quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

SURPRESAS DO CONTADOR






Entrada
Visualizações de páginas
Emirados Árabes Unidos
105
Portugal
11
QUEM ME PODERIA ANUNCIAR QUE TERIA 105 VISUALIZAÇÕES NOS EMIRATOS ÁRABES UNIDOS?

Practicamente dez vezes mais do que entre os compatriotas !

SENTIR-SE ESQUERDINO, ou canhestro


NÃO DEVE SER FÁCIL


Ter uma inclinação, predisposição ou vocação para avaliar e desejar corrigir as dificuldades que pesam sobre quem se encontra nos estratos sociais mais baixos, nomeadamente se medidos pela sua capacidade económica, chega-se ao ponto de concluir como é difícil, por não dizer utópico, igualar as possibilidades para todos os cidadãos. Sempre se observa que a tentativa de igualar conduz a baixar mais do que subir.

Ou seja, dito mais claramente, aceitar que se pode ser de esquerda (1) sem ponderar todas as variantes que encontramos entre as pessoas que, mesmo com a livre escolha do indivíduo, estão incluídos num grupo inferior, sempre heterogéneo -como todos os grupos- vai encontrar os antagonismos pessoais, nem que seja por vaidade pessoal em relação a outro/s aceita a qualificação de esquerdista. Isto não obsta a que, desde sempre, haja intensos e convictos “esquerdistas” entre as classes de topo, sejam intelectuais ou díscolos do seu sangue, ou mesmo uns lunáticos que imaginam poder mudar a sociedade, e assim ganhar notoriedade (nunca aceitarão este desejo oculto)

Para já, a partir de estar uns anos inseridos na sociedade real já é normal que se admita, sem discussão aquele axioma que nos diz todos somos iguais, mas uns mais iguais do que outros. Um artifício de linguagem, subtil mas envenenado por ser indiscutivel, de que mesmo dando todas as voltas que quisermos, cada pessoa, por separado e se auto-valorizada, encontra facetas, que considera muito relevantes, que o devem destacar em relação aos seus “iguais”.

Descendo para a realidade que temos nesta fase da vida social, e por estar perto de ser convocados para as urnas de voto, com a pretensa possibilidade de colaborar numa mudança de rumo, ou para a sua continuidade. E justamente por se verificar, nestes dois derradeiros anos, que as pressões internas no seio da apelidada geringonça, -com evidente propósito de provocação jocosa- nos encontramos com que constantemente surgem reclamações -sempre de índole monetária- com origem nos sectores com mais poder reivindicativo e que, aqueles que estão no leme -nunca o poder está num indivíduo isolado, mesmo na mais cruenta ditadura- não querendo deixar de figurar como primeiras figuras, cedem mais do que seria aconselhável, dado que as contas de somar e subtrair não se podem alterar caso se queira proceder com sensatez e rigor.

Ou seja, focando desde outro ponto de vista, até poderíamos aceitar que o descontrole econômico da nação se deve à ignorância congénita da maior parte da população. Sem desculpar os abusos mais escandalosos que os que mexem nos grandes negócios. As cedências sucessivas conduzem a desvios no orçamento, daí a consequências tantas vezes discriminatórias, precisamente porque, indirectamente, prejudicaram outros cidadãos do mesmo patamar do que aqueles que conseguiram ser beneficiados, mas só porque não possuem as mesmas capacidades de exercer pressão

Imaginar que através de conseguir uma ilustração, uma cultura mais elaborada, da massa social mais propensa a se sentirem pior servidos, é mais uma utopia das várias que existem entre os humanos. Imaginar que os que reclamam cederiam nos seus desejos e aceitassem,com um baixar de braços fariam um bom serviço a todos, e que tendo, actualmente, um governo teóricamente de esquerda, a calma seria factível, é das tais situações em que nem os bebés de mama acreditarán. Estes sabem bem o valor da sua palavra de ordem. Quem não chora não mama. Aquela frase célebre atribuída aos fantasiados mosqueteiros de Alexandre Dumas. TODOS PARA UM E PERÚ PARA TODOS, só na literatura.

Qualquer cidadão reconhece que o chegar a uma sociedade séria, equilibrada, não necessariamente igualitária, mas aceitável por não se mostrar excessivamente desigual, depende, pela aplicação cega e correcta das leis que nos regem. Mas também sabe coisas tais como que Feita a lei, cuidada a malícia, ao que se junta o saber que a carne é fraca, e que por detrás desta sina se movimentam os compadrios, os corporativismos, ou, mais concretamente, que O dinheiro é como o azeite, por donde pasa unta. E termino com o que também sabemos Quando a fortuna chega às mãos do pobre, em geral este muda de comportamento.

