioso o “dar a conhecer ao mundo” E sabe-se quão difícil é vencer a ilusória vaidade.
  • Pode acontecer que o potencial escribidor imagine que pode entrar no restrito grupo dos que, escrevendo para desconhecidos, a granel, com isso tenha a possibilidade de ganhar o seu sustento. Tal como se diz que dizem nas Sagradas Escrituras: Podem ser muitos os chamados e muito poucos os escolhidos.
  • Casos pode haver em que o empurrão seja consequência de um desafio, de um chamamento à arena, vindo de um provocador. Esta seria uma situação justificativa. Pouco usual, mas possível.
  • Grave, gravíssimo para a saúde das meninges, deve ser o caso em que os pensamentos do potencial escriba sejam tão profundos e magnos, que ele mesmo se considere obrigado, não sabe bem por quem concretamente, a oferecer à cultura e ao saber da humanidade, aquelas conclusões -sem dúvida muito importantes- a que ele chegou. Não pode deixar o tema no fundo de uma gaveta, a apodrecer e ser deglutido por aqueles insectos, papirófagos que são chamados de peixinho-de-prata.
  • Finalmente, e fazendo uma extrapolação, recordar o rifão que nos elucida sobre Quando o diabo não sabe no que fazer, faz colheres, ou apanha moscas com o cu. Devem ser colheres de pau e o apanhar moscas com o rabo, ou cauda, tentam-nos cavalos e ruminantes em geral, mas penso que sem grande êxito.



quarta-feira, 20 de maio de 2020

MEDITAÇÕES – Mais regras a cumprir



Desta vez aparecerá a Polícia de Choque?

É factual que, habitualmente, mas não com garantia de ser eterna, a atitude da população, a cidadania, ou o povo -se não usarmos este termo com o cariz despeitoso habitual- tem um comportamento notório de respeitador e sossegado -descontando o modo como são incitados os membros das claques futebolísticas- Desta constatação nasceu aquela frase “batida” de o povo está sereno!

Todavia, do mesmo modo em que o leite -quando era pertinente ser fervido, “por causa das moscas”- mantinha-se calmo no fervedor até o momento, espectacular, em que repentinamente aumentava de volume e entornava pelo fogão. Um exemplo que nos elucida sobre o valor do aviso TUDO DURA ATÉ QUE ACABA! Ou uma variante: É preferível prevenir do que perverter!

Pois, nestes meses de receio perante o tal Covid-19, do qual se avisou à população seria mais mau do que o pintam, -e este era valorizado como o supra-sumo da malignidade- lhe acontece como sucedeu ao pastor que avisava de que o lobo ia atacar... Ou seja, a disparidade notória as notícias, entre alarmistas e tranquilizadoras, pode ter induzido a muitos cidadãos ao estado de surda revolta contra a pressão isolacionista. Muitos, além dos que quebraram as normas oficiais de modo subtil e esporádico, já estão pré-dispostos a saltar da borda fora. QUEREM IR EMBORRALHAR-SE NA PRAIA E GOZAR DOS MINIS SLIPS.

Concretamente atrevo-me a dizer -mesmo que não seja este o meu caso, pois já passei da fase em que ansiava mergulhar nas águas gélidas do Atlântico- que muitos não estão conformes com as regras de restrição num ambiente em que o sol se encarrega, com a sua radiação ultravioleta -e não ultraviolenta!- de eliminar os vírus nefastos. Por isso não me admiraria de saber que “a malta” não ligasse a semáforos da treta, nem a banheiros, cabos de mar nem fuzileiros navais -não confundir com funileiros navais, que no norte seriam picheleiros nabais- O que fazer num caso de manifesta desobediência?

Uma possível acção, calma e descontraída, era o de uns passeios da dupla PR e Primeiro Ministro, pelos areais, em calção e sandálias, ou mesmo descalços, e sem mascarilha, mas comendo um gelado de lamber. Num ameno convívio e umas selfies fariam como quem retirava o púcaro do lume no último momento, evitando o derrame do lácteo alimento. Descuido que depois que obrigava a limpar os efeitos. O que não aconselharia era que convidassem o Presidente da Assembleia para os acompanhar... nunca se sabe como podia reagir o tal “povão” que se quer mantenha a calma nacional.

