domingo, 17 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – O mistério das calorias


Gordos, magros ou elegantes ?

A partir do momento em que as Vénus de Rubens passaram a ser consideradas como umas gordas celulíticas, “não aptas para consumo”, e se verificou que a imensa maioria dos cidadãos com poucos recursos tinham figuras mais esbeltas, procurou-se explicar como alguns destes “pés rapados” eram gordos em excesso. Mal comidos, dietéticamente falando, como se justifica cientificamente que, apesar de tudo, atingissem um aumento exagerado das enxundias corporais. Alguma coisa comiam que engordava em excesso.

Para os humanos, que não entendiam, com profundidade, os “mistérios” da biologia, o que sim verificaram foi que os animais que hibernavam, ou seja, que passavam a temporada de frios intensos recolhidos em locais abrigados e num estado dormente ou mesmo letárgico, previamente tinham feito reservas de alimentos, que ingerido em excesso, para poder aguentar os meses difíceis de parcial ou total impossibilidade de se alimentar como de seu natural. Ursos e outros animais que hibernam, sem saber ler ou escrever nem terem frequentado estudos superiores, instintivamente sabiam que deviam acumular gordura, em quantidade bastante superior ao seu normal.

E aqui está a explicação, ou a base dela, das tais caloriais maléficas.

Após horas, dias e noites de estudo, queimando as pestanas com a luz de velas, o “homem” chegou à conclusão, muito antes da equação de Einstein, que tudo o que se movia carecia de energia. Mais adiante se concluiu que mesmo as partículas elementares, em que se confunde massa e energia, esta dualidade existe. Mais complexa do que a Santíssima Trindade.

A partir daí o progresso da humanidade passou a estar directamente ligado ao potencial e consumo de energia.

Avançando: O nosso corpo está, constantemente, consumindo energia para possibilitar o funcionamento dos órgãos internos, -como são, entre outros o coração, os pulmões e aparelho digestivo- Também carecem de uma aportação energética todos processos biológicos que comportam combinações e reacções químicas e, também, todos os movimentos e esforços físicos que em maior ou menor grau temos necessidade de fazer. A decisão mais convincente foi a de tratar tudo com o critério da energia, fosse despendida ou ingerida, e daí a necessidade de determinar a energia que se ingeria.

Em chegando a este grau de certeza o problema seguinte estava em como medir, mensurar, o potencial energético necessário para viver, mais o necessário para nos possibilitar a actividade física, e equacionar estas necessidades com o poder energético dos alimentos à nossa disposição.

Intuitivamente se ligou a gordura corporal com a ingestão excessiva de gordura vegetal ou animal. A seguir deduziu-se que certos alimentos, isentos de gordura quando no momento de ingestão, ao longo da processo de digestão e assimilação, podiam produzir moléculas de gordura que, incorporadas no fluxo sanguíneo, se acumulavam em certas zonas e órgãos do nosso corpo. Tal como lhes acontece com os animais que hibernam, já referidos atrás.

Mais coisas curiosas se foram juntando a este complexo esquema. Por exemplo, que um exercício físico pesado, violento, além do cansaço gera o suor que expelimos -para arrefecer o corpo quando a exudação se evapora- A diminuição do peso que a balança denuncia entre antes e depois do esforço, descontando o peso da água de respiração acelerada e da transpiração, é energia eliminada! Por isso se dedicam a correr pelas ruas e nas esteiras mecânicas aqueles que a sua actividade física normal não consome energia  ao nível do que ingerem.

Portanto era necessário medir tudo, por um processo físico coerente e credível. Já se media o poder calorífico dos combustíveis utilizados para conseguir o movimento de diversos equipamentos mecânicos. Estava tudo tabelado, desde as madeiras até a palha ao carvão vegetal e mineral, óleos e destilados do petróleo. Porque não medir o poder calorífico dos alimentos? E com o mesmo aparelho e procedimento do que uma gasolina?

