quinta-feira, 16 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Começam as questões




Muitos devem estar ficando bastante nervosos

Por não ter arrumado as ideias como devia ter feito, sucede que ainda não sei como vou desenvolver o tema que me barrunta* pela mioleira. Como desculpa inaceitável atrevo-me a dizer que o impasse é consequência de não ter tido contacto verbal prévio com pessoas que considere estarem na disposição de tentar analisar a situação em que estamos. As únicas fontes de consulta foram alguns jornais -poucos; dois por semana- seguir, apesar de serem excessivamente reiterativos e pouco claros, alguns noticiários nas Televisões, e uns passeios pela “net”.

De qualquer forma sinto -e admito estar errado- que muitos cidadãos já admitem que a situação actual é muito diferente da que se viveu na crise económica anterior, e noutras mais precursoras. Desta vez o caso é geral, daí o chamarem-lhe de pandemia. Um surto epidémico que espalhado pelo globo está flagelando tanto os países ricos como os “pobres” -que são ricos comparativamente com os que realmente estão paupérrimos- Quanto aos bem situados na economia e que se pensava poderiam ajudar os que temem “ir pelo cano abaixo”, ninguém se atreve a pensar que terão salvavidas para todos os que naufragarem.

O problema não está só na quebra económica que comporta a paragem da economia produtiva, sem que as sociedades deixem de consumir, nem que seja nos bens de subsistência, mas na consciência de que não existe a certeza, nem sequer uma hipótese fidedigna, de existir uma data para o fim da situação. Implicaria ter-se encontrado uma vacina e um antídoto, ou tratamento rápido e eficaz para salvar os afectados.

Às mortes em números que se, por sorte, não atingem os valores terríveis nos massacres acontecidos em conflitos bélicos recentes, junta-se a estagnação, practicamente total, das estruturas produtivas assim como o comércio global, que é o sangue circulante da economia actual.

Todos os vectores que influenciam a situação vigente convergem para um progressivo e ameaçador deficit financeiro, que não se sabe como travar e ainda menos como recuperar.

É uma “guerra” de cariz bíblico. E como tal estamos à beira de surgirem pregadores da catástrofe, que ponham a humanidade em estado de histeria colectiva. Por sorte o tempo dos profetas já passou. Mas reconhecemos a existência de seitas que, com discursos tenebrosos, anunciam o fim do mundo, e conseguem cativar adeptos convictos. Quem ler isto pensará, com razão, que não estamos na idade média. Pois não estamos. Mas sempre existiram e existirão mentes crédulas.

Aquilo que nos preocupa é que não se considera factível manter as populações paradas, enclausuradas, com o comércio practicamente estagnado e com a consequênte sangria dos tesouros nacionais em contínua perca. Todos devem estar conscientes de que o toque de reabilitar o trabalho e a transferência de produtos tem que ser dado em simultâneo. Nenhum país, na época em que estamos, pode decidir a recuperação do seu parque produtivo sem a certeza de poder receber as matérias primas e componentes que habitualmente adquiria do exterior, e tampouco poderá permitir-se a fantasia de produzir, seja o que for, para encher armazéns.

Tentar restabelecer um país, isoladamente, dando a ideia de que estamos chegando a uma normalidade é, além de temerário um erro de possível não-retorno. E quem será que pode tomar a batuta neste reinício do concerto?

Alguém se decidirá, sem esperar que o fim da pandemia seja evidente. O mundo ocidental sabe que não conseguiria sobreviver a uma paragem total. Como se uma catástrofe planetária nos colocasse numa situação semelhante, pelos efeitos, à extinção dos grandes répteis.

Mas, admitindo que mesmo mal-parados, vamos sair desta situação, há problemas identificados, resultado da incúria dos humanos, e de cujos efeitos todos somos culpados, e que se não se encaram seriamente a pandemia actual será uma brincadeira, comparado com a possível, e prevista, destruição do meio ambiente.


