terça-feira, 31 de março de 2020

MEDITAÇÕES – Tristezas não pagam dívidas



A MACHADADA MORTAL

Apesar de que a invasão, anormal, do turismo já tinha provocado notórias alterações na estrutura e diversidade do comercio tradicional, não só nos centros das cidades e vilas mas até em vilas pequenas, se bem que nestes casos o factor que mais deve ter contribuído à quebra dos pequenos negócios foi a implantação e cativação dos clientes que aconteceu com os Centros Comerciais. Desapareceram, quase que totalmente, muitas lojas que serviram os cidadãos com bom surtido de artigos, em geral dentro de uma gama própria do seu ramo, e foram sendo substituídos por apelativos locais de alimentação e bebidas.

A Lisboa pombalina é o exemplo mais evidente de como a modernidade, tão gira e apelativa, conseguiu eliminar a tradição gremial que se tinha mantido desde a idade média. Curiosamente muitas artérias mantiveram os nomes das profissões e comércios que ali estavam reunidos, como são correeiros, sapateiros, bacalhoeiros, douradores, fanqueiros e outros, mas os profissionais e comerciantes destes ramos … nem vê-los.

Podemos aceitar esta “evolução irresistível do mercado” com tristeza e até desorientação, pois deixamos de poder contar com uma quase garantia de poder resolver um problema, uma falta de peças ou reparações. Desapareceram, mas os problemas que sub-sanavam não desapareceram. Estamos estagnados no esquema de avariado<' Deitar fora! E comprar outro! uma carência específica.

Mas a machadada final chegou agora. A que faltava para liquidar totalmente aqueles pequenos comércios que iam resistindo, com muita dificuldade mas confiando com a fidelidade de um lote de clientes veteranos: a ordem de encerramento “provisional” que se emitiu por razões de prevenção em evitar contágio, e sem que não se possa avançar uma data certa para a autorização de reabertura, conduziu, como era de prever. Muitos pequenos negócios, e não só lojas de porta aberta na rua, não tinham base de tesouraria para aguentar as despesas fixas que estão subjacentes, ao não poder contar com as entradas de caixa através das vendas.

As medidas de apoio que progressivamente são anunciadas terão, como é evidente, que obedecer a uma série de regras e compromissos. E ao estar a máquina produtiva e comercial quase que congelada o Estado tampouco recebe o fluxo habitual de abastecimento monetário, não só pelo imposto de consumo, mas por muitas outras imposições fiscais que dificilmente serão satisfeitas com os negócios fechados.

Mesmo que chegue um dia em que se possa comunicar que o pior dos perigos de contagio passou à história, e sem esquecer que nem todas as linhas de produção podem arrancar em pleno com um simples ligar o interruptor, podemos apostar, sem intuito de ganhar, que serão muitos os encerramentos definitivos.

E se o turismo de massas não regressar, coisa muito provável, pelo menos naquela dimensão dos últimos 12/16 meses, os problemas sociais e económicos serão de grande vulto.

Um dos sectores que não nos atrevemos a predizer sobre qual será o seu futuro é o da aviação comercial, especialmente a de viagens de turismo. Hoje os aviões parados já tem dificuldade em encontrar um aeroporto com vagas do parque. É muito provável que muitos destes aparelhos retomarão o serviço activo. Mas haverá passageiros para eles de imediato? Ou teremos aviões parados por períodos indefinidos? Se as companhias podem entrar em risco de falência, e se virem obrigados a reduzir as frotas, colocando parte ou a totalidade, dos seus aparelhos, incluindo os que estavam sob regime de leasing, à venda, a preços de saldo, quem os comprará? Só se forem os países que absorveram a produção com custos inferiores dos que seriam possíveis no ocidente. Com a China à cabeça. E se houver licitação será com preço e com as condições que ela, como comprador, decidirá.