Como dizia aquele que está actualmente na ONU. Agora era só fazer as contas ...

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – Frases célebres II




Dias antes referi um par de frases de uso corrente (alterna ou contínua, se bem que estas empregadas mudaram de nome e devem ser agora qualquer coisa como auxiliares de educação não tituladas) E como se diz normalmente: “por falta de esquecimento”, -que lendo bem corresponde a estar na memória activa- ficou na despensa esperando que a minha massa cerebral, em acentuado processo de degradação, se dignasse colocar à minha disposição imediata.

E a ocasião chegou !!! FINALMENTE. Nem sabem, a alegria que me invade neste momento solene. E isso parqué? Pergunto eu em vosso nome. Pois pelo motivo de que levo décadas, muitas mesmo, batalhando, ingloriamente, com uma frase que considero estar muito mal redigida, ou, pelo menos, que carrega uma grafia e vocalização errada. Que induz a uma desorientação na visão estereoscópico do nosso corpo humano, ou humana se for uma fémina.

E A FRASE EM QUESTÃO É !!!! tacham, tacham

Com as mãos atrás das costas.

Mesmo dando muitas voltas no meu eixo vertical, como um cão que quer morder a sua cauda porque alguma coisa lhe pica. Admitindo que quem deu esta ordem pretendia que se colocassem as mãos junto do nalguedo, com o propósito de as enfeitar e unir, com umas pulseiras de segurança, com chave, conhecidas como algemas. Como digo, e insisto, o que ordenam não coincide, minimamente, com o que é mandado.

A frase correcta seria: Com as mãos atrás, nas costas ou simplificando: Com as mãos atrás !

Eu sei, reconheço, que a minha observação é desentendida pelo costume da linguagem vulgar. E sei que sou um picuinhas embirrante ao pretender que se dissesse correctamente. Até podem afirmar, faltando à verdade, que sou eu que tenho um problema de audição, confundindo o que dizem NAS, com o que imagino DAS.

Tentem pronunciar a ordem tal como vos sai da memória!



MEDITAÇÕES – É difícil manter-se estático




ENTRAR NO METRO EM HORA DE PONTA

Mesmo que consideremos que mantemos intactas as nossas premissas pessoais, que não mudamos de opinião e nos colocamos tranquilamente nas antípodas do que defendíamos horas antes, ou no dia anterior, dando fé de ser um insuportável volúvel, a vida nos alerta da insensatez que seria o pretender afirmar que, apesar de maiormente nos manter no mesmo sector de pensamento, não tivemos alterações notáveis.

Para disfarçar pode-se afirmar que estas alterações não são importantes, tal como ao andar vamos mudando o pé que suporta o nosso peso. Mas andamos! E até podemos verificar que, na nova localização a que chegamos, o ambiente é diferente daquele que respirávamos anteriormente.

Gastei muita tinta”, demasiadas palavras e circunlóquios para tentar explicar uma coisa tão simples como é definida pela máxima Nunca passa duas vezes a mesma água sob a ponte. Ou seja, queiramos ou não, ao longo dos dias, meses ou anos, vamos mudando paulatinamente. O que não obsta a que, por razões de peso, as mudanças podem ser extremamente rápidas. E mal vistas.

Quando escrevi o cabeçalho tinha uma imagem bem clara do que desejava referir. Depois, como viram, perdi o fio da meada. Fiz mal, desviei do fixo e meti-me no lodo. A ideia era de referir que se entrarmos no metro em hora de ponta, e não encontrarmos lugar vago para nos sentar ou um ponto fixo onde nos agarrar, será muito difícil vencer a inércia do conjunto quando a composição muda de velocidade, ou oscila devido ao traçado da via. Se o número de pessoas por metro quadrado for do género compacto, como as sardinhas enlatadas, o mais sensato é deixar que o nosso corpo acompanhe as deslocações dos vizinhos. Mas sempre procurando não provocar susceptibilidades por contactos indesejados.

