segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

MEDITAÇÕES - parecem gémeos univitelinos


MEDITAÇÕES – Parecem gémeos univitelinos

MAS NÃO SÃO

Foi por casualidade que me caísse nas mãos uma obra daquelas que, sem ser merecedora do Nobel. A não sr como anexo (fracalhote) do “nosso” José Saramago -que, se não me falha a memória, este cognome não coincide com o que herdou dos pais, mas foi de livre escolha...- fiquei a saber que era de um autor bastante lido, traduzido inclusive para muitas línguas, incluídas algumas moribundas e outras cadavéricas. O autor assinava-se com o pseudónimo LARV DIVOMLIKOFF, que é o resultado de baralhar as letras do seu nome efectivo VLADIMIR VOLKOFF. Russo branco (após ser lavado com detergente ocidental) emigrado da fenecida URSS. Aterrou primeiro em França, donde publicou vários livros, e depois nos USA, paraíso dos não filo-comunistas.

Segundo consta na sua biografia tem escrito, e conseguido publicar, várias obras, muitas das quais foram classificadas como para crianças e adolescentes. Possivelmente por serem qualificadas por críticos não muito exigentes como impróprias para adultos, mesmo que adúlteros.

O livro que estou terminando tem por título O TRAIDOR, e aparece em todo o lado, quase tanto como o nosso Presidente da República , se bem que não é adicto às selfies e aos abraços ternurentos. Se calhar porque não teve oportunidades para expandir a sua vocação humanista e publicitária.

Embora não tenha chegado ao fim, nem feito batota lendo as últimas páginas, o que me chamou a atenção e me induziu a escrever esta “crónica” é que, apesar do ódio que destila em relação ao comunismo soviético, certamente que com razões pessoais merecedores de ser consideradas, a justaposição que faz entre a Igreja Cristã Ortodoxa, entre outros pormenores porque aceita e prefere que os seus padres, ou seja popes, se casem e constituam família, com muitos descendentes devidamente legalizados e cristianizados, não segue exactamente as normas da Católica. VLADIMIR não esconde uma coincidência doutrinal entre o Comunismo e as Igrejas Cristãs.

Uma quase coincidência, que os comunistas ainda interiormente crentes no cristianismo, não deixam de referir. Dizem “eles” que, sem dúvida, Jesus, personagem principal do cristianismo, tinha um comportamento e uma doutrina mais afastada do capitalismo, do poder económico, do que do povo mais humilde. São formas de interpretar os evangelhos, mas de facto aqueles que escolhe para serem seus discípulos eram, na sua maioria, gente do povo. Incultos academicamente, quase todos analfabetos, mas com a cultura tradicional da oralidade. E com vocação de penetras em todos os banquetes que ficassem a jeito.

Mas a faceta em que cristianismo e comunismo coincidem é óbvia. O esquema é que difere. Diverso na aparência mas no fundo é igual. Ambas doutrinas, para as qualificar de algum modo, baseiam-se na promessa de recompensas para os bons adeptos e de castigos terríveis para os não cumpridores. A diferença, subtil nestes tempos em que vivemos uma vez que a Santíssima Inquisição deixou de poder torturar e assar os desviados e refilões, com o compadrio do poder civil. De pouco ou nada serviam os protestos dos que caiam nas suas garras, mesmo que estes teimassem em se mostrar relapsos e arrependidos, se não totalmente inocentes.

A diferença mais notável entre as duas doutrinas reside no facto de que o comunismo feroz, quando está no poder temporal como amo absoluto, trata de recompensar e castigar, cruelmente, em vida e a religião delega estas sentenças para depois do indivíduo falecer.

Assim escrito parece ser um detalhe sem importância. Mas para aqueles que foram atirados para as masmorras e até “ajustiçados” com a pena de morte, irreversível como sabemos, as diferenças são notórias. Não podemos desvalorizar a importância que para as pessoas vivas terão as recompensas materiais, as que for possível usufruir neste mundo sem ter que aguardar o incógnito paraíso. Entre conseguir uma boa situação económica e habitacional aqui, e a promessa de uma túnica e umas asas para deambular pelo Paraíso...

