terça-feira, 26 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – Evitar os - ismos


MEDITAÇÕES – Evitar os -ismos

Todos os favoritismos são obsessivos e condicionantes.

É muito difícil escapar dos extremismos, que tarde ou cedo derivam para fanatismos que limitam a capacidade crítica das pessoas e, pior ainda, a isenção que nos é crucial para poder valorizar qualquer assunto. O cair num -ismo comporta ficar com a nossa visão mental reduzida a um espaço restrito e preconceito.

O lote de temas que nos podem incitar a desprezar a análise fria e tanto quanto possível livre de preconceitos é muito ampla. Abrange tal quantidade de assuntos que provavelmente são poucas as pessoas que estão cientes de quão limitada é a sua liberdade mental e até onde o seu comportamento e diálogo com os outros cidadãos está condicionado por ideias e conceitos pré-determinadas. Estas baias mentais tanto podem ter sido fruto de livre criação do mesmo indivíduo, como sucede em muitos casos, ou por transferências familiares ou de grupo. Seja qual for a génese das “verdades” inquestionáveis o que podemos afirmar, com conhecimento directo, é que podem ter ficado tão fixas na mente que só com um grande esforço de vontade é que nos podemos livrar.

Os temas propensos a se tornarem obsessões, e por isso adquirirem o estatuto de -ismos é amplo e variado. Sem ter a pretensão de um inventário exaustivo referirei os de índole religiosa ou para-religiosa; os que nos tornam obsessivos patriotas ou bairristas; os que renegam das pronúncias e terminologias locais ou regionais. Estes puristas obsessivos tem um poderoso aliado nas redes de televisão, que, em todos os países, induzem os seguidores a utilizar a dita “linguagem padrão”, sem captar que com esta uni-formatação linguística perde-se uma parte importante da riqueza cultural do povo.

Capítulo próprio são os fanatismos de cariz político e clubístico. Apesar de que a experiência nos mostra que são bastante numerosos aqueles que se deslocaram de um credo para outro; mesmo nas antípodas do precedente, temos que admitir que a fidelidade fanática no campo dos clubes desportivos é muito mais rígida do que nos da política, nomeadamente quando a mudança de partido pode implicar benefícios económicos ou estatutários.

É semelhante a dificuldade de isenção que se sente, pelo menos no reflexo do instintivo sobre o racional, no campo do racismo ou estratificação semelhante, como podem ser o classicismo, estirpe, casta, estatuto social ou económico, etc. Cada pessoa recebe indícios visuais sobre algumas características que, por serem exactamente as nossas, o pode impulsar para duas situações opostas. Por um lado é plausível que instintivamente nos afastemos ou qualifiquemos o outro com um termo que, sem dúvida, nos pode dar a noção de ser racista. E na margem oposta sentir a vontade de “saltar o muro” e poder integrar-se naquele sector social que nos estava vedado inicialmente.

sábado, 23 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – No topo da pirâmide




É DESEJÁVEL UMA CERTA RESERVA?

Seja qual for o cariz do governo vigente num país, ou mesmo num clube privado, sempre se encontra uma pessoa que fica colocada no tipo da pirâmide, não só representando o comando do grupo como, maiormente, de toda a população. Estar situado neste topo, num equilíbrio muitas vezes precário, mesmo numa monarquia fortemente sedimentada, implica que o ali instalado tenha um comportamento, uma atitude, que não inspire críticas desnecessárias. Dentro destes cuidados de imagem certamente que se deve ponderar evitar um excesso de exposição.

Se nas ditaduras, com um indivíduo no topo da hierarquia, a manutenção da imagem depende, essencialmente, da capacidade de propaganda do seu sistema de apoio, paralelamente com o cuidado extremo e fiel da censura e guarda-costas, mais a repressão política, a quem lhes está determinado que, por todos os meios disponíveis, procurem ter a seu “cabeça de cartaz” protegido, não só fisicamente como das opiniões que o pretendem desprestigiar e depois derrubar o esquema que aguenta o poder, já nos regimes democráticos esta pressão ou mais propriamente ameaça de repressão, tantas vezes efectiva e cruel, não é aceite.