Avançando para outro aspecto da vida quotidiana, aquilo que ontem nos parecia indiscutível pode ter mudado notoriamente. Tanto por vectores externos como por mudanças de ânimo pessoal. Daí que as nossas opiniões, que gostaríamos poder afirmar que eram sempre as mesmas, podem ir ganhando matizes que não aceitávamos pouco tempo antes.

O encarregado de manter o rumo de um navio ou um avião, e que para tal conta com a sua acção sobre o leme, sabe que não se pode distrair na sua responsabilidade, e por isso, mesmo que existam automatismos que ajudem a seguir uma rota, não pode afastar-se muito dos comandos.

Depois de tão profunda reflexão sinto que devemos aceitar que somos muito mais volúveis do que pretendemos dar a entender. Que o qualificativo de vira-casacas, ou cata-vento não nos agrada? Pelo menos se nos for atribuído. Então chegamos a uma situação bastante indefinida: as nossas “oscilações de pensamento e comportamento poder ser toleráveis, pelo observador que nos avalia, dentro de uns limites socialmente aceitáveis? E quais os graus de desvio permitidos?

Na linguagem social, enquanto não incida intensamente nos campos da política, somos especialistas em diminuir uma situação desagradável. Por exemplo: quando a comida nos é servida excessivamente quente. Quando levamos a primeira colherada à boca, pode dar-nos a sensação de que arde, que aquilo é pior do que as brasas do inferno; mas se dermos com o olhar preocupado da anfitriã, disfarçaremos tanto quanto formos capazes, e, em vez de soltar uma barbaridade, afivelamos um sorriso de complacência, iniciando uma conversa banal para dar tempo a que o manjar perca algumas calorias.

Dado que as calorias que referi não são, precisamente, as tais que se indicam nas dietas para não engordar, um dia pode ser que me decida a tentar explicar porque existe esta confusão calórica. A experiência diz-me que não devo aguardar um incitamento por parte dos hipotéticos leitores.



sábado, 9 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES - Os mitómanos são imputáveis ?



Como reage a sociedade e como os trata a lei?

Ao longo da vida e desde a infância, nos deparamos com sujeitos que são capazes de afirmar factos tão inverossímeis e numa continuidade tal que não tardamos em os qualificar como mentirosos compulsivos. A nossa reacção, defensiva, é de fazer ouvidos moucos, pois que se sabe não valer a pena argumentar com estas personagens. Estão tão treinados que escorrem como enguias. Saltam para outro tema e não tentam defender o que até o momento anterior davam como certo e seguro.

Mais difíceis de lidar são aqueles mentirosos, de capacidade inventiva e convincentes em excesso, que, sem nos encarar pessoalmente, nem por isso deixam de nos afectar. Entre estes indivíduos os com maior peso para prejudicar colectivamente os simples cidadãos, que além de não estarem preparados para enfrentar, individualmente os bem colocados, sentem-se moralmente perdidos e indefesos, vítimas a imolar e com os olhos abertos são os que sabemos serem poderosos, uns por herança cromossómica ou de capital e outros porque nasceram com a capacidade de se aproveitar dos incautos.

Estou referindo -como já devem ter captado- e de um modo geral, sem puntualizar, aos que, genericamente, os qualificamos de “peixes graúdos”, sejam eles políticos ou blindados por grandes negócios, fortunas, compadrios e influências. Não é por mania que se admite o preceito de que Deus os cria e eles agrupam-se. O estarmos conscientes de que é practicamente impossível lutar contra este tipo de gente, não obsta a que o simples cidadão não se sinta vítima, revoltada, das manobras que certos mitómanos practicam impunemente. Nomeadamente quando se verifica, sem dificuldade, que a indignação é resultado de verificar que com estas fantasias se arrebatam parcelas consideráveis dos fundos públicos, que por não existir em excesso, reflectem-se em carências que afectam à maioria dos cidadãos contribuintes e carenciados.

