sexta-feira, 27 de setembro de 2019

MEDITAÇÕES - Havia razões para tal



Porque Judeus e Cristãos não se entendem

Ao reler o que editei ontem surgiu-me uma dedução que considero ser importante e que explica um certo número de atitudes entre dois dos ramos das três RELIGIÕES DO LIVRO, que recordamos se trata do Antigo Testamento, o Livro por antonomâsia.

Adiantando a conclusão pessoal a que cheguei, é coisa simples e que foi entendida já séculos atrás quando num sínodo ou concílio de que não tenho referência. Ali foi decidido, entre as autoridades máximas da Igreja Católica, que o leitura do Antigo Testamento, na sua totalidade de textos, não era aconselhável para a maioria da população, pois que, como se torna evidente de imediato, o carácter que nos é dado do Deus revelado é a antítese do que Jesus dizia.

Na minha experiência vivida recordo como, desde o tempo da primária, nos eram contadas, mas devidamente seleccionadas, alguma passagens do Antigo Testamento, como exemplo de bondade o fim da pena de morte para o filho de Isaac. Uma verdadeira bondade de Jeová, após ter massacrado, sadicamente, a mente de um pai excessivamente obediente da autoridade máxima. De qualquer forma nos estavam vedados os textos originais e completos do A.T, estes livros estavam reservados. Não se podiam consultar.

Precisamente esta interdição dos textos “completos” do Antigo Testamento foi uma das decisões contrárias que tomou Lutero, e seus seguidores, quando se separou como Igreja Protestante. Aqueles que não ingressamos nalguma das muitas ramas de Protestantes que existem actualmente, temos referências, indirectas, de que as cerimónias litúrgicas nestes credos iniciam-se, quase sempre, pela leitura e posterior comentário de algumas passagens do Antigo Testamento. Podemos deduzir que as sementes para agir com crueldade estão lançadas. Só falta aplicar as receitas quando entenderem ser oportuno.

Igualmente, os judeus, e em especial os mais ortodoxos, conservadores, só aceitam, como livros sagrados, a seguir e obedecer, precisamente o que antecedeu à passagem de Jesus como enviado por Deus Pai como sendo seu filho, dado que, ainda hoje, estão aguardando a chegada do Novo Messias, uma vez que não aceitam ter sido Jesus da Nazaré. Há sentenças para todos os gostos.

Será esta negação do Novo Testamento, em oposição ao que se descreve no Antigo Testamento assim tão importante? É evidente que sim. No texto anterior já deixei explícito que o Deus da Bíblia, no A.T. é um ente extremamente rigoroso, pouco adicto a exercer perdão e, pelo contrário, preferir as soluções mais drásticas, doam a quem doerem. Aqui está a máxima disparidade entre o A.T. e a doutrina de Jesus.

O modo de encarar esta diferença, sem contudo a mostrar abertamente, é diferente entre católicos e protestantes, embora temos que reconhecer que dentro da bondade circunspecta do catolicismo, a cúria utilizou as torturas e castigos extremos quando entendeu, sem que isso os desviasse da imagem amável que se desejava manter. Os mais ortodoxos, sejam eles judeus ou cristãos, fazem as suas interpretações na forma que lhes convêm em cada momento. Por isso não nos deve admirar saber que muitos “cristãos” colaboraram convictamente com os nazis ao longo do holocausto.

Semelhantes devem ser as interpretações dos muçulmanos, que, em princípio, constituem a terceira rama dos denominados povos do livro. Nestas coisas encontram-se sempre justificações para os maiores atropelos e atrocidades, e sempre baseados em argumentos de fé e salvação das almas. Das suas evidentemente.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

MEDITAÇÕES - O “nosso” DEUS É ZAROLHO ?


OS CICLOPES

O facto de ser excessivamente céptico, ou descrente em relação a conceitos que se aceitam sem discussão, como se se tratassem de dogmas de fé, e portanto temas sobre os quais não estamos “autorizados” a ter dúvidas e muito menos a ser alvo de polémicas, não me impede, antes pelo contrário, os observar com curiosidade e isenção. E com uma irresistível vontade de tentar descobrir as origens de algumas lendas e costumes, mais ou menos fantásticos.

