domingo, 5 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Um acordar esquisito



Muitas novidades vos aguardam

Esta “brincadeira” triste, ameaçadora, reclusa e prolongada em excesso, pelo menos para cada um dos que a aguentam, melhor (só uns poucos), razoavelmente e pessimamente em progressão sem se prever ter fim brevemente, pode vir a nos oferecer uma situação, em escala muito maior, daquela desorientação que se sente no dia em que acordamos com uma mudança da hora.

Se já estamos batidos nesta decisão de tentar orientar a nossa vida pelo horário do sol, o que nos pode esperar, quase de certeza, naquele dia ainda não enunciado, em que nos digam que “já tudo passou” e que podemos retomar as nossas vidas no mesmo ritmo que tínhamos antes da ameaça invisível, posso garantir, e não me arvorar em adivinho nem em profeta, que ao abrir a porta da rua, encontraremos um mundo muito diferente.

Mesmo que as mudanças que se foram introduzindo na sociedade, ao amparo das precauções sanitárias, nos possam parecer ser de pouca monta, é aconselhável que, por enquanto e fechados no nosso casulo, tentemos ponderar algumas das consequências que são quase de teor
irresgatável Sabemos disso, pois por pouco que meditemos entra pelos olhos dentro, que serão muitas “as mortes anunciadas”.

E não me refiro a mortes físicas de pessoas, que estas nos são dadas a conhecer às colheradas, muitas vezes com aquela grande colher que se coloca nas travessas.

Já nos conformamos à ideia de que muitas pequenas actividades, comércios e lojas, dificilmente retomarão o mesmo mester, pelo menos com os mesmos responsáveis, fossem donos ou locatários. Por uns tempos os taipais e cortinas metálicas ficarão fechados. Mas … se a crise económica que está prevista tomar uma dimensão notável, é bastante provável que alguns dos que ficaram sem trabalho tentem um modo de vida no pequeno comércio.

Um dos vectores que foi ganhando dimensão nestas longas semanas de paragem obrigatória é o de que muitas famílias ficaram sem as suas pequenas reservas monetárias para poder atender o fluxo constante de despesas, umas até quase que fixas e com pouca margem para as reduzir. As decisões do governo para dar uma folga a quem já está com a água pelo nariz, portanto acima do pescoço, são como um saco de gelo ou de água quente em face de uma dor, dado que não anulam a despesa, antes a protelam, e muitas vezes com o incremento de juros de mora.

Todos estávamos já cientes de que, como sempre aconteceu, qualquer crise que ultrapasse as oscilações bolsistas, termina c caindo sobre as classes mais pobres, as desfavorecidas, aquelas que já carregaram às costa e durante bastante tempo. Anos se não foram décadas.

Subindo na estratigrafia social, podemos apostar, sem receio de errar, em que a classe “remediada”, ou média baixa, também terá muitos problemas e dificuldades terríveis, algumas mesmo invencíveis, para conseguir recuperar o seu nível de vida. Uma parcela desta camada social descerá para o nível inferior, possivelmente aquele que a sua geração ou a imediatamente anterior, tanto se esforçou para escapar.
Sem conhecerem a mitologia, estarão dentro do uroboro -aquele dragão que faz um círculo mordendo a sua cauda, e que representa o eterno ciclo da vida- e que encontramos com frequência em desenhos e gravuras.

Todavia existe uma referência que não devemos descurar. O princípio da conservação da energia, e por extensão da matéria, nos elucida de que nada se perde nem destrói, que só muda de gaveta (por dizer de forma menos séria, aparentemente) Daí que confirma-se que aquela parte da economia, ou distribuição monetária, até de “riqueza” que se retirou das classes mais débeis, não se esfumou. Fora alguma moeda, sem grande valor, que tenha caído de um bolso roto, recheado, tudo foi arrecadado pelos que estão no nível mais superior.

Muitos profissionais, com preparação académica actualizada, que não foram mantidos nas estruturas de decisão, poderão ter a surpresa de ver que foram dispensados, tal como a rececionista já com um visual pouco cativante. Os elementos do núcleo duro das empresas aproveitarão esta situação e a recuperação, para fazer uma selecção cruel entre os funcionários de segunda, terceira e linhas seguintes., com o argumento, já batido, de ser imprescindível efectuar uma reestruturação da empresa É fatal como o destino.