Ao longo duma série de anos as pessoas tem assistido, estoicamente, a estas impunidades. Mas ao mesmo tempo esperam que as sentenças legais sejam de molde a nos satisfazer. Ou seja chegar, pelo menos, ao consolador “ganhar moralmente”. E este sonho, quase uma daquelas fantásticas miragens de água na estrada com o calor, seja o corolário de algumas das sentenças já proferidas nos derradeiros tempos. Tememos que este sonho não passe de um pesadelo, que nos defraude sem mostrar que a histórica e inamovível impunidade de grupo já está a ter algumas gretas.

Sabemos, os simples cidadãos, que não podemos pensar em dar sentenças sem uma base jurídica forte. Mas os portugueses já se sentem por demais defraudados por argumentações que nem uma criança de teta poderia admitir como correctas. Há notícias de jornais e de noticiários que, para o cidadão comum, até são insultuosas, tal é a alacridade argumental que apresentam.

Como, sensatamente, não aceitamos que o marchar a pé até um santuário, rezar o terço ou outras orações estereotipadas, acender velas devotamente, ou até oferecer uma fracção do capital que tanto custou a amealhar sejam métodos eficazes para conseguir uma justiça justa (e valha o pleonasmo, que certamente entenderam) não nos resta um caminho credível para onde solicitar ajuda. Saber que podemos esperar bons resultados na actuação da justiça, correcta e célere, seria o mais produtivo para o País.

O incorrigível pessimismo não nos garante, nem um pouco, que o vento sopre de feição para corrigir alguns males, que são endémicos, pois já duram por longas gerações.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES – O tempo passa...



E A CARAVANA LADRA !

E uma visita ao Convento de Odivelas
  
Esta famosa sentença, não aparece no catecismo dos dominicanos. Um falhanço, e espectacular ou especular se for olhado com aquele aparelho que serve para espreitar os interiores de dentro, que por acaso não coincidem com os interiores de fora, pelo simples facto de que estes nem sequer existem.

Difícil de observar e de entender é o interior da crusta terrestre, embora se considere provado que logo abaixo da camada onde nos, animais mamíferos, e outros parceiros nesta Arca, podemos conviver com outras espécies e plantas, -que sem dúvida são seres vivos- existe um mundo que não nos é acessível, onde as temperaturas atingem o ponto de fusão de todos os minerais e rochas. Por profundas que sejam as grutas onde os espeleólogos andam, nunca nenhum deles abriu a porta do magma. Ou se a abriu não conseguiu voltar para o  contar no convívio com os vivos. A acontecer deve ter ficado mais esturricado do que o São Lourenço, ou os modernos cadáveres deste ocidente que, à semelhança dos hindus da península indostânica, são cremados e assim reduzidos aos componentes iniciais. 

Concretamente está-se actualizando aquela máxima indiscutível de que do pó viemos (ou do barro moldável segundo reza o Antigo Testamento) e para o pó voltaremos. Esta dose de "lixo" que as funerárias entregam aos familiares, o mais normal é que algum deles se encarregue de despejar nalgum lugar  considerado "idóneo", num local onde for permitido (?), no mar, num rio, clandestinamente ou num contentor para reciclar (que seria o mais lógico, mas pouco charmoso) No norte da Itália é fácil voltar ao Pó; basta aproximar-se do dito cujo Rio e ala!, que se faz tarde. Vai navegar meu querido/a!

E assim, como quem diz sem dar por isso, já chegamos à alarmante previsão de que as águas vão subir de nível e certamente de preço, tanto as do cano e contador como as engarrafadas. Mas são as dos Oceanos, Mares, Lagos, Portimões, Taviras, Aveiros, Lagoas e adjacentes que nos preocupam, por subirem de nível e deixarem os terráqueos com menos área útil para estragar por decisão própria. Não está certo! A Natureza decidiu competir com a mais evoluída criatura moldada por Deus. 