Fazer de futurólogo, orientado para o pior cenário, não é agradável. Mas estamos metidos num lamaçal que é pior do que uma guerra militar, e nos capítulos que descrevi o que se pode prever é que está a chover sobre terreno já enlameado. E o sol ainda demora! Falta ver que cartas tem na mão o governo dos EUA, e se eles conseguirão aguentar a maré desgastante que está-se aproximando. A Europa está rodeada, cercada, de inimigos, aos que se juntam as levas de migrantes oriundos do terceiro mundo, para quem alguns países da Europa, que não todos, são a sua esperança de melhor vida.

segunda-feira, 30 de março de 2020

CONEXÕES – A partir do Antigo Testamento



A PASSAGEM DO MAR VERMELHO


Já faz algum tempo que entendi ser necessário ter uma mente aberta e especulativa, quando lêssemos o Antigo Testamento, procurando adaptar o que se conhecia quando se iniciaram os relatos -passarem a escritos em documentos foi bastante mais tarde- às diferentes fontes de conhecimento que hoje temos à nossa disposição. Ou, por outras palavras, avaliar aqueles textos, tão copiados e manipulados ao longo de séculos e que foram escritos para um público de gente rude e inculta, e entender que, nos tempos em que vivemos, e até a partir do séc. XIX, as mentes estão -ou deveriam estar- mais propensas a procurar explicações naturais para muitos feitos, que anteriormente a maioria das pessoas nem sequer se atrevia a ponderar.

Lendo um relato de como Napoleão, na derradeira década do século XVIII, levou o seu exército para o Egipto com o propósito de neste território encontrar a chave para o Médio Oriente -uma visão pessoal do corso na tentativa de emular os feitos de Alexandre o Grande- rumou em direcção à Palestina, concretamente quando estava prestes a tentar conquistar a fortaleza de São João de Acre.

Dos feitos, aventuras e desventuras de Napoleão no Egipto não me estenderei aqui, mas quero citar a passagem do golfo de Suez, a pé firme, aproveitando uma extraordinária maré que fez recuar as águas do Mar Vermelho. Hoje podemos deduzir que aquele recuo, e o consequente avanço tumultuoso das águas logo a seguir, devem ter sido consequência de algum terramoto ou maremoto. Semelhante ao que assolou Lisboa em 1755.

E agora vamos à Bíblia, ou Antigo Testamento:

No ÊXODO, versículo 15,16 e seguintes podemos ler:

-Então disse o Senhor a Moisés...
E tu levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar, em seco.
21 – Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez recuar o mar por um forte vento oriental, toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas.
22 - E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar, em seco: e as águas foram-lhes como muro, à sua direita e à sua esquerda.
23 - E os egípcios seguiram-nos, e entraram atrás deles todos os cavalos do Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até o meio do mar.
26 - E disse o Senhor a Moisés: estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros.
27 - Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retomou a sua força ao amanhecer, e os egípcios fugiram ao seu encontro: e o Senhor derrubou os egípcios no meio do mar.

Neste tema, como em outros que se encontram relatados na Bíblia, nomeadamente no Antigo Testamento, como feitos miraculosos, se esgravatarmos um pouco podemos chegar à conclusão de que, além de ignorarem muitas coisas acerca da geologia e meteorologia, os relatores e depois os transcritores -já bastantes séculos mais tarde- tinham que seguir, tanto quanto possível -digamos à letra- o que e para quem se queria relatar. Não se podem negar totalmente, em absoluto; em geral surgem dados noutras fontes que nos dão relatos fisicamente coincidentes, sem o recurso de forças sobrenaturais de deuses ou diabos.

O mais curioso é que, nos nossos tempos, bem dentro do séc XXII, existam pessoas que se podem valorizar como letrados, não ignorantes, mas que rejeitem a actualização. O poder explicar certos acontecimentos até então confusos e daí com possibilidades de serem qualificados como miraculosos. O modernizar não deveria entender-se como uma falta ou desprestigiante, mas optar por entender que cada época tinha as suas próprias ferramentas e disponibilidades para raciocinar.

Quando estudamos textos antigos é pertinente situar a nossa mente numa amplitude de horizontes, incluídos os do passado, sem que o nefasto orgulho do conhecimento actual nos leve a denegrir o que os antepassados nos legaram. Sem as suas aportações, que erraram por desconhecimento, não teríamos chegado aos níveis actuais.



Já faz algum tempo que entendi ser necessário ter uma mente aberta e especulativa, quando lêssemos o Antigo Testamento, procurando adaptar o que se conhecia quando se iniciaram os relatos -passarem a escritos em documentos foi bastante mais tarde- às diferentes fontes de conhecimento que hoje temos à nossa disposição. Ou, por outras palavras, avaliar aqueles textos, tão copiados e manipulados ao longo de séculos e que foram escritos para um público de gente rude e inculta, e entender que, nos tempos em que vivemos, e até a partir do séc. XIX, as mentes estão -ou deveriam estar- mais propensas a procurar explicações naturais para muitos feitos, que anteriormente a maioria das pessoas nem sequer se atrevia a ponderar.