Conclusão: A pancada não será dada exclusivamente aos mais fracos, alguns dos que estavam bem situados podem ter a surpresa de que ao sair de casa e dirigir-se, bem lavados, vestidos, barbeados e perfumados, para aquele ninho na empresa que “era seu” se dará com o nariz na porta. Seja de imediato ou após ver que o colocavam, inactivo, no famoso arquivo dos condenados, ou, em alternativa, conceder-lhe uma compensação monetária...

sexta-feira, 3 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Há mais maleitas




AS MEDIDAS SÃO SUFICIENTES ?

A nossa sociedade, -que nunca devemos esquecer o facto de que continua muito classicista- aderiu, com medo, a umas medidas de prevenção que, sem serem discutidas com profundidade, foram aceites sem, até o momento, sem grandes protestos ou receios de poder dar sinais de insuficientes e até pecarem de irrealistas.

Vejamos o que nos deveria preocupar, sem ser exclusivamente o vírus que se apresenta como agressivo e invisível, mas que se admite poder ser combatido com os progressos que a medicina nos pode dar em breve prazo. Aceitemos esta visão técnica e até bastante sensata.

Mas é mesmo sensata para todos os quadrantes? Sem dúvida que aqueles que usufruem de uma almofada económica razoável, seja pelo seu pé-de-meia pessoal ou porque o Estado se dispõe a suprir uma parcela dos fundos monetários necessários, sem nos avisar de quanto tempo, semanas, meses ou até anos, se pode aguentar emitindo papel moeda continuadamente. Um caminho que pode ir, com forte probabilidade, a uma escassez de bens essenciais e, paralelamente, a uma hiperinflacção, mais o quase inevitável mercado negro.

Por vaidade ou por ignorância do que a ponderação histórica nos deve alertar, aguentamos estar reclusos em casa. Porque não existe o perigo sem medo de bombardeios ou de tropas inimigas que nos agridam caso surgirmos nas ruas. Aceitamos os cuidados de distância entre pessoas nas filas, pequenas por enquanto, nas lojas de alimentação que ainda estão abertas. Tudo isto inocentemente convencidos que estamos numa situação transitória, “possivelmente” breve. E se for longa? Estão os países da nossa zona preparados para resistir um isolamento e paragem profissional longa? Duvido. E nos podem ajudar?

Um exemplo, entre outros: Clausuraram-se as feiras. Tudo bem. Ou nem tudo? Nas feiras tradicionais, semanais, todos sabemos que havia um bloco importante de feirantes em exclusividade -a não ser que, de facto, também se dedicassem ao tráfego de produtos alucinogénos- Quase todos de etnia cigana, e muitos deles com cidadania portuguesa, mas sempre vistos como uma minoria pouco controlada, perderão o seu modo de se financiar -e com eles as empresas ou fabricas e oficinas que lhes forneciam a contrafacção- E agora? Nem pretendo indicar para que actividades se poderão orientar.

E a enorme quantidade de pessoas com empregos muito precários, que se viram desempregados sem “direito” a terem acesso ao fundo de desemprego? Quando chegarem ao nível da pobreza absoluta podemos ter a surpresa de que serão multidão. Que farão estes deserdados e que fará a autoridade que nos representa?

Por enquanto o que nos caiu em cima é canja, aguenta-se com algo de estoicidade, mas por enquanto sem passar fome nem frio. Os subsídios e adiamentos não podem esconder que terão que ser revertidos, pagos, e com juros, pois que a produção de notas não esquece a pressão do Ministério das Finanças, digamos dos Impostos.

Situações equivalentes, e relativamente recentes, conduziram estados a ter que declarar banca-rota. Pois, pois! Pensamos que os colegas e amigos nos ajudarão! E e forem “Amigos de Peniche”, com problemas próprios que os desaconselhem a dar a mão aos outros quando na sua terra também haja fortes carências?

Uma das possíveis evoluções da situação actual, que insisto não ser grave para muitos, mas bastante preocupante para muitos mais, em especial pelo facto de que atingiu uma dispersão mundial do problema, é que o êxodo do campo para as cidades venha a ter um refluxo, ou seja, que muitos dos que se sintam desamparados, com risco imediato de carência alimentar, se decidam a procurar acolhimento entre aqueles que ficaram nas suas localidades de origem. Em zonas quase que improdutivas, e onde não existem os salva-vidas de empregos remunerados -que já foram permanentes, mas já não são. Aqueles “resistentes” que se visitavam nas férias (se não partissem num cruzeiro a pagar em prestações) e ao partir levavam aos seus habitáculos suburbanos, cargas de batatas, azeite e hortaliças que os velhotes amanharam.