(1) existem mais sinónimos para tentar definir um estado de espírito que, dada a quantidade de alternativas, nos indica como é difícil definir de uma forma concreta e sem ambiguidades o que tento descrever.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

LIMPAR OS TERRENOS



Como é que vai ser?

Por enquanto ainda estamos na fase das ameaças, das obrigações para os cidadãos mais indefesos. E os regulamentos,tão bem elaborados, cientificamente (?) por “especialistas de nomeada” vão ser aplicados a fio de espada, igualmente para todas as cabeças? Mas a data limite de espera antes de “entrar a matar” já está à vista.

Se me for permitido, refiro a minha veia céptica, que me empurra a não acreditar em tanta igualdade e fraternidade. Pelo que se tem escrito ainda existem muitas parcelas de terreno, mais ou menos rural, algumas mesmo na vizinhança de casas, lugares, aldeias e até cidades, que não estão devidamente registradas no cadastro. Algumas ainda estão pendentes de partilhas. Outras estão no limbo, ou seja não se sabe bem a quem pertencem. Em princípio está previsto que o Estado tome posse destas parcelas de dono ignoto. Outras mais são de idosos sem posses monetárias, nem capacidade física para cumprir a exigência; por muito que concordem com esta necessidade de prevenção. Mas que não sabem como cumprir o exigido.

E será que os baldios e áreas que constam dos patrimônios municipais, estatal ou corporativo, cumprirão, sem falhas nem subterfúgios de argumentações quase que processuais?

Se o Estado, a tal entidade que nos deve representar e servir com a coaboração indirecta de todos, através dos impostos directos e indirectos, vai proceder nas autuações de uma forma global, sem escapar nada nem ninguém entre os dedos da justiça cega? Sería a primeira vez. Sempre há quem escape da razia.

Uma questão concreta, que foi bastante falada. Recomenda-se ou manda-se que sejam respeitadas faixas com x metros de largura de cada lado das linhas de caminho de ferro, das estradas e das linhas aéreas de transporte de energia eléctrica. Concretamente digamos que estas faixas de terreno devem estar nuas, limpas de mato, restolho e arbustos, ramos de árvores e qualquer potencial combustível. Varemos esta correcta exigência cumprida, ou serão os cidadãos individuais, os únicos perseguidos?

Passados os folguedos de Carnaval, as tristezas da Quaresma e Semana Santa, mais os dias de folga da Páscoa, já estaremos em pleno na fase das denúncias, das punições, multas, contrafés e toda a panóplia de acções legais. Mais uma vez nos surge a pergunta: esta vigilância e punição será geral? Vai cumprir-se em todoo território e por todos os responsáveis de uma parcela, nem que seja de meio hectare, de terreno com vegetação?

Esperemos para ver se, desta vez, a lei será exactamente igual para todos. Quantos argumentos já estarão previstos para fugir com o cú à seringa? A previsão é que será uma daquelas ameaças em que a montanha pariu um rato.

REBUÇADOS PARA A TOSSE



TODAS AS MARCAS SÃO BOAS
E, de facto, os sem marca serão bons quanto mais demorarem a derreter

Desde as conhecidas pastilhas do Doutor, já falecido tempos atrás, embrulhadas para serem rebuçados, todos eles, além de açucar. Tem na sua composição um óleo essencial que lhes confere um aroma simultaneamente agradável e que nos indica que, devido à sua acção vasodilatadora, dilata os alvéolos dos pulmões e por isso nos proporciona alivio dos sintomas de tosse.

Mas será só isso que os tais rebuçados, sejam eles da marca que forem, mas que sempre que incluam na sua composição um aroma que lhes  o aval de aliviar a tosse que incita a espectorar? Nem oito nem oitenta!

Quando a tosse é um dos sintomas de ter apanhado um resfriado, uma catarreira, o rebuçado em si tem uma eficácia não para curar mas no propósito de nos reduzir a necessidade de tossir. E esta acção é muito mais prolongada quanto mais demorada seja a dissolução do rebuçado na boca do ansioso por deixar de tossir, nem que seja durante uns minutos.