Lendo um relato de como Napoleão, na derradeira década do século XVIII, levou o seu exército para o Egipto com o propósito de neste território encontrar a chave para o Médio Oriente -uma visão pessoal do corso na tentativa de emular os feitos de Alexandre o Grande- rumou em direcção à Palestina, concretamente quando estava prestes a tentar conquistar a fortaleza de São João de Acre.

Dos feitos, aventuras e desventuras de Napoleão no Egipto não me estenderei aqui, mas quero citar a passagem do golfo de Suez, a pé firme, aproveitando uma extraordinária maré que fez recuar as águas do Mar Vermelho. Hoje podemos deduzir que aquele recuo, e o consequente avanço tumultuoso das águas logo a seguir, devem ter sido consequência de algum terramoto ou maremoto. Semelhante ao que assolou Lisboa em 1755.

E agora vamos à Bíblia, ou Antigo Testamento:

No ÊXODO, versículo 15,16 e seguintes podemos ler:

-Então disse o Senhor a Moisés...
E tu levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar, em seco.
21 – Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez recuar o mar por um forte vento oriental, toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas.
22 - E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar, em seco: e as águas foram-lhes como muro, à sua direita e à sua esquerda.
23 - E os egípcios seguiram-nos, e entraram atrás deles todos os cavalos do Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até o meio do mar.
26 - E disse o Senhor a Moisés: estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros.
27 - Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retomou a sua força ao amanhecer, e os egípcios fugiram ao seu encontro: e o Senhor derrubou os egípcios no meio do mar.

Neste tema, como em outros que se encontram relatados na Bíblia, nomeadamente no Antigo Testamento, como feitos miraculosos, se esgravatarmos um pouco podemos chegar à conclusão de que, além de ignorarem muitas coisas acerca da geologia e meteorologia, os relatores e depois os transcritores -já bastantes séculos mais tarde- tinham que seguir, tanto quanto possível -digamos à letra- o que e para quem se queria relatar. Não se podem negar totalmente, em absoluto; em geral surgem dados noutras fontes que nos dão relatos fisicamente coincidentes, sem o recurso de forças sobrenaturais de deuses ou diabos.

O mais curioso é que, nos nossos tempos, bem dentro do séc XXII, existam pessoas que se podem valorizar como letrados, não ignorantes, mas que rejeitem a actualização. O poder explicar certos acontecimentos até então confusos e daí com possibilidades de serem qualificados como miraculosos. O modernizar não deveria entender-se como uma falta ou desprestigiante, mas optar por entender que cada época tinha as suas próprias ferramentas e disponibilidades para raciocinar.

Quando estudamos textos antigos é pertinente situar a nossa mente numa amplitude de horizontes, incluídos os do passado, sem que o nefasto orgulho do conhecimento actual nos leve a denegrir o que os antepassados nos legaram. Sem as suas aportações, que erraram por desconhecimento, não teríamos chegado aos níveis actuais.

UM ACRESCENTO DE ÚLTIMA HORA
Recordei que no relato do ÉXODO refere que as águas se separaram devido a um forte vento, E, por sinal, as grandes maré de Veneza ocorrem não só pelo efeito da lua mas pelo vento suão que sopre fortemente naqueles dias, de sul para norte, ao longo do Adriático e empurrando as águas, salgadas, para o Cul de Sac onde está erguida, sobre estacas, a cidade lacustre de Veneza.

MEDITAÇÕES – Como as prostitutas



NÃO SE RESPEITARAM AS REGRAS

Diz-se, ou dizia-se, que as prostitutas conscientes das suas obrigações, depois de cada serviço não só se lavavam na zona de trabalho, tanto exteriormente como interiormente, como algumas até rezavam uma oração apropriada dirigida à sua protectora, que se afirma ser a Santa Maria Madalena, originária de Mandala (daí o cognome) e íntima amiga (sem especificar qual o grau de intimidade existente)do profeta Jesus.