A outra solução seria a mais séria, e adequada para mostrar o músculo de quem manda: enviar um bom contingente de polícia de choque, com as protecções e armas pertinentes para agir contra manifestações não autorizadas. Se me avisarem com tempo, garanto que ficarei agarrado à TV, sem máscara, preparado para um fartote.

terça-feira, 19 de maio de 2020

MEDITAÇÕES – Optimismo



Gostam de doces? Cá vão uns quilos de açúcar e mel

A noite passada foi a primeira que, nesta casa onde moramos, senti a chegada do Bom Tempo. O termómetro interior marcava 20 “degraus” Célsius. Sem que existisse ligado nenhum sistema de aquecimento. Agora sim que podemos ir à janela e gritar, a plenos pulmões e sem mascarilha que nos abafe a voz e a respiração, FORA COM O FRIO! JÁ PODEMOS IR À PRAIA, SEM LIGAR AOS RIDÍCULOS E CASTRADORES SEMÁFOROS, NEM AOS CONTROLADORES DE VÁRIAS ESPÉCIES.

Chegou o momento de colocar aqui, neste espaço desconhecido e raramente visitado, o que as pessoas querem ler, sem se preocupar do facto de estarem, voluntariamente, entrando, cantando e rindo, com satisfação plena no imaginário mundo da Alice.

Já podemos entrar no conglomerado das tentações, e retomar o ritmo de abandonar as roupas que nos induziram a usar meses atrás. Viva a nova moda de Primavera e Verão. Tanto faz que a da “época” anterior só se tenha usado uma vez, duas ou nenhuma. Já ficou fora de prazo! E a nova, fabricada por pessoas com olhos em bico, com salários que nem no século XIX nos aceitaríamos, é colocada em frente dos nossos olhos com preços da uva mijona, ou quase. E na montra seguinte encontramos mais engodos com que encher novos sacos de papel. ASSIM SIM QUE É VIDA!!!

Não resistimos a colmatar a vontade de engolir algum revigorante, que nos servem logo ali, em pé, ou agradavelmente sentados numa mesinha adequada. São só umas moedas! Ou uma nota com direito a troco. Sabemos que as mesmas porções, adquiridas na origem e engolidas em casa nos custariam menos, mas e o prazer? Nem se compara!

Por agora só podemos usar as mesas da restauração acompanhados pelos familiares directos. Por isso carregamos com as respectivas cadernetas pessoais, caso a fiscalização, sempre preocupada pela nossa saúde e bem-estar, nos inquirisse amavelmente -mas com ameaça de repressão incluída- Escolhido o prato entre a oferta que nos é apresentada, aguardamos serenamente, confiando na qualidade e quantidade. Caso o que nos colocam à frente não corresponda, exactamente, ao que imaginamos (?) nada nos impede de dar umas tristes garfadas e deixar quase tudo para ir ao lixo. Mas e o prazer? Não temos que tentar aproveitar aqueles restos! Que fastio só de recordar uma situação de que nos livramos. Com custos monetários? O que é que isso importa? Tendo o salário garantido e o recurso ao Crédito ao Consumo... o resto só serve para nos azedar a vida.

Na próxima visita apanharemos uns folhetos, bem ilustrados com fotografias de sonho, para programar as nossas viagens de férias. Com certeza que a possibilidade e as pagar às prestações vai ser mantida. Só se vive uma vez e as dívidas até podem não se pagar jamais. O Governo já nos mostrou como é possível!