E não há nenhum segredo nesta capacidade “rebuçadil”. Muita desta tosse deve-se ao fluxo de segregações nos seios nasais, que nem sempre seguem para as narinas e daí se podem retirar assoando. No que se denomina catarro o fluxo de muco escorre para a laringe, donde se acumula e dificulta a respiração -felizmente porque assim se evita que desça aos pulmões e induza a uma infecção- O mecanismo automático que cuida do funcionamento das vias respiratórias superiores nos incita a tossir e retirar este tampãodemuco que está incomodando. Dito de outro modo, nos leva a escarrar, que é tão desagradável e recriminado socialmente.

Mas escarrar é necessário quando, sempre involuntariamente, se deve desviar o fluxo de muco para o exterior. E aí é que entra o rebuçado! O girar da pastilha no interior da boca nos leva a salivar com maior quantidade do que normalmente -age como quando se come- e esta libertação de saliva flui en direcção ao esófago, desviando-se portanto do canal respiratório. O engolir parte do fluxo nasal não constitui problema de maior, pois que os sucos gástricos se encarregam dele.

Ou seja, os rebuçados, sejam eles quais forem, pelo facto de nos fazer salivar ajudam a aliviar a incómoda tosse. Excepto! Quando a acumulação de muco no início da traqueia está tão denso e agarrado que a saliva não consegue arrastar. Então só podemos tossir, mesmo que pareça mal. O corpo “ò-mano” não obedece regras de educação social. É mais forte do que as convicções. A opção de fungar, aspirar e engolir, não sendo prejudicial, não é menos desagradável de ver.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

SER BENFIQUISTA



TENTAR EXPLICAR O ÓBVIO

Ontem editei um escrito, que valorizei de atrapalhado, onde pretendia descrever as querenças locais e regionais das pessoas. FOI UM ÊXITO pois o contador de visitas deu DUAS ENTRADAS !!!!!  Em face do sucesso indiscutível (?) decidi tentar uma abordagem diferente. Desta vez metendo a colher no mundo do futebol, que confesso desconheço quase que totalmente e a prova é que, ao longo da minha vida, só duas vezes entrei num estádio. A primeira quando o Belenenses, jogando no Restelo contra o Barça, num desafio amigável, não competitivo, fui puxado por um irmão que, ainda hoje e radicado nos USA (e nacionalizado como cidadão americano) continua sendo um apaixonado seguidor do clube catalão

A segunda e derradeira vez também fui aliciado por um familiar, desta feita um cunhado, que me propos que me integrasse num grupo de benfiquistas até Roma onde o Benfica defrontaria o clube local. O isco estava no passeio que a caravana  daria pela Italia, que era deveras cativante. Estar no meio dos tifosi romanos naquele estádio era bastante confrangedor, em especial  para quem não tinha experiência do comportamento destas multidões ululantes. Por sorte o Benfica ganhou! Mas o grupo onde me encontrava teve o cuidado, ao sair do recinto, de tirar e guardar nos bolsos os cachecóis e bonés identificativos.

Qual a razão pela qual refiro estas situações ?  E porque pretendo conectá-las com o escrito de ontem?

Pois porque, insisto, as pessoas criam raízes e "lutam" por questões inicialmente locais. Ser adepto do Benfica, do Sporting, do Porto ou da Académica, por exemplos mais ou menos aleatórios, inicia-se por serem clubes  do bairro, da cidade ou da zona onde a pessoa se sente ligada sentimentalmente. Claro que depois encontramos adeptos de qualquer clube em zonas afastadas, como pode ser em Castelo Branco ou em Bragança. Mas as excepções não invalidam a regra.

Hoje, em que as cidades crescem continuamente com a chegada de novos elementos, vindos de outras zonas ou mesmo de fora do País, o indivíduo, visto isoladamente, será adepto de algum clube ou associação da sua residência quando se sentir integrado naquele conjunto de vizinhos. Mas é muito provável que mantenha o seu fervor pela terra ou o clube que escolheu, ou lhe induzIram, na sua juventude.

Avançando: Das adesões clubistas podemos passar às locais e zonais, e finalmente às territoriais, políticas ou patriotias. E, normalmente, aqui terminam as paixões interiores, aquelas que inclusive podem incitar a lutar, seja a murro e pontapé, com paus ou com armas de fogo para defender aquilo que se sente nos pertencer. Mas será que existe alguém que se sinta vocacionado pela União Europeia ao ponto de se apresentar num hipotético campo de batalha para defender esta organização multinacional?