O facto de não termos outra hipótese, factível, de admitir que a nossa permanência neste mundo, como ente individual, tem um período de validade relativamente curto e que, devido a esta consciência estruturou-se a memória por meio da transmissão oral de factos pretéritos, e, mais credível quando se dispõe de textos ou qualquer espécie de transcrição por símbolos que se possam considerar como documentos (apesar do reconhecer a quase inevitável manipulação, voluntária ou involuntária, que pode ter sido introduzida pelo relator) faz com que a pesquisa e interpretação de testemunhos de tempos passados seja uma actividade apreciada e divulgada.

Mercê aos muitos estudiosos da antiguidade, tanto arqueólogos, criptógrafos e os seus estudos comparativos de documentos de várias épocas, nos tenham possibilitado saber que muitas das nossas crenças tradicionais tiveram a sua origem em culturas que já desapareceram, mas que deixaram rastros que ainda perduram, apesar de que ao longo dos tempos sofreram adaptações para acompanhar a evolução da sociedade.

A nossa cultura “ocidental”, que normalmente nos limitamos a considerar herança de latinos, gregos, egípcios e semitas, tem a sua génese em alicerces em áreas geográficas relativamente próximas. Nomeadamente naquela zona que, genericamente, identificamos como sendo o Oriente Médio. Todo o Antigo Testamento, que em muitos capítulos é uma compilação de antigos relatos,está centrado nesta zona, à volta dos rios Tigris e Eufrates.

Damos pois como certo, indiscutível, que as culturas mediterrâneas mais próximas, semítica, grega e latina, se basearam nas mitologias mesopotâmicas, que por sua vez se inspiraram nas mitologias de sumérios, arcádios, assírios e babilónicos. Nas inscrições que se encontraram e se conseguiram interpretar, apesar do sempre existente hermetismo das religiões, encontraram-se relatos de grandes inundações, catastróficas, e outras manifestações telúricas, que as escavações confirmam, depois de analisadas criteriosamente, com as relatadas nas mitologias. 

Foram sendo adoptadas e adaptadas, sucessivamente por sucessivas mitologias e que, na actualidade estas grandes inundações, converteram-se nos dilúvios “universais”. Também se admitem os desaparecimentos, repentinos à nossa escala temporal humana, de cidades por terramotos, vulcões, deslizamento de terrenos e outras manifestações de instabilidade da crusta terrestre.

Os deuses de umas civilizações em declínio foram sendo incorporados às novas (?) mitologias, adaptando aos novos costumes, mas quase sempre mantendo os mesmos atributos ou poderes, até chegar às personagens de culto actuais, classificadas em diferentes estatutos, tal como acontecia séculos, ou milénios atrás. Nada de novo neste domínio. Só adaptações à vontade de quem está no comando em dada fase da evolução. O facto de que uma minoria social, com alguma erudição, saiba que tal personagem de culto actual é um decalque de outra, com os mesmos preceitos e capacidades, muito antes de que os semitas já as adoptassem, não nos deve afectar.

E assim cheguei ao ponto que me incentivou a procurar -e não encontrei de forma convincente- de onde surgiu, já na mitologia semita, a representação de um Deus Pai, que alem de ser o responsável da criação, nos é mostrado que nos observa, vigia, omnipresente, através de uma “janela” triangular (a tríade é uma simbologia muito corrente nas mitologias). Aquele único olho, perscrutador, vigilante, que parece que faz pontaria ou que a personagem correspondente é possuidor de um só olho, no meio da testa, como um ciclope, não me satisfaz, não chega para claudicar de uma explicação mais antiga com argumentos convincentes, mesmo que imaginários. Duvido que fosse engendrado pelos semitas ancestros dos judeus e daí transferido para o cristianismo, sempre com o propósito de reciclar o que ainda era de utilidade.

Insistindo na pesquisa recordei as referências a seres mitológicos denominados de ciclopes. A importância histórica dos ciclopes nas mitologias mediterrâneas, e também na Ásia, não se pode esquecer. É quase uma versão mitológica do princípio da conservação da energia. As coisas podem mudar de forma, de denominação, mas no fundo continuam a existir dentro de um novo molde.

Este olho sem o correspondente par simétrico não está ali por ter sido resultado de uma inspiração repentina. A evolução das mitologias mostra que sempre se respeitaram as crenças anteriores, apesar de as adaptarem com o propósito de encaixarem num contexto mais abrangente, e além disso lhes proporcionar um carácter exclusivo.