-barruntar: desconfiar, pressentir, suspeitar

terça-feira, 14 de abril de 2020

MEDITAÇÕES - A disjuntiva bate à porta


 A disjuntiva bate à porta

O dilema está no financiamento

Os governos ibéricos, e possivelmente outros mais, estão indecisos acerca de continuar com as medidas de isolamento, não pelos que já habitualmente estavam quase sempre entre as quatro paredes da residência respectiva, mas por outros cujo trabalho produtivo afecta a economia do País sem que exista um retorno equivalente por outras vias.

Ou seja, a decisão de recolher obrigatório, dada pelos governos no intuito de reduzir o fluxo de pacientes no sector de tratamentos intensivos, fosse por carência de meios de equipamento ou humanos, terá, forçosamente, que se reduzir, por efeito do trabalho conjunto entre fornecedores, técnicos de saúde, e a supervisão profissional dos responsáveis pelas finanças públicas. Esta equipa, multidisciplinar vai encontrar-se, se não o tem já à sua frente, com o dilema de manter as restrições de âmbito geral ou ir abrindo a porta, mesmo que cautelosamente.

Não desejaria estar no lugar de quem se sinta entre as espadas (são mais do que uma...) e a parede. O que não me impede de vaticinar que a situação actual não se pode manter durante semanas ou meses, como se chegou a insinuar.

Assim como, para ajudar a estragara festa, ainda podemos aceitar a possibilidade de que este vírus nos venha a oferecer mais uma vaga, ou mesmo duas, se acontecerem mutações que não sejam neutralizadas pela vacina que se aguarda ansiosamente

domingo, 12 de abril de 2020

MEDITAÇÕES -É possível, ou não?



A China nos vai absorver?

O aderir à tentação de considerar como real, e actual, potencialmente muito perigosa teoria da conspiração, de que a China é a responsável evidente da pandemia que nos está assediando. Dada a convicção de que já não se satisfaz com o controle de uma grande parte do continente asiático e que além de avanços tecnológicos, conseguidos a partir de descobertas no ocidente, atingiu una capacidade económica importante e com potencial dominante, graças a poder usar, sem restrições, a enorme quantidade de mão de obra de que dispõe.

Além de que se reconhece ainda serem os seus custos com o seu operariado muito inferiores aos que se praticam no mundo ocidental. inclusive hoje com o abuso do trabalho sem garantias, ou com contratos a prazo certo, muitas vezes com a duração de um dia ou dois, e mercê da legislação autista que se tornou habitual para poder satisfazer os poucos empresários que resistiram à fuga de fabrico no oriente.

São demasiados os sectores fabris europeus, de onde se lançaram ao mercado a imensa maioria dos artigos que, os mesmos fabricantes originais, passaram a ser produzidos, inicialmente com contratos, no Oriente. Esta deslocação industrial colocou a economia ocidental num terreno instável, já não com a subcontratação aparentemente rentável mas, nesta fase actual, totalmente dependente das regras que são decididas e impostas pelos anteriormente colaboradores.

O aderir à convicção, reflexo de algumas denuncias, que alguns consideram ser fundamentadas, onde acusam, a actual pandemia, de ser disseminada, propositadamente, por decisão das autoridades chinesas. E até avisam da possibilidade de outras epidemias, igualmente fatais podem flagelar o mundo sem ser espontâneas. Pode ser um erro, ou uma falta de credibilidade na honradez dos humanos, em geral. Mas descartar esta possibilidade pode ser uma ingenuidade fatal, nem que seja só pelo facto de reconhecermos que a ambição de manter e até alargar um império é tradicional na história da humanidade.

Toda esta introdução teve como propósito o “deixar arrefecer o ferro que já está em brasa”. São muitos os comentários que se mostram convictos de que o novo Império Chinês, seja ainda comunista ferrenho ou simplesmente uma ditadura expansionista, nos está comendo a erva debaixo dos pés. Esta crença induz, e com razões convincentes, a recomendar que não se negoceiem, NÃO SE VENDAM, mais empresas ou quaisquer negócios a chineses, e se faça uma restrição apertada à impoprtação de material de baixo preço e inferior. Isso apesar de que se espera uma forte crise económica no Ocidente e, se admite, que as arcas do tesouro chinês ainda devem ter grandes reservas.

