segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

MEDITAÇÕES – Como nos tornamos invisíveis




DISFARCE OU MÁSCARA

Quando descontraído sou bastante brincalhão, mesmo sem estar acompanhado. E atreito, desde criança, a fazer caretas e andar com passadas anormais. Nunca me livrei deste desafogo. Digamos que sou consciênte da má imagem que dou a quem me observa quando em tais lides. Mas igualmente confesso não resistir a uma reprovável tendência a fazer palhaçadas.

Como suponho é natural nos humanos, humanoides e é possível que tal venha a suceder com os autómatos que nos desbanquem, sempre procuramos alguma desculpa ou justificação para os nossos erros. Eu não escapo desta sina. Mas não estou convencido de que consiga uma argumentação com um mínimo de credibilidade.

Começando por cima. Muito acima das minhas capacidades, direi que os artistas humoristas de verdade nunca criam muitos “bonecos” diferentes, e caso caem nesta tentação descobrem que desgastam-se mais depressa se variam de fácies. Com um, bem estudado e trabalhado, é suficiente para se tornarem famosos. E mais sabemos, quando a personagem já se introduziu entre o público é este falso herói que absorve toda a atenção, deixa o nome do artista num segundo plano, mesmo que por vezes se sintam sobrepostos. É o que se verificou, entre alguns outros, com o inglês Charlie Chaplin e o seu Charlot, e com o Mário Moreno com o seu Cantinflas.

Lamento ter que admitir, sem receio de errar ou de cair na tentação de fingir -usando um caraça lastimeira, e com isso incitar uns falsos aplausos e opiniões sem valor real- que sou um cómico nato mas desperdiçado. Aliás, sem vergonha na cara tenho que admitir que nunca ultrapassei a mediocridade em qualquer dos ramos de criatividade ou de profissionalidade em que me meti. Sou um dos muitos medíocres que passaram por este mundo sem deixar uma pegada durável. E não digo eterna, mas pelo menos até a seguinte passagem da esfregona niveladora-arrasadora.

Antes de fechar e tocar o hino nacional (isso era dantes...) sinto-me obrigado a justificar o cabeçalho que coloquei: DISFARCE OU MÁSCARA. Julgo que os poucos, pouquíssimos, leitores destas linhas já sabem, desde tempos recuados, que o construir um “boneco” com força de penetração no público, implica dar-lhe uma personalidade, mesmo que se entenda ser falsa, mas que não se possa identificar com um cidadão normal que se encontre casualmente. O boneco terá actos e palavras que todos nós temos no subconsciente, por vezes mesmo à flor da pele, e que somos forçados a reprimir. Ele, o boneco, diz e faz, o que nós gostaríamos de poder dizer e fazer. Precisamente aqui reside o seu sucesso.

Com este raciocínio não quero afirmar que o cómico, o artista, se envergonhe do seu trabalho e da sua capacidade, mas explicar o facto de que não aceita que o abordem como sendo, de facto, a personagem que criou. Ele, o autor-criador gosta que os outros, os conhecidos e desconhecidos o valorizem pelas duas caras da sua moeda. Se procurarmos na gaveta das imagens sem classificar, encontramos à mão as duas caras, de comédia e drama, que simbolizam o teatro na su generalidade. E sempre são duas máscaras!

Curiosamente no teatro grego clássico, que se tornou a imagem desta actividade, as máscaras impedem a mímica facial e deixam só, e não é pouco, a verbe e a mímica gestual para transmitir as suas mensagens. Isso contraria bastante a noção que temos acerca da importância das expressões faciais quando queremos avaliar alguém, não acreditamos tanto nos gestos e palavras do que nos rostos, olhares e esgares. Os gregos deviam temer que o comportamento facial dos actores não correspondesse ao papel que deviam oferecer.

sábado, 11 de janeiro de 2020

MEDITAÇÕES - A ROBÓTICA



TENTATIVA DE ADIVINHAR O PRÓXIMO FUTURO

São frequentes os artigos onde se especula acerca do futuro que estamos construindo -um plural magistrático que não abrange a todos, mas apenas aos directamente implicados, apesar de que os apáticos, ou os que não sabem como agir para se opor, também merecem ser inculpados , nem que seja por aquilo de que quem cala consente- ameaça degradar a importância que as pessoas sempre tiveram na condução do trabalho e de qualquer actividade em que as suas decisões tem sido importantes.