Voltando ao escritor russo branco, filho de boiardos e perdedor dos bens por imposição duns revolucionários sem educação nem maneiras à mesa, tenho que admitir que a sua escrita não é totalmente capciosa, pois dá umas no cravo e outras na ferradura. É muito mais legível do que o fanático e doutrinador Escrivã “de Balaguer”, que Satanás tenha numa das suas caldeiras, por méritos próprios e adquiridos através dos seus acólitos. (*)

* Escrivã colocou o “de Balaguer” ainda em vida, quando decidiu criar escola, para ficar lado a lado com o fundador da Companhia de Jesus, que era nobre de Loiola, e por isso adquiriu o nome composto de San Ignácio de Loyola. Nada vaidoso o Escrivá!!

domingo, 9 de fevereiro de 2020

MEDITAÇÕES – Palavras de noite



NÃO SÃO LEMBRADAS DE MANHÃ

A interpretação mais imediata desde anexim é que muito do que se diz quando o travesseiro está quente -e quem diz travesseiro pode ser o leito todo, o chão, o sofá, a mesa do gabinete, ou até o apoio de uma parede- não se pode considerar como uma jura gravada na pedra, ou seja “lapidar”. São afirmações  totalmente honestas, são fruto do entusiasmo e de fraqueza mental que naquele momento se sente. Mas que quando a febre desce já sabemos que a primeira tarefa com que a mente se afoita é a de varrer para o esquecimento tudo aquilo que pode corresponder a um compromisso problemático.

Daí que a mensagem, implícita o subjacente, é bastante mais abrangente e até impessoal. Se bem que neste momento aquele horizonte que me atrai é muito mais pernicioso do que muitos dos pensamentos e divagações deitadas pela boca fora em momentos de exaltação.

Não vou encaminhar esta reflexão para assuntos do campo da fé, pois sendo esta uma zona onde a racionalidade não está sempre presente -ou practicamente jamais- e apesar disso, ou se calhar por esta mesma razão, é propício a conduzir a ofensas pessoais, o melhor é não entrar, nem sequer com pés de chumbo. Recordo que no universalmente valorizado Dom Quixote, num dos capítulos refere que estando eles dois, Quixote e Sancho, percorrendo as planuras castelhanas numa longa noite escura e procurando um local onde pernoitar, o imaginário escudeiro exclamou que tinham chegado a um possível albergue. Foi bater à aldrava e quando o Cavaleiro da triste figura ouviu o eco que retornava daquele edifício, disse: Sancho, demos de cara com a Igreja, recuemos. (deixo a interpretação deste aviso ao encargo do leitor)

Mas aquilo que, com a experiência vivida e observada, todos sabemos é que promessas de políticos são folhas secas que o vento leva e espalha sem arquivar. Mesmo sabendo que não podemos acreditar no palavreado daqueles que pretendem que os ajudemos a subir ao pódio, com o nosso voto, as piores promessas destes cavalheiros -que o são não precisamente porque se exibem montados num solípede, mas pior, porque somos nós, os cidadãos abusados, mesmo que não propriamente enganados, que os carregamos às costas- E como o mentir, ou prometer com predisposição de não cumprir, deve ser considerado como uma moléstia adicticiva, o devemos anexar à ideia de comer e coçar é só começar.

Tristemente, porque este viciamento em prometer e não cumprir nos afecta a todos, e reconhecemos quão propício é o untar os dedos quando se mexe com azeite, considero que o primeiro lugar na interpretação do que, subtilmente, nos avisa o aforismo que encabeça este escrito, não se deve atribuir às juras de amor carnal mas, por serem mais frequentes e perniciosas, às galgas com que os nossos homens públicos -nossos porque todos temos parte de culpa na sua eleição- são tão prolíferos e esbanjadores. Piores do que as mulheres ditas de públicas, pois estas fazem-se retribuir directamente e com uma dedicação pessoal concreta, mesmo que também falsa.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

MEDITAÇÕES - Saltou o alarme


MEDITAÇÕES – Saltou o alarme

Diz a caldeira à sertã: Sai para lá e não me enfarrusques

Não sei por que cargas de água -mesmo hoje que a água carrega-se em garrafões DE PLÁSTICO! - surgiu-me à frente este rifão popular. Suponho que deve ser consequência de verificar, mais uma vez, que neste espectro de políticos, governantes e oposicionistas, a ética e a limpeza, ou higiene comportamental, não brilham, por estarem ausentes em demasia. Ou, com mais senso se pode afirmar que estão postas muito de lado. Se não totalmente.

