quinta-feira, 9 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Pender para o deifico




E AS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO?

Quando nos assustarmos e, em complemento, deixarmos de acreditar, plenamente, na possibilidade de terem efeito positivo as medidas que, quase unanimemente, tem sido tomadas pelos governos, nacionais a quem se delegaram as rédeas de condução, podemos estar mesmo à beira de abandonar a racionalidade e retomar o caminho de atribuir tudo o que nos afecta, tanto no bom como no mau, a entidades incontroláveis.

A época em que nos encontramos, pelo menos na zona ocidental do globo, é propícia a julgar que muito do que sucede é fruto de umas tenebrosas e ocultas conspirações, de uma ligação perversa entre o grande capital, a política civil que lhe é anexa, algumas das sociedades reservadas, algumas cúpulas militares e inclusive outras que se movem sob o manto das religiões. Admite-se, tacitamente, que a cidadania civil mais cumpridora e laboriosa se encontra muito indefesa, se não totalmente, perante as manobras que se estudam e decidem em comités restritos, mas muito poderosos. Em corolário quase inevitável caímos na convicção de que existe uma temível e quase invencível conspiração, que age com o fito de conseguir o poder total e universal. Não são sonhos, são pesadelos!

Menos alarmante, mas igualmente difícil de engolir, é a que se manteve em vigor, e pode estar latente ainda hoje, de sermos periodicamente alvo de punições deificas, apesar de que uma visão desapaixonada nos elucide de que muitas das vítimas de uma punição geral nada tinham a penar, a não ser o famoso pecado original. Mesmo assim custa a engolir que todos os prejudicados eram merecedores de castigo. Humanamente devemos entender que a maioria das pessoas, vítimas efectivas ou propícias, não se podem considerar como pecadores premeditados, sem possível remissão.

Numa situação deste teor há quem se decida ou seja induzido a recorrer à ajuda divina, seja directamente ao seu Deus ou a algum dos seus colaboradores, uma espécie de mediador encartado. Muitos destes peditórios de ajuda é usual que sigam acompanhados da proposta de compensação, espiritual ou monetária, por parte do dito crente. Nada que se possa comparar a um suborno! Só que, pelo sim, pelo não, sempre é bom anunciar que se sabe agradecer...

Dos meus escritos anteriores aquilo que transcende desta fase epidémica, mas que é muito mais ameaçadora e merecedora de atenção, é a noção de que o Dragão Asiático está, sub-repticiamente, devorando a invejada Sociedade Ocidental. E esta epidemia vem mesmo a calhar para esta conquista sem tiros. No entanto e pessoalmente, duvido de que os países ocidentais se decidam a se unir para este confronto subtil mas extremamente perigoso.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Justifica-se ou não



A PANDEMIA CONTINUA

A modernidade impulsou a histeria perante a pandemia actual, e promoveu uma noção errada, por exagerada, do seu perigo e das consequências que podem advir à humanidade em geral. Podemos descansar: esta não será uma razia bíblica.

Mas é precisamente a rapidez da sua difusão, este surgir de focos em qualquer ponto do globo, que se pensa ser espontâneo, se não provocado por alguma entidade demoníaca, o que torna esta peste diferente das anteriores.

As pessoas em geral, mesmo que existam cidadãos capacitados para discorrer e fazer as interligações que nos podem passar em frente do nariz -mas que desatendemos- não viram a ligação inevitável entre a tão aplaudida globalização e a difusão de doenças, sejam víricas ou de fontes já nossas conhecidas anteriormente, como as microbianas, bacterianas, amibianas e outras.

Soube-se que a maioria das pestes que flagelaram a humanidade tiveram um agente difusor, fossem pulgas, mosquitos, ratos, carnes inquinadas, ou inclusive de partículas da nossa respiração -aerossóis- que se difundiam pelo ar até encontrar um hospedeiro. Aquilo que era chamado de miasmas. E esta do coroa-17 ou outro número qualquer, não escapa à regra. Já nos explicaram que o vírus não é um animal, nem um vegetal, que não tem vida própria, que é um simples hospede perigoso e invisível. É algo inanimado mas que se reproduz e modifica. Uma prenda da natureza que nos acompanha na Terra desde muito antes de aparecer o género humano.