Alertam-nos sobre a inevitabilidade de os automatismos, em implantação acelerada, reduzirem o número de pessoas activas em muitas tarefas hoje correntes. Mas sem negar esta evidência, pode-se imaginar que as máquinas se ocuparão de todos os capítulos, ou chegar-se a um equilíbrio favorável? Seja qual for a progressão do automatismo, temos que admitir que pessoas continuarão a existir, a nascer, viver e morrer e que na humanidade ainda não se vislumbra o chegar ao total automatismo robótico. Implicaria o domínio total da inteligência artificial sobre a espécie humana

Aqueles autómatos domésticos, deslocando-se sobre rodas pela casa, e que em muitas ilustrações futuristas, tem um aspecto caricatural de pessoas, inclusive com roupa, e “inté” falam numa voz pouco humana, não se vulgarizou. Por enquanto. Para os conceber, construir e reparar estão dependentes de humanos

Mas por este caminho já se avançou bastante. Pessoas das zonas económicamente pujantes, com idade inferior a quarenta, nem conseguem imaginar o esforço e sacrifício que implicava a lavagem de roupa feita manualmente ! Hoje existe uma multiplicidade de máquinas automáticas que se encarregam desta tarefa cansativa. Mesmo assim é necessário separar as peças a lavar consoante os cuidados com que devem ser tratados; carregar e programar a máquina pessoalmente em conformidade com o tipo de roupa a lavar; mais o detergente a usar; descarregar e depois, secar a brunir ou passar, que é a mesma coisa. Por mais que evoluir na robótica a mente humana e as capacidades de adaptação implícitas serão de grande importância.

Por muito sofisticada que seja uma programação existirá sempre um momento em que a opção a seguir estará pendente do raciocínio do operador. Tentando dar um exemplo citarei, sem concretizar, as notícias que apontam para viaturas automóveis, evoluídas dos carros de passageiros e de transporte colectivo, e até de mercadorias, que após lhes aplicarem automatismos, cuidadosamente programados, podem circular pelas estradas em absoluta segurança. Será assim? Por enquanto receio que poucos aceitariam ser passageiros de um veículo totalmente robotizado. Que pudesse reagir imediatamente a situações imprevistas e perigosas, tomar opções repentinas.

Que o automatismo vai ferir a actividade humana é aceite como algo inevitável. Mas daí a nos colocar, a todos, numa prateleira por sermos dispensáveis... Ou seja, ferir, ferirá, mas matar... nunca. Toda a evolução será feita pensando na rentabilidade dos processos, e o custo de um operador, ou uma série deles, será o primeiro factor a ponderar. Em princípio ficarão reservadas para os humanos as tarefas situadas nos dois extremos.

Por um lado a concepção e programação dos automatismos, e no lado oposto tudo aquilo que for mais penoso e desgastante para o nosso corpo, mas difícil de automatizar (como, por exemplo, o desmontar para sucata um petroleiro em fim-de-vida) com a agravante de que são, e serão, as pior remuneradas.

Sem nos delimitar nos extremos a realidade nos mostra que na maioria dos casos o trabalho humano, não tecnológico, aquele que pode ser feito por pessoas não especializadas ou facilmente substituíveis na bolsa de desempregados será cada dia mais mal retribuído. De modo semelhante quando se gera um excesso de especialistas com pouca procura, muitos terminam aceitando postos de trabalho, em princípio, abaixo das suas expectativas.

