segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

MEDITAÇÕES - Dormir



O nosso corpo só para quando o coração desiste

O estado “letárgico” do nosso corpo necessita um período de tranquilidade, que normalmente qualificamos como sono. Mas será que recordamos que muito, mas mesmo muito daquele complexo sistema funcional que nos confere a vida, não está inactivo? Dou como certo de que todos temos consciência que o coração e os pulmões funcionam, mesmo que com marcha reduzida, e também sentimos que o aparelho digestivo não está em estado de letargia, incluindo o equipamento de depuração do sangue de que estão incumbidos os rins, em comandita com o fígado, pois que o fluxo de saída deste sistema de depuração, acumulando-se na bexiga, dá o alarme de ser necessário esvaziar. A não ser que o equipamento de aviso esteja deteriorado ou inactivo.

Mas o órgão de comando geral, que admitimos está concentrado no cérebro, ali na caixa craniana, este nunca deixa de trabalhar, não só coordenando as funções vitais como arrumando as mais recentes observações do exterior, mais as deduções internas, nos seus complexos ficheiros. E tal como nos acontece quando procuramos um livro nas estantes, o arquivista cerebral é atreito a consultar e manipular, a seu entender, o passado e o tornar quase que perceptível com imagens mentais que denominamos de sonhos.

Chegados à constatação de termos, no nosso corpo, sistemas internos que não descansam, mesmo que possam amainar no seu funcionamento, é de boa lei recordar a existência de outros muitos complexos funcionais, indispensáveis, e dos quais só nos apercebemos quando, por alguma eventualidade ou simples desgaste, deixam de estar devidamente activos que estas “indústrias” internas são obrigadas a ter um funcionamento contínuo, e por não auferem do merecido. Falta-lhes um sindicato activista que exija o justo descanso.

Ou seja, admitir, sem ponderar todos os factos ao nosso dispor, que se “dorme como uma pedra” é não avaliar esta afirmação na sua dimensão real: não passa de uma figura de estilo.

Não sei avaliar que proporção do nosso corpo está, ou admitimos que esteja, em estado letárgico quando dormimos. Possivelmente é muito pouco, pois nem o cabelo nem as unhas dão sinais de interromper o seu crescimento por um período concreto. Ou seja, admitir, sem ponderar todos os factos ao nosso dispor, que se dorme como se desligassem o corpo de uma tomada de corrente é errado.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

MEDITAÇÕES - Criticar pelo mais fácil



A DESTRUIÇÃO DO MEIO AMBIENTE PELOS HUMANOS

O modo como muitas pessoas comentam a presença da adolescente sueca Greta, incluídas quem pretendem ser apreciadas como educadas, sensatas e até ciosas das boas causas, nos pode desorientar. Simplesmente porque notamos que preferem avaliar o facto pela parte mais sensível e fora de contexto. Claramente, tratam de tirar valor à acção acusadora desta rapariga baseando-se num diagnóstico de avaliação psicológica, não confirmado, que a ser correcto nem por isso lhe devia retirar o mérito de encarar este assunto com a intensidade que tem faltado a muitos adultos, tão sãos de cabeça e de espírio quanto os detractores.

Vasculharam a biografia e família desta adolescente e insistem em pormenores que os devia envergonhar, nem que fosse porque com esta atitude de acusar e denegrir pretendem esconder a sua apatia e conivência com os factos que, actualmente, são indubitavelmente conhecidos e considerados perigosos para a futura permanência da humanidade, e outros seres vivos, neste planeta que, por enquanto e assim continuará, é o nosso único poiso.

Se estes críticos boçais avaliassem a situação actual da degradação do meio ambiente, que nem sequer conseguimos travar, e muito menos eliminar para recuperar o que existia um século atrás, então quiçá alterariam o seu discurso. Tudo começou, com velocidade inusual quando ocorreu a celebrada revolução industrial, que com a máquina de vapor, os geradores de electricidade e os motores de explosão, abriram a porta dos fundos para chegar aos descalabro actual.

Se usassem os seus neurónios para pensar, estes mesmos críticos insensatos, que se ficam pelas ramas e desprezam o conteúdo, integrar-se-iam em multidões de activistas que, mesmo arriscando-se a ser considerados retrógrados, denunciariam que muita da evolução que nos rodeia é causadora de uma poluição nefasta incontrolável. Estes manifestantes, apesar de identificar a degradação ambiental actual, não sabem nem vislumbram projectos credíveis de a travar e eliminar. E o que conhecem está fora das suas capacidades de acção.