Então a que se deve o alarido actual? Precisamente pela sua difusão tão extensa e rápida. Como se conseguiu esta distribuição tão geral e equitativa? Pois simplesmente pela referida globalização, tanto no comércio mundial de mercadorias, que não se imaginava poderem estar contaminadas com algo invisível, como pelo anormal fluxo de pessoas a viajar, como nunca se fez, de um lado para outro.

Alguns pessimistas previam, sem poder equacionar o como e quando, seria que esta doideira de colocar pessoas e bens numa transfega imensurável podia “dar para o torto”. Denunciaram-se sintomas evidentes dos magnos problemas que a modernidade levada aos extremos estava afectando a vida no planeta. Muitos se alarmaram, e com certa razão, com a progressiva poluição das águas e, claro, dos mares. Do como estávamos transformando céus, terra e mar em lixeiras que não se recuperam com a mesma velocidade com que as estragámos. Mas sempre olhando para o lado ou mesmo fechando os ditos. Outras besteiras se fizeram e continuam a fazer, apesar das denúncias: desmatagens totais; colocar dejectos em órbitas terrestres e mesmo em percursos estelares; materiais tóxicos, não degradáveis, que se enviam para países pobres (como é o caso de Portugal com lixo da Europa) ou varrem debaixo do tapete quando os largam nalguma fossa abissal oceânica.

Pode parecer uma listagem de temas que nada tem que os ligue ao problema da epidemia actual. MAS ESTÁ TUDO LIGADO.

Felizmente, como está previsto pelos científicos, esta pandemia vai terminar muito mais depressa do que outras anteriores, pelo simples facto, biológico, de que entre os muitos infectados serão bastantes aqueles que gerarão, dentro de si mesmos, anticorpos que, mais adiante, também se difundirão entre a população, tanto de modo espontâneo como propositado através de vacinas criadas ex-professo.

Mas caso não se trave a loucura de viajar em massa e a destruição física do planeta, é de prever que outras pestes surgirão. E cada vez mais virulentas.

terça-feira, 7 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Terão que acontecer mudanças



Além das alterações da vida “caseira”

É pouco provável que no dia em que for declarado o fim da epidemia. Pelo menos macroscópicamente, pois que sempre existe a noção de que os vírus não desaparecem na totalidade, que podem ficar “hibernando” e até evoluindo para novas estirpes. Razão pela qual não podemos lançar muitos foguetes.

Sem alarmes exagerados é aconselhável manter a consciência de que a humanidade forma parte do total de seres que connosco convivem no planeta Terra. E, para não ficar descansados, ainda se admite que podemos receber do espaço exterior algumas aportações com origens desconhecidas.

Mas temos que nos aguentar com o que ainda está ao nosso alcance. Como aqueles carecas caricatos que penteiam uns longos cabelos das “bancadas laterais” com o propósito de colmatar o desguarnecido campo sem relva. Em linguagem caseira diria que temos que nos governar com a prata da casa.

E sendo assim, para a imensa maioria da população, se a porca já torcia o rabo, as previsões para o inevitável próximo futuro são para um nível certamente pior do que o que se aguentou no passado recente.

Como se diria familiarmente “Que Deus nos apanhe confessados!” Uma máxima só válida para aqueles crentes que optam por não especular acerca das preferências e decisões do tal Deus imaginário. Seja qual for a visão de cada um, aquilo que podemos apelidar de Fado, Destino ou Inesperado, e sem atribuir responsabilidades etéreas, será penoso, cru, bastante encruado, para assim dizer.

Mas já houve quem começasse a jogar cartas para a mesa com o propósito de limpar a sua imagem. Nomeadamente o Enorme e temível devorador Dragão Chinês (1). Já se prontificou e realizou o envio de material sanitário para ajudar os países afectados pelo vírus que, sem dúvida , teve a sua origem no seu território; mesmo que se admita não ter sido propositadamente.