A sociedade, quase que estável, a que nos habituamos, teve grandes penalidades nos países que sofreram a segunda guerra mundial. O que eu deixei em alerta é pouco, em comparação geral com o que as pessoas comuns, os que não estavam no nível das elites, tiveram que suportar. E alguns sobreviveram. São os avós dos que hoje tremem com um medo que não conhecem.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

MEDITAÇÕES – Tempo de balanço



Nem tudo o que luz é oiro, mas tudo o que balança cai.

Estes dias de recolhimento, falsamente voluntário, induzem a nos dedicar a tarefas inúteis, tais como tombado num sofá com um livro nas mãos e rapidamente cair nos braços de Morfeu, ou de uma Morfeia, consoante o seu sexo e as suas preferências. Eu preferiria a deusa, mas, sendo possível, que não seja exageradamente feiosa.

Em alternativa, depois de rejeitar tarefas que estão na lista de afazeres, como seja o reunir e classificar os documentos que devemos juntar à declaração do IRS -vade retro Satanás! Antes a sorte que tal morte- A opção do balanço do trajecto pessoal neste mundo, não será uma tarefa mais interessante do que a anterior; mas tem a vantagem de poder fazer batota, de esconder aquilo que nos magoa no mais íntimo, sem que os inspectores das finanças nos venham bater à porta, ou nos convoquem para nos apresentar no seu local de tormentos.

Creio que a ordem dos factores não é totalmente arbitrária, e por isso proponho que se comece pelos balancetes e depois, fazendo uma molhada com estas primárias, pode ser a altura correcta de balançar. Ainda opinaria que em vez de nos sentarmos numa destas cadeiras ergonómicas que estão na moda, -e que se estragam quando menos esperamos, que é nunca..-recuássemos no tempo e instalemos o corpinho bem feito num daqueles balancés herdados dos avós, que serviram de brincadeira às nossas crianças.

Seja qual for o caminho que se optar, chegaremos, caso não se desista a tempo, ao momento em que estaremos em risco de apresentar “ao simpático público da sala” não só as fases e momentos mais agradáveis de recordar como, se formos estupidamente honestos, mostrar a careca em capítulos que nos magoam e que, sem dúvida alguma, preferiríamos manter debaixo do tapete até que as chamas do crematório nos purifiquem.

Quando iniciei esta página estava com a disposição de me colocar totalmente nu, confiando em que não espreitassem pelo olho mágico do computador. Inclusive fiz, mentalmente pois que a Prudência (companheira fiel do Prudêncio) aconselha a nunca jamais, em tempo algum, deixar documentos escritos onde se tenham confiado temas e pormenores com um grau de intimidade que convinha ter respeitado.

Esta chamada de atenção que o meu grilo sábio mental -como o do Pinóquio- teve a gentileza de me acordar, já eliminou algumas páginas do meu percurso neste mundo cruel, onde a sinceridade paga-se caro e quase sempre a pronto. Apesar desta chamada à cautela, que coincide com a minha eterna decisão de não comprar cautelas nem outras formas de derreter dinheiro na mira de estragar o negócio à querida Santa Casa. No meu íntimo (o mesmo que: intrínseco, profundo, estreito, pessoal, privado (privada é a retrete!), particular, doméstico, familiar, âmago (não confundir com amargo), cerne, consciência) sinto uma vontade raivosa de abrir a minha caixa dos pirolitos e dar ao mundo um amostra das alegrias, alergias e frustrações que me tem acompanhado durante décadas, oito e pico.