Ainda ontem, quando ia procurar repouso corporal, ouvi uma voz, notoriamente alarmada, que me dizia, com convicção e alarme, qualquer coisa como:  O nosso primeiro ministro, o tal Costa que ocupa este lugar de destaque, deve estar muito atrapalhado com tantas negas e confirmações dos seus adjuntos, e dele próprio, neste lamaçal que, desde os primeiros dias, se notava estar no seio do famoso e misterioso roubo num paiol militar em Tancos.

Não gravei nem passei a papel com auxílio da estenografia, por duas razões, e não três como o anão mais alto do circo. Em primeiro lugar porque o gravador portátil que utilizava, e os seus companheiros electrónicos leitores de cassetes audio e de imagem, foram retirados da circulação, e, em segundo lugar, porque a minha insistente ideia de andar sempre com um bloco de apontamentos disponível, ou seja a mão de semear (fosse trigo ou fosse joio), nunca chegou a criar raízes, A decisão sempre foi solene no instante em que a tomo. Mas depressa se esbate. O máximo que consegui é o ter num bolso algum resguardo ou factura disponível para apontar, no reverso,  alguma ideia. E já é muito!

Mas, recuando e deixando estas divagações inúteis de lado, o que era apresentado como alarmante correspondia as afirmações e negativas que ontem, e na véspera, se ouviram e leram a propósito da trapalhada e mentirolas, mais próprias de escolares da primária do que de indivíduos crescidos Que ocupam postos que implicam seriedade e respeito. Naquele momento quem me alertou sentia-se, verdadeiramente como se Portugal, ou os seus cidadãos, estivéssemos à beira de um abismo.

Fiquei atónito com esta dedução tão alarmista. Será que já se esqueceram que, neste jardim de que tanto gostamos, as trovoadas não são devastadoras? Que tudo passa em poucas horas e voltamos a ter um sol radioso para nos alegrar? É que terramotos como o de 1755 não acontecem todos os dias. Felizmente. E que não são consequência de comportamentos errados de personalidades.

O pessoal normal, ou anormal consoante o ponto neutro esteja mais ou menos deslocado em relação ao fiel da balança, esquece tudo tal como o hipnotizado acorda, instantaneamente, quando o artista faz estalar os dedos polegar e indicador. Nem nos tempos mais austeros a que assisti, já em transito para a democracia, mas na euforia virica própria da fase de mudança, que , entre outros movimentos, os padeiros decidiram não trabalhar de noite e deixamos de ter pão fresco de manhã. E o leite escasseava, não se sabe se por greve das vacas vermelhas (?) ou porque faltava o carcanhol para o importar, o se sabe é que obrigava a fazer fila de espera às portas do local onde se vendiam sacos de plástico da UCAL (urina com algum leite, afirmavam as más línguas) e não forneciam mais do que um saco por cabeça, sem atender a quantas pessoas de família representava aquele sofredor cidadão que não fazia fila por desporto. Pois nem isso fez com que o “maralhal” se revoltasse com paus e pedras. Ou seja, a noção de que O POVO ESTÁ SERENO é um facto sobradamente comprovado. E, mais uma vez, se confirmou que os alarmes não duram mais do que a chama de um fósforo.

Se alguma coisa nos deveria fazer cair a cara de vergonha é que não é necessário o respeitar, cegamente, a autoridade de um líder eleito, -nem que o tenha conseguido com alguma biscambilha- mas pior, que por extensão, qualquer sujeito que se coloque sobre um tijolo, como se fosse um pedestal, é respeitado, mesmo que mereça ser apupado, assobiado, enxotado, como se fosse um rato ou mesmo uma mosca brejeira.

NOTAR – Este conceito de o respeitinho é muito bonito, ou conveniênte, não está a ser seguido, ou melhor dizendo honrado, por alguns sectores enquistados no seio da bondade social lusitana.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

MEDITAÇÕES – Malesuada Fames (Virgilio)lio



A FOME É MÁ CONSELHEIRA

Já o pensador e poeta latino Virgílio sabia que a ambição, que é uma das facetas da fome (de poder político e económico, sempre com grande risco de andarem de braço dado) incitarem a abusar dos passivos. Pela convicção de que estes não reagirão de modo a neutralizar os seus propósitos ou de corrigir o que destruíram.