Um gesto com uma dimensão mais do que simbólica, mesmo que quantitativamente, para a China, não passe de uma gota de água no oceano.

Sem exagero aquilo que se conhece da sua história nos pode elucidar de que, comparativamente, Maquiavel era um menino do coro, apesar de consciente e cínico q.b. (2)

Como se estivéssemos no meio de um jogo de tabuleiro, sossegados, e nervosos por enjaulados, na nossa casa. Neste Jogo de Guerra o facto real é que o Ocidente, nesta altura da evolução económica, está nas mãos do Oriente, nosso fornecedor de tudo, ou quase tudo. O que se comercializa nas nossas lojas e até aquilo que exportamos. Tentar afastar, que não “matar” este Dragão, por ser impossível, implica uma acção conjunta de todos os países da órbita ocidental. Uma união muito mais ampla e bem coordenada da que se ergueu contra o nazismo na segunda guerra mundial.

Mesmo que algumas cabeças pensantes, e mesmo governantes, se capacitem e decidam tentar unir os actuais parceiros, só para poder sobreviver, a sua tarefa seria muito difícil. E as possibilidades de conseguir uma união geral julgo que continuariam a ser muito baixas.


    (1) Que, para quem estudou a genealogia da espécie draconiana, se reconhece ser o procriador de todos os dragões e similares que se instalaram no imaginário ocidental europeu. E não só. Mas esta noção não invalida o facto de que o homem, mesmo que estivesse totalmente isolado, sem contacto com outros povos, não tardaria um clicar de olhos, em imaginar um ser supremo que fosse o responsável do bem e do mal.
    (2) A propósito recordo uma afirmação, que passou a ser referência histórica na língua ocidental. A existência, invisível, de uma quinta coluna. Foi durante o cerco da cidade de Madrid pelas tropas rebeldes, fascistas, que o general Emílio Mola, numa arenga emitida pela rádio, afirmou que sobre Madrid avançavam quatro colunas militares, mas que dentro já tinham uma outra coluna, a quinta, constituída por civis adictos ferrenhos dos sitiantes. E, de facto, os seus apoiantes estavam lá!

segunda-feira, 6 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – A hora está a chegar.



Como agirá a União Europeia ?

É de prever que estando a unanimidade tão enfraquecida é pouco provável que se venham a tomar as medidas pertinentes para recuperação do que se perdeu nesta fase, mas, muito mais importante, em dar uma nova vida e força a este bloco europeu que, desde os outros continentes, desejam derrubar, e que consideram conseguir dentro de pouco tempo.

Lamentavelmente os males de que padece a Europa são tão profundos, endémicos e históricos, que só com um grande esforço e com mentes esclarecidas é que se pode tentar dar a mudança necessária. É uma tarefa hercúlea tentar superar todas as diferenças e querelas que se enquistaram na história das nações europeias.

A tentativa de conseguir um Mercado Comum na sequência da Comunidade do Carvão e do Aço, e depois da Eurátomo, sempre na mira de chegar à Moeda Única e a um Espaço sem fronteiras, aberto, teve e manteve uma constelação de forças adversas, tanto interiores como exteriores. Um conluio de magno poder económico que, interessado exclusivamente nos seus negócios privados, transformados em falsos interesses nacionais, contrariaram e em certos casos conseguiram neutralizar por completo muitos dos bons propósitos que estavam no roteiro da União Europeia.

Se, já no campo da história, os EUA investiram na recuperação da Europa Ocidental, não por serem intrinsecamente beneméritos mas porque, além de lhes proporcionarem bons negócios, a Europa, mais uma vez, servia de tampão ou de primeiro sacrificado, perante um possível avanço do comunismo soviético. Atendendo à realidade crua de que ninguém da nada por nada, os magnatas dos USA -curiosamente todos eles descendentes directos de europeus, mas mais atentos às suas contas e depósitos do que aos seus parentes do outro lado do Atlântico- além de se apoderaram da tecnologia alemã, e alguma francesa, ficaram donos das empresas sediadas na Europa, mas recapitalizadas com dólares. O Dinheiro é um senhor poderoso.