Mas, em compensação, continuarão e ser necessários, e muito procurados, os operários especializados, seja em electrotecnia, soldaduras especiais, programação, instrumentação, manutenção de equipamentos, metalúrgicos, fundidores, e muitas especialidades de apoio às temíveis novas tecnologias. O leque salarial que se vai instalar para estes especialistas não poderá ser inferior ao que auferirão os das novíssimas profissões, pois tal como sempre aconteceu, por detrás da vedeta que está no palco é imprescindível uma equipa de apoio sine qua non.

Onde existirá um retrocesso social será quando se institucionalizar a existência de uma nova espécie de escravidão onde militarão os mais esquecidos, os que terão que aguentar com os trabalhos mais penosos e perigosos que nem os autómatos poderão executar,

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

MEDITAÇÕES - Autocontrole

E SE MEDISSE TUDO O QUE ENCONTRAR ?

Dias atrás (e não eram aqueles famosos DIAS & DIAS A. BOAVIDA) tive que tratar de um assunto particular (*) no Centro Comercial onde encontro uma sala -em verdade são 6- onde há, quase sempre, a possibilidade de ver algum filme recente que não seja de pancadaria e fantasiosos, e levava no bolso uma fita métrica, graduada em cm e polegadas, que me devia ajudar a decidir.

Enquanto circulava pelos corredores, com mais m2 do que muitas casas de habitação, tinha uma das mãos entretida a fazer voltas com a dita fita de medir. E surgiu uma ideia estupenda:

E se começar a fazer que media os os objectos que estão à mão, como as caixas multibanco, os balcões centrais, portas, placas de pavimento, etc, dizendo em voz audível  aqui tantos cm, noutro a medição correspondente. E assim até me fartar.  No MB medir altura, largura e lateral, e daí sempre a andar... qual seria a reacção dos que me vissem tão atarefado?

Certamente que me julgariam maluco total. Até porque não estávamos na época de Entrudo nem eu ia vestido de palhaço. De imediato considerei que se, mesmo sem atitudes tão bizarras, já ganhei o estatuto de, pelo menos, anormal (nem sempre agindo de acordo com as normas sociais em vigor)
optei por travar aquele divertido impulso.

Tinha que ser divertido para funcionar como pretendido, pois que sempre considerei que um bom cómico, mesmo in extremis um palhaço fardado como pertence, só teria sucesso se divertisse ele mesmo com o que fazia. Ou seja devia gozar com o que faz e até com a cara dos que o seguiam. Mas aí ressalta a condição sine qua non . O artista deve vestir-se, mascarar-se, de forma a mostrar, logo que entra em palco, que vai agir como sem nexo, irreal na sua actuação, e assim ser valorizado em conformidade com o que contratou junto do empresário.

É triste deduzir que não chega gozar com o que se faz. É fundamental transmitir ao espectador que está a actuar, que aquela personagem pode não corresponder à sua personalidade. Que é "um boneco". E esta não seria a visão que teria caso "brincasse" naquele espaço.

(*) A chamada deve-se ao impulso para relatar uma vivência real. Lá vai:
Ainda deve estar vivo e de saúde um indivíduo que, pelo menos uns quase 60 anos atrás, foi ouvido por quem ele não desejava quando, sigilosamente, se dirigiu ao farmacêutico pedindo "uns comprimidinhos para um assunto particular entre eu e a minha namorada" Dado que o boticário fingiu não entender, acrescentou: Sabe... um certo atraso...
A partir deste momento o namorado carregou a alcunha de O COMPRIMIDINHOS.





quinta-feira, 9 de janeiro de 2020


MEDITAÇÕES - Dicionário apócrifo (aumentado)



Se tiver vida, saúde, e boa disposição, tratarei de actualizar e completar de vez em quando. Ou seja: sem me comprometer numa periodicidade rigorosa