A personagem que melhor se encaixa com os ciclopes é POLIFEMO. da antiga mitologia grega, já da segunda geração dos ciclopes. Este Polifemo é descrito na Odisseia como um ente sumamente cruel, devorador de homens, entre outras "qualidades" que, numa primeira análise se conjuga com o Deus dos israelitas, o do Antigo Testamento, mas não encaixa na imagem divina proposta pela doutrina de Jesus, o cristianismo. Todavia se nalguma coisa se destaca o Deus do Antigo Testamento, seja Jeová ou outro heterónimo qualquer, é que era impiedoso nos seus julgamentos e sentenças. 

Neste aspecto podemos entender que aquele olho inquisidor, que nos é apresentado no interior do famoso triângulo (símbolo esotérico) é uma simplificação da máscara semi-humana com que os gregos da sua época clássica, representavam o POLIFEMO, entidade, inquiridora e de notório mau carácter, e pior feitio, além de feio e repulsivo.



Máscara antiga representando o ciclope POLIFEMO

Esta descrição de temperamento divino traz-me à memória uma quadra que ouvi em muitas ocasiões quando era criança, e não tinha um espírito crítico desenvolvido. Foi-me sempre referida em castelhano, mas a versão em português diz. SABES QUE DEUS TE ESTÁ A VER, SABES QUE ESTÁ OLHANDO PARA TI, E SABES QUE TENS QUE MORRER, MAS NÃO SABES QUANDO. Um texto que implicitamente alerta para a pouca benevolência que podemos esperar de Deus Pai quando nos julgar. Pelo menos se for correcto o critério de quem inventou a quadra


domingo, 22 de setembro de 2019

MEDITAÇÕES - Um escrito com mensagem



ESTIGMAS

Alguns sinónimos, mesmo que com matizes próprios: MANCHA, SINAL, FERRETE, MAZELA

Com excessiva frequência, ou quase sempre, aquela pessoa que sofre duma marcação que lhe ficou gravada desde muito cedo; por vezes já herdada de algum progenitor, consegue adaptar-se a ser conhecido, por vizinhos e conterrâneos, como se de uma inofensiva alcunha se tratasse. De facto, muitos dos cognomes ou apelidos que constam dos registos de identidade tem a sua origem numa alcunha, seja de índole pessoal, corporal ou de personalidade, mas também podem estar associados a uma origem geográfica.

Os ferretes mais penosos e indeléveis são aqueles ofensivos, que se herdaram e dos quais a pessoa “favorecida” não tem possibilidade de escapar, pelo menos facilmente. É como ter um sinal de nascença na pele. Além disso, todos aqueles que identificam a pessoa pela sua alcunha herdada, evitam e conseguem, jamais dar a saber à vítima que, por mais anos que passem e o seu comportamento não mereça aquela qualificação, é este qualificativo que, perpétuamente, lhe surge na memória.

Creio que todos nós temos, no arquivo humorístico, as vergonhas que passamos, enquanto éramos menos sabedores e imprudentes, se nos dirigíamos a alguém pela alcunha que, invariavelmente acompanhava a pessoa que nos aparecia pela frente. Nesta característica de educação transmitida, que além de errada é usada sem pensar na maldade que causa, são mesmo muitos os adultos irresponsáveis.

Um exemplo vivido. Estaríamos no início da década de '50, -na fase mais negra do após guerra consequência do golpe de estado do exército fascista espanhol- quando, sendo eu um garoto inexperto, a minha mãe me incumbiu de ir até um sapateiro de remendos (naquela época mandavam-se colocar meias solas e saltos com bastante frequência, não só pelo desgaste causado pelos infantes como também pela má qualidade dos materiais de recurso disponíveis) para ver se os meus sapatos já estavam remendados. Eu sabia onde morava e sapateiro, e ao me darem as indicações foi referido, como sempre, pelo sobrenome, não-oficial, de “sabatonas”. Fui lá ter, sem dificuldade.

O homem exercia o seu mister numa divisão que dava para a rua, com a janela quase sempre aberta. Dirigi-me a ele, e a falta da melhor, inquiri se era ali onde trabalhava o senhor “sabatonas”. Nem é necessário dizer que o homem, mais do que sabedor desta alcunha, ao ver que eu era um garoto incapaz de retorquir, deu-me o que hoje creio que devia ser uma pequena descompostura. Em concreto deve ter dito que se chamava ... (não recordo) e que era feio dar alcunhas. Mas levei os sapatos para casa.