Pragmaticamente os novos tempos seguiram a receita de que negócio é negóciobusiness is business, e o resto são flores do campo. Com esta sabedoria se decidiu aproveitar a possibilidade de transferir a produção de alguns produtos (progressivamente quase todas as manufacturas europeias) para a Ásia Oriental, onde tinham mão-de-obra mais barata e sem pressões sindicais, além de que se "comprometiam a não plagiar". Ah Ah Ah !

Com esta miragem de melhorar os seus resultados, a Europa, e também os seus patrões sediados nos EUA, foram perdendo o domínio da economia de base.

Até aqui todos os leitores, que sei existem, são conhecedores e choram lágrimas interiores, sem encontrar uma possível solução. O mal está feito, mas sempre existem novos meios no fundo da despensa! E a Europa tem a necessidade, imperiosa, de reagir. 

Só terá alguma probabilidade de êxito se recuperarem e incrementarem a união que perderam. Ainda estão a tempo de reagir, e é mesmo necessário mudar as regras, tornando-as mais amplas e rígidas, solidárias mas exigentes, mesmo que alguns países tiverem que enviar “cônsules” com poder de fiscalização e decidir penalidades aos faltosos. O dar com uma mão e pretender sacar com a outra já se deve ter visto que não é um caminho a retomar. Já deu o que tinha a dar. E não foi bom.

Imaginando a possibilidade de uma evolução favorável, podia-se dar um alerta aos EUA “namorando” uma Rússia democrática, pós Putin. A colaboração com aquela nação, complexa e enorme, caso se fizesse seriamente, poderia alterar o balanço mundial. Seria um possível fiel da balança. A Europa isolada não terá grandes possibilidades de recuperação com a saída do Reino desUnido, e com a ameaça de outros dissidentes.

Precisamente deve-se salientar que a dissidência surge quando se vê que a base deixou de ser firme.



UM COMENTÁRIO PESSOAL que surge a propósito dos factos.

VOZES DE BURRO NÃO CHEGAM AOS CÉUS

É a conclusão a que devo chegar, após anos de dedicação às paredes, por verificar que os meus escritos não merecem ser um incentivo para abrir uma sala de comentários. Paciência. Que se está esgotando.

domingo, 5 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Um acordar esquisito



Muitas novidades vos aguardam

Esta “brincadeira” triste, ameaçadora, reclusa e prolongada em excesso, pelo menos para cada um dos que a aguentam, melhor (só uns poucos), razoavelmente e pessimamente em progressão sem se prever ter fim brevemente, pode vir a nos oferecer uma situação, em escala muito maior, daquela desorientação que se sente no dia em que acordamos com uma mudança da hora.

Se já estamos batidos nesta decisão de tentar orientar a nossa vida pelo horário do sol, o que nos pode esperar, quase de certeza, naquele dia ainda não enunciado, em que nos digam que “já tudo passou” e que podemos retomar as nossas vidas no mesmo ritmo que tínhamos antes da ameaça invisível, posso garantir, e não me arvorar em adivinho nem em profeta, que ao abrir a porta da rua, encontraremos um mundo muito diferente.

Mesmo que as mudanças que se foram introduzindo na sociedade, ao amparo das precauções sanitárias, nos possam parecer ser de pouca monta, é aconselhável que, por enquanto e fechados no nosso casulo, tentemos ponderar algumas das consequências que são quase de teor
irresgatável Sabemos disso, pois por pouco que meditemos entra pelos olhos dentro, que serão muitas “as mortes anunciadas”.

E não me refiro a mortes físicas de pessoas, que estas nos são dadas a conhecer às colheradas, muitas vezes com aquela grande colher que se coloca nas travessas.

Já nos conformamos à ideia de que muitas pequenas actividades, comércios e lojas, dificilmente retomarão o mesmo mester, pelo menos com os mesmos responsáveis, fossem donos ou locatários. Por uns tempos os taipais e cortinas metálicas ficarão fechados. Mas … se a crise económica que está prevista tomar uma dimensão notável, é bastante provável que alguns dos que ficaram sem trabalho tentem um modo de vida no pequeno comércio.