ÀBACA - Fêmea do ábaco.
ABADIAR - Quando o abade adia um dever sem justificação.
ABOCANHAR – Conseguir mete-lo todo na boca.
AVELUDO – Intrometido com modos suaves.
ABUSO SEIXAL – Qualquer grau de estupro cometido no Seixal.
ADULTERO FRUSTRADO - Adulto vocacional que não consegue.
ALABASTO - Peça de alabastro mal executada. Porcaria.
ALABIADO – Pessoa que sofre por não ter lábia.
ALAMERDAR – Conspurcar uma alameda.
ALMÁRIO - Arquivo donde se guardam as almas já sem corpo.
ALTEIA - Mulher não crente que chupa rebuçados de alteia.
ALVINHO - Mixórdia vinícola que tenta entrar numa denominação de origem.
AOVENTO – Mandar bitates se sentido, mas insistentemente.
ARMATRASTE – Pretende armar mas é um desastre.
ASSOPRAR -Acção de soprar a sopa quando excessivamente quente.
AUGADO – Individuo que esteve quase a conseguir, e nada!
AUGARRASA - Nível da cheia antes de galgar as margens.

BARRIGADA FALSA - Arrotar com o estômago vazio.
BEATÉRIO – Aterro sanitário, legal, onde se depositam as beatas mortas.
BIFANAS ESPECTÁCULO – Lábios interiores muito grandes, enormes.
BOCASOGRA - Abertura na cara por donde sai a língua da sogra.
BRUXOLA – Feiticeira que orientava os navegantes.
BUFARCAMAS – Sujeito que expele gases no leito conjugal.

CABRIL - Sujeito que é enganado pela namorada ainda na escola.
CACADOR - Quem sente dores ao evacuar.
CARACOLITOS – A penugem que aparece quando deixam de rapar.
CARALHITO - Miséria mirrada a que se chega com a idade.
CARAMELRO - Rebuçado que deixa as beiças amarelas.
CHUPAGAITAS – Tocador de gaita que em vez de soprar aspira.
COÇABOLAS - Indivíduo que coça os seus testemunhos com fruição.
COIRÃO - Um coro constituído por pessoas muito feias.
COMPROMETER – Meter para comprovar.
CONDOMSEXO - Sexo consentido, mas com preservativo.
CONTESAR – Conter, com ansiá, uma erecção indesejada.
CUALISAR – Alisar o rabiosque dela à base de palmadas.
CUNHADO – Individuo que conseguiu um posto por vias travessas.
CUNILINGUS – Língua de coelho.

DAMATAXI - Senhora prestável que se paga com bandeirada e tempo.
DESCAÍDAS – É o que acontece com o tempo às mamas de assobio.
DESCAIR – Escapar a verdade pela boca, involuntariamente.
DESGRAVIDAR - Acção de interromper uma gravidez.
DIPLONATA - Diplomata que promove e se alimenta com pasteis de nata.
DISTURVADOR – Agitador social em que se move nas águas turvas.
DESFENDER – Defender mas pouco, ou nada. Vender-se ao contrário.
DUPLA, fazer uma – Papar a esposa e a cunhada.
EMPALHADO – Indivíduo que anda e parece estar morto. Zombi.
ENTELADOS – Apanhados na terra de ninguém. Nem direita nem esquerda.
ENTRÚPIDO - Quem faz estupideces no entrudo.
ESPERMANULADO – Método drástico para eliminar a ejaculação por compressão.
EUCARESTIA - O que se tem que pagar para ter uma missa.
FREIRA – Mulher casada com Deus, que só adulterando é que pode ver o padeiro.
FRESQUEIRO – Indivíduo especialista em se por ao fresco = Não me comprometa.
FRIADOR – Fiador que mostrou não ser de confiança.

INFIDEL - Dissidente do governo cubano.
INFORCADO – Enforcado no interior, à socapa.
INFORMÁVEL – Que não se consegue meter na forma.