Tomando o exemplo das notas de banco, seja qual for o seu valor e país onde circulam, as entidades que emitem este papel-moeda sabem que o manuseamento de certas cédulas (um termo mais usado no Brasil do que em Portugal) implica a sua degradação física. Que não é o mesmo do que a diminuição do seu poder de compra, por inflacção. Daí que mesmo que o valor real da moeda se mantenha quase que inalterável, a entidade emissora se encarrega de mandar recolher as notas deterioradas e as substituir por novas impressões. É assim que funciona, em todos os países.

A similitude que se pode encontrar entre um excesso de reserva ou, pelo contrário, uma ininterrupta exposição à população, pode levar a considerar que é pertinente manter uma dose de restrição. NEM OITO NEM OITENTA. Aceitar o meio termo é mais propício. Que todos os extremos podem ser prejudiciais.

Para exemplificar temos a referência histórica da clausura em que a casa imperial japonesa se mantinha até o desastre da segunda guerra mundial. Hoje já é mais frequente a exposição dos membros da realeza japonesa, não só entre os seus cidadãos como até fora do seu País. Mesmo assim, não imaginamos que um cidadão nipónico receie encontrar o seu imperador quando abre a porta de um armário, ou sentado na sua sanita. Pouco nos falta!

Aqui, onde vivemos, já começamos a duvidar do critério do Presidente da República em quando e donde se entende seria aconselhável aparecer, para receber o bafo da multidão, distribuir beijinhos protocolares (?) e aceitar ser fotografado face-a-face com ilustres desconhecidos, mesmo que cidadãos com todos os direitos que a constituição lhes garantem.

Algumas pessoas, e desconheço se são muitas ou poucas, entendem que o Presidente da República é uma figura a respeitar, sem necessidade de dar-lhe os famosos chi-coração da popularidade destravada, mais próprios para as estrelas cadentes da fama social.

Há quem opine que este comportamento, fingidamente tão aberto e popularucho é uma táctica, bem pensada e melhor seguida, para lavar o seu passado, comprometido com o regime ditatorial anterior. O evoluir da sociedade vai deslindar esta, e outras, dúvidas. Ou até pode ser que tudo se aceite com bonomia e desportivismo. Não daquele vergonhoso das claques de futebol. Que já se está espalhando noutras modalidades.

É tão fácil e atractivo tentar a popularidade desmedida...



quinta-feira, 21 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES . Agradecimento




è devido agradecer, mesmo que anonimamente, a todos os que se dignaram enviar comentários aos meus mais recentes escritos. Este todos incluem não só aqueles que mostram apoio, por estarem mais ou menos de acordo, como aos que não só rebatem as minhas ideias como até insultam e denigram.
Tenham um bom-fim-de-semana, com castanhas sem bicho e bem assadas, acompanhadas não digo de agua-pé, que é uma mixórdia de outra época, mas de um bom moscatel.

Abraços- ou À braços, ao murro e ao pontapé, pois que na Vinha do Senhor cabe tudo, como diria o meu amigo Maximino.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – Temos duas mãos



 A DIREITA MAIS A ESQUERDA COMPLEMENTAM-SE

Penso que só um doente mental, em estado crítico, pode sentir a infeliz ideia de amputar uma das suas mãos. Talvez por entender que uma delas não tem o seu agrado, e daí que mais vale a deitar fora. Como se faz, habitualmente, com os jornais depois de os ler. E por vezes mesmo antes de os abrir e folhear. Coisas... que acontecem.

Se atendermos às frases feitas que utilizamos com alguma frequência, uma delas nos valoriza a utilidade de ambas mãos, sem se parar em considerações sobre se o utente destes membros é destro ou canhoto. Quando dizemos que UMA MÃO LAVA A OUTRA, o mais normal é que a mensagem tenha um alcance muito mais ampla do que o simples valorizar das nossas próprias extremidades superiores.

E o incitamento para debater esta diferença entre as mãos direita e esquerda surgiu, como é de prever, quando estava lendo assuntos de política que implicavam exclusão ou obsessão. Uma situação em incremento em algumas fases da vida comunitária. Se no caso de atacar um quantitativo pouco representativo da sociedade não nos causa engulhos, o mesmo não se pode dizer quando os ânimos se inflamam e, por motivos tantas vezes sem grande importância, as discussões originam incompatibilidades que, caso não se deitar água na fervura, podem originar conflitos armados, locais, nacionais ou até entre países e zonas geográficas.