E agora é a altura de entrar no MARAVILHOSO MUNDO DO HIPER. Ali nos deparamos, a cada passo ou desvio do olhar, com múltiplas “ofertas” (?) sempre a preços inconcebíveis, mesmo irresistíveis. No caso de que, antes de entrar no templo dos carrinhos a nossa lista, mental ou em papel, se bem que o efeito de restrição é igual, pois o facto marcar uns propósitos fixos, sem admitir desvios(?) é nulo. Carregamos um saquinho de batatas, um quilo de arroz e dois pacotes de massa, mais três litros de leite, “meio gordo por causa da linha...” Ao chegar à caixa nos damos conta de que o carro está cheio até não caber mais nada. E como aconteceu isso? Felizmente é um pensamento fugaz. Tudo aquilo era indispensável! A nossa obrigação era abastecer a despensa. Bem, chocolates, gelados, cremes, detergentes, etc. não estavam na lista. MAS ERA IMPERIOSO NÃO PERDER AQUELES PREÇOS, com descontos fabulosos (?)

E não me venhas aborrecer com a realidade, que não quero ver, das inúmeras embalagens que irão encher o caixote do lixo. Eu já levo tudo para o contentor e cumpro com o meu dever de cidadão cumpridor! Ou cidadã. E não são estas “mesquinhices” que me tiram o sono.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

MEDITAÇÕES – A sociedade está castrada



Como nos domesticaram ?

Ontem editei o meu escrito que bate na mesma tecla, mas noutra escala do teclado. Hoje reajo ao ver o alheamento absoluto (excepto um bom e fiel amigo, que não é um bacalhau, e que “milita” num campo que não é o meu) que se desprezou a minha tentativa de acordar “o pessoal”. Mesmo assim, e apesar desta constatação, não abdico de tentar especificar, MAIS UMA VEZ, os já quase irreversíveis males que estamos causando ao planeta.

Mas, se por um lado, sinto que não devo baixar os braços na tentativa de criar um incipiente movimento reactivo, também sinto o impulso de procurar uma explicação que nos esclareça o como e porque aderimos, com tanta fruição, ao hábito de esbanjar, muitas das vezes em bens totalmente supérfluos, num montante monetário superior ao que produzimos.

Uma situação que, como temos a obrigação de saber, e deveríamos ter sempre presente, reflecte-se macroscópicamente na sempre crescente, em progressão geométrica, dívida pública. Ou, para que não esteja a par desta linguagem, do deficit público.

Admito, mas contrariado, que sendo este um mal estendido a muitos países, mesmo entre os nossos sócios na UE, a razão nos deve alertar sobre a mensagem que um ditado popular nos dá: O mal de muitos meu conforto é, ou o equivalente: Mal de muitos consolo de parvos.

Os que pretendem que não nos preocupemos com as grandes dívidas do orçamento geral do Estado, alegando que ESTAS DÍVIDAS JAMAIS SERÃO PAGAS, mentem, velhacamente, pois isto não passa de uma fanfarronice dado que, fingem esquecer, propositadamente, que mais tarde ou mais cedo chegará a inevitável INFLACÇÃO. Há muitas maneiras de apanhar moscas. Seja por uma desvalorização da moeda ou por um aumento constante, em espiral, dos preços dos bens essenciais.

A situação actual está simplesmente agarrada ao comércio consumista, de bens dispensáveis mas que a publicidade lhes oferece a imagem de serem imprescindíveis. Tais como a moda nas roupas, viaturas e outros artigos de ilusória primeira necessidade, temos que analisar como e porque esta febre, pestífera, foi instalada.

Terminada a segunda guerra mundial e ao longo da “guerra fria”, as famílias tinham o seu bolso bastante vazio. O mais premente era a alimentação, o agasalho e a saúde. Por isso se incrementaram os serviços estatais de saúde. A maioria das pessoas não podiam sequer sonhar em procurar a medicina privada, porque não lhes era possível pagar! Tentavam minorar os sintomas com remédios caseiros, mesmo desconhecendo se eram indicados naquela situação.