Na nossa sociedade actual, dado que a ainda incipiente democracia não sedimentou. Como se deve observar pelos acontecimentos mais recentes. Muitas pessoas já sentem como o espectro político que parecia inalterável, numa rotação equivalente à que existia durante o fim da monarquia, já se desmembrou. Hoje temos pequenos grupos dispersos, que vistos isoladamente não apresentam perigo imediato para os partidos já instalados. Uma negligência e desprezo que pode vir a dar surpresas e mudanças importantes. Estes grupos hoje minoritários existem e teimam em dar cartas neste jogo. Mal será se a contestação urbana pender para o anarquismo. Já esteve mais longe.

É um evoluir perigoso (para as pessoas tranquilas) mas que avança, com maior ou menor sucesso, porque o ambiente que se respira é de crescente descontentamento, descrédito de como se habituaram a exercer o poder nesta rotação sem progresso social visível, antes com um retrocesso notório.

O factor mais pesado que acabará por ser entendido pela população é o de que, apesar de nos quererem vender a alegoria de que “as contas estão certas” e, por receio de perder as suas oportunidades, os partidos tradicionais comem, ou fingem comer, mas calam, o que não se pode esconder durante muito mais tempo é que a dívida pública, e também a dívida da cidadania, tem aumentado em vez de diminuir, como se anunciava que aconteceria.

Simultâneamente as pessoas comuns, os cidadãos que votam e “escolhem”, sem saber onde se metem, já cada vez entendem melhor que esta forma de apresentar as contas públicas (seja qual for o que estiver no poleiro) está recheada de truques e falsidades. Quando o “povo” descobrir que, neste momento, existe uma bolha de economia devedora equivalente, ou até superior, á que levou a que o FMI entrasse com o propósito de encarreirar a nossa economia (sem se esforçar muito, pois o dinheiro conta muito e os interesses ligados a ele são pesados) e de cuja acção recordamos (será que recordamos mesmo?) um período de redução de despesa e da concessão de crédito, mas (outra vez os interesses dos poderosos)que nos levou para as PPP (que são pesadas cangas no pescoço da cidadania que depende de um salário) e vendas a preço de saldo dos poucos activos que ainda restavam.

É inevitável que se inflame o rastilho da explosão social com que a população venha mostrar o seu desconforto, descontentamento e daí a revolta destruidora. Moral da história: apesar de saber o perigo a que nos expomos, quem governa prefere chamar os bombeiros do que prevenir os incêndios (e a população até apoia silenciosamente)

A insistente pressão para manter, e aumentar, o consumismo, após esgotar as reservas familiares conduziu ao crédito esbanjador, desgovernado, e ao recurso de não conjugar a pressão comercial com a realidade económica. Daí que não lhes seja factível equilibrar as receitas do Estado com os seus compromissos, e menos às despesas ineludíveis. O truque de magia (para tontos) utilizado é o que chamam de ”retenção”, como se fosse a reserva de alimentos que cada casa procura ter no seu dia-a-dia. Não pode continuar eternamente com este rumo. SIMPLESMENTE PORQUE NÃO SE CUMPRIREM AS VERBAS PROMETIDAS, ORÇAMENTADAS E ATÉ APROVADAS, OS SERVIÇOS PÚBLICOS SE DEGRADAM.

O remédio que o capital propõe, é, também neste caso, pior do que a doença, pois que na maioria de casos em que se pretende substituir a acção estatal, nomeadamente na saúde e no ensino, empurrando que necessita com urgência para os sistemas privados, na realidade encostados ao Estado através das PPP, cujos contratos existentes lhes garantem cobertura para os deficits sem os penaliza nos sectores rentáveis. Uma situação menos complexa do que pode parecer mas que fundamenta-se em tratar a economia nacional como se este fosse um País próspero, quando na realidade ….

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

MEDITAÇÕES – Ler e “visualizar”



GENERALIZO SEM TER UMA BASE

Há anos que quando leio alguma obra de história, ou de ficção, que me cative, sinto mentalmente que além de seguir o texto escrito, em muitas ocasiões, estou presenciando os locais e os factos que me são transmitidos “friamente” por aquele texto impresso. Especialmente nos casos, normais em livros para adultos, em que não se intercalaram figuras, fotografias ou desenhos, com o intuito de facilitar a integração do leitor no conteúdo da obra.