Um assunto que imagino não é considerado como potencialmente perigoso pela maioria dos cidadãos, mas que se deve observar com atenção é a proliferação dos movimentos de contestação violenta e, simultaneamente, o ressurgir dos partidos de direita com características de neo-fascismo. Curiosamente o sector de extrema esquerda não tem tido um crescimento equiparável. Reconhecem-se as razões deste declínio.

Podemos deduzir que, para a população que se auto considera a-política, ainda está mais condicionada pelos relatos em que denunciam barbaridades cometidas por governos de esquerda, desde socialistas, mais ou menos puros, até comunistas Estalinista ou Maoista, do que das memórias, já pouco expostas, dos crimes cometidos por governos de extrema direita.

Parece que a população ocidental, depois de aderir plenamente à chamada Sociedade de Consumo (por não ter outra solução factível) se acomodou numa visão de “paz e trabalho”, e que o resto vai-se vendo ao longo dos dias. É uma versão actualizada da histórica paz romana, identificada pela táctica de PÃO E CIRCO, que não é tão estável e satisfatória como se pode imaginar, porque não abrange, com as mesmas facilidades, todas as a camadas da sociedade. E daí que os há que se sentem discriminados, com razões de peso. São estes descontentes o alvo procurado pelos demagogos que desejam ver romper a sociedade actualmente sossegada, e ir aos conflitos sangrentos. Os mais astutos entre estes promotores sabem que, caso tiverem sucesso nos seus propósitos, nada lhes acontecerá pessoalmente, a não ser o conseguirem entrar em algum dos muitos negócios chorudos que sempre acompanham os problemas sociais de vulto.

Muitos de nós, admitindo que o meu modo de pensar tem alguma possibilidade de se igualar ao de um lote de cidadãos tranquilos, estamos descrentes de um reviver do comunismo, seja de tipo Marxista ou Maoista, não tememos, nem desejamos, este retorno. Mas deixamos de dar importância à insistência de espertar as chamas do fascismo. E os pirómanos existem, estão por aí! Desta feita agarram em temas de actualidade, manipulando as situações de modo a que se vejam perigos graves em factos que não são novos na história e que na maioria das vezes se resolveram por adaptação e assimilação.

Temos, como exemplo, a questão do declínio da população no ocidente da Europa, nomeadamente de a substituição dos mortos e reformados por novos elementos que entrem na vida produtiva. Não é a desejada, entre outras razões porque surgem mais empregos mal pagos enquanto que as novas gerações se sentem preparadas (estão de facto? Todos?) para escalões com remunerações mais elevadas.

Na maioria das nações europeias o deficit de activos humanos acentuou-se. A solução mais imediata, e que se utilizou em muitas fases da vida europeia, foi a de aceitar e integrar gentes vindas de outras zonas do globo. E nem sempre a assimilação dos forasteiros foi total, embora deixasse de preocupar nalguns casos. O exemplo mais imediato é o da chegada, já no séc XVIII de levas de ciganos, vindos inicialmente do industão, mas depois deslocados dos países europeus mais a leste onde se instalaram, alternando o seu ancestral nomadismo com o sedentarismo, enquanto os indígenas os aturassem sem os rejeitar.

Hoje, as migrações já não constituem novidade pois que após as duas guerras mundiais a Europa recebeu muitos indivíduos vindos de países vizinhos e outros de continentes afastados. O que utiliza a propagando de extrema-direita, sem ter que se esforçar muito, são os argumentos da cor da pele e de adeptos a religiões estruturadas não cristãs. São diferenças indissolúveis ou difíceis de mudar para conseguir uma assimilação. Estes dois conceitos são os argumentos de peso, apesar de raramente os referirem abertamente, para incitar os europeus a não aceitar as multidões de imigrantes que tentam, com riscos de vida não desprezíveis, chegar ao seu ilusionado Éden. Com esta bandeira de rejeição os movimentos de estrema-direita ganham, todos os dias, mais adeptos, e estes novos adeptos não sabem ou nem querem saber do problema onde se arriscam a meter.

Muitas vezes dizemos que NO MEIO ESTÁ A VIRTUDE, e eu acrescento: E A POUCA VERGONHA MAIS O DEBOCHE. Menos caricato mas muito mais sensato era o que o meu pai, falecido, me dizia: As pessoas que não querem entrar nos extremos levam tareia dos dois lados.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – É muito complexo




ENTENDE-SE O QUE ACONTECE, AGORA, NAS ESPANHAS?