E a seguir? Ficaremos, uns poucos, ao Deus Dará, recordando que este nosso Deus, que nos oferece pão quotidianamente, é famoso por dar com uma mão e tirar com a outra. A sorte nossa é que Deus não seja um cefalópode, pois com muitos braços e com muitas mãos não nos safávamos. Toda a costa vai ficar debaixo da água. Em compensação terão entrada, perpetua, na divisão de honra, no pólo aquático e natação artística sincronizada. 

Ignoro qual o vento que me soprou da urgência de referir a  famosa HONRA DO CONVENTO.  E só me ocorreu que o convento em questão deveria tratar-se, sem dúvida, do Convento de Odivelas. (**) Famoso em Portugal e parte do estrangeiro de fora pelo facto de que ali o Rei D. João V, tinha o seu Couto Real de caça às vaginas,(***) todas sempre de boas famílias, dedicadas, em princípio, a casarem em regime de poligamia com o Deus Filho (sim porque os Deus pai já não está para estas aventuras, devido a problemas com a próspera. Mas mantém um interesse científico sobre estes temas da procriação e variantes. Gosta de espreitar por um triângulo as actividades eróticas das suas criaturas humanas)

Regressando a Odivelas e seu convento de retiro monárquico, o Rei D. João V, famoso mulherengo e simultâneamente religioso, -tanto assim foi que só aceitava a freiras como suas amantes- Junto com os seus compinchas fidalgos que iam molhar a sopa, ou o seu gregório* com as freiras devotas, descalças de pé e perna ou com sandálias, fossem elas novas estreadas ou adultas em bom estado, mas nunca excessivamente velhas (pois não se faziam plásticas de rejuvenescimento naquele então) Todavia sabe-se que aquele grupo de linhagem impoluto escolhia, de preferência as noviças, com a ressalva de que estas rolas só se podiam degustar depois de servirem as primicias ao monarca, e sempre sob o estrito controle da abadessa ou madre superiora, que era a patroa daquele lupanar real.

A Madre Superiora do Convento de Odivelas, de nome Paula Teresa da Silva e Almeida, deu frutos bastardos a D. João V: D. António, D. Gaspar e D. José, para os quais mandou construir o Palácio dos Meninos da Palhava (hoje ocupado pela residência do Embaixador de Espanha). À Madre Paula concedeu uma trança anual de 210 mil réis anuais, pagos em duas prestações, por São João e no Natal. Também o pai, Adrião de Almeida, neto de um soldado alemão, e ourives de profissão, recebeu alguns dotes e prebendas, entre elas um hábito religioso honorífico (por ser pai da amante real)

O negócio do Brasil dava para tudo, mas não para todos... Sempre foi e será assim.



* Gregório: sinónimo de pénis
** Quem estiver interessado em mais pormenores sobre este tema pode procurar no Google MOSTEIRO DE ODIVELAS

***  O outro couto real de caça estava anexo ao Mosteiro de Mafra, que D. João V mandou construir como promessa de ter um filho macho da Rainha. Hoje A TAPADA DE MAFRA.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES .- Entrar em polémicas




Sem desejar terminamos caindo

Escrever é como coçar. O pior é começar. Depois só para se nos esforçarmos, mentalmente, por esquecer a comichão. No tema de hoje; ou seja das polémicas, é o impulso de responder a quem nos increpa, mesmo que não se mostre uma identificação concreta do alvo, é que nos pode incitar a entrar no debate, em geral estéril. Neste espaço, porém, tenho a sorte (?) de que ninguém está interessado em apoiar ou rebater. Nem sequer para pedir um esclarecimento. Portanto tentar criar aqui uma polémica é tempo perdido. Termino “falando para o boneco”, que é uma situação muito desmoralizadora, ou, mais seriamente, deixando o teclado sossegado durante uns tempos