Se recuperarmos a racionalidade e ponderar com calma a situação, será imediata a noção de que o desastre vai ficar delimitado às mortes inesperadas, e daí a uma quebra na população dos países, e que o maior desafio vai estar no ultrapassar da crise económica do sector mais débil da população e, em simultâneo, a recuperação da nossa economia, e a ser possível manter e incrementar a independência do exterior -Aqui uma chamada a fortalecer a União Europeia. TODOS SABEM, e não podem esquecer, QUE A UNIÃO FAZ A FORÇA)

Para nos animar é factual que não temos os problemas habituais do fim de um conflito bélico. O parque habitacional está praticamente igual ao que existia seis meses atrás; as vias de comunicação permanecem na mesma (mesmo que algumas na obsolescência), e a população recupera-se em poucas décadas. As quebras na economia são mais fruto de uma publicidade interesseira do que o reflexo de uma pobreza repentina. As pessoas habituaram-se a comprar sem raciocinar.

Onde o Mundo Ocidental, na sua globalidade, falhou foi no desleixo que se deu à própria indústria, vendendo a baixo preço, os avanços tecnológicos que se tornaram um engodo irrecusável para a população em geral. É o sector produtivo, tecnológico, seja das velhas tecnologias -que sempre estarão na base e atrás do cenário mirífico que a publicidade se encarrega de difundir- ou das que surgem como moscas à sombra da informática.

Se eu tivesse uma porta que me permitisse aconselhar os governos recomendaria que se taxasse, além do máximo considerado como admissível, a publicidade para novos produtos e, em especial, aqueles que, de facto, não passam de ser exactamente iguais aos anteriores mas com outra roupagem, mais vistosa e apelativa. Um truque habitual entre os comerciantes de equídeos nas feiras, e que se incorporou extensivamente nos produtos de consumo.

SERIA MUITO IMPORTANTE, PELOS RESULTADOS QUE PODIA CONSEGUIR, UMA INTENSA LUTA CONTRA AS DESPESAS SUPÉRFLUAS.

Que, foram, sem dúvida, a principal causa da rotura económica e produtiva do Ocidente.

sábado, 11 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Pensar não basta



Pensa devagar e obra depressa

Decidir, assim levianamente, que devemos seguir os conselhos dos adágios antigos é muito prometedor. Mas a dificuldade está em que a maioria dos cidadãos -como é o meu caso- não temos muitas possibilidades de agir positivamente e menos que as nossas locuções, assim como as nossas hipotéticas receitas, tenham a mais mínima força para alterar o rumo da sociedade onde estamos inseridos.

Esta forma de admitir a derrota antes de sequer tentar entrar numa luta aberta é, como se entende, absolutamente castradora. E pior se possível, mostra-se ligada a um futuro que não podemos dominar, pela falta de capacidade reactiva. Porque sempre recordamos existir uma série bastante longa de referências em que se nos “vende” que insignes e temerárias personagens, em geral dotadas de uma verve inflamada, que conseguiram, por si sós (permitam que duvide...) arrastar multidões e dar a volta a sociedade.

Pelo menos admito que conseguir o tal ponto de apoio onde fincar a alavanca que possibilite mudar o mundo do seu estatismo natural, não será resultado de uma meditação isolada, ao estilo do eremita sofredor. Qualquer personagem histórica que se destacasse pela sua capacidade em agitar as massas, teve que, antes de se lançar à arena, conseguir um apoio. O tal fulcro onde situar a alavanca figurativa.

Recordemos que Júlio César, antes de expor as suas catilinárias já tinha conseguido ser reconhecido como um grande e valente chefe de tropa. Tinha uma corte de apoio e os portões abertos no ágora onde se tinha canalizado uma multidão, certamente já catequizada com um prévio “aquecimento”, como sempre procura ter o orador, pois que tem a obrigação der saber que não é fácil convencer uma multidão em estado “frio”. Mesmo o politiqueiro mais inexperiente, ou o neófito nos espectáculos de palco, sabe quanto vale uma preparação do ambiente.