Penso que, para muitos portugueses, mesmo os ilustrados, seja difícil mergulhar na situação actual da política espanhola (leia-se de idioma castelhano) porque, a meu entender, seria necessário recuar mais de uma centena de anos na história vivida além da raia de Elvas/Badajoz, e das outras fronteiras terrestres com o território daquele (para mim) ofensivo dos nuestros hermanos.

Tentarei justificar esta referência despectiva que é usada com tanta frequência pelos escribas dos dois lados, mas com sentimento totalmente oposto, uns com soberba e senhoria e os outros com desprezo. Ambos estão errados.. Muito cedo, já com 12 anos, percebi que o “azar” que qualquer português sente em relação aos castelhanos, que eles mesmo teimam em procurar confundir com o genérico españoles, é de tal magnitude e presente na totalidade da população, que só um cego, imbuído da sua espanholidade ferrenha, não captaria  a primeira vez que ouvisse ou lesse -sempre entre comas- esta declaração de irmandade, o quão negativa é vista deste lado.

Para tentar entender o eterno, ou pelo menos já histórico, diferendo existente entre catalães a “espanhois=castelhanos” temos que recuar séculos e admitir a triste realidade de que os que são mais quantitativamente e agressivamente são os que procuram tirar aquilo que os perdedores consideram ser a sua individualidade. Neste caso concreto é a sua língua e, por arrastamento, o desejo de ser tratados de modo diferenciado, mas preferente, em relação aos povos que os rodeiam e “invadem”. Convêm tentar a similitude entre o sentir-se e ser português de alma e coração como um bem comum que não se quer perder, e que também existe entre os catalães de raiz. Que pela sua capacidade industrial e comercial destacam-se de outras regiões peninsulares em situação económica mais débil.

A zona de fala castelhana herdou, desde a expulsão dos muçulmanos, uma distribuição de terras “reconquistadas” muito medieval. Entregaram-se grandes espaços, mesmo enormes, aos chefes das forças, practicamente mercenárias, que lutaram contra os ocupantes. -Em muitas ocasiões tinham-se colocado, depois de ajustar o pagamento, do lado dos “infiéis” contra as tropas do Rei; mas isso são pequenos pormenores, com a sua importância relativa- Como a coroa sempre, lá e cá, estava com os cofres vazios e vivendo com empréstimos dos banqueiros judeus, para satisfazer os capitães a coroa lhes entregava a propriedade, em regime perpétuo, dos terrenos “recuperados”, incluindo a gleba que os devia trabalhar. Daí surgiram os latifundiários dos dois lados da fronteira.

E nestes latifúndios proliferaram os sem terra, os jornaleiros que eram seleccionados na praça da terra pelo Senhor ou seu representante. Enquanto persistiu o Império Espanhol nas Américas, este excedente de população, sem eira nem beira, embarcava para o novo mundo. Mas quando terminou, com a “libertação” de Cuba pelos amigos “desinteressados” dos Estados Unidos, o povo mal alimentado e pobre de pedir, teve que rumar para as zonas da península onde podia alugar os seus braços a outra espécie de exploradores.

Dado que a industrialização da dita Espanha foi muito lenta, comparativamente com a Europa ocidental, as zonas onde podiam contratar gente quase todos rústicos, mas com vontade de trabalhar, viver e criar família, estavam no Norte (Astúrias e País Vasco) e Nordeste (Catalunha).

E aqui se inicia o filme actual:

Carecendo de mão de obra intensiva em diversos sectores, entre eles a têxtil, mecânica, construção e obras públicas. O fluxo de migrantes internos foi notável, já desde início do século XIX. E como inicialmente chegaram mais homens do que mulheres, e os homens da Catalunha tinham sofrido importante desbastes das guerras de Marrocos e Cuba, havia excesso de mulheres. E começaram os matrimónios mitos -os híbridos ou mestiços como agora denominam os da VOX- Esta integração, lenta mas efectiva e tranquila, continuou até os dias de hoje. E, curiosamente, os rapazes solteiros catalães ficaram muito prendados pelas raparigas de raiz castelhana, andaluza, murciana, ou estremenha, que se mostravam mais desempoeiradas e vistosas do que as suas vizinhas. Daí que a miscigenação rumou para o outro sentido. Mas sempre entre os de origem catalã e os outros/as.