Custa-me bastante, por acanhamento, abrir a minha maneira, intensa e participativa, com que tento absorver e interpretar aquilo que o autor nos quer oferecer, com a melhor das intenções e usando todo o seu saber como escritor/a. Suponho que esta intenção de transferência deve ser a intenção primordial do autor. Não posso acreditar que quem escreve entregue o seu trabalho, seja autobiográfico ou imaginado, sem esperar que o leitor -se interessado- não se sinta integrado naquela descrição.

As impressões que podemos utilizar do nosso arquivo mental, vindas de observação directa ou através de meios de difusão de imagens, devem ser tão numerosas e variadas que atrevo-me a dizer que se não travarmos a nossa mente ao ler, sem dar por isso estamos ilustrando, dando vida, aquelas séries lineares de caracteres tipográficos, aparentemente áridas.

Sabemos que as línguas ocidentais, pretendem, e por vezes conseguem, representar sons e palavras utilizando composições de símbolos, em conjuntos, mais ou menos curtos ou longos de letras. Variável consoante as necessidades de cada língua, e que chamamos de alfabeto. É através de múltiplas combinações destes símbolos que ao se adoptarem globalmente, transmitimos ideias e descrições com a convicção de que podem corresponder a sons concretos, e interpretados como se os emitíssemos de viva voz.

Mas outras civilizações, mesmo vivas na actualidade, em vez de uma restrita série de símbolos correspondentes a sons, optaram por utilizar ideogramas, que podem corresponder não só a palavras soltas como a orações completas. Numa escrita deste tipo os resultados conseguidos não serão inferiores aos que possibilita o uso dos alfabetos. Existem várias línguas que,ainda hoje utilizam esta técnica de escrita. Alguma destas línguas com escrita normal por ideogramas, em certas ocasiões e a por razões comerciais ou técnicas, debatem-se com a necessidade de transcrever para símbolos ocidentais. Outras já caíram no esquecimento, apesar de terem deixado testemunhos da sua importância.

Estas grafias por símbolos e não por sons combinados devem facilitar aquilo que sugeri de entrada nesta “meditação”. É quase impossível que ao interpretar estes ideogramas não surjam, na mente do leitor, as imagens e mensagens quase como as lidas numa banda desenhada com poucas legendas.

Só me falta, e continuarei a não ter, saber das opiniões sensatas de algum leitor, com as quais possa confirmar, ou não, que a minha mente funciona como a de muitos outros indivíduos devidamente considerados normais. Nem sequer posso agradecer a vossa colaboração. E lamento.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

MEDITAÇÕES – Sobre as redes sociais na NET




Um risco entre muitos

Quando nos deixamos cair nalguma das redes sociais, ou caixas de comentários abertas, arriscamos a ser não só mal interpretados como enxovalhados com palavras irrespetáveis. Depois de uma experiência pessoal neste campo, fruto dum momento de distensão, que não me impediu de baixar a guarda e entrei na lide de um toiro que não quero tourear, aconteceu o que era de esperar. Aceito confessar que fiquei atónito. Não previ nem sequer parei a avaliar, os riscos que estão sempre implicados quando nos expomos perante gente desconhecida ou mal conhecida, por não qualificar de rascas.

De imediato surgiu o impulso de reagir, sempre ponderando qual o caminho mais aconselhável a seguir. Sem dúvida que entrar em peixeiradas não é opção. Resta a decisão de lhes deixar o campo aberto para o conspurcarem a seu bel prazer, ou obedecendo alguma indicação vinda de lá acima.

Pesa-me na “ialma”, como pronunciaria um viseense, reconhecer que por instinto tinha a obrigação de prever como seria o lamaçal -mais propriamente um chiqueiro- onde me arriscava a entrar. Mas todos sabemos que agir sem ponderar comporta o risco de nos enganar. Mesmo assim o que me consola é que as palavras de asno não chegam longe, só os seus rebusnos é que se podem ouvir a léguas. Mas poucos ligam a estes chamamentos animalescos, é uma linguagem -por assim dizer- própria dos seus pares.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

MEDITAÇÕES – Indigestas



Podemos avaliar-nos convincentemente? Sou igual ou diferente?