Davam para fazer um romance com capítulos trágicos e outros de cariz romântico. Mas terei coragem para tal? Recordo a periodicamente ameaça de um funcionário da empresa -que não identifico nem ele nem ela- que dizia: Eu, se quisesse podia escrever a autobiografia da Empresa! Como podem imaginar, jamais se descoseu, nem sequer num pequeno detalhe que o pudesse comprometer. Sempre em conformidade com o que está explícito num parágrafo anterior: Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Duas notas: Sem valor no mercado.
- A primeira é que não resisti a dar uso ao Dicionário de Sinónimos e Antónimos (não confundir com Antonios)

- A segunda é que para saltar com o balanço do passado, no precipúcio da escrita imponderada, e daí ficar sem protecção, teria que ser empurrado por algum amigo que me queira mal. Já Jesus anunciou que era assim que as coisas funcionavam; e disse isso enquanto olhava de relance, como quem não quer, para Judas, um dos seus camaradas de patuscadas. E se eles dois se divertiam nas comezainas onde penetravam, fossem casamentos, funerais ou outras celebrações íntimas!

Era uma trupe de penetras bem afamada, e temida, pelo desfalque que faziam nas comidas e bebidas. Foram eles que inventaram a frase que diz: É comer à fartazana meus rapazes! E, em geral, era até caírem de bêbados, inanimados e alguns ainda tiveram ocasião de molhar a sopa nalguma das damas presentes no festim.


terça-feira, 31 de março de 2020

HISTÓRIA - OS AMIGOS HOLANDESES

Este artigo, longo mas MUITO INTERESSANTE, chegou-me "por mão amiga" e considerei ser de interesse para toda a população, ou pelo menos aqueles que se interessam pelo passado que afecta o presente.

FORÇA! amigos. Agarrem-se  e leiam, que a cultura faz bem


Assunto: Fwd: FW: Não esquecer a história....com a Holanda

Não esquecer a história....com a Holanda



A não deixar de ler o histórico holandês! Não mudaram! Quando o
Ministro Holandês das Finanças se mostra um canalha, nada como uma
«Lição de História»

A GUERRA IBERO-HOLANDESA

Não vou discutir a questão dos Eurobonds, que já é velha e em que a
posição dos diversos países europeus não mudou. O que me ocorre
comentar é o acinte do ministro holandês para com a Espanha.

Porquê em especial a Espanha?

Há coisas da História que ficam na memória coletiva dos povos, não
tanto enquanto memória dos factos, mas como memória emocional, em
ódios e estimas. E o facto é que há na Holanda um ressentimento
secular contra Espanha e também contra Portugal, como se constata em
blogs e ciber-grupos quando se fala dos Descobrimentos ibéricos. Donde
vem isso?

É que a Espanha e a Holanda travaram uma guerra durante 80 anos, entre
1568 e 1648! A qual acabou com a vitória holandesa na Europa, mas a
derrota no Ultramar espanhol. É uma longa história, que não vou
desenvolver, mas referir apenas que, sem justificação, a Holanda
alargou essa guerra a Portugal, no que foi sem dúvida a primeira
guerra imperialista moderna da História europeia.

Por cá é pouco conhecida, como tudo o que respeita à História do nosso
império ultramarino, mas essa guerra foi a guerra mais longa que
Portugal travou na sua História, a seguir à guerra contra os mouros.

Basicamente, a Holanda procurou roubar a Portugal o seu império
ultramarino. Começou por piratear sistematicamente os nossos galeões e
caravelas, e no Oriente tirou-nos tudo o que pôde - Ceilão, as Molucas
(atual Indonésia, de que só nos deixou Timor) , o comércio com o
Japão, e só não nos tirou Macau por que o imperador chinês nos
protegeu, ao contrário do imperador japonês.

Na África tirou-nos o Cabo, não conseguiu tirar Moçambique, mas tentou
também tirar-nos o Brasil e as colónias da África atlântica. Que foi
onde a guerra foi mais acesa e longa.

A guerra no Brasil foi pela apropriação das plantações de açúcar, e
durou 65 anos. Foram os próprios brasileiros quem derrotou e expulsou
os holandeses, embora estes tenham depois ido plantar açúcar na
Guiana. Como o açúcar brasileiro (que todos os outros depois copiaram
no Haiti, em Cuba, etc.) era uma agroindústria inviável sem os
escravos africanos, a Holanda tomou-nos São Tomé e Príncipe, a Mina na
costa da Guiné, e em 1640, quando já não éramos súbditos dos espanhóis
e, portanto, sem desculpa, Luanda. Mas apenas Luanda, nunca
conseguindo desalojar os portugueses das suas posições no interior,
graças aos nossos aliados africanos e também à ajuda brasileira.