LAMBEBOTOS - Depravado que lambe os botos fêmeas no Amazonas
LAMBECRICAS – Especialista sexual apreciado pelas mulheres.
LENDIADOR - Quem espalha lêndeas em cabeças alheias.
LESMANAS – Duas irmãs lésbicas.
LOBBI - Designação de uma agrupação de malfeitores gananciosos.
MAMALHUDA – Feminina com seios de dimensão espectacular.
MAMAS- Protuberâncias que primeiro servem para brincar e depois pode ser que alimentem o resultado = Tetas.
MAMOCAS – Tetas de dimensão mais que respeitável.
MARIBUFO - Marinheiro que acusa e além disso emite gases mudos.
MAURISCO - Marisco em mau estado. Impróprio para consumo.
MEIO-LECO - Pretenso machão que não aguenta meia leca.
MINISER - Indivíduo de pouca valia; desprezível.
MONJA – Companheira do monge? Ou = a freira.
MULHERICIDA – Aquele que mata a sua esposa. Ou outra esposa qualquer.

NATADOR – Doador da nata de produção própria. Benemérito.
NEGRÃO – Preto muito grande e com canhão de longo alcance.
NEOATEU – Ex-crente que pensou ter visto a luz da verdade.
NOTARTRASTE – Notário trapalhão, desaconselhável.

ODIOMETRIA – técnica médica para mensurar os ódios.
ORGO-ONANISTA – Organista viciado no onanismo.

PARLAMINTO -Local donde se juntam os eleitos para mentir.
PÉ-CAGADO – Andar com um dos pés sem quase tocar no chão.
PECADOR POTENCIAL – Adulto que insiste em procurar parceira para cometer adultério.
PÉGELADO – A queixa do parceiro/a ao tocar o pé alheio na cama.
PEIDAFILIA - Paixão pelo coito anormal pela retaguarda.
PERGAMINHO – Nome de fadista da nova vaga.
PIRIDELA – Pirilau de uma lésmica. = Clitóris.
PIRILIMPO – Pirilampo que ficou descarregado.
PIPIPICANTE – Rata que quando lambida arde na boca.
PIPISECO – Pipi da tabela que ficou sem reservas para amar.
PRECIPUCIO - Extremidade que já não cumpre a sua função. Caiu.
PRECUNHADO – Comportar-se como esposo da irmã sem estar casado.
PRESUNTÕES – Ancas de tamanho descomunal. Delícia para antropófagos.

REITERACTIVO – Pessoa insistente que não larga a vítima.
RICOCÚ – Um rabiosque que faz parar o transito.
RUIRISO – Acção de gozar com Rui Rio.

SINGRADISTA – Aquele que navega à vista, às costas dos outros.
SOGRA – Algumas estão em muito boa forma. Não se incompatibilize...
SOGRATICO – Que está muito agradado da sua sogra. E há quem não …
SOGRO – Os bons até lhe podem dar umas dicas e um bom dote à filha.
SUADELA - Cada uma das parceiras no lesbianismo.
SUAGOSTO – efeito exudativo do calorão de Agosto.
SURFRIPIAR - Roubar os bens de um surfista.
SURRIPRAIADOR – Ladrão das praias de banhos.
SURRIPRAZER - Dar prazer sorrindo.

TANGANEIRA – Zona donde proliferam as que usam tanga.
TANGANISTA - Produtor e comerciante de tangas reduzidas.
TENTADORA – Fêmea que tenta sexualmente e fica-se sem dar.
TROMPESSAR - Esbarrar com a tromba do elefante.
VAIDOLOROSO – Vaidoso que carrega a dor.
VALENTE – Catedrático que aprecia a luta, e ganha.
VICIONULO - Vicioso que por preguiça não se satisfaz.
VIR OU NÃO SE VIR - Eis a questão, frustrante.

ZAMPADOR – Aquele que come tudo, e sem colher.
ZONZO – Sopinhas de massa e acumula com não ter graça.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

MEDITAÇÕES - Dicionário apócrifo




Que, se tiver vida, saúde, e boa disposição, tratarei de actualizar e completar de vez em quando. Ou seja: sem me comprometer numa periodicidade rigorosa

ÀBACA - Fêmea do ábaco.
ABADIAR - Quando o abade adia um dever sem justificação.
AVELUDO – Intrometido com modos suaves.
ABUSO SEIXIAL – Qualquer grau de estupro cometido no Seixal.
ADULTERO FRUSTRADO - Adulto que insiste em procurar parceira para cometer adultério.