São perguntas e não afirmações. Traduzem situações que tem alterado o meu descanso nocturno (Podem aproveitar esta frase nalguma redacção ou no preenchimento da declaração do IRS) em inúmeras ocasiões, com risco comprovado -pela antiga prova dos 9- de poder perder o pouco juízo que me tem acompanhado ao longo de 80 e tais e quais.

Vou tentar explicar-me, -a mim mesmo- tal como se infere da palavra hifenizada -que não infernizada-, e simultâneamente, ou seja, ao mesmo tempo e no exacto sitio, ou lugar, a quem tenha a infeliz ideia de se sentar em frente de um ecrã computorizado e conseguir sintonizar este canal caveira.

O duvidar da minha cordura -o que de por si mostra, indubitavelmente, uma total e absoluta falta da dita- acontece quando medito acerca de se aquilo que vejo, sinto e tento transmitir a segundos, terceiros e quartos, mas não a salas nem corredores, é idêntico ao que outros bípedes da nossa espécie ò-mana podem ver, sentir ou transmitir. Nada me garante que seja assim que acontece. É uma pura, banal, inútil e totalmente ineficaz pensadura, mais mole do que uma mama, não operada, de uma mulher já com mais de meio século de existência terrestre.

Mas, por favor, não desprezem esta minha dúvida, transcendente e pertinaz. Uma situação anímica que me leva a imaginar, e não quero aceitar tal raciocínio desencorajante, que sou um espécimen raro, não digo único, mas que  não está muito longe disso. Todavia ao recordar que os manicómios foram fechados, abandonados, despovoados, por decisão superior, e mandado que cada família tinha que aturar os seus desequilibrados, mesmo que fossem perigosos, incendiários compulsivos, envenenadores dos seus mais chegados -e até dos vizinhos inocentes e confiados- mordedores ou agressivos com facas aguçadas, membros de claques desportivas (*) e outros desvarios inaceitáveis, como o ser de esquerda baixa, ou esquerdalha (esta derradeira situação pode dar-se no seio das melhores famílias. SAFA! VADE RETRO BELZEBÚ).

Sempre atentos a todas as possibilidades, e existindo o recurso a muitas alíneas que especificam as fugas tangenciais ao mandado no diploma central, fica resguardada a situação daqueles que não tenham familiares de proximidade aos quais o Estado Previdência lhes possa impingir -mais acertadamente devolver- estes seres desequilibrados. Para esta minoria sem importância -porque normalmente não comparecem nos dias de votar. Por outras palavras: não contam para o totobola- pois, a estes lhes são distribuídas doses cavalares de paciência e uma caixa grande de cartão onde se possam abrigar nas noites frias. As pneumonias e outras moléstias respiratórias se encarregarão de lhes oferecer um fim adequado. E os cidadãos normais, que jamais tiveram uma camisa de forças vestida, podem manterem-se tranquilos.

Retomando o fio da meada (meada em castelhano) insisto, sem que até agora sinta que o tenha conseguido, esclarecer onde reside (habita, mora, vive, permanece) o meu magno (como o Carlos dito) problema. Em poucas palavras consiste em:

TÁ TÁ TATÁ Com uma certa frequência (sem modular) penso que é de aceitar que era possível, aceite pela sociedade anónima SARL, que generalize os meus elevados pensamentos para a grande plêiade de humanos que me rodeiam, tanto numa área de algumas centenas de metros de raio que o parta, como inté na totalidade do território nacional, mais as ilhas adjaçómetras. E porque não estender à totalidade da Península Ibérica? (onde proliferam os espanhuelos e espanhuelas, estas com fatos de bolas e eles com chapéus de aba plana) incluídos Gibraltar, Olivença (que nunca mais se decidem a devolver) e, porque não, aqueles embirrantes da Catalunha?

A tristeza e desânimo invadem-me, irremediavelmente, pela convicção de que não se aproximará um ombro amigo para oferecer amparo ao meu desolado cráneo, enquanto me afagasse as costas e desse umas palmadinhas de consolo. Se não for exigir demasiado, um lenço lavado para enxugar as lágrimas e recolher a baba e ranho, não iria mal. Eu agradeceria com muita ternura e sentimento.

(*) as claques dos teatros, que só aplaudiam, assobiavam ou pateavam por encomenda, não contam. Eram meninos de coro comparados com os financiados pelos clubes de futebol.