Também no Brasil, como em Angola, os holandeses nunca conseguiram
passar de algumas cidades costeiras para o interior. No interior
dominaram sempre os portugueses, os luso-brasileiros, e em Angola os
luso-africanos. No Brasil os luso-brasileiros mantiveram cercadas as
cidades costeiras sob domínio holandês, desbaratando-os quando
tentavam penetrar no interior. E foram os brasileiros quem financiou,
construiu e equipou a armada que foi a Luanda e a São Tomé recuperar
aquelas fontes de escravos para as plantações de açúcar. A
historiografia brasileira oficial considera que foi nessa guerra que
se forjou a sua nacionalidade, com a luta combinada de destacamentos
luso-brasileiros brancos, tropas índias, e tropas negras formadas por
ex-escravos. Todos juntos contra os holandeses.

A questão religiosa foi importante, neste desfecho da guerra
luso-holandesa. A aversão calvinista dos holandeses aos ícones
religiosos católicos, aos santinhos e aos andores com a Nossa Senhora,
às relíquias sagradas e ao Papa, não colhia apoio entre africanos e
índios cristianizados pelos estimados jesuítas. Pelo contrário,
escandalizava-os.

A Holanda perdeu essa guerra no Atlântico, portanto, mas ficou ressentida.

Nota: a Holanda era a parte norte de uma nação mais vasta, os "países
baixos", cuja parte sul acabou por ficar do lado espanhol. Não só com
a maioria católica do sul que não se revia no Calvinismo holandês,
como de parte dos próprios protestantes de outras igrejas, dada a
intolerância Calvinista. Essa parte sul acabou por conseguir a sua
independência em 1830 e é desde então a Bélgica. Com quem Portugal
sempre se deu bem.

A História tem muita força...





[https://ipmcdn.avast.com/images/icons/icon-envelope-tick-round-orange-animated-no-repeat-v1.gif]<https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=emailclient>      Sem vírus. www.avast.com<https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=emailclient>
...

[Mensagem reduzida]  Ver toda a mensage

MEDITAÇÕES – Tristezas não pagam dívidas



A MACHADADA MORTAL

Apesar de que a invasão, anormal, do turismo já tinha provocado notórias alterações na estrutura e diversidade do comercio tradicional, não só nos centros das cidades e vilas mas até em vilas pequenas, se bem que nestes casos o factor que mais deve ter contribuído à quebra dos pequenos negócios foi a implantação e cativação dos clientes que aconteceu com os Centros Comerciais. Desapareceram, quase que totalmente, muitas lojas que serviram os cidadãos com bom surtido de artigos, em geral dentro de uma gama própria do seu ramo, e foram sendo substituídos por apelativos locais de alimentação e bebidas.

A Lisboa pombalina é o exemplo mais evidente de como a modernidade, tão gira e apelativa, conseguiu eliminar a tradição gremial que se tinha mantido desde a idade média. Curiosamente muitas artérias mantiveram os nomes das profissões e comércios que ali estavam reunidos, como são correeiros, sapateiros, bacalhoeiros, douradores, fanqueiros e outros, mas os profissionais e comerciantes destes ramos … nem vê-los.

Podemos aceitar esta “evolução irresistível do mercado” com tristeza e até desorientação, pois deixamos de poder contar com uma quase garantia de poder resolver um problema, uma falta de peças ou reparações. Desapareceram, mas os problemas que sub-sanavam não desapareceram. Estamos estagnados no esquema de avariado<' Deitar fora! E comprar outro! uma carência específica.

Mas a machadada final chegou agora. A que faltava para liquidar totalmente aqueles pequenos comércios que iam resistindo, com muita dificuldade mas confiando com a fidelidade de um lote de clientes veteranos: a ordem de encerramento “provisional” que se emitiu por razões de prevenção em evitar contágio, e sem que não se possa avançar uma data certa para a autorização de reabertura, conduziu, como era de prever. Muitos pequenos negócios, e não só lojas de porta aberta na rua, não tinham base de tesouraria para aguentar as despesas fixas que estão subjacentes, ao não poder contar com as entradas de caixa através das vendas.

As medidas de apoio que progressivamente são anunciadas terão, como é evidente, que obedecer a uma série de regras e compromissos. E ao estar a máquina produtiva e comercial quase que congelada o Estado tampouco recebe o fluxo habitual de abastecimento monetário, não só pelo imposto de consumo, mas por muitas outras imposições fiscais que dificilmente serão satisfeitas com os negócios fechados.