Os mais “modernos e evoluídos” devem considerar que estes propósitos de emenda, sem garantia de ser factível, não eliminam o perigo de destruição acelerada do meio ambiente, e que a isso corresponde  um atraso social de muitas dezenas de anos, ou mesmo centenas. A essa dedução, pessimista em extremo, mas negativista perante o problema, mais do que já confirmado e inegável, a atitude que penso seria mais positiva era a de recordar que a humanidade já ultrapassou, mesmo com perdas de enorme importância, catástrofes climáticas e geológicas, e que sobreviveu, até recuperou, lenta mas progressivamente, a capacidade de se adaptar às novas condições.

O que está acontecendo, especialmente com a incorporação, tanto nos mares como na terra emersa, de detritos não degradáveis, e que inclusive aquilo que nos dizem ser bio-degradável deixa um rastro de partículas, minúsculas, até microscópicas, que não estavam na natureza, e que esta natureza ainda não teve tempo de combinar de um modo estável e inócuo para a vida que se gerou, sob uma imensidade de formas evolutivas ao longo de milhões de anos, mesmo de eras, e que hoje sentimos estar em perigo.

Não tentaremos negar o que se conhece de grandes períodos de glaciação e outros de calor ou de subida do nível das águas. Muito se conhece e se pode observar (por testemunhos geológicos e até escritos) destas mudanças climáticas. Mas sempre as causas e correcções foram endógenas, sem a contribuição do homem. Foi a ânsia de saber como, porque e como alterar o equilíbrio que, nos levou a uma situação que parece repetir a ameaça bíblica de que todo o nosso mal estava concentrado na árvore do saber; do bem e do mal.

Terminada a segunda guerra mundial e insistindo na decisão de usar a potência que estava confinada nas partículas elementares, a denominada energia atómica, que nos convencemos poder domesticar, os chefes decisores viram-se confrontados com a terrível possibilidade de gerar uma catástrofe, que inclusive podia ter a consequência da destruição da vida se desencadeassem uma guerra nuclear. Por enquanto desistiram desta loucura. Mas a ciência não descansa, tem que avançar por outros caminhos, que cada dia vão surgindo mercê da inteligência destravada dos humanos.

E hoje não só nos responsabilizamos por uma artificial mudança da temperatura e daí do clima, como, por ser pouca coisa (?) ainda lhe acrescentamos uma progressivamente maior poluição, e consequente degradação.

Penso que os futurólogos que seguem os textos bíblicos -e não só, pois que outras profecias existem sem ser as que conhecemos e que, bem ou mal, acreditamos- não terão também os seus novos profetas. Uns e outros se debaterão com mais ou menos dificuldades para deduzir que os males que nos atingem (e que ainda não vemos na dimensão que estão próximos de atingir) são tão fáceis de explicar como eram os sonhos que o faraó relatava a Josué.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

MEDITAÇÕES – Ganhar e Perder



ASSIMILAÇÃO, MISCIGENAÇÃO, SEGREGAÇÃO

Um das situações sociais que acompanhou, desde os primeiros homens erectos, e certamente ainda antes, quando andávamos como os gorilas apoiando o corpo também com os membros anteriores, é o modo como convivemos com os que não são exactamente iguais a nós. O que não garante que com os iguais andemos sempre aos abraços e beijos... Andar à pancada, facadas, envenenar e outros devaneios de convivência e tão próprio dos humanos como o espirrar.

Os arqueólogos, em conluio com os geneticistas da actualidade e os restantes estudiosos da evolução, nos alertam paulatinamente de que encontram novos elos da nossa ancestral cadeia evolutiva. E nem sempre estas descobertas se encaixam na sequência anteriormente definida. Quando era um jovem e inexperiente estudante as referências de humanos pré-históricos resumiam-se aos Crómagnon e aos Neandertal, com o consequente diferendo de se estas duas ramas evolutivas eram compatíveis, miscíveis, ou se uma eliminou a outra. Hoje creio ter lido que nem uma coisa nem outra, pelo menos em absoluto, que do encontro entre membros (e membras) duns e outros também geraram mestiços. E isso sem fazer referência aos seres que apresentam sinais corporais de que não estão muito longe do homem das cavernas, ou tabernas para que não as visualize como grutas.