Ao chegar, ainda com o recado fresco nos meus ouvidos, contei o sucedido. A galhofa familiar foi extensiva a todos os presentes, sem se punirem pela falta de aviso que deviam ter tido antes de eu sair.

Lamentavelmente, na Catalunha onde morava, e também na ruralidade portuguesa, era sintomático, geral e sem excepção, conhecer as pessoas pelas alcunhas e não pelos nomes. E, sem conseguir recuperar retratos correctos de outras vivências pessoais desta época, onde as alcunhas eram as personagens, e dado que sendo eu o mais velho dos filhos e não existir outra pessoa disponível para fazer recados, a situação repetiu-se em mais de uma e de duas ocasiões.

Conclusão: São hábitos populares que estão enquistados na linguagem quotidiana, e que com excessiva frequência implicam uma noção pejorativa. É factual que as alcunhas passam de geração a geração, tanto pelos utilizadores, useiros e vezeiros, como para os alvos desta forma ignóbil de ser identificados, tem uma “longa vida social” A única técnica que imagino se pode aplicar para terminar com o epíteto que mortifica, é o colocar terra de per meio. Ou dito de outra maneira, ir para longe, onde não existam pessoas que nos conheçam pelo mote de família.

Mas atenção! Podemos escapar das alcunhas anteriores, mas os já residentes, os veteranos do lugar, os que carregam as suas alcunhas “de família” não demorarão em nos atribuir uma identidade específica, que esperamos não nos cause tanto trauma como aquela da qual não se sente a mínima responsabilidade.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

MEDITAÇÕES – O escrever e o coçar



É SÓ COMEÇAR...

Uns cem anos atrás, nesta península ibérica, incluído o nosso jardim rectangular, ainda havia, infelizmente, muita gente incapaz de ler e escrever. Dependiam de outrem para que os ajudasse a decifrar aqueles símbolos confusos, e mais até quando agrupados de uma forma que ele, pesaroso e envergonhado, não entendia.

Hoje ainda se escreve muito. Mas vinte anos atrás escrevia-se muito mais; sem comparação. A dúvida subjacente é a de saber se existem, ainda, leitores assíduos para tanta letra impressa. Para facilitar a fixação de um discurso, com a mesma rapidez com que o emissor o debitava, inventaram-se vários esquemas de simplificação, sendo a estenografia aquele que se considerava mais idóneo e possível de interpretar, digamos traduzir, por outra pessoa que não aquela que gatafunhou. Nos dias de hoje, especialmente entre os mais jovens, que vivem agarrados aos aparelhos portáteis de comunicação, dizem, os que sabem, que foram evoluindo numa espécie de linguagem cifrada, com abreviaturas e signos que lhes permitem “escrever” quase tão depressa como se falassem, e com a vantagem acrescida de que por não emitirem sons, podem passar desapercebidos no meio de outras pessoas.

Já antes da actualidade, em especial após a segunda guerra mundial, os amigos da literatura se escandalizaram pela invasão das imagens desenhadas, acompanhadas de mini-textos, fossem em rodapé ou de buchas em nuvem, com as quais inclusive se banalizaram obras clássicas. Com uma simplificação tão acentuada, que lhes tirava a maior parte, se não toda, da mensagem social e humana que se pretendia oferecer na obra original. De facto, não só pela transformação de textos nitidamente literários em folhetos descartáveis, como também a apropriação da indústria cinematográfica, o que se tornou evidente foi que o número de fieis leitores de clássicos diminuiu drasticamente. Mesmo depois de adultos muitos cidadãos preferiram atender às versões resumidas, onde o pensamento fica de fora em prol da acção.

Durante séculos o saber foi sendo acumulado e disseminado através dos documentos escritos, que com a difusão da imprensa, foi magnificado exponencialmente. Criaram-se magnas bibliotecas, mesmo antes de existirem livros como hoje os conhecemos, A prova mais evidente de como a leitura livresca deixou de ser a base do saber e a fonte de conhecimento geral, é que o esforço magno que conseguiram os enciclopedistas, que surgiram coetâneamente com a Revolução Francesa, e que Dinis Diderot e Jean-Baptiste
d'Alambert ficaram como pais em partilha, já perdeu toda a força de penetração. Já não andam estudantes de porta em porta tentando ganhar algum propondo às famílias a compra de uma magna enciclopédia.