Mesmo que chegue um dia em que se possa comunicar que o pior dos perigos de contagio passou à história, e sem esquecer que nem todas as linhas de produção podem arrancar em pleno com um simples ligar o interruptor, podemos apostar, sem intuito de ganhar, que serão muitos os encerramentos definitivos.

E se o turismo de massas não regressar, coisa muito provável, pelo menos naquela dimensão dos últimos 12/16 meses, os problemas sociais e económicos serão de grande vulto.

Um dos sectores que não nos atrevemos a predizer sobre qual será o seu futuro é o da aviação comercial, especialmente a de viagens de turismo. Hoje os aviões parados já tem dificuldade em encontrar um aeroporto com vagas do parque. É muito provável que muitos destes aparelhos retomarão o serviço activo. Mas haverá passageiros para eles de imediato? Ou teremos aviões parados por períodos indefinidos? Se as companhias podem entrar em risco de falência, e se virem obrigados a reduzir as frotas, colocando parte ou a totalidade, dos seus aparelhos, incluindo os que estavam sob regime de leasing, à venda, a preços de saldo, quem os comprará? Só se forem os países que absorveram a produção com custos inferiores dos que seriam possíveis no ocidente. Com a China à cabeça. E se houver licitação será com preço e com as condições que ela, como comprador, decidirá.

Fazer de futurólogo, orientado para o pior cenário, não é agradável. Mas estamos metidos num lamaçal que é pior do que uma guerra militar, e nos capítulos que descrevi o que se pode prever é que está a chover sobre terreno já enlameado. E o sol ainda demora! Falta ver que cartas tem na mão o governo dos EUA, e se eles conseguirão aguentar a maré desgastante que está-se aproximando. A Europa está rodeada, cercada, de inimigos, aos que se juntam as levas de migrantes oriundos do terceiro mundo, para quem alguns países da Europa, que não todos, são a sua esperança de melhor vida.

segunda-feira, 30 de março de 2020

CONEXÕES – A partir do Antigo Testamento



A PASSAGEM DO MAR VERMELHO


Já faz algum tempo que entendi ser necessário ter uma mente aberta e especulativa, quando lêssemos o Antigo Testamento, procurando adaptar o que se conhecia quando se iniciaram os relatos -passarem a escritos em documentos foi bastante mais tarde- às diferentes fontes de conhecimento que hoje temos à nossa disposição. Ou, por outras palavras, avaliar aqueles textos, tão copiados e manipulados ao longo de séculos e que foram escritos para um público de gente rude e inculta, e entender que, nos tempos em que vivemos, e até a partir do séc. XIX, as mentes estão -ou deveriam estar- mais propensas a procurar explicações naturais para muitos feitos, que anteriormente a maioria das pessoas nem sequer se atrevia a ponderar.

Lendo um relato de como Napoleão, na derradeira década do século XVIII, levou o seu exército para o Egipto com o propósito de neste território encontrar a chave para o Médio Oriente -uma visão pessoal do corso na tentativa de emular os feitos de Alexandre o Grande- rumou em direcção à Palestina, concretamente quando estava prestes a tentar conquistar a fortaleza de São João de Acre.

Dos feitos, aventuras e desventuras de Napoleão no Egipto não me estenderei aqui, mas quero citar a passagem do golfo de Suez, a pé firme, aproveitando uma extraordinária maré que fez recuar as águas do Mar Vermelho. Hoje podemos deduzir que aquele recuo, e o consequente avanço tumultuoso das águas logo a seguir, devem ter sido consequência de algum terramoto ou maremoto. Semelhante ao que assolou Lisboa em 1755.

E agora vamos à Bíblia, ou Antigo Testamento:

No ÊXODO, versículo 15,16 e seguintes podemos ler:

-Então disse o Senhor a Moisés...
E tu levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar, em seco.
21 – Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez recuar o mar por um forte vento oriental, toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas.
22 - E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar, em seco: e as águas foram-lhes como muro, à sua direita e à sua esquerda.
23 - E os egípcios seguiram-nos, e entraram atrás deles todos os cavalos do Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até o meio do mar.
26 - E disse o Senhor a Moisés: estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros.
27 - Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retomou a sua força ao amanhecer, e os egípcios fugiram ao seu encontro: e o Senhor derrubou os egípcios no meio do mar.