Como as ciências evoluem sem descanso, ao analisar, geneticamente, inclusive fósseis humanos, sempre incompletos e petrificados, já se conseguiram identificaram outras ramas de evolução de hominídeos, o que veio complicar ainda mais a nossa estimada árvore genealógica. Esta confusão está em linha com a actual fúria vandálica com que se abatem as árvores vetustas.  

Se entrarmos em linha de conta com as condições climatéricas e de alimentação, próprias das zonas onde viveram aqueles que hoje nos aparecem como fósseis, justificam-se muitas mudanças permanentes e transmissíveis na estatura, na cor da pele e dos olhos, além do cabelo e mais pilosidade corporal. Estas alterações corporais ao se tornarem hereditárias conduziram a uma verdadeira confusão visual, que em épocas anteriores, mas recentes,  se pretendeu arrumar com a noção de existirem diversas raças de humanos.

A educação e civismo, que muitas vezes ofuscam em vez de esclarecer, renegaram deste conceito, digamos que pelo menos classicista, por decidir classificar os indivíduos por raças, como se os humanos fossemos (e somos) equivalentes a animais domésticos de convívio habitual, sejam cavalos, cabras, ovelhas, ruminantes ou aves de capoeira. Coisa feia! Intolerável no séc XXI! FICOU DECIDIDO, NÃO HÁ RAÇAS HUMANAS!!! o que não elimina as diferenças entre um esquimó e um cafre, como exemplos claramente opostos.

Felizmente que nos dizem ter terminado a escravidão humana, mesmo que ainda exista e não pouca. Devia ser um sossego poder adquirir, no mercado livre, algum prisioneiro/a avaliado pelo corpo, a dentadura (como os equídeos), a idade presumível e, como a nossa Igreja nos garantia que estes seres não tinham alma, podiam ser tratados com o rigor que fosse compatível com a sua rentabilidade. Os cuidados e atenções que o dono dos seus escravos lhes proporcionava deviam ser, ressalvando as distâncias temporais e físicas, com os que se dão a um tractor, uma ceifeira-debulhadora ou uma camionete.

Com a vantagem de que se podiam vender quando não fossem indispensáveis, e inclusive negociar as suas crias, mesmo aquelas que que tinham algum dos patrões como co-progenitor. Um escravo “clarinho” era mais valorizado do que um retinto. Uma confusão que pode ser habitual é a de imaginar como escravos exclusivamente indivíduos de ascendência africana (isso de ter que fugir do termo pretos é uma seca...) desconhecendo que também os havia branquinhos pois que podia-se ser condenado à escravidão por alguns delitos que o justificassem (?). Estes brancos deviam estar bastante sujos por falta de asseio, Mas entre os escravos do mercado encontravam-se amarelos, asiáticos de diferentes etnias e indígenas das Américas. Podemos aceitar que tudo o que vinha à rede era peixe.

Só para recordar a quem não saiba: O senhor feudal, cá do sítio e de todos os quadrantes europeus, era não só amo e senhor das terras como também dono absoluto dos seus habitantes, com os quais podia entreter-se a fazer as velhacarias que quisesse, inclusive matar e esfolar ou vender como qualquer outro bem transaccional. Entre nós, -no Portugal, como dizem os migras- até poucos anos atrás havia quem se referisse aos trabalhadores braçais do campo como servos ou ganhões, com uns direitos cívicos um pouco inferiores aos já diminutos dos seus amos, caso estes não fossem da estirpe dos “grandes senhores”. O termo amo já nos revela muita coisa...

Mais abaixo deste escrito aparecem, destacados, uns termos que estava previsto incluir no meio dos textos, pois que, sem dúvida, estão em sintonia com o carácter ambíguo do que mal escrevi. Os deixo passar com a certeza de que o leitor, ou leitora, os podem arrumar convenientemente no lugar devido do contexto (esta do contexto é boa, podem guardar para as palavras cruzadas)


Assimilação Compenetrar-se de ideias ou sentimentos alheios. Tornar-se semelhante. O oposto da segregação. Não confundir com as gorduras corporais excessivas, fruto da assimilação dos excessos alimentares; mesmo nas pessoas que afirmam que até a água os engorda (?)

Miscigenação Assimilação por mestiçagem, sem pretender a igualdade. Nada de confusões! Nem todos podem vir a ser um Almada Negreiros, ou um presidente de governo. O a fadista Míssia, que não é carne nem peixe.