ALABASTO - Peça de alabastro mal executada. Porcaria.
ALABIADO – Pessoa que sofre por não ter lábia.
ALAMERDAR – Conspurcar uma alameda.
ALMÁRIO - Arquivo donde se guardam as almas já sem corpo.
ALTEIA - Mulher não crente que chupa rebuçados de alteia.
ALVINHO - Mixórdia vinícola que tenta entrar numa denominação de origem.
AOVENTO – Mandar bitates se sentido, mas insistentemente.
ASSOPRAR -Acção de soprar a sopa quando excessivamente quente.
AUGADO – Individuo que esteve quase a conseguir, e nada!
AUGARRASA - Nível da cheia antes de galgar as margens.

BARRIGADA FALSA - Arrotar com o estômago vazio.
BOCASOGRA - Abertura na cara por donde sai a língua da sogra.
BRUXOLA – Feiticeira que orientava os navegantes.

CABRIL - Sujeito que é enganado pela namorada ainda na escola.
CACADOR - Quem sente dores ao evacuar.
CARALHITO - Miséria mirrada a que se chega com a idade.
CARAMELRO - Rebuçado que deixa as beiças amarelas.
CHUPAGAITAS – Tocador de gaita que em vez de soprar aspira.
COÇABOLAS - Indivíduo que coça os seus testemunhos com fruição.
COIRÃO - Um coro constituído por pessoas muito feias.
CONDOMSEXO - Sexo consentido, mas com preservativo-
CONTESAR – Conter, com ansiá, uma erecção indesejada.

DAMATAXI - Senhora prestável que se paga com bandeirada e tempo.
DESGRAVIDAR - Acção de interromper uma gravidez.
DIPLONATA - Diplomata que promove e se alimenta com pasteis de nata.
DISTURVADOR – Agitador social em que se move nas águas turvas.

ENTELADOS – Apanhados na terra de ninguém. Nem direita nem esquerda.
ENTRÚPIDO - Quem faz estupideces no entrudo.
EUCARESTIA - O que se tem que pagar para ter uma missa.

INFIDEL - Dissidente do governo cubano.

LAMBEBOTOS - Depravado que lambe os botos fêmeas no Amazonas
LAMBECRICAS – Especialista em convívio sexual.
LENDIADOR - Quem espalha lêndeas em cabeças alheias.
LESMANAS – Duas irmãs lésbicas.
LOBBI - Designação de uma agrupação de malfeitores gananciosos.

MARIBUFO - Marinheiro que acusa e além disso emite gases mudos.
MAURISCO - Marisco em mau estado. Impróprio para consumo.
MEIO-LECO - Pretenso machão que não aguenta meia leca.
MINISER - Indivíduo de pouca valia; desprezível.

NEGRÃO – Preto muito grande e com canhão de longo alcance.
NEOATEU – Ex-crente que pensou ter visto a luz da verdade.
NOTARTRASTE – Notário trapalhão, desaconselhável.

ORGO-ONANISTA – Organista viciado no onanismo.

PARLAMINTO -Local donde se juntam os eleitos para mentir.
PÉ-CAGADO – Andar com um dos pés sem quase tocar no chão.
PECADOR POTENCIAL – Adulto que insiste em procurar parceira para cometer adultério.

PÉGELADO – A queixa do parceiro/a ao tocar o pé alheio na cama.
PEIDAFILIA - Paixão pelo coito anormal pela retaguarda.
PIRIDELA – Pirilau de uma lésmica. = Clitóris.
PIPIPICANTE – Rata que quando lambida arde na boca.
PRECIPUCIO - Extremidade que já não cumpre a sua função.
PRECUNHADO – Comportar-se como esposo da irmã sem estar casado.

RUIRISO – Acção de gozar com Rui Rio.

SUADELA - Cada uma das parceiras no lesbianismo.
SUAGOSTO – efeito exudativo do calorão de Agosto.
SURFRIPIAR - Roubar os bens de um surfista.
SURRIPRAIADOR – Ladrão das praias de banhos.
SURRIPRAZER - Dar prazer sorrindo.