Este desrespeitoso pensamento surgiu-me, espontaneamente, quando lia e relia as várias notícias e comentários de como se tinha sentido MUITO OFENDIDO, como português e como Primeiro Ministro António Costa, depois de ouvir a declaração do ministro das finanças holandês Wopke Hoekstra onde repelia a ideia de lançar Eurobonds que permitissem ajudar os países do sul da União Europeia (nomeadamente Portugal, Espanha e Itália) a evitar o derrube, económico, que se seguirá à epidemia em curso.

Cá por casa dizemos Quem não se sente não é filho de boa gente, mas é pertinente que a boa imagem que se pretende defender exista de facto. E aí que que entram as dúvidas, sérias dúvidas, de que o comportamento de Portugal perante as exigência e “ajudas” vindas da UE tenham sido “exemplares”.

Não podemos esquecer as pressões, internas e externas, que nos empurraram para solicitar a entrada no clube da União Europeia, e nas envenenadas “ofertas de ajuda” que nos levaram a desmantelar as já obsoletas frotas marítimas comerciais e pesqueiras, e depois nos imporem compromissos vários que, no fundo, eram coletes de forças impossíveis de abrir.

As prometidas ajudas vieram. Ah se vieram! Compraram para melhorar algumas indústrias já rentáveis e empurraram para o fecho as que não podiam competir com os preços dos seus “parceiros”. Foi um excelente negócio! Para os ricos da UE e para os urubus nacionais que conseguiram um bocado de bolo (para os seus bolsos, ou contas no exterior)

Se na agricultura conhecem-se desvios importantes das verbas comunitárias, muitas em projectos que só eram ilusoriamente viáveis no papel e que, felizmente, nunca chegaram a ser postos no terreno. Mas onde o regabofe foi notável pela maioria dos cidadãos anónimos, foi nas muitas verbas que se sumiram, sem dar os resultados propostos, na área do ensino e formação profissional.

Com os fundos europeus geraram-se boas fortunas, sem esforço, entre a cidadania nacional.

Com toda esta argumentação, (não apresentada por aquilo de que a cautela é boa conselheira) o nosso primeiro ministro pode fazer um papel de virgem (num dos ouvidos) humilhada e ofendida. A partir deste bater o pé as coisas mudarão e os representantes dos países ricos, com certeza, decidirão como e em que condições abrirão os cordões da bolsa. Será que ainda temos algumas coisas de valor que se possam vender ou hipotecar?



domingo, 29 de março de 2020

MEDITAÇÕES – Castelos de cartas



QUANDO AS TORRES GÉMEAS CAÍRAM

No dia 11 de Setembro do 2001, em que se deu terrível e inesperado ataque terrorista às Torres Gémeas de Nova Iorque, eu estava, casualmente na Praça de Bocage em Setúbal. O meu telemóvel (naquele tempo um “tijolo”) chamou. Era o meu filho segundo que me noticiava que, naquele momento, as televisões de todo o mundo estavam transmitindo, em directo, um avião que se estampara, propositadamente, sobre uma das torres gémeas. Desde o primeiro momento deduziu-se que aquilo não era um acidente fortuito, posto que aquela zona estava totalmente interdita para ser sobrevoada. Aquilo não era um acidente, era um atentado terrorista, que não demoraram a confirmar os mandantes da Al Keda.

Confesso, envergonhado, que naquele instante a minha reacção visceral foi considerar que já era altura de que os habitantes dos EUA sentissem, na própria pele, e em sua casa, aquilo que eles se dedicavam a fazer a outros povos! Obviamente, não tardei a sentir a realidade que caiu sobre as pessoas que estavam, naquela altura, no interior do edifício. Certamente que nenhum dos que foram apanhados tinha a mínima culpa para merecer um fim tão terrível. ;as... sabemos que, em tempo de guerra, é habitual que os civis levem com as culpas dos que se mantêm resguardados nos seus gabinetes, comandando desde longe.


Não tardou que outro avião fosse, propositadamente também, embater contra a segunda torre. Aquilo foi dantesco, terrível, além de espectacular, por estar centrado na zona de negócio mais importante da cidade símbolo dos USA. Não se tratava de uma operação de guerra entre países em conflito. Nem sequer se tratava duma acção pontual segundo as regras dos bombardeamentos massivos, como os que se fizeram durante a segunda guerra mundial.