Pragmatismo Valorizar só o que nos seja útil. Pode-se utilizar, erradamente, como um falso sinónimo de cinismo.

Segregação Opor-se, até com violência, à mistura racial. Promove a separação, o isolamento, castigando os atrevimentos de convivência, excepto quando é o patrão que os procura. Os cidadãos de terceira que querem galgar para a primeira especial e reservada sabem que devem aguentar com atitudes segregacionistas por parte dos que não os aceitam como seus pares. Pelo menos enquanto não tenham amassado grandes fortunas, sem trabalhar, como é óbvio.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

MEDITAÇÕES – Como queremos o Exército Nacional.



Organizado com recrutas, profissionais ou voluntários?

Antes de avançar no tema de hoje, por razões que não são de interesse geral, entendo que é honesto referir que eu, pessoalmente, e por condições de isenção legal, não “fiz a tropa”. Portanto as minhas noções não estão baseadas num conhecimento em primeira mão. São mais o fruto de uma visão histórica e do que me foi possível deduzir do que vi, estudei e ouvi.

Tenho um conceito, empírico, de que na actualidade os jovens que atingem a idade em que habitualmente eram chamados a se incorporarem nas fileiras militares, no que se denominava de recruta, tal obrigação é vista, por muitos deles, como uma exigência abusiva e sem sentido. Estamos vivendo um longo período de paz na Europa Ocidental, anormal se olharmos para a história. Não há memória de um período sem conflitos armados entre vizinhos que se possa equiparar. Todavia reconhecemos que perto das fronteiras deste “pacífica” Europa continuamente deflagrem conflitos armados, e que em alguns deles inclusive se enviem militares de Portugal.

O que decidiu foi optar pelo voluntariado, tendo sido abolida a recruta obrigatória. Mas em compensação (?) abriram-se as portas dos quartéis para as raparigas. Já não exclusivamente para ocupar postos de não combate mas, pelo contrário, consideradas em igualdade de condições com os militares masculinos. Algumas mulheres já atingiram graduações e até postos de comando.

Esta versão pacifista que desobrigou a permanência, mesmo que temporal, nas forças armadas é practicamente geral em todos os países do ocidente europeu. Mas esta bondade decretada não garante nem descansa os que receiam a possibilidade de se iniciar um grave conflito armado. Não porque se respire um ar belicista que alerte sobre este ressurgimento, mas porque os especialistas entendem que as forças disponíveis actualmente para entrar em campo não se podem valorizar como suficientes se tiverem que enfrentar um inimigo forte e bem preparado.

A solução que se tomou, numa tentativa de equilibrar os efectivos por comparação com o estimado poder de um opositor, com recurso a voluntários-mercenários é a mesma que sempre existiu, e que foi uma das causas do declínio do Império Romano. Recordemos que a incorporação de tropas recrutadas nas colónias esteve vigente, com um peso numérico não desprezível, nos dois conflitos mundiais que ainda perduram na memória colectiva. A estabilidade e boa vida que os cidadãos romanos tinham na vida civil não os motivava para se oferecerem para incorporar as famosas legiões imperiais. Progressivamente foram admitidos, ou contratados, guerreiros que foram adversários temíveis na véspera e chegou o momento de que estar legiões, teoricamente sob as insígnias imperiais ou republicanas, deixaram de obedecer os seus comandantes romanos e ficaram leais aos seus conterrâneos “bárbaros”.

Recordemos que a incorporação de tropas recrutadas nas colónias esteve vigente, com um peso numérico não desprezível, nos dois conflitos mundiais Facto que por perdurar na memória colectiva, não é legítimo escamotear

Retomando a referência do Império Romano, reconhecemos que em todos os grandes conflitos se incorporaram mercenários, voluntários a soldo, mais fieis aos seus chefes de origem e às possibilidades de saque, do que à Roma dos togados. Ou seja, a parcela mental que pode incitar à luta para defesa dos símbolos da Pátria e, em consequência, o arriscar a vida para resguardar o que o soldado considera ser mais importante do que a possibilidade de ser ferido ou morto, não se pode esperar entre as tropas de voluntários estrangeiros, ou pior de mercenários. Nestes o travão para não desertar pode estar nas mãos dos oficiais que os controlam de pistola em punho, ou pelo medo que os do outro lado lhes imponham.