Duvido muito. E é esta dúvida que me leva a deduzir que o "decálogo" desta União Económico-Política -caso existir tal resumo de comportamento- está muito desencontrado do pensamento das pessoas, ditas normais.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

QUE FUTURO PARA A UNIÃO EUROPEIA ?



Mesmo atendendo a que, pessoalmente, sinto que ninguém está minimamente interessado nas minhas opiniões, e que ainda por cima sou um cidadão totalmente desconhecido, e consciente de estar já dentro dos limites do prazo de validade. Todas estas circunstâncias não me inibem de pensar e, por vezes, de tentar colocar os meus loucos pensamentos à disposição de um número muito reduzido de leitores. Raramente devem ultrapassar a dezena!

Os que me conhecem, nem que seja epidérmicamente, sabem que sou, simultâneamente português por escolha pessoal e catalão por herança familiar. Os acontecimentos recentes, concretamente do diferendo existente entre o estado espanhol, em monarquia constitucional e o sentimento identitário dos catalães, longe de ficar arrumado, levou-me, por arrastamento, a imaginar uma extrapolação para o conjunto de estados membros da U.E. Isso enquanto durar esta experiência.

Os contestatários catalães sentem-se, com razão ou sem ela, abusados pelo centralismo castelhano. Há muito tempo que, com maior ou menor intensidade, não se sentem satisfeitos por estarem sob a tutela de dita Espanha. Antes do golpe militar fascista e durante um pequeno período partilharam de um “estado federal” com governo central republicano. Tudo foi imediatamente anulado pelo governo do ditador Franco, patrono pessoal de uma Espanha católica e totalmente centralista, mantida por mão militar e policial enquanto ele esteve vivo.

Admito que, abdicando de uma utópica independência plena, muitos catalães já se satisfaziam fazendo parte de uma República Federal, com uns estatutos bem elaborados e que se adotassem por uma decisão global. Por enquanto os governos radicados em Madrid, que temem ou se apoiam nos saudosos da ditadura franquista, extremistas e retrógrados, não estão afins de uma solução deste teor.

Pessoalmente penso que as pessoas em geral tem uma restrita visão de conjunto. No fundo somos como os animais migrantes, sejam aves ou mamíferos. Quando alguém, pelas várias razões que o tenham influenciado, sente que deve mudar de região ou mesmo de País, e até de continente, durante um periodo de tempo, mais ou menos curto, sente a necessidade de voltar, nem que seja por um período de tempo reduzido, ao local onde nasceu e cresceu.

Saltando no raciocíneo, os actuais estados, ou nações, da Europa são homogêneos por decreto. Continuam existindo muitos dos sentimentos regionalistas, por vezes quezilentos e muito intensos. Não podemos esquecer que a montagem da União Europeia tinha como propósito conseguir um bloco económico que se pudesse equiparar aos USA. Mas os promotores descuraram as realidades históricas de cada um dos parceiros europeus, enquanto que os estados da América não tinham um passado comparável.

Quem estudou alguma história europeia sabe que a Itália foi unificada por Garibaldi no séc XVIII, e que ainda hoje não se ultrapassaram os sentimentos de identidade zonal, mais ou menos conflituosos. A Bélgica é um País artificial e partilha com outros do Norte o manter governos monárquicos ditados por Napoleão.

A Alemanha unificou-se com Bismark. Aumentou e foi recortada por efeito da segunda guerra mundial, e hoje funciona com um Governo Federal. A Inglaterra, como a vemos actualmente, não está totalmente identificada como sendo igualitária, como sedo efectivo um UK homogêneo. Desde a refilona Escócia até a Irlanda, conflictiva . Mesmo o País de Gales tem orgulho na sua identidade. A monarquia mantêm, como pode, uma unidade periclitante.

A França desde a Monarquia e depois com o “Império Napoleónico”, e até hoje, é uma unidade mais funcional do que totalmente sossegada, pois que permanecem fortes muitos sentimentos regionalistas. Sem contar com o litigio latente da Corsega.

Daí que penso que se entrou num excesso de imaginada uniformidade entre os países que se foram incorporando na União Europeia. É uma ideia de igualdade excessivamente forçada, que sinto pode estourar em qualquer momento, seja com qual for o alegado. Pois que no fundo permanecem sentimentos de identidade, rivalidades, litígios por resolver, que por junto são avessos a aceitar ser iguais por decisões tomadas por mandatados.