Um dos vectores que foi ganhando dimensão nestas longas semanas de paragem obrigatória é o de que muitas famílias ficaram sem as suas pequenas reservas monetárias para poder atender o fluxo constante de despesas, umas até quase que fixas e com pouca margem para as reduzir. As decisões do governo para dar uma folga a quem já está com a água pelo nariz, portanto acima do pescoço, são como um saco de gelo ou de água quente em face de uma dor, dado que não anulam a despesa, antes a protelam, e muitas vezes com o incremento de juros de mora.

Todos estávamos já cientes de que, como sempre aconteceu, qualquer crise que ultrapasse as oscilações bolsistas, termina c caindo sobre as classes mais pobres, as desfavorecidas, aquelas que já carregaram às costa e durante bastante tempo. Anos se não foram décadas.

Subindo na estratigrafia social, podemos apostar, sem receio de errar, em que a classe “remediada”, ou média baixa, também terá muitos problemas e dificuldades terríveis, algumas mesmo invencíveis, para conseguir recuperar o seu nível de vida. Uma parcela desta camada social descerá para o nível inferior, possivelmente aquele que a sua geração ou a imediatamente anterior, tanto se esforçou para escapar.
Sem conhecerem a mitologia, estarão dentro do uroboro -aquele dragão que faz um círculo mordendo a sua cauda, e que representa o eterno ciclo da vida- e que encontramos com frequência em desenhos e gravuras.

Todavia existe uma referência que não devemos descurar. O princípio da conservação da energia, e por extensão da matéria, nos elucida de que nada se perde nem destrói, que só muda de gaveta (por dizer de forma menos séria, aparentemente) Daí que confirma-se que aquela parte da economia, ou distribuição monetária, até de “riqueza” que se retirou das classes mais débeis, não se esfumou. Fora alguma moeda, sem grande valor, que tenha caído de um bolso roto, recheado, tudo foi arrecadado pelos que estão no nível mais superior.

Muitos profissionais, com preparação académica actualizada, que não foram mantidos nas estruturas de decisão, poderão ter a surpresa de ver que foram dispensados, tal como a rececionista já com um visual pouco cativante. Os elementos do núcleo duro das empresas aproveitarão esta situação e a recuperação, para fazer uma selecção cruel entre os funcionários de segunda, terceira e linhas seguintes., com o argumento, já batido, de ser imprescindível efectuar uma reestruturação da empresa É fatal como o destino.

Conclusão: A pancada não será dada exclusivamente aos mais fracos, alguns dos que estavam bem situados podem ter a surpresa de que ao sair de casa e dirigir-se, bem lavados, vestidos, barbeados e perfumados, para aquele ninho na empresa que “era seu” se dará com o nariz na porta. Seja de imediato ou após ver que o colocavam, inactivo, no famoso arquivo dos condenados, ou, em alternativa, conceder-lhe uma compensação monetária...

sexta-feira, 3 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Há mais maleitas




AS MEDIDAS SÃO SUFICIENTES ?

A nossa sociedade, -que nunca devemos esquecer o facto de que continua muito classicista- aderiu, com medo, a umas medidas de prevenção que, sem serem discutidas com profundidade, foram aceites sem, até o momento, sem grandes protestos ou receios de poder dar sinais de insuficientes e até pecarem de irrealistas.

Vejamos o que nos deveria preocupar, sem ser exclusivamente o vírus que se apresenta como agressivo e invisível, mas que se admite poder ser combatido com os progressos que a medicina nos pode dar em breve prazo. Aceitemos esta visão técnica e até bastante sensata.

Mas é mesmo sensata para todos os quadrantes? Sem dúvida que aqueles que usufruem de uma almofada económica razoável, seja pelo seu pé-de-meia pessoal ou porque o Estado se dispõe a suprir uma parcela dos fundos monetários necessários, sem nos avisar de quanto tempo, semanas, meses ou até anos, se pode aguentar emitindo papel moeda continuadamente. Um caminho que pode ir, com forte probabilidade, a uma escassez de bens essenciais e, paralelamente, a uma hiperinflacção, mais o quase inevitável mercado negro.