Napoleão, Hitler, Mussolini, e outros incitadores das massas nos mostraram como se preparam os êxitos. Mesmo o profeta Jesus, teve a visão necessária para seleccionar e preparar um conjunto, mesmo que reduzido, de seguidores, adictos e predispostos a sorverem as suas palavras. O pregar no deserto, sem a garantia de um público propício, não é produtivo.

Pessoas que partilham aquele senso comum -que diz-se ser o menos comum de todos os sentidos- que julgamos possuir, existem às dúzias, aos magotes mesmo. E quantos são aqueles que conseguem ter uma audiência e dela criar um grupo de aderentes? Infelizmente, para estes sonhadores sociais, é que serão considerados como lunáticos, palhaços, loucos ou qualquer outro grupo que esteja dentro da zona dos desprezáveis, dos que não se podem aturar, nem sequer se devem ouvir. Difícil, quase impossível, é conseguir uma aceitação, a partir do nada. E como esta noção de ineficácia é extensiva, felizmente cada dia surgem menos loucos dispostos a lutar contra moinhos de vento.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Devagar evolui-se



NÃO SE PODE INSISTIR NO BIPARTIDISMO

Dizer que o comportamento dos humanos segue, sem dar por isso, involuntariamente, as leis da evolução das espécies (1). Mas reconhecemos que, paulatinamente, os comportamentos e o pensar das pessoas vão sofrendo mudanças, algumas profundas e outras quase que imperceptíveis.

Avancemos um exemplo: De mansinho os eleitores que se mantiveram fieis à participação democrática na escolha dos seus representantes, foram-se contentando com a alternância no poder de dois partidos maioritários e alternantes. Uma situação que numa visão sociológica pode-se assimilar à situação real, mas de índole sexual, que por extensão linguística podemos considerar como uma espécie de POLIANDRIA (2)

Concretamente a conjuntura conduz a que dois partidos, aparentemente em oposição aguda, partilham, com agrado, o poder alternadamente. Este revezamento, aceite tacitamente, sem o admitir, leva sempre a que os reais comportamentos dos parceiros em pouco ou nada diferem. A maior disparidade que se encontra, quando um sai da pista de dança e o outro começa a tangar, é que cada um destes sócios alternantes carrega às costas uma série de compromissos que cumprir, mais longas listas de parentes e amigos, todos eles chupistas que se de longe nos podem parecer diferentes, não se tarda a verificar que em se comportam com a mesma falta de ética e vergonha. Com outras palavras: De facto só mudam ALGUMAS moscas.

A anterior legislatura nos apresentou, falhando às expectativas, uma tentativa de consentir numa governação partilhada. Mas neste tímido reparto de poder não participaram os dois pesos pesados que se digladiaram ao longo da campanha eleitoral. Foi uma decisão amarga, mas inevitável, para conseguir governar do partido. A proposta de dançar com vários parceiros nunca foi clara nem definida. Foi um esquema inédito entre nós.

O partido mais forte entre o grupo, desde início tentou, e até conseguiu, levar quase sempre a sua vontade por cima das orientações propostas pelos sócios minoritários. Esta aceitação de fingida coligação caiu em descrédito entre os sectores mais reivindicativos. Hoje temos uma ainda mais difusa presença dos partidos minoritários qualificados como esquerdistas. É lamentável que não se saiba trabalhar em coligação. Deve ser genético.

À primeira vista somos induzidos a concluir que, neste Portugal actual, os eleitores ainda consideram como inoperacional uma governação colegiada. E podemos recordar que já anteriormente houve tentativas de manter um governo com várias mãos, ou concretamente, com mais do que um grupo definido, com siglas próprias. Os resultados nunca foram positivos, pois as pressões que os diferentes sócios consideravam que tinham direito induziu, sempre, a que se mantivessem e até aumentassem as lutas intestinas entre parceiros.