Neste tema, como em outros que se encontram relatados na Bíblia, nomeadamente no Antigo Testamento, como feitos miraculosos, se esgravatarmos um pouco podemos chegar à conclusão de que, além de ignorarem muitas coisas acerca da geologia e meteorologia, os relatores e depois os transcritores -já bastantes séculos mais tarde- tinham que seguir, tanto quanto possível -digamos à letra- o que e para quem se queria relatar. Não se podem negar totalmente, em absoluto; em geral surgem dados noutras fontes que nos dão relatos fisicamente coincidentes, sem o recurso de forças sobrenaturais de deuses ou diabos.

O mais curioso é que, nos nossos tempos, bem dentro do séc XXII, existam pessoas que se podem valorizar como letrados, não ignorantes, mas que rejeitem a actualização. O poder explicar certos acontecimentos até então confusos e daí com possibilidades de serem qualificados como miraculosos. O modernizar não deveria entender-se como uma falta ou desprestigiante, mas optar por entender que cada época tinha as suas próprias ferramentas e disponibilidades para raciocinar.

Quando estudamos textos antigos é pertinente situar a nossa mente numa amplitude de horizontes, incluídos os do passado, sem que o nefasto orgulho do conhecimento actual nos leve a denegrir o que os antepassados nos legaram. Sem as suas aportações, que erraram por desconhecimento, não teríamos chegado aos níveis actuais.



Já faz algum tempo que entendi ser necessário ter uma mente aberta e especulativa, quando lêssemos o Antigo Testamento, procurando adaptar o que se conhecia quando se iniciaram os relatos -passarem a escritos em documentos foi bastante mais tarde- às diferentes fontes de conhecimento que hoje temos à nossa disposição. Ou, por outras palavras, avaliar aqueles textos, tão copiados e manipulados ao longo de séculos e que foram escritos para um público de gente rude e inculta, e entender que, nos tempos em que vivemos, e até a partir do séc. XIX, as mentes estão -ou deveriam estar- mais propensas a procurar explicações naturais para muitos feitos, que anteriormente a maioria das pessoas nem sequer se atrevia a ponderar.

Lendo um relato de como Napoleão, na derradeira década do século XVIII, levou o seu exército para o Egipto com o propósito de neste território encontrar a chave para o Médio Oriente -uma visão pessoal do corso na tentativa de emular os feitos de Alexandre o Grande- rumou em direcção à Palestina, concretamente quando estava prestes a tentar conquistar a fortaleza de São João de Acre.

Dos feitos, aventuras e desventuras de Napoleão no Egipto não me estenderei aqui, mas quero citar a passagem do golfo de Suez, a pé firme, aproveitando uma extraordinária maré que fez recuar as águas do Mar Vermelho. Hoje podemos deduzir que aquele recuo, e o consequente avanço tumultuoso das águas logo a seguir, devem ter sido consequência de algum terramoto ou maremoto. Semelhante ao que assolou Lisboa em 1755.

E agora vamos à Bíblia, ou Antigo Testamento:

No ÊXODO, versículo 15,16 e seguintes podemos ler:

-Então disse o Senhor a Moisés...
E tu levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar, em seco.
21 – Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez recuar o mar por um forte vento oriental, toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas.
22 - E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar, em seco: e as águas foram-lhes como muro, à sua direita e à sua esquerda.
23 - E os egípcios seguiram-nos, e entraram atrás deles todos os cavalos do Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até o meio do mar.
26 - E disse o Senhor a Moisés: estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros.
27 - Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retomou a sua força ao amanhecer, e os egípcios fugiram ao seu encontro: e o Senhor derrubou os egípcios no meio do mar.

Neste tema, como em outros que se encontram relatados na Bíblia, nomeadamente no Antigo Testamento, como feitos miraculosos, se esgravatarmos um pouco podemos chegar à conclusão de que, além de ignorarem muitas coisas acerca da geologia e meteorologia, os relatores e depois os transcritores -já bastantes séculos mais tarde- tinham que seguir, tanto quanto possível -digamos à letra- o que e para quem se queria relatar. Não se podem negar totalmente, em absoluto; em geral surgem dados noutras fontes que nos dão relatos fisicamente coincidentes, sem o recurso de forças sobrenaturais de deuses ou diabos.