Quem ainda tem uma série de volumes deste tipo de compilação, mesmo que não chegue ao nível da Enciclopédia Britânica, já poucas vezes se decide a consultar. Aqueles grossos livros estão dormentes, expostos aos peixinhos de prata que os comerão gulosamente. Em sua substituição existem versões, nem sempre merecedoras de crédito, nas “páginas electrónicas” de vários “servidores”.

São muitos, e sempre de lastimar, os sintomas que nos referem o facto, já insofismável, de que cada dia se dedica menos tempo útil a ler o que está sobre papel. Desta constatação há quem deduza que a cidadania em geral está avançando, rapidamente, para a ignorância funcional, mesmo que se admita que existem os que, nas suas especialidades ou interesses pessoais, tenham níveis de conhecimento muitíssimo superiores aos da população em geral.

Máximas e Rifões

  • Eruditos sem obras e nuvem sem chuva.
  • Ler sem entender é caçar sem colher.
  • De nada duvida quem nada sabe.
  • Muito falar, pouco saber.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

MEDITAÇÕES - Dicotomia geográfica




O PSD ESTÁ DOENTE

Antes de me meter em seara alheia quero deixar, mais uma vez, bem claro que não sou adepto de nenhum partido político, o que não me impede de ter uma opinião pessoal -e intransmissível- acerca de alguns deles. Outros há que os deixo andar por aí sem lhes ligar nenhuma, por inofensivos pelo menos até agora.

Mas retomando o caminho, quase que por iniciar. Recordam, os mais adultos que o PSD, com duas siglas em que se propunha vir a ser do espectro da social-democracia, surgiu pouco depois da revolta dos capitães, após se ter travado o iniciado golpe de estrema esquerda, comandado pelo PCP -graças às manobras da CIA com o seu homem de teor mafioso como embaixador dos EUA, e a colaboração “graciosa” do prócer, já falecido e quase deificado, Mário Soares- Entrou-se numa fase efervescente da legalização dos partidos do reviralho e emergência de novas formações. Incluídos os que pretendiam reviver a ditadura, com outros nomes evidentemente.

Foi então que, os menos extremistas, se decidiram a dar entrada aos partidos ao jeito de social-democracia, com a possível orientação e apoio dos deste campo na República Federal Alemã.

E a pessoa que se colocou à cabeça, por mérito próprio e um entorno geográfico favorável, foi Sá Carneiro. Referi, propositadamente, que o falecido, mas na altura bem vivo, Sá Carneiro, era um dos conhecidos como ser um HOMEM DO NORTE.

A dicotomia social existente entre os naturais do norte de Portugal, em contraste com a brecha -no significado de um conglomerado geológico com pedras e minerais muito diversos- social que se formou, desde séculos, na capital. Esta notória diversidade de carácter e convicções destes residentes, além de existir é tacitamente ignorada em prol de uma ilusão de unidade nacional.

Uma falsa conjugação que não se consegue esconder quando de competições desportivas, nomeadamente de futebol. Mas, de facto, todos sabem que o modo de vida, as ambições pessoais e as convicções políticas, das populações à volta de Lisboa diferem bastante, para não dizer muito, das que regem entre os paralelos de Coimbra e o rio Minho, ou se preferirem com a raia com a Galiza.

A guerra, de guerrilhas, entre os PSD's radicados na capital e o PSD de Rui Rio não tem outra razão de ser do que o receio de perder algum poder político dos “centralistas de adopção” perante a clareza de pensamento das gentes do Norte.

Se dermos uma vista de olhos nos canhenhos que relatam a história de Portugal, mesmo que nos limitemos aos menos confiáveis, veremos que os homens de acção, com força de vontade para tentar endireitar o País -mesmo que partissem de premissas erradas- sempre foram, maioritáriamente, gente do Norte.

E não é por acaso que assim aconteceu e continuará a acontecer. Nas capitais, onde se radicou a máquina da governação, proliferaram sempre os escriturários, os mangas-de-alpaca, o terciário, tanto ligado ao comércio como às manobras de tribunal. Pode-se comparar a uma nuvem de moscas, improdutivas, que envolvem todos os sectores do poder. E, claro, todos aqueles que conseguiram singrar na política e mais os que anseiam pela sua oportunidade, não apoiam qualquer iniciativa com origem no norte.

Na zona nortenha, dada a menor presença do máquina governamental, que ali pouco interesse mostra em ajudar, os cidadãos optam por tentar singrar pelo seu esforço e capacidade criativa. Isso os torna mais pragmáticos no quotidiano, sem os tolher de meditar e criticar as opções que lhes são impostas desde a capital.