Nem se podia comparar a duas bofetadas na face do seu inimigo, ou mesmo a serem, figuradamente, dois fortes murros. Os alvos foram estudados e atingidos com saber estrutural. Quem preparou esta operação suicida sabia, muito bem, donde deviam atacar para conseguir derrubar, totalmente, aqueles magnos edifícios.

Confirmaram-se, sem qualquer dúvida, os meus rudes receios de que todos aqueles estudos técnicos, com a composição de vectores e anulação dos esforços, que justificavam estas estruturas, não podiam corresponder à realidade, apesar de que cada vez se erguem edifícios mais altos mais arrojados, que contrariam os meus receios. Continuo convencido de que, de facto, estamos brincando com castelos de cartas, e podemos ter a certeza de que outras torres ruirão sem necessidade de terroristas que saibam em que ponto lhes dar a marretada.

Pensamento pessoal – Tentar enganar a força da gravidade é arriscado, e vai contra o desprezado senso comum.



sábado, 28 de março de 2020

MEDITAÇÕES – Olhando para trás



DO ALTO DO ESCADOTE

Sem pretender resolver a crise que está anexa à epidemia do Vírus a situação política-económica-social e sanitária em que nos encontramos recomenda-se que tentemos ver as conexões que a actualidade pode ter com o passado, mais ou menos recente.

Uma das situações, perigosas por desestabilizar o que se tinha conseguido, é a campanha de descrédito em marcha, para abater o que resta da União Europeia. Uma erosão propositadamente comandada pelos dois paladinos anglófonos com costas banhadas pelo Atlântico. Começando pelo disparatado Boris Johnson que agarrou nos seus concidadãos queixosos. Que carregam umas viseiras que os orientam, erradamente, para um inimigo “continental” a quem atribuem os males que os afligem sem atender que foram os seus governos anteriores aqueles que decidiram acompanhar os novos ventos da história, fechando minas e fábricas não competitivas na economia global. Da qual não se encontra forma de escapar!

Em parceria temos os EUA, com o seu ambicioso e inculto actual presidente. Apesar das loucuras que Trump faz, continuadamente, para agradar os seus também incultos e zangados apoiantes, entendo que devemos recuar até a década de '40 do século passado, e estudar a evolução dos EUA perante a Europa.

Numa análise muito primária podemos avaliar os habitantes dos USA como sendo, na sua maioria (1) europeus, emigrantes, muitos forçados pelas circunstâncias, da Europa, onde a sua vida estava em risco elevado.

Além de eliminarem, quase que radicalmente, os habitantes indígenas, criaram uma colónia onde a maioria dos seus elementos tinha que lutar duramente para sobreviver, uns à força do seu trabalho e outros sem grandes preocupações éticas. Pelo caminho deixaram de sentir a miragem de regressar aos seus países de origem; criaram um sentimento de nação totalmente a partir de zero, contando, porém, com amplos horizonte de terra disponível e de possibilidades de progredir, economicamente, a quem tivesse unhas para tal.

Era fatal que, entre muita miséria, germinasse a classe dos economicamente poderosos. Que rapidamente tomou o leme do novo País, vindo a tornar-se, progressivamente, uma potência ansiosa de disputar o primeiro lugar, igualando e ultrapassando a Europa. No emergir das ditaduras europeias, de tipo fascista (2), os governos dos EUA, astutamente decidiram colocar-se neutrais nos conflitos bélicos que grassaram na velha Europa. O que não os impediu de se preparar na produção de armamento, tanto terrestre como marítimo e aéreo, não só para sua possível defesa mas, também para se financiar através de vendas aos beligerantes.

Quando a progressão dos conflitos deu sinais de que seria previsível que se quebrassem os pactos de não agressão, e aproveitando uns erros de previsão por parte das tropas alemãs, corrigiram o rumo e colocaram as suas forças, e armamento em quantidades e modernidade, para colaborar com os exércitos europeus que estavam ameaçados e até invadidos pelas forças do Eixo.

Foi mais uma jogada muito astuta: colocaram material, a facturar mais adiante como dívida de guerra, e pessoal humano (que as famílias se encarregariam de colmatar, em conjunto com o êxodo desde a Europa em guerra e invadida) numa quantidade que, sem dúvida, possibilitou a derrota do Eixo no Ocidente. E sempre longe dos seus USA!