Esta convivência tácita, mesmo que não totalmente geral, foi contrariada, propositadamente ou impensadamente, pelas autoridades centralistas quando teimaram em tentar apagar a língua local (a exemplo do que fez a monarquia francesa obrigando a uma língua “franca” mas exclusiva, para todas as populações autóctones do hexágono) Só que os catalães, que nem por isso são propensos a brigas, mostraram ter um forte apego aos seus costumes e língua, incluído o direito civil que estava em vigor naquela área.

O mais que as sucessivas ditaduras ou governos centrais de índole monárquica conseguiram foi que a grande maioria da população da Catalunha se tornasses bi-lingue. EXCEPTO a classe dos burgueses endinheirados, que para garantir os clientes das zonas castelhanas, além das ex-colónias de ultramar, e criar ou incrementar os conhecimentos e laços com os decisores de Madrid, socializaram com todos, desde contínuos até ministros, e optaram por se castelhanizar, inclusive no seio das suas famílias, nas suas casas e escolas para descendentes.

Como o ter poder económico implica ser esperto, estes “castelhanos-novos”, tal como os judeus falsamente convertidos ao cristianismo ou catolicismo, mantinham, por trás do pano, contacto com os insubordinados catalanistas. Até hoje. Foram estes os geradores de uma quinta coluna que incitou a adversão e até ódio, dos autóctones não só para o poder central e as autoridades, sempre mais ou menos repressivas, que levaram para esta zona, mas genericamente para todos os “castelhanos”, Ah! Excepto daqueles seus conhecidos e já, em muitos casos, com laços de sangue. (Quem conviveu e convive com esta situação de calma efectiva entre co-cidadãos a qualifica, como mínimo, de curiosa e favorável)

E tão bem os burgueses manobraram e venderam o seu país natal que perduram, por trás do pano, até hoje. São eles que colocaram o Puigdemont, Torra, e anteriormente Pujol e Más, na Generalitat para “negociar” os interesses da Catalunya, misturando propositadamente e com todo o cinismo, com os seus interesses de grupo, incluídos industriais e banqueiros.

O povo, como sempre acontece, foi e continua a ser manipulado por quem sabe e tem os cordéis da comunicação social na mão. Antes eram os jornais e emissoras de radio, agora são as televisões e as redes sociais, que por se mostrarem anónimas não tira que sejam manipuladas.

E aqui deixo um excessivamente longo relato do que acontece em Espanha. Insisto em que é demasiado longo porque hoje ninguém está disposto a ler mais de seis linhas de texto sobre um tema sério.

Deixo para trás a posição ambígua dos socialistas do PSOE, que desde o pacto pós-Franco perderam o rumo histórico.

domingo, 17 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – O mistério das calorias


Gordos, magros ou elegantes ?

A partir do momento em que as Vénus de Rubens passaram a ser consideradas como umas gordas celulíticas, “não aptas para consumo”, e se verificou que a imensa maioria dos cidadãos com poucos recursos tinham figuras mais esbeltas, procurou-se explicar como alguns destes “pés rapados” eram gordos em excesso. Mal comidos, dietéticamente falando, como se justifica cientificamente que, apesar de tudo, atingissem um aumento exagerado das enxundias corporais. Alguma coisa comiam que engordava em excesso.

Para os humanos, que não entendiam, com profundidade, os “mistérios” da biologia, o que sim verificaram foi que os animais que hibernavam, ou seja, que passavam a temporada de frios intensos recolhidos em locais abrigados e num estado dormente ou mesmo letárgico, previamente tinham feito reservas de alimentos, que ingerido em excesso, para poder aguentar os meses difíceis de parcial ou total impossibilidade de se alimentar como de seu natural. Ursos e outros animais que hibernam, sem saber ler ou escrever nem terem frequentado estudos superiores, instintivamente sabiam que deviam acumular gordura, em quantidade bastante superior ao seu normal.

E aqui está a explicação, ou a base dela, das tais caloriais maléficas.

Após horas, dias e noites de estudo, queimando as pestanas com a luz de velas, o “homem” chegou à conclusão, muito antes da equação de Einstein, que tudo o que se movia carecia de energia. Mais adiante se concluiu que mesmo as partículas elementares, em que se confunde massa e energia, esta dualidade existe. Mais complexa do que a Santíssima Trindade.