Resumindo: a oposição que se evidencia perante Rui Rio é, sem dúvida, reflexo da repulsa sentida pela complexa e numerosa tribo dos “lisboetas”, mesmo que originários de outras zonas do território, à ideia de ter à cabeça de um partido “nacional” alguém que teima em estar residente no Porto. Obviamente, estes descontentes, encontrarão dezenas de argumentos para justificar, entre os seus parceiros, que não podem manter um nortenho na cadeira de comandante. O resto são desculpas de mau pagador.


segunda-feira, 16 de setembro de 2019

MEDITAÇÕES - Progride-se ou regride-se ?



Cada dia vemos mais sintomas de que as pessoas não lêem.

As editoras continuam a entregar livros para as livrarias, algumas desta edições podem ser “de autor”, ou dito de outra forma, com os custos a cargo do autor ou de alguma entidade que o patrocine. Por outro lado suspeitamos que as tiragens indicadas nas contracapas podem estar inflacionadas, uma vez que a permanência dos títulos nas exposições é, em geral, muito breve, sem que os índices de venda o justifiquem. Mesmo assim nota-se algumas tentativas para promoção da leitura, nomeadamente pelas referências de alguns títulos em jornais e revistas.

Apesar disso as editoras aceitam que os hipermercados utilizem os livros como chamariz promocional, sempre com a concessão de descontos sobre o preço de capa. Se a este valor em caixa lhe subtrairmos o preço especial que a loja exige para apresentar aquelas obras, nem é necessário fazer contas para concluir que o mercado da edição livre não está numa fase florescente.

No mercado do livro usado, apresentado em bancas de expositores independentes, ao dar um passeio visual, ou mesmo com a pré-disposição de adquirir alguns exemplares, notamos que, nos meses mais recentes, digamos até em dois anos, os valores pedidos, já não são por obra concreta, mas em global. Tem ido baixando de forma notável.

A estes sintomas juntam-se a outros, mais individualizados mas em simultaneidade, o que lhes confere um valor de âmbito geral. Os veteranos, aqueles que nos habituamos a ler livros, uns de conteúdo mais denso e outros mais leves, suspeitamos que as novas gerações estão condicionadas, sem darem conta disso, pela linguagem reduzida que usam, e abusam, nos meios de comunicação electrónica. As abreviaturas usadas constituem um código novo, com o propósito de eliminar caracteres. Pior do que no “antigo” telégrafo.

Sei, por experiência directa, que decidir entrar no âmago, e ir até o fim, de um artigo escrito com mais de 300 caracteres implica uma vocação, quase que de eremita, pois que tal implica o isolar-se do meio que nos rodeia.

Tenho uma experiência pessoal, directa mesmo, que me elucida sobre a dimensão de um texto que pode ser aceite como de interesse ou de ser rejeitado. Desde alguns anos atrás mantive (com alguns intervalos devidos ao desânimo) um espaço -blogue- que intitulei de Vivências de Virella. Ali editava capítulos de um pretenso romance. Textos sempre propositadamente curtos e com poucos parágrafos de divagação, ao contrário do que se entrega às tipografias para “encher chouriços”. Inicialmente tive alguns comentários (quase sempre após um incitamento pessoal, o que os invalida de imediato...) e também a contagem automática de visitas deu valores interessantes. Para tentar manter algum seguidor intercalei a ficção com uma nova rubrica: Meditações, nas que comentei, à minha maneira, situações do quotidiano. De pouco serviu. O interesse inicial, já de por si fraco, foi perdendo vapor até se sumir no nada. Caiu num dos muitos buracos negros “astrofagos” (desculpem este neologismo de produção caseira..)que enxame-iam as galáxias

E aqui surge uma curiosidade. Levado, por arrastamento, a visitar o espaço da quadrilhice e das tontices, além de possibilitar o serem conhecidos por desconhecidos, fui viajando pelo facebook. Aqui encontrei, cada vez com maior número, anedotas de texto, e alguma gráficas. Muitas escritas em português anormal. Muitas já muito batidas, velhinhas mesmo. Senti um impulso irresistível de fazer algum comentário e até de os qualificar com uma nota de exame. AH! SURPRESA MAIÚSCULA. Não há dia em que não me respondam e até me ofereçam “amizade”.