Entretanto, na frente Oriental, (que também recebeu fornecimentos bélicos dos USA) as forças comunistas travaram a progressão “imparável” das forças alemãs, e dado que o número de russos, e assimilados, apesar da mortandade sofrida, era de respeito, quando o conflito já estava prestes a terminar, entendeu-se, e bem, que do Leste vinha outro inimigo invasor. Ou seja, os europeus “aliados”, devedores convictos dos EUA, sentiram-se ameaçados por uma nova vaga de exércitos, estes com bandeiras vermelhas.

Sendo um conglomerado, não homogéneo, mas controlado pelo espirito capitalista, e estando os europeus ocidentais exaustos, com os seus equipamentos fabris obsoletos ou destruídos, tiveram que agarrar, com os braços ansiosos, o famoso Plano Marshall, de “ajuda benemérita”. Sempre procurando que a guerra não chegasse aos seus EUA e, simultaneamente, fazer o possível para que o conflito bélico que se previa poderia surgir com a URSS, aliada temporal contra o Eixo, mas sempre com a vontade, também imperialista, da Rússia de chegar às costas atlânticas frente às americanas, a Europa foi ficando rapidamente devedora do capital sediado nos USA (3) Esta situação gerou a chamada Cortina de Ferro e a Aliança Atlântica NATO, esta comandada, sem discussão, pelos USA e deixando umas cadeiras para se sentarem e poder imaginar que “são gente” alguns dos continentais.

Saltando para a actualidade, os governos americanos (todos eles) sempre fingiram que apoiavam a velha Europa, mas seleccionando os migrantes a quem abriam as portas e, nunca perdendo o fito de se apoderarem da economia europeia, fosse qual fosse a táctica e o método a seguir. O exemplo mais evidente é a forma reptante como Trump, habilidoso e velhaco negociador em proveito próprio, manobra o iluminado e sonhador primeiro ministro inglês.

Desta vez os USA (os que manobram de igual modo, seja qual for o seu partido) não temem a Rússia e pensam que conseguirão enrolar a China, sacrificando o velho continente, que muitos “mericanos” visitam como se fosse uma Disneylândia “quase tão autêntica” como as que na sua terra proliferam.

CONCLUSÃO: Seja por complexos de génese mitológica, ou simplesmente para abjurar das suas origens, os EUA são, foram e serão, sempre um falso amigo da Europa. Só querem dinheiro e poder, que são equivalentes.


  1. Por um momento tentemos esquecer os descendentes dos escravos africanos, mexicanos e outras minorias.
  2. Que tiveram bastante seguidores entre a população dos USA.
  3. Se bem que nas mãos de descendentes de europeus!

quinta-feira, 26 de março de 2020

MEDITAÇÕES – De A.Virella II Menos turismo



Dinossauros e coroa-vírus -19

Enquanto estamos fechados em casa um dos temas preferidos com que nos podemos entreter,é o de especular acerca do que virá a seguir. A futurologia tem avançado com algumas hipóteses, às que daremos mais ou menos importância consoante o nosso estado de espírito no momento. Sem que nos atrever a desprezar nenhuma delas, nem que fosse por aquilo de que todas as cabeças são livres de pensar, certo ou errado, e até de expor as suas ideias e devaneios, além de que damos como possível que algumas acertem no alvo.

Num escrito anterior, recente, dissertei sobre os malefícios que nos trazem, e que mais vão trazer se continuarem, os grandes navios de transporte de turistas aos molhos. E há pouco, meditando acerca da situação actual e no que pode vir a acontecer, recordei que alguns dos que sabem muito (de tudo!) opinaram que a economia estatal da China está muito bem colocada, financeiramente e produtivamente, para adquirir muitas empresas que podem não aguentar a crise que, segundo opinam, se aproxima, depois de o vírus ter amainado.

Daí a que esta minha cabeça efervescente fizesse uma ligação entre o desaparecimento dos grandes répteis, e os diferentes factores que, cumulativamente, lhes tornaram a vida tão difícil, que os quase eliminou, nomeadamente os de maior porte. Além da mudança de temperatura, difícil de suportar para animais de sangue frio, a falta de vegetais, que eram uma parte importante da sua cadeia alimentar, os condenou a morrer de fome.