Em chegando a este ponto salta a pergunta: E porque sentimos que estamos falando para o boneco? Ou o seu equivalente mais representativo, de que se deve inculpar o orador quando percebe que ninguém naquela sala, ou num dos meios de difusão actuais, não lhe está prestando um mínimo de atenção? O culpado é ele, por não ser capaz de interessar uma audiência. Se chegar a esta conclusão só tem um caminho: enrolar a trouxa e recolher a penates (1) Uma pequena história que ouvia referir ao meu pai dizia”o sinal mais potente de que deves terminar de falar é quando alguém à tua frente não só olha o relógio como até o sacuda (para ver se funciona!)

No meu caso concreto -que em português chamamos de betão- o estar ciente de que não tenho quórum é um facto comprovado desde inicio, ou quase, e se eu tivesse um mínimo de respeito por mim próprio já me tinha decidido a fechar a matraca. Todavia, quando nos entra na pele uma coceira...

E, quase que por casualidade, encontrei um poço, sem fundo, onde são muitos aqueles que não resistem a lançar a sua pedra. Ou menos violentamente será dizer: dar a sua opinião, em geral rebatendo a do outro. E se os ânimos estiverem exaltados ou a educação do indígena for fraca, então inclusive podem chegar a ser insultantes. Já estamos fartos de saber que o anonimato favorece, e muito, a predisposição de denegrir, insultar, desacreditar, aquele que por vezes não se identificou, mas que, mesmo assim, pode dar muita satisfacção derrubar. Ou pelo menos tentar prostrar, sempre e tanto que seja factível atingir este efeito recorrendo ao anonimato ou ao seu equivalente pseudónimo.

Regressando ao início: Se coçar e comer são duas actividades que consideramos anímicamente gratificantes, o polemizar deve-se juntar, sem dúvida alguma. Quantas pessoas procuram criar uma polémica geral e uma vez acesa se retiram para a zona dos espectadores anónimos para ali poder desfrutar da luta de galos, e até lançar bocas de incitamento?

Um dos campos onde facilmente se pode iniciar uma polémica, ou meter um pé dentro se já está em cartaz, é o da política nacional. É ali onde se podem referir e comentar os problemas que atingem a cada um de nós, ou pelo menos aqueles temas que se sabe de antemão que podem incitar outros tontos sem nada melhor para fazer. Mas, este campo de temático torna-se sumamente tedioso quando se volta no dia seguinte. Chega-se à conclusão, imediata, que equivale ao discutir o sexo dos anjos. Situação que não se esclareceu totalmente quando os artistas imaginaram estes seres com um tímido pirilau, no caso de pretenderem representar anjos do sexo masculino, pois que as “anjas” com o corte característico, mesmo que cuidadosamente depilado, não deviam ser aceites pelo cliente quando chegava o momento de receber os honorários da encomenda. Voltavam a surgir aqueles panos esvoaçantes, que não se descobre onde se seguravam, mas que censuravam os anseios dos mirones.


(1) Penates corresponde ao lar paterno, a casa. Também se diria “fechar a loja”

sábado, 2 de novembro de 2019

MEDITAÇÕES - Vamos andando


E OUTRAS FRASES IMPRECISAS

Tantas vezes me apontaram que era um sujeito, essencialmente e persistentemente, embirrante, que não tive outra solução do que aceitar o facto. Este caminho, que obviamente, abdica de uma tentativa credível de emenda é algo que posso considerar irreparável. Corresponde ao dilema do lacrau quando montava sobre a rã, que gentilmente e parvamente, aceitou o pedido de o levar para outra margem, acreditando na palavra do insecto peçonhento em como, desta vez, não o picaria.