A partir daí o progresso da humanidade passou a estar directamente ligado ao potencial e consumo de energia.

Avançando: O nosso corpo está, constantemente, consumindo energia para possibilitar o funcionamento dos órgãos internos, -como são, entre outros o coração, os pulmões e aparelho digestivo- Também carecem de uma aportação energética todos processos biológicos que comportam combinações e reacções químicas e, também, todos os movimentos e esforços físicos que em maior ou menor grau temos necessidade de fazer. A decisão mais convincente foi a de tratar tudo com o critério da energia, fosse despendida ou ingerida, e daí a necessidade de determinar a energia que se ingeria.

Em chegando a este grau de certeza o problema seguinte estava em como medir, mensurar, o potencial energético necessário para viver, mais o necessário para nos possibilitar a actividade física, e equacionar estas necessidades com o poder energético dos alimentos à nossa disposição.

Intuitivamente se ligou a gordura corporal com a ingestão excessiva de gordura vegetal ou animal. A seguir deduziu-se que certos alimentos, isentos de gordura quando no momento de ingestão, ao longo da processo de digestão e assimilação, podiam produzir moléculas de gordura que, incorporadas no fluxo sanguíneo, se acumulavam em certas zonas e órgãos do nosso corpo. Tal como lhes acontece com os animais que hibernam, já referidos atrás.

Mais coisas curiosas se foram juntando a este complexo esquema. Por exemplo, que um exercício físico pesado, violento, além do cansaço gera o suor que expelimos -para arrefecer o corpo quando a exudação se evapora- A diminuição do peso que a balança denuncia entre antes e depois do esforço, descontando o peso da água de respiração acelerada e da transpiração, é energia eliminada! Por isso se dedicam a correr pelas ruas e nas esteiras mecânicas aqueles que a sua actividade física normal não consome energia  ao nível do que ingerem.

Portanto era necessário medir tudo, por um processo físico coerente e credível. Já se media o poder calorífico dos combustíveis utilizados para conseguir o movimento de diversos equipamentos mecânicos. Estava tudo tabelado, desde as madeiras até a palha ao carvão vegetal e mineral, óleos e destilados do petróleo. Porque não medir o poder calorífico dos alimentos? E com o mesmo aparelho e procedimento do que uma gasolina?

Como dizia aquele que está actualmente na ONU. Agora era só fazer as contas ...

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – Frases célebres II




Dias antes referi um par de frases de uso corrente (alterna ou contínua, se bem que estas empregadas mudaram de nome e devem ser agora qualquer coisa como auxiliares de educação não tituladas) E como se diz normalmente: “por falta de esquecimento”, -que lendo bem corresponde a estar na memória activa- ficou na despensa esperando que a minha massa cerebral, em acentuado processo de degradação, se dignasse colocar à minha disposição imediata.

E a ocasião chegou !!! FINALMENTE. Nem sabem, a alegria que me invade neste momento solene. E isso parqué? Pergunto eu em vosso nome. Pois pelo motivo de que levo décadas, muitas mesmo, batalhando, ingloriamente, com uma frase que considero estar muito mal redigida, ou, pelo menos, que carrega uma grafia e vocalização errada. Que induz a uma desorientação na visão estereoscópico do nosso corpo humano, ou humana se for uma fémina.

E A FRASE EM QUESTÃO É !!!! tacham, tacham

Com as mãos atrás das costas.

Mesmo dando muitas voltas no meu eixo vertical, como um cão que quer morder a sua cauda porque alguma coisa lhe pica. Admitindo que quem deu esta ordem pretendia que se colocassem as mãos junto do nalguedo, com o propósito de as enfeitar e unir, com umas pulseiras de segurança, com chave, conhecidas como algemas. Como digo, e insisto, o que ordenam não coincide, minimamente, com o que é mandado.

A frase correcta seria: Com as mãos atrás, nas costas ou simplificando: Com as mãos atrás !

Eu sei, reconheço, que a minha observação é desentendida pelo costume da linguagem vulgar. E sei que sou um picuinhas embirrante ao pretender que se dissesse correctamente. Até podem afirmar, faltando à verdade, que sou eu que tenho um problema de audição, confundindo o que dizem NAS, com o que imagino DAS.

Tentem pronunciar a ordem tal como vos sai da memória!