TANGANEIRA – Zona donde proliferam as que usam tanga.
TANGANISTA - Produtor e comerciante de tangas reduzidas.
TENTADORA – Fêmea que tenta sexualmente e fica-se sem dar.
TROMPESSAR - Esbarrar com a tromba do elefante.

VALENTE – Catedrático que aprecia a luta, e ganha.
VICIONULO - Vicioso que por preguiça não se satisfaz.
VIR OU NÃO SE VIR - Eis a questão, frustrante.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

MEDITAÇÕES - Sonhos e Rebanadas



QUANDO UM SONHO SE PROLONGA EM VIGÍLIA

Esta madrugada acordei, repentinamente. Mas desta feita recordava o argumento que bulia no meu subconsciente, ou consciênte quase no seu 90 %. O impacto mental que se tinha instalado era de tal calibre que, propositadamente, mantive-me estático, sem forçar a marcha do acordar e, excepcionalmente, pude continuar o raciocínio que tinha enquanto dormido. O que ainda não descobri foi o facto real, ou a vivência como digo habitualmente, que me deixou tamanha “ansiedade”.

Recordo que a cena começava numa minha visita a uma escola secundária, sem que destaque de onde era e se havia uma motivação concreta. Bati à porta de uma sala de aula, que estava em actividade e com a professora (doutora possivelmente) expondo a lição do dia. Pedi se me permitia estar presente, a fim de comparar a minha experiência de 65 anos atrás com o que actualmente acontecia numa aula numa escola oficial. Prometi estar calado, como atento observador, sem deixar de aceitar que este meu pedido não devia ser normal, nem sequer aceite. Mas confesso que nem sonhando cumpri a minha promessa.

Já meio acordado lembro que, progressivamente, ia ficando confuso perante o ambiente que reinava na sala. Pelos vistos aquilo era normal ou habitual. Deduzi, com boa vontade, que os tempos eram outros, bastante diferentes, e que a disciplina, quase que espartana, que eu tinha vivido já nada tinha que se comparasse ao comportamento, digamos que “democrático e descontraído” com que os alunos falavam entre eles e até do modo como interpelavam a professora. Por fortuna não “assisti” (no sonho) a cenas de agressão verbal ou física entre discentes e docente. Mas aquilo que vi chegou para me acordar com um peso social na mente gasta de um velho.

Não foi a primeira vez que meditei, e até comentei com amigos, o quanto se modificou a vida das pessoas em menos de uma centúria. Do trabalho infantil, (que era imprescindível por necessidade económica de muitas famílias, levou ao ditado popular que afirmava Quando nasce um filho traz um pão debaixo do braço) Passamos a uma realidade totalmente diferente. Que chega a ser absurda por exagerada. Os filhos tornaram-se, de facto, réis e em muitas ocasiões verdadeiros ditadores dos adultos.

O que se tornou normal, desde infantários a apoios nas deslocações, instalações das escolas e na multiplicidade de professores e auxiliares que se exigem, multiplicaram os custos da passagem de criança a adulto por um factor que ninguém se atreve a quantificar, pela noção prévia de que deve ser espantoso. Tudo é pago, ou fica na dívida pública, a preço de oiro do Brasil, com a agravante de que esta “obra” nunca fica acabada. Pior, ano após ano, a despesa cresce.

Progrediu-se socialmente? Pois com certeza que sim. Mas a que custo? Como exemplo de mudança temos que a esperança “de vida” (quantas vezes os últimos anos de estadia neste mundo não se podem valorizar com sendo, de facto, vida) passou de 60 para mais de 80 anos. E cada vez são menos as famílias que conservam os seus velhos no seio da casa. Tornou-se habitual os despachar para um “lar” onde aguardem pela morte, e não carreguem a família com trabalhos nem sempre agradáveis.