E quando chega o momento de escolher, democraticamente, um governo nacional continuamos sendo exclusivos. As pressões das clientelas e a fidelidade irracional, essencialmente mediática, nos conduz a promover um hipotético cabecilha, que se valoriza como diferente, e sem dúvida melhor, do que os opositores que pretendem o mesmo lugar. Curiosamente alguns eleitores, que não todos, surpreendem-se quando verificam, passado pouco tempo, que a lista de personagens importantes, favoritos do seu eleito governante, difere pouquíssimo da lista que também apoia e é apoiada pela equipa oposta.

A solução de uma governação partilhada entre partidos que representam sectores diferentes, mas próximos, já se verificou é optada por outros países, e com um certo sucesso. Mas para este êxito é necessário serem efectivamente democráticos, e os parceiros estarem prontos a receber parcelas de poder ou aceitar propostas internas diferentes das inicialmente desejadas. E assim conseguir não só uma calma favorável com outros pequenos ou médios grupos anteriormente na oposição.

Este esquema de governação permite diluir pressões, optando por compromissos menos exclusivismos, e daí conseguir e uma maioria, complexa, mas mais fiel do que as anteriores, de votantes com diferentes filiações. Podem deixar uma bandeira, a sua, para se aproximarem de outra, sem ceder totalmente daquele pensamento que consideram ser “os seus princípios básicos”.

Corolário: Será uma grande perda se os partidos maioritários não entenderem que uma larga coligação era favorável para o País. Mesmo que não desse tantas vias de enriquecimento pessoal.


1– Não confundir com as especiarias, aqueles produtos exóticos com poderes antissépticos que se tornaram imprescindíveis para conseguir digerir sem adoecer as carnes já em vias de avançarem para a decomposição.

2 – Organização familiar em que a mulher tem, legalmente, mais do que um marido ao mesmo tempo.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Pender para o deifico




E AS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO?

Quando nos assustarmos e, em complemento, deixarmos de acreditar, plenamente, na possibilidade de terem efeito positivo as medidas que, quase unanimemente, tem sido tomadas pelos governos, nacionais a quem se delegaram as rédeas de condução, podemos estar mesmo à beira de abandonar a racionalidade e retomar o caminho de atribuir tudo o que nos afecta, tanto no bom como no mau, a entidades incontroláveis.

A época em que nos encontramos, pelo menos na zona ocidental do globo, é propícia a julgar que muito do que sucede é fruto de umas tenebrosas e ocultas conspirações, de uma ligação perversa entre o grande capital, a política civil que lhe é anexa, algumas das sociedades reservadas, algumas cúpulas militares e inclusive outras que se movem sob o manto das religiões. Admite-se, tacitamente, que a cidadania civil mais cumpridora e laboriosa se encontra muito indefesa, se não totalmente, perante as manobras que se estudam e decidem em comités restritos, mas muito poderosos. Em corolário quase inevitável caímos na convicção de que existe uma temível e quase invencível conspiração, que age com o fito de conseguir o poder total e universal. Não são sonhos, são pesadelos!

Menos alarmante, mas igualmente difícil de engolir, é a que se manteve em vigor, e pode estar latente ainda hoje, de sermos periodicamente alvo de punições deificas, apesar de que uma visão desapaixonada nos elucide de que muitas das vítimas de uma punição geral nada tinham a penar, a não ser o famoso pecado original. Mesmo assim custa a engolir que todos os prejudicados eram merecedores de castigo. Humanamente devemos entender que a maioria das pessoas, vítimas efectivas ou propícias, não se podem considerar como pecadores premeditados, sem possível remissão.

Numa situação deste teor há quem se decida ou seja induzido a recorrer à ajuda divina, seja directamente ao seu Deus ou a algum dos seus colaboradores, uma espécie de mediador encartado. Muitos destes peditórios de ajuda é usual que sigam acompanhados da proposta de compensação, espiritual ou monetária, por parte do dito crente. Nada que se possa comparar a um suborno! Só que, pelo sim, pelo não, sempre é bom anunciar que se sabe agradecer...