E, sem premeditação, empalmei esta história tão longínqua com a actual proliferação de navios, enormes e cada vez maiores, construídos exclusivamente para passear largas centenas de turistas, mais enganados e iluminados do que conscientes de que pagaram para estar num carrossel que gira sem parar, ou para pouco, e devem pagar outra vez para ver alguma coisa “extra”.

Suponho, sem provas, que tal como qualquer outro investimento de importância, o armador está ansioso de por o navio a funcionar, muito antes de ter pago o seu valor de construção. Seja por contrato de leasing ou de pagamento por mensalidades ou anualidades, o barco deve andar carregado, não só de passageiros, como de dívidas.

Caso a crise económica que está prevista, em que o desemprego será factor importante, atingir o nível que se receia, de repente as agências e os armadores terão sérias dificuldades para não só aguentar o negócio como, satisfazer os seus financiadores, ou seja, pagar as dívidas de vulto que lhes pesam sobre o negócio. Equivale ao faltar a alimentação aos dinossauros herbívoros, e em sequência aos carnívoros. Uma hecatombe global!

Moral da história: se os ante-diluvianos de grande porte não aguentaram a escassez, uma intensa falta de clientes podem arruinar os armadores e as agências.

E que acontecerá aos enormes navios? Ficarão à venda, numa espécie de leilão. E serão muitos! Pois os únicos capitalistas com capacidade para tomar conta do negócio, tendo não só meios económicos como multidões de humanos desejosos de partilhar passeios, mais ou menos obrigados pelas entidades que os tem agarrados no trabalho, são os chineses!

A China, já pouco comunista mas notoriamente ditatorial, não só pode dominar os sectores produtivos, económicos e comerciais do “mundo livre” como terá a oportunidade, se a quiser aproveitar, de dominar o turismo de massas.

O mundo que conhecemos e o que deixaremos para os descendentes pode vir a dar uma enorme cambalhota.

MEDITAÇÕES – do Albert Virella II - Inflacção


A INFLACÇÃO JÁ CÁ CANTA

Bom dia (termo que nos deixaram de herança os muçulmanos)Bom dia oxalá -herança dos muçulmanos- seja melhor do que os anteriores. Mas lamento opinar que será pouco provável.

Ao dar uma olhadela pelas capas dos jornais do dia, aproveitando o serviço que nos oferece a Google, vi um cabeçalho que confirmava a suspeita de que teria que aparecer mais dia menos dia. A breve dizia, mais coisa menos coisa, que os hospitais e clínicas privadas (e eu acrescento, por minha conta, os fornecedores de material e equipamentos para os hospitais) reclamam, com uma ameaça velada, que para colaborarem com as necessidades que lhes querem impor, exigem que se lhes paguem as contas congeladas.

De imediato, sendo eu um reconhecido adepto dos anexins, veio-me à mente aquele que diz: Cria o corvo, tirar-te-à os olhos. (1)

E se avançarmos nesta estrada que, sem opção, temos pela frente, se aparecerem mais exigências, justas e documentadas, para que o estado abra os cordões da bolsa, sendo que a entrada limpa de impostos tem que diminuir inevitavelmente, e se as ajudas do exterior -leia-se da UE- forem escassas e demoradas a pressão para por a impressora de notas a todo gás -a nove como nos eléctricos- será quase impossível de travar. E, sendo pessimista de nascença, a conclusão que tiro e lamento é:

A inflação está à porta !

Aliás, como argumento da escassez por parte dos fornecedores e importadores, já subiram, bastante, alguns preços de venda ao público, nomeadamente as carnes frescas, e, vergonhosamente, alguns artigos de protecção pessoal como o álcool e desinfectantes. Pessoalmente raro é que tenha que fazer as compras de reabastecimento de comestíveis, mas não me custa a imaginar que já existam mais subidas nos preços. Digamos que é fatal que tal aconteça, pois sempre foi assim e desta vez existem razões que cheguem para se aproveitar.

Hoje não vos maço mais. (por enquanto...)

(1) Pelo pouco que sabemos, as PPP, entre elas as dedicadas à saúde, tem nos seus quadros superiores pessoas que estão, directamente ou historicamente, ligadas aos governantes que facilitaram a sua introdução. E mais não digo...