Por vaidade ou por ignorância do que a ponderação histórica nos deve alertar, aguentamos estar reclusos em casa. Porque não existe o perigo sem medo de bombardeios ou de tropas inimigas que nos agridam caso surgirmos nas ruas. Aceitamos os cuidados de distância entre pessoas nas filas, pequenas por enquanto, nas lojas de alimentação que ainda estão abertas. Tudo isto inocentemente convencidos que estamos numa situação transitória, “possivelmente” breve. E se for longa? Estão os países da nossa zona preparados para resistir um isolamento e paragem profissional longa? Duvido. E nos podem ajudar?

Um exemplo, entre outros: Clausuraram-se as feiras. Tudo bem. Ou nem tudo? Nas feiras tradicionais, semanais, todos sabemos que havia um bloco importante de feirantes em exclusividade -a não ser que, de facto, também se dedicassem ao tráfego de produtos alucinogénos- Quase todos de etnia cigana, e muitos deles com cidadania portuguesa, mas sempre vistos como uma minoria pouco controlada, perderão o seu modo de se financiar -e com eles as empresas ou fabricas e oficinas que lhes forneciam a contrafacção- E agora? Nem pretendo indicar para que actividades se poderão orientar.

E a enorme quantidade de pessoas com empregos muito precários, que se viram desempregados sem “direito” a terem acesso ao fundo de desemprego? Quando chegarem ao nível da pobreza absoluta podemos ter a surpresa de que serão multidão. Que farão estes deserdados e que fará a autoridade que nos representa?

Por enquanto o que nos caiu em cima é canja, aguenta-se com algo de estoicidade, mas por enquanto sem passar fome nem frio. Os subsídios e adiamentos não podem esconder que terão que ser revertidos, pagos, e com juros, pois que a produção de notas não esquece a pressão do Ministério das Finanças, digamos dos Impostos.

Situações equivalentes, e relativamente recentes, conduziram estados a ter que declarar banca-rota. Pois, pois! Pensamos que os colegas e amigos nos ajudarão! E e forem “Amigos de Peniche”, com problemas próprios que os desaconselhem a dar a mão aos outros quando na sua terra também haja fortes carências?

Uma das possíveis evoluções da situação actual, que insisto não ser grave para muitos, mas bastante preocupante para muitos mais, em especial pelo facto de que atingiu uma dispersão mundial do problema, é que o êxodo do campo para as cidades venha a ter um refluxo, ou seja, que muitos dos que se sintam desamparados, com risco imediato de carência alimentar, se decidam a procurar acolhimento entre aqueles que ficaram nas suas localidades de origem. Em zonas quase que improdutivas, e onde não existem os salva-vidas de empregos remunerados -que já foram permanentes, mas já não são. Aqueles “resistentes” que se visitavam nas férias (se não partissem num cruzeiro a pagar em prestações) e ao partir levavam aos seus habitáculos suburbanos, cargas de batatas, azeite e hortaliças que os velhotes amanharam.

A sociedade, quase que estável, a que nos habituamos, teve grandes penalidades nos países que sofreram a segunda guerra mundial. O que eu deixei em alerta é pouco, em comparação geral com o que as pessoas comuns, os que não estavam no nível das elites, tiveram que suportar. E alguns sobreviveram. São os avós dos que hoje tremem com um medo que não conhecem.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Tempo de balanço



Nem tudo o que luz é oiro, mas tudo o que balança cai.

Estes dias de recolhimento, falsamente voluntário, induzem a nos dedicar a tarefas inúteis, tais como tombado num sofá com um livro nas mãos e rapidamente cair nos braços de Morfeu, ou de uma Morfeia, consoante o seu sexo e as suas preferências. Eu preferiria a deusa, mas, sendo possível, que não seja exageradamente feiosa.