Os primeiros sintomas de repulsa podem surgir como reacção à enorme máquina burocrática que se instalou entre Bruxelas e Luxemburgo. Além de custar muito dinheiro não me parece que os naturais de qualquer país membro se sintam totalmente satisfeitos com esta fingida igualdade.

Se o futuro se orientar para o meu pensamento, será forçoso propor aos estados membros que, caso desejem manter a união para certas questões, será aconselhável dar atenção às suas parcelas com identidades fortes. Modificar os estatutos e dar importância aos grupos humanos que existem nos territórios dos diferentes membros. Em suma, baralhar e dar de novo. Procurar montar um Estado Federal com um corpo burocrático reduzido.

NOTA: Não estou satisfeito com este texto. È demasiado pretensioso e trapalhão. Hoje não consigo melhorar.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

A FAVORITA


Quem me segue,pouco ou muito ( muito?, impossível) sabe que formo parte de um casal de adictos ao cinema, embora limitemos as nossas entradas nas salas de projecção a uma vez por semana, raramente dobramos. 

Desisti da ideia inicial de colocar uma breve sinopse do argumento, comentar o trabalho do director e das actrizes, mas desisti a tempo por admitir que outros mais capacitados já cumpriram este propósito, além de que as minhas opiniões não interessam a ninguém, situação que entre nós se descreve como "não interessa nem ao menino Jesus, (que por sinal se chamava de Emanuel) Chegando a este ponto não resisto a dar fé da minha estranheza acerca de saber até donde chega o limite de interesse do filho de Deus, pois até recordo que esta entidade deve ser considerada como defensor das causas perdidas. Enigmas da linguagem.

E já que entrei no domínio das interpretações idiomáticas, recordo que ao longo da visualização deste filme, além de dar alguma atenção às situações de intrigas e lutas entre membros da corte, apreciei o facto de que se deu porta aberta à produção a fim de poder utilizar, e daí mostrar, os interiores das mansões onde se fazia decorrer a intriga. Não é a primeira ocasião em que o atrevimento do director nos oferece umas olhadelas a salas, salinhas e salões ainda hoje existentes, e que se admite mantêm um recheio e decoração que deve corresponder à época em que decorre a história. Ou seja, nos inícios do século XVIII.

Uma das características mostradas, e para a qual já estamos habituados, é que aquelas casas com amplos espaços, tectos altos e paredes de alvenaria de pedra eram muito frias  Sendo sintéticos: aquilo era muito desconfortável nos longos meses de baixa incidência solar naquele paralelo. Por isso entende-se que usassem pesadas tapeçarias de lã assim como reposteiros e biombos guarnecidos, para isolar minimamente aqueles espaços, pois que as muitas lareiras, por mais lenha,turfa ou carvão, que queimassem,não conseguiam tornar a temperatura ambiente agradável.

De imediato lembrei que, no Portugal de oitocentos estava em auge a decoração parietal com amplos painéis de azulejos, muitos com motivos de repetição, normalmente florais, e os mais ricos reproduzindo estampas galantes, religiosas, bélicas ou paisagistas. Em muitas ocasiões os desenhos foram adquiridos a marchantes do centro da Europa que, deslocando-se pelas zonas onde sabiam existir mercado para decoração parietal. vendiam cópias ou versões dos mesmos temas Não é raro encontrar os mesmos desenhos em tapeçarias colocadas na França, Inglaterra ou Países Baixos, e em paredes revestidas de azulejos em igrejas, conventos  Paços e residências de abastados senhores em Portugal..

Como é fácil de entender, o metro quadrado de azulejo decorado era bastante mais barato do que uma tapeçaria fabricada numa oficina reputada, isso não coloca o azulejo num patamar necessariamente inferior, até porque aqui se criaram trabalhos notáveis, que são orgulho dos cidadãos actuais. Posto isso mesmo que aceitemos o paralelo e as suas razões, pode vir à nossa memória um anexim famoso que refere: Quem não tem cão caça com gato. Que apesar de ter um ar de paródia nos alerta para tirar partido das nossas capacidades.  

 O facto de existirem coincidências evidentes, pontos comuns entre as duas artes decorativas tem que se olhar como serem duas soluções utilizando meios parcialmente semelhantes ou iguais. E é indiscutível que, em Portugal, a decoração parietal com recurso ao azulejo nos deixou trabalhos notáveis, Tanto em Igrejas, conventos, palácios, residencias de abastados ou até de lugares públicos.