Dos meus escritos anteriores aquilo que transcende desta fase epidémica, mas que é muito mais ameaçadora e merecedora de atenção, é a noção de que o Dragão Asiático está, sub-repticiamente, devorando a invejada Sociedade Ocidental. E esta epidemia vem mesmo a calhar para esta conquista sem tiros. No entanto e pessoalmente, duvido de que os países ocidentais se decidam a se unir para este confronto subtil mas extremamente perigoso.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Justifica-se ou não



A PANDEMIA CONTINUA

A modernidade impulsou a histeria perante a pandemia actual, e promoveu uma noção errada, por exagerada, do seu perigo e das consequências que podem advir à humanidade em geral. Podemos descansar: esta não será uma razia bíblica.

Mas é precisamente a rapidez da sua difusão, este surgir de focos em qualquer ponto do globo, que se pensa ser espontâneo, se não provocado por alguma entidade demoníaca, o que torna esta peste diferente das anteriores.

As pessoas em geral, mesmo que existam cidadãos capacitados para discorrer e fazer as interligações que nos podem passar em frente do nariz -mas que desatendemos- não viram a ligação inevitável entre a tão aplaudida globalização e a difusão de doenças, sejam víricas ou de fontes já nossas conhecidas anteriormente, como as microbianas, bacterianas, amibianas e outras.

Soube-se que a maioria das pestes que flagelaram a humanidade tiveram um agente difusor, fossem pulgas, mosquitos, ratos, carnes inquinadas, ou inclusive de partículas da nossa respiração -aerossóis- que se difundiam pelo ar até encontrar um hospedeiro. Aquilo que era chamado de miasmas. E esta do coroa-17 ou outro número qualquer, não escapa à regra. Já nos explicaram que o vírus não é um animal, nem um vegetal, que não tem vida própria, que é um simples hospede perigoso e invisível. É algo inanimado mas que se reproduz e modifica. Uma prenda da natureza que nos acompanha na Terra desde muito antes de aparecer o género humano.

Então a que se deve o alarido actual? Precisamente pela sua difusão tão extensa e rápida. Como se conseguiu esta distribuição tão geral e equitativa? Pois simplesmente pela referida globalização, tanto no comércio mundial de mercadorias, que não se imaginava poderem estar contaminadas com algo invisível, como pelo anormal fluxo de pessoas a viajar, como nunca se fez, de um lado para outro.

Alguns pessimistas previam, sem poder equacionar o como e quando, seria que esta doideira de colocar pessoas e bens numa transfega imensurável podia “dar para o torto”. Denunciaram-se sintomas evidentes dos magnos problemas que a modernidade levada aos extremos estava afectando a vida no planeta. Muitos se alarmaram, e com certa razão, com a progressiva poluição das águas e, claro, dos mares. Do como estávamos transformando céus, terra e mar em lixeiras que não se recuperam com a mesma velocidade com que as estragámos. Mas sempre olhando para o lado ou mesmo fechando os ditos. Outras besteiras se fizeram e continuam a fazer, apesar das denúncias: desmatagens totais; colocar dejectos em órbitas terrestres e mesmo em percursos estelares; materiais tóxicos, não degradáveis, que se enviam para países pobres (como é o caso de Portugal com lixo da Europa) ou varrem debaixo do tapete quando os largam nalguma fossa abissal oceânica.

Pode parecer uma listagem de temas que nada tem que os ligue ao problema da epidemia actual. MAS ESTÁ TUDO LIGADO.

Felizmente, como está previsto pelos científicos, esta pandemia vai terminar muito mais depressa do que outras anteriores, pelo simples facto, biológico, de que entre os muitos infectados serão bastantes aqueles que gerarão, dentro de si mesmos, anticorpos que, mais adiante, também se difundirão entre a população, tanto de modo espontâneo como propositado através de vacinas criadas ex-professo.

Mas caso não se trave a loucura de viajar em massa e a destruição física do planeta, é de prever que outras pestes surgirão. E cada vez mais virulentas.