Os militares de carreira, que imagino não são muito estimados pela maioria dos cidadãos, por pertencerem a outra parcela da sociedade e com regras de comportamento próprias, não devem estar muito tranquilos com a situação actual neste ocidente europeu. Além de que não há memória de um tão longo período sem guerras, os estrategas não podem estar convictos de que esta “pax romana” possa ser eterna.

Há três factores, entre outros também importantes, que alertam os pessimistas: Um deles é o progressivo envelhecimento da população, com incremento dos não produtivos e a falta de nascimentos para compensar o deficit. Outro factor a ponderar é que a possibilidade de recuperar o montante populacional com elementos vindos do exterior e com características e religiões compatíveis com as dos autóctones europeus se verifica estar longe de ser geral; com a agravante de se verificar que a vontade de se integrarem na nossa sociedade não é evidente, antes pelo contrário. Os autóctones, em muitas zonas da Europa actual sentem-se em perigo de ser minoritários na sua terra.

O terceiro factor tem duas frentes diferentes. Por um lado o “sócio” poderoso que tinha a Europa na NATO com os EUA está derivando para um isolacionismo, pelo menos em relação aos problemas actuais e previsíveis da Europa Ocidental. Para completar o panorama teme-se, e com razão, a perda da hegemonia da Europa nos campos das tecnologias, produção de bens e serviços e capital disponível.

Não parece factível que estas nuvens negras se dissipassem devido a retomar a recruta obrigatória, nem que o treino de mais indivíduos já com valor antes de uma incorporação urgente, seja a solução. Nem sequer se pode avaliar como perto disso. Mas tampouco parece que confiar a nossa defesa do território e dos seus habitantes a voluntários, mais ou menos contratados como mercenários, nos possa dar uma garantia de segurança. Não deve haver Companhia de Seguros que se atreva a propor uma apólice neste problema.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – Evitar os - ismos


MEDITAÇÕES – Evitar os -ismos

Todos os favoritismos são obsessivos e condicionantes.

É muito difícil escapar dos extremismos, que tarde ou cedo derivam para fanatismos que limitam a capacidade crítica das pessoas e, pior ainda, a isenção que nos é crucial para poder valorizar qualquer assunto. O cair num -ismo comporta ficar com a nossa visão mental reduzida a um espaço restrito e preconceito.

O lote de temas que nos podem incitar a desprezar a análise fria e tanto quanto possível livre de preconceitos é muito ampla. Abrange tal quantidade de assuntos que provavelmente são poucas as pessoas que estão cientes de quão limitada é a sua liberdade mental e até onde o seu comportamento e diálogo com os outros cidadãos está condicionado por ideias e conceitos pré-determinadas. Estas baias mentais tanto podem ter sido fruto de livre criação do mesmo indivíduo, como sucede em muitos casos, ou por transferências familiares ou de grupo. Seja qual for a génese das “verdades” inquestionáveis o que podemos afirmar, com conhecimento directo, é que podem ter ficado tão fixas na mente que só com um grande esforço de vontade é que nos podemos livrar.

Os temas propensos a se tornarem obsessões, e por isso adquirirem o estatuto de -ismos é amplo e variado. Sem ter a pretensão de um inventário exaustivo referirei os de índole religiosa ou para-religiosa; os que nos tornam obsessivos patriotas ou bairristas; os que renegam das pronúncias e terminologias locais ou regionais. Estes puristas obsessivos tem um poderoso aliado nas redes de televisão, que, em todos os países, induzem os seguidores a utilizar a dita “linguagem padrão”, sem captar que com esta uni-formatação linguística perde-se uma parte importante da riqueza cultural do povo.

Capítulo próprio são os fanatismos de cariz político e clubístico. Apesar de que a experiência nos mostra que são bastante numerosos aqueles que se deslocaram de um credo para outro; mesmo nas antípodas do precedente, temos que admitir que a fidelidade fanática no campo dos clubes desportivos é muito mais rígida do que nos da política, nomeadamente quando a mudança de partido pode implicar benefícios económicos ou estatutários.

É semelhante a dificuldade de isenção que se sente, pelo menos no reflexo do instintivo sobre o racional, no campo do racismo ou estratificação semelhante, como podem ser o classicismo, estirpe, casta, estatuto social ou económico, etc. Cada pessoa recebe indícios visuais sobre algumas características que, por serem exactamente as nossas, o pode impulsar para duas situações opostas. Por um lado é plausível que instintivamente nos afastemos ou qualifiquemos o outro com um termo que, sem dúvida, nos pode dar a noção de ser racista. E na margem oposta sentir a vontade de “saltar o muro” e poder integrar-se naquele sector social que nos estava vedado inicialmente.

sábado, 23 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – No topo da pirâmide




É DESEJÁVEL UMA CERTA RESERVA?