Em alternativa, depois de rejeitar tarefas que estão na lista de afazeres, como seja o reunir e classificar os documentos que devemos juntar à declaração do IRS -vade retro Satanás! Antes a sorte que tal morte- A opção do balanço do trajecto pessoal neste mundo, não será uma tarefa mais interessante do que a anterior; mas tem a vantagem de poder fazer batota, de esconder aquilo que nos magoa no mais íntimo, sem que os inspectores das finanças nos venham bater à porta, ou nos convoquem para nos apresentar no seu local de tormentos.

Creio que a ordem dos factores não é totalmente arbitrária, e por isso proponho que se comece pelos balancetes e depois, fazendo uma molhada com estas primárias, pode ser a altura correcta de balançar. Ainda opinaria que em vez de nos sentarmos numa destas cadeiras ergonómicas que estão na moda, -e que se estragam quando menos esperamos, que é nunca..-recuássemos no tempo e instalemos o corpinho bem feito num daqueles balancés herdados dos avós, que serviram de brincadeira às nossas crianças.

Seja qual for o caminho que se optar, chegaremos, caso não se desista a tempo, ao momento em que estaremos em risco de apresentar “ao simpático público da sala” não só as fases e momentos mais agradáveis de recordar como, se formos estupidamente honestos, mostrar a careca em capítulos que nos magoam e que, sem dúvida alguma, preferiríamos manter debaixo do tapete até que as chamas do crematório nos purifiquem.

Quando iniciei esta página estava com a disposição de me colocar totalmente nu, confiando em que não espreitassem pelo olho mágico do computador. Inclusive fiz, mentalmente pois que a Prudência (companheira fiel do Prudêncio) aconselha a nunca jamais, em tempo algum, deixar documentos escritos onde se tenham confiado temas e pormenores com um grau de intimidade que convinha ter respeitado.

Esta chamada de atenção que o meu grilo sábio mental -como o do Pinóquio- teve a gentileza de me acordar, já eliminou algumas páginas do meu percurso neste mundo cruel, onde a sinceridade paga-se caro e quase sempre a pronto. Apesar desta chamada à cautela, que coincide com a minha eterna decisão de não comprar cautelas nem outras formas de derreter dinheiro na mira de estragar o negócio à querida Santa Casa. No meu íntimo (o mesmo que: intrínseco, profundo, estreito, pessoal, privado (privada é a retrete!), particular, doméstico, familiar, âmago (não confundir com amargo), cerne, consciência) sinto uma vontade raivosa de abrir a minha caixa dos pirolitos e dar ao mundo um amostra das alegrias, alergias e frustrações que me tem acompanhado durante décadas, oito e pico.

Davam para fazer um romance com capítulos trágicos e outros de cariz romântico. Mas terei coragem para tal? Recordo a periodicamente ameaça de um funcionário da empresa -que não identifico nem ele nem ela- que dizia: Eu, se quisesse podia escrever a autobiografia da Empresa! Como podem imaginar, jamais se descoseu, nem sequer num pequeno detalhe que o pudesse comprometer. Sempre em conformidade com o que está explícito num parágrafo anterior: Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Duas notas: Sem valor no mercado.
- A primeira é que não resisti a dar uso ao Dicionário de Sinónimos e Antónimos (não confundir com Antonios)

- A segunda é que para saltar com o balanço do passado, no precipúcio da escrita imponderada, e daí ficar sem protecção, teria que ser empurrado por algum amigo que me queira mal. Já Jesus anunciou que era assim que as coisas funcionavam; e disse isso enquanto olhava de relance, como quem não quer, para Judas, um dos seus camaradas de patuscadas. E se eles dois se divertiam nas comezainas onde penetravam, fossem casamentos, funerais ou outras celebrações íntimas!

Era uma trupe de penetras bem afamada, e temida, pelo desfalque que faziam nas comidas e bebidas. Foram eles que inventaram a frase que diz: É comer à fartazana meus rapazes! E, em geral, era até caírem de bêbados, inanimados e alguns ainda tiveram ocasião de molhar a sopa nalguma das damas presentes no festim.