Se calhar devia estar satisfeito, deduzir que encontrei o meu nicho de mercado. Mas não, pelo contrário. Só serviu para certificar que as gentes, mesmo aqueles que ainda conseguem ler, não se interessam por temas sérios ou de ficção com mensagem sub-liminar.

E mais. Atrevo-me a conectar estes factos, de índole pessoal, com o inconcebível desinteresse que os cidadãos eleitores encaram as eleições que, em princípio, deveriam orientar o futuro de País e, por tabela, o da vida de todos nós.

E SE SURGISSE UM CAMPANHA PARA TENTAR INCENTIVAR A LEITURA ? Desconfio que não teria efeitos positivos!

domingo, 15 de setembro de 2019

MEDITAÇÕES - Um erro a evitar




Querem Concelhos e não Conselhos

É muito importante entender o que está implícito no cabeçalho. Por Concelhos, apesar de que nomeadamente correspondem a oferecer a presidência duma Câmara Municipal, deve-mos interpretar como uma das muitas benesses que se oferecem a colaboradores de terceira linha, e que se pretende ficarem satisfeitos com as possibilidades de agir (incorrectamente) que o posto lhes aufere mas, em contrapartida, estarem afastados dos corredores do poder nacional, e nem sequer terem entrada na ante-sala do Parlamento, naquele espaço que também se adjectiva como ser o corredor dos passos perdidos.

Na maior parte dos casos o beneficiado com esta mordomia nem sequer necessita de abanar a árvore para colher frutos. Serão outros os que lhe apresentaram as açafates cheias de apetitosos petiscos, habitualmente de imediato monetários ou com um potencial de serem rentáveis a longo prazo. Todavia há cidadãos que não se satisfazem com esta potencialmente eterna mercê. Julgam que foram ungidos, por um Deus qualquer, à escolha entre os muitos disponíveis, para singrar mais alto.

Os humanos, entre outras características, tem a de ser bi-polares, ou mesmo sem carecer de apoio psiquiátrico, passam por fases opostas, e com duração não equivalente, onde numas sentem-se derrotados sem remédio, consideram-se como inúteis, incapazes, incompetentes, e simplesmente sempre inadequado seja para o que for. Na faceta oposta sobre-valoriza-se, sente-se altivo, orgulhoso, vaidoso, em suma cai naquela famosa situação de que vaidade e água-benta, cada um toma a que quer. (isto já não é bem assim: a disponibilidade de água-benta foi severamente restringida)

Tanto os que se encontram num o noutro dos pólos que auto-qualificação, estão em risco de tombar por não se ajustar à realidade. Cada pessoa tem um potencial determinado, que raramente é ponderado correctamente pelo próprio.

Os que se auto-qualificam-se num nível, imaginário, que não coincide com aquele que decidiram os seus parceiros de equipa, e que o colocaram naquele posto de potencial não desprezável, não se percatam de que, os que o controlam de longe, os seus amigos que está tentando ultrapassar, tem à sua disponibilidade o tanto o de lhe poder abrir um caminho, que ele pensa ser o que merece, como também a alavanca do alçapão que o ata à corda que traz ao pescoço. Ou seja, tanto o podem encumbrar, se assim o entenderem lhes ser rentável, como o deixar cair em três tempos.

A mensagem que esta dissertação transmite é simples: o pior inimigo, aquele que nos pode dar a facada mortal (figuradamente, como é evidente) é aquele que nos declarou ser o seu eterno amigo, o que podia contar sempre como o apoio seguro. É da história!

E chegou ao momento de dissertar acerca de CONSELHOS.

Pouco há que dizer se formos sensatos. Quando alguém, eu ou você, por exemplo, num momento de extrema debilidade mental, caímos na tentação de dar um conselho a um amigo/a, sem que este nem sequer tenha insinuado que o pedia, arriscamos a errar. A ser banidos pela pessoa que queríamos ajudar, porque a sugerência de acção não coincide com aquilo que já tinha previamente decidido. Provavelmente, o nosso atrevimento, cheio de boas intenções, -que se diz terem enchido o inferno até transbordar, antes de este local de castigo ter sido desactivado por alguém capacitado para tal- não só terá um efeito oposto ao que, boamente, se pretendia, como pode conduzir ao afastamento irreversível daquele amigo/a.

Corolário: Antes de dar um conselho, mesmo que tendo sido requerido, pensar duas, três vezes. E depois ter uma saída tangencial para não ficar mal.