Seja qual for o cariz do governo vigente num país, ou mesmo num clube privado, sempre se encontra uma pessoa que fica colocada no tipo da pirâmide, não só representando o comando do grupo como, maiormente, de toda a população. Estar situado neste topo, num equilíbrio muitas vezes precário, mesmo numa monarquia fortemente sedimentada, implica que o ali instalado tenha um comportamento, uma atitude, que não inspire críticas desnecessárias. Dentro destes cuidados de imagem certamente que se deve ponderar evitar um excesso de exposição.

Se nas ditaduras, com um indivíduo no topo da hierarquia, a manutenção da imagem depende, essencialmente, da capacidade de propaganda do seu sistema de apoio, paralelamente com o cuidado extremo e fiel da censura e guarda-costas, mais a repressão política, a quem lhes está determinado que, por todos os meios disponíveis, procurem ter a seu “cabeça de cartaz” protegido, não só fisicamente como das opiniões que o pretendem desprestigiar e depois derrubar o esquema que aguenta o poder, já nos regimes democráticos esta pressão ou mais propriamente ameaça de repressão, tantas vezes efectiva e cruel, não é aceite.

Tomando o exemplo das notas de banco, seja qual for o seu valor e país onde circulam, as entidades que emitem este papel-moeda sabem que o manuseamento de certas cédulas (um termo mais usado no Brasil do que em Portugal) implica a sua degradação física. Que não é o mesmo do que a diminuição do seu poder de compra, por inflacção. Daí que mesmo que o valor real da moeda se mantenha quase que inalterável, a entidade emissora se encarrega de mandar recolher as notas deterioradas e as substituir por novas impressões. É assim que funciona, em todos os países.

A similitude que se pode encontrar entre um excesso de reserva ou, pelo contrário, uma ininterrupta exposição à população, pode levar a considerar que é pertinente manter uma dose de restrição. NEM OITO NEM OITENTA. Aceitar o meio termo é mais propício. Que todos os extremos podem ser prejudiciais.

Para exemplificar temos a referência histórica da clausura em que a casa imperial japonesa se mantinha até o desastre da segunda guerra mundial. Hoje já é mais frequente a exposição dos membros da realeza japonesa, não só entre os seus cidadãos como até fora do seu País. Mesmo assim, não imaginamos que um cidadão nipónico receie encontrar o seu imperador quando abre a porta de um armário, ou sentado na sua sanita. Pouco nos falta!

Aqui, onde vivemos, já começamos a duvidar do critério do Presidente da República em quando e donde se entende seria aconselhável aparecer, para receber o bafo da multidão, distribuir beijinhos protocolares (?) e aceitar ser fotografado face-a-face com ilustres desconhecidos, mesmo que cidadãos com todos os direitos que a constituição lhes garantem.

Algumas pessoas, e desconheço se são muitas ou poucas, entendem que o Presidente da República é uma figura a respeitar, sem necessidade de dar-lhe os famosos chi-coração da popularidade destravada, mais próprios para as estrelas cadentes da fama social.

Há quem opine que este comportamento, fingidamente tão aberto e popularucho é uma táctica, bem pensada e melhor seguida, para lavar o seu passado, comprometido com o regime ditatorial anterior. O evoluir da sociedade vai deslindar esta, e outras, dúvidas. Ou até pode ser que tudo se aceite com bonomia e desportivismo. Não daquele vergonhoso das claques de futebol. Que já se está espalhando noutras modalidades.

É tão fácil e atractivo tentar a popularidade desmedida...



quinta-feira, 21 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES . Agradecimento




è devido agradecer, mesmo que anonimamente, a todos os que se dignaram enviar comentários aos meus mais recentes escritos. Este todos incluem não só aqueles que mostram apoio, por estarem mais ou menos de acordo, como aos que não só rebatem as minhas ideias como até insultam e denigram.
Tenham um bom-fim-de-semana, com castanhas sem bicho e bem assadas, acompanhadas não digo de agua-pé, que é uma mixórdia de outra época, mas de um bom moscatel.

Abraços- ou À braços, ao murro e ao pontapé, pois que na Vinha do Senhor cabe tudo, como diria o meu amigo Maximino.