Ao arrumar os avós num buraco, mais ou menos infecto, globalmente tem-se que, entre reformas e custos de “manutenção”, nomeadamente alimentação, asseio, cuidados de saúde, consultas e medicamentos, os velhos são uma carga de despesas gerais considerável. Friamente e com mais adoçante do que açúcar esta situação empurra para a moralmente não aceitável eutanásia. Esconder esta situação e o consequente desfecho é comparável à falsa ideia de que a avestruz esconde-se enterrando a cabeça e deixando o corpanzil de fora. (*)

Voltando ao princípio: do nascimento até a vida laboral activa, ou seja quando já produz e não está à espera de uma ocupação que lhe permita a sobrevivência, ou seja o período produtivo do homem/mulher, digamos com salário ou objectos de produção pessoal comercializáveis, e o atingir o limite oficial de deixar de trabalhar, recebendo uma quantia variável, a que chamamos reforma, arbitrariamente podemos considerar que dos 70/80 anos de presença neste mundo, só contribuímos para a despesa geral (incluindo a nossa própria), durante uns 45 anos. Isso sem descontar férias e baixas por doença, mortalidade prematura e catástrofes. E chegamos à conclusão de que: Na média geral somos culpados de consumismo improdutivo durante quase metade da nossa vida.

E nesta excessivamente simples contabilidade não referimos os esbulhos, roubos, desfalque e erros que são apanágio das sociedades. NÃO ME PARECE QUE SE CONSIGA EQUILIBRAR O ORÇAMENTO GERAL, sem recorrer a truques contabilísticos e varrer para debaixo do tapete.

(*) Eu, pessoalmente, digo com convicção que já estou mais “fora de prazo” do que um iogurte fabricado em 1950.

sábado, 4 de janeiro de 2020

MEDITAÇÕES - Fazer futurologia



BRINCAR A VIDENTE

Tentar adivinhar o futuro, tanto se carregarmos uma forte dose de pessimismo ou, pelo contrário, nos esforçamos para ser optimistas, é uma tarefa inútil e sujeita a ter que dar a mão à palmatória. Daí que se optarmos pelo mais provável, sem pretender agradar a uns ou outros, pois a ambos é muito difícil, e pior se querermos iludir-nos, fica a opção mais sensata. Um máxima ligada ao “desporto-rei” mas que não deixa de ser válida em muitas situações: Prognósticos, só depois de terminado o jogo.

Seja qual for a janela de visão futurista em que nos debrucemos, num retraimento pessoal e sem nos atrever a avançar no campo da adivinhação, creio que qualquer cidadão (muito ou pouco pensante) traz consigo uma mistura de ilusão, desejos e realismo que, bem misturados, apesar de quase sempre antagónicos, conduz a uma montagem futurista que, ajuizadamente, nem sequer escrevemos. Mais direi, procuramos esquecer, não fixar, pois a veterania nos alerta que ter ilusões sobre aquilo que ainda não aconteceu é meio caminho andado para cair numa frustração, numa quebra de ilusão que se pode tornar obsessiva.

Até aqui só debitei palavras vás, ocas, sem sentido por não caberem no pragmatismo que deve reger o nosso comportamento. Mas será que ninguém conseguiu passar a sua vida -enquanto vivo evidentemente- sem desejar ardentemente, em silencio mental, que o futuro próximo fosse melhor do que o passado recente? É difícil pois que existe a frase, correcta, de que de ilusão também se vive, mas não diz o que inefávelmente vai a seguir: que ao verificar que nada melhorou, ou que ainda se chegou a uma situação pior, o “astral” que nos alenta ou nos abate passa por uma fase mais triste do que estaria se não tivéssemos criado ilusões.

In extremis temos que aceitar que aqueles que pouco, ou nada, pensam, ou pelo menos não fazem congeminações sem bases credíveis, podem passar os dias, semanas, meses e anos, com menos problemas mentais dos que afectam aos meditabundos. Além disso se diz que A pensar morreu um burro, e Quem pensa não dorme. Para nos consolar O que for soará. Ou para os crentes resignados : Será o que Deus quiser