O vestir estava muito controlado no seio da família: os fatos eram virados para expor a face do avesso do tecido; calças e saias perdiam a dobra para as adaptar à altura do utente, ou eram ajustadas para outro membro da família. Não havia desperdício de comida; o que sobrava de uma refeição, caso sobrasse!, era guardado e, se possível reciclado aumentando o seu volume. Sem me alongar fica a imagem de que na maioria das economias familiares não se alongava mais o braço do que a manga permitia.

Mas como a penúria permanente não é agradável e proveitosa para os industriais, desejosos de recuperar a sua influência na sociedade, aproveitaram a máquina publicitária, que estava oleada desde que os conflitos bélicos, e a utilizaram profusamente. Já se tinha consolidado a noção de que a rentabilidade de uma produção dependia do quantitativo e da aceitação no mercado. Era para ali que tinham que se orientar e investir.

Quem consta ter sido o pioneiro na comercialização dos seus produtos dizem que foi Henri Ford. Quando fez contas ao incremento de produção dos seus veículos, após a introdução da montagem em série, viu que tinha que escoar rapidamente os carros que saíam da linha. Daí que decidiu foi aumentar os salários do seu pessoal fabril e lhes conceder facilidades de pagamento. Ou seja, os seus operários foram os que ajudaram a escoar os seus produtos.

A lição foi aprendida pelos outros industriais, pelo menos os então actualizados. Não só se decidiram a aumentar salários como a sua promoção através da propaganda se tornou mais extensiva. Era premente, indispensável, alargar o campo da distribuição e captação de novos clientes, convencendo-os das excelências, inigualável, dos seus produtos. Que nem sempre eram novidades em si mesmos, mas que mudavam de cor, de embalagem, mesmo de nome, mas o conteúdo era sensivelmente igual ao que era antes da mudança visual.

Esta receita continua a ser válida, e com mais ou menos artifícios nos conseguem empurrar a desistir do que já se tinha e comprar o novo. Mesmo que no fundo é a mesma coisa com outro “penteado”.

E a população em geral, incluídos os mais letrados ou ilustrados, os diplomados e os que se consideram intelectuais, que se gabam de estar vacinados contra os malefícios da publicidade, cedo ou tarde caem nas mesmas ratoeiras onde tombam aqueles “ignorantes” que tanto desprezam.

UM ANEXO INESPERADO


Um familiar, ainda um par de anos mais idoso do que eu, depois de ler a minha ultima “meditação” , mandou-me um comentário, em castelhano, que tomo a liberdade de transcrever, eliminando algumas passagens de índole pessoal. Diz assim:

Não entendo a burrice dos humanos actuais. Inutilizaram a juventude no aspecto social. Já parecem todos norte-americanos. E os pais não sabemos, não podemos ou não queremos lutar. POR SABER QUE NÃO CONSEGUIRÍAMOS NADA.


Os comandos estão nas mãos de jovens, que não entendem esta luta que propões. Não conheceram os tempos passados. Tenho amigos, que foram colegas de trabalho, com idades entre 45/55 que não compreendem as coisas que escrevemos, Conclusão: fomos postos de lado já muito antes de agora. Só incomodamos.

FIM DA TRANSIÇÃO

domingo, 17 de maio de 2020

MEDITAÇÕES – Tristeza


É LAMENTÁVEL, mas indiscutível

Confirmei, sem a mais mínima dúvida, que os poucos interessados em ler estes apontamentos não reagem como cidadãos inteiros. São mais apáticos do que as galinhas; que tem o carisma de serem considerados uns animais sumamente estúpidos.

Com este não retorno das pessoas como as que me foi dado ponderar, após serem “seleccionadas”, nem sequer atrevo a qualificar como representativas da actual sociedade. Seria uma realidade sumamente desesperante que, de facto, estes poucos cidadãos fossem uma amostra credível, do total que reside neste jardim à beira-mar plantado.

Mas cabe admitir que aquilo que me preocupa sem ser por mim mesmo, dado que o meu “prazo de validade” já foi ultrapassado, é o estado do País, e por extensão do Planeta, que deixaremos às sucessivas gerações. Que até podem ser menos extensas do que as curvas de progressão geométrica mostram até hoje.

sábado, 16 de maio de 2020

MEDITAÇÕES – Insistimos no SUICÍDIO absurdo




Aceitamos o lixo dos outros a troco de uns cobres.