O mais curioso é que, nos nossos tempos, bem dentro do séc XXII, existam pessoas que se podem valorizar como letrados, não ignorantes, mas que rejeitem a actualização. O poder explicar certos acontecimentos até então confusos e daí com possibilidades de serem qualificados como miraculosos. O modernizar não deveria entender-se como uma falta ou desprestigiante, mas optar por entender que cada época tinha as suas próprias ferramentas e disponibilidades para raciocinar.

Quando estudamos textos antigos é pertinente situar a nossa mente numa amplitude de horizontes, incluídos os do passado, sem que o nefasto orgulho do conhecimento actual nos leve a denegrir o que os antepassados nos legaram. Sem as suas aportações, que erraram por desconhecimento, não teríamos chegado aos níveis actuais.

UM ACRESCENTO DE ÚLTIMA HORA
Recordei que no relato do ÉXODO refere que as águas se separaram devido a um forte vento, E, por sinal, as grandes maré de Veneza ocorrem não só pelo efeito da lua mas pelo vento suão que sopre fortemente naqueles dias, de sul para norte, ao longo do Adriático e empurrando as águas, salgadas, para o Cul de Sac onde está erguida, sobre estacas, a cidade lacustre de Veneza.

MEDITAÇÕES – Como as prostitutas



NÃO SE RESPEITARAM AS REGRAS

Diz-se, ou dizia-se, que as prostitutas conscientes das suas obrigações, depois de cada serviço não só se lavavam na zona de trabalho, tanto exteriormente como interiormente, como algumas até rezavam uma oração apropriada dirigida à sua protectora, que se afirma ser a Santa Maria Madalena, originária de Mandala (daí o cognome) e íntima amiga (sem especificar qual o grau de intimidade existente)do profeta Jesus.

Este desrespeitoso pensamento surgiu-me, espontaneamente, quando lia e relia as várias notícias e comentários de como se tinha sentido MUITO OFENDIDO, como português e como Primeiro Ministro António Costa, depois de ouvir a declaração do ministro das finanças holandês Wopke Hoekstra onde repelia a ideia de lançar Eurobonds que permitissem ajudar os países do sul da União Europeia (nomeadamente Portugal, Espanha e Itália) a evitar o derrube, económico, que se seguirá à epidemia em curso.

Cá por casa dizemos Quem não se sente não é filho de boa gente, mas é pertinente que a boa imagem que se pretende defender exista de facto. E aí que que entram as dúvidas, sérias dúvidas, de que o comportamento de Portugal perante as exigência e “ajudas” vindas da UE tenham sido “exemplares”.

Não podemos esquecer as pressões, internas e externas, que nos empurraram para solicitar a entrada no clube da União Europeia, e nas envenenadas “ofertas de ajuda” que nos levaram a desmantelar as já obsoletas frotas marítimas comerciais e pesqueiras, e depois nos imporem compromissos vários que, no fundo, eram coletes de forças impossíveis de abrir.

As prometidas ajudas vieram. Ah se vieram! Compraram para melhorar algumas indústrias já rentáveis e empurraram para o fecho as que não podiam competir com os preços dos seus “parceiros”. Foi um excelente negócio! Para os ricos da UE e para os urubus nacionais que conseguiram um bocado de bolo (para os seus bolsos, ou contas no exterior)

Se na agricultura conhecem-se desvios importantes das verbas comunitárias, muitas em projectos que só eram ilusoriamente viáveis no papel e que, felizmente, nunca chegaram a ser postos no terreno. Mas onde o regabofe foi notável pela maioria dos cidadãos anónimos, foi nas muitas verbas que se sumiram, sem dar os resultados propostos, na área do ensino e formação profissional.

Com os fundos europeus geraram-se boas fortunas, sem esforço, entre a cidadania nacional.

Com toda esta argumentação, (não apresentada por aquilo de que a cautela é boa conselheira) o nosso primeiro ministro pode fazer um papel de virgem (num dos ouvidos) humilhada e ofendida. A partir deste bater o pé as coisas mudarão e os representantes dos países ricos, com certeza, decidirão como e em que condições abrirão os cordões da bolsa. Será que ainda temos algumas coisas de valor que se possam vender ou hipotecar?