Outra história com igual mensagem é aquela em que se conta da saturação de um marido em relação com a sua amada esposa. Esta, sem atender a que a cabeça do esposo tinha menos cabelo do que uma bola de bilhar, passava o dia insultando-o de ser piolhoso. O homem, por mais que tentasse resistir a este contínuo vexame, estava tão saturado, farto, nervoso e mesmo furioso que um dia, ao atravessarem um rio, aproveitando uma ponte que lá estava para este fim, virou-se para a sua querida (?) companheira, que não parava com a lenga lenga de “piolhoso-piolhoso-piolhoso”, com um valente empurrão a enviou para as águas turbulentas. Enquanto ela caia não parou de vociferar, e mesmo depois de já practicamente submersa tinha as duas mãos à superfície e fazia com as unhas dos polegares como se esmagasse e matasse assim os obcecantes parasitas.

Pois, recordei que noutro escrito “memorável”, destes que ofereço gratuitamente aos leitores ausentes, referi o costume, actualmente em vigor -como o leite em pacote- de quando nos perguntam pela saúde, em vez de referir toda lista de achaques e problemas corporais, beatíficamente nos limitamos a dizer “vamos andando”. Daí o pessoalmente tirar a conclusão de que Portugal está cheio de andarilhos incansáveis, sempre andando, nem que seja a manquejar.

Sendo eu novo, coisa que fica lá muito para trás, lembro que se dizia que os europeus continentais, entre eles os da Lusitânia de Viriato (que chegava até Toledo e grande parte da Estremadura e Andaluzia actualmente espanhola) eram propensos a relatar as suas maleitas, fossem reais ou imaginárias. Enquanto isso os naturais do Reino Unido desviavam pela tangente, convictos que o relatar doenças e achaques era de mau tom, coisa a evitar. Conclusão: parece que a educação britânica ganhou força e nos incitou a andar, com benefícios para a circulação pedonal e sanguínea.

A meditação não pode terminar aqui, atendendo à admitida vocação para ser embirrante. São várias as frases habituais que dizem uma coisa mas pretendem dizer outra bastante diferente. Uma delas é frequente quando pretendemos pagar com numerário -situação cada dia menos habitual- Como raramente a conta a saldar inclui, exclusivamente, unidades certas da moeda em vigor, digamos que aparecem uns restos, em cêntimos, que devem mudar de proprietário. Uma das frases habituais que nos dizem é: Pode arranjar 37 cêntimos? (Ou outra importância que corresponda à soma a liquidar).

Sendo eu, como confesso, um embirrante, quando não resisto digo: de me as moedas estragadas que tentarei arranjar! Se a pessoa à minha frente não ficar espumando pela boca, esclareço: É que esta é umas das frases em que aquilo que se diz não corresponde, literalmente, ao que se pretende dizer. Nesta ocasião a pergunta deveria ser: terá, por acaso, essas moedas para fechar a conta? Ou outra equivalente.

Retrocedendo na idade, mais uma vez, recordo que dei muitas gargalhadas quando via uma vinheta ilustrando um homem caído na rua e com um facalhão espetado no peito. Um passante perguntava-lhe, muito compungido: Isto dói-lhe? E o visado respondia, invariavelmente, “só quando rio”. E esta fraca anedota, gráfica, aparecia com frequência. A conhecia de cor. Mas mesmo assim reagia como se fosse a primeira vez.

Dias atrás, andando confiado no piso que tinha pela frente, coisa que nem sempre podemos valorizar assim dadas as características da muito famosa e estimada calçada portuguesa, dei de pantanas no chão. Bati com a cabeça, com a testa propriamente dita, fazendo um barulho notável (dado que estava oca, não admira..) Prontamente surgiram seis ou mais pessoas, algumas com telemóveis prontas a tirar testemunhos gráficos, e perguntavam (em coro desafinado) dói muito? Por acaso não sangrava nem apresentava um "galo" e por isso limitei-me a responder, erguendo-me (com ajuda),NEM POR ISSO, SEMPRE TIVE A CABEÇA MUITO DURA... E é verdade!

E fui andando... como pertence responder e agir.

Saúde e boas castanhas, é o meu desejo.