Ontem vi, num noticiário que não fixei, as lamentações de um cidadão pelo facto de que, também no seu concelho, estavam recebendo camionetes de caixa enorme carregadas com lixo urbano -se calhar não só de origem caseira- que nos enviavam, via marítima desde o Sul da Itália, zona onde se afirma que a recolha e “despacho” do lixo é um grande negócio dominado pela MÁFIA LOCAL.

Não posso afirmar que o que aceitam neste concelho lusitano difira muito do que se soube acontecia noutro. E desconheço quantos mais não terão aceite este trato infame. Sempre é referido que para aceitar o seu lixo nos pagam dez euros por tonelada (?) Pode ser um bom negócio. Mas quem autorizou, seja através do Ministério do Ambiente ou directamente pelas autarquias a esta vergonhosa e potencialmente perigosa recepção? 

E quem fica com os tais euros de compensação? Haverá muitas mãos, com unhas grandes como aves de rapina, interessadas na partilha deste vergonhoso suborno? Sim, porque este assunto ultrapassa o nível dos habituais abusos de gestão.

Não podemos fazer fé no que a voz do povo afirma desde o Minho até Vila Real de Santo António. Se existem suspeitas, e possivelmente até provas, de que o comportamento de muitos autarcas deixa muito que desejar, pelo menos sob a rasoira da ética, e referem casos de preferências inexplicáveis, de manipulação dos Planos de Urbanização, de compadrio e de adjudicações “a dedo” sem cumprir as regras “obrigatórias”. 

Se deixamos tapar isto sem pressionar para que se cumpram as normas legais e democráticas, nem por sombras podemos deixar de MANIFESTAR A NOSSA REPULSA, COMO CIDADÃOS CUMPRIDORES, de que o território nacional possa ser utilizado, a troca das tais dez moedas, -que nos fazem lembrar o que se refere a propósito de Judas-

Curiosamente no Jornal PÚBLICO, de hoje, sábado 16, e na pág 18, em destaque, na 4ª coluna, o articulista GONÇALO SANTOS cita que num órgão oficial da China (ali tudo o que se publica é oficial!) reclamam do “LIXO ESTRANGEIRO” e dos riscos de poluição que comporta a reciclagem de lixo oriundo de países “estrangeiros” ricos.

Esta denúncia pode ser um possível ataque de diversão consequência de que se afirma -mesmo que não com convicção absoluta- que a pandemia actual teve a sua origem, e dispersão, em laboratórios secretos da China. Mas, mesmo com dúvidas de manipulação, a referência não deixa de ser sintomática. 

Num escrito anterior, -cujo cabeçalho não tentei encontrar- referi os problemas que, para o ambiente em geral e com consequências ainda não devidamente ponderadas, tem origem no CONSUMISMO, incitado poderosamente pelas máquinas publicitárias.

Ninguém pode negar a invasão de embalagens não degradáveis, tanto nos terrenos como nas águas doces de que dependemos, e dos mares que são -ou eram- o nosso reservatório de vida e saúde. Mas a grande economia, que comanda os governos nacionais, faz ouvidos moucos. Não se atrevem a legislar no sentido de imediatamente se proibir a distribuição e venda de artigos, tanto de alimentação como de uso indiferenciado, em embalagens de plástico não degradável a curto prazo. 

EM VERDADE O QUE SE DIZ SER BIO-DEGRADÁVEL LIMITA-SE A DESFAZER-SE EM PEQUENOS PEDAÇÕS, sem que os compostos de síntese desapareçam. DAÍ ADVÊM OS MICROPLÁSTICOS QUE ANIMAIS E PESSOAS INGERIMOS SEM NOS DAR CONTA, mesmo ao respirar e beber água, que nos dizem ser potável.