sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

UMA DÚVIDA “IMPERTINENTE”



Na sequência de situações pessoais, que entendo devem ser vistas desde um aspecto mais generalizado, surgiu-me o pensamento “impertinente” de se todos os que nos movemos per este mundo, mesmo que reduzindo o espectro aos que, com mais profundidade ou levemente imaginamos que conhecemos,  tem uma noção clara do patamar social em que, de facto, cada um pertence.

Tenho a ideia, possivelmente errada, de que nos imaginamos com excessiva boa-vontade, que mesmo sendo repulsivo nem sempre p espelho nos mostra quem somos.

Entrando por outra porta. Penso que cada um de nós é a resultante de uma vida começada ainda em cada um dos progenitores, e que a evolução que se atingiu no fim é mais ilusória do que profunda. Isso porque esta ilusão nos pode levar a renegar aquilo de onde partimos, e neste caso vivemos num estado de fantasia desligado daquilo que, de facto, trazemos dentro.

Caso existir, este deve ser “existencial” -desculpem a redundância”- difícil de aceitar e practicamente impossível de neutralizar. O saltar degraus na escala, nem que seja mentalmente, carece de uma sequência de gerações favorável e isenta de memórias.

Esqueça quem tenha lido até aqui.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O RISCO EXISTE




Podia ficar no “A possibilidade”, e não seria tão apelativo.

O facto inquestionável é que a situação política entre as populações da Europa Central e Ocidental -além de já ter colocado o pé no duplo continente americano- é que entre a incerteza sobre o rumo da Economia mundial, onde os seus mentores, através do dinheiro, manipulam a seu bel-prazer, sente-se que nos levaram a uma senda cheia de profundos fossos, que progressivamente parecem mais difíceis de ultrapassar. Já se ultrapassou a fase em que uma trovoada local não afectava o clima de outro continente. Hoje já acreditamos na exagerada metáfora que afirma que o leve bater de asas de uma borboleta aqui pode causar um tufão no lado oposto do globo.


Quando se introduziu a dupla decisão de globalizar e deslocalizar, primeiro de forma subtil e pouco alarmante e depois com uma potência avassaladora, a população ocidental não tardou a notar que a maravilha de conseguir bens de consumo a baixo preço não era compatível, com o seu bem-estar. Não tardaram a surgir problemas de difícil resolução.

Os dois movimentos, simultâneos, nem sequer se podem considerar como novidades absolutas. A importação de matérias primas, produtos semi-elaborados e outros aptos a ser distribuídos de imediato no mercado sempre existiu, apoiado no transporte, seja por via terrestre (caravanas na rota da seda, por exemplo) ou marítima, primeiro no Mediterrâneo, que não foi por casualidade que os latinos baptizaram como mare nostrum, e posteriormente com a navegação transoceânica.

O que mudou, neste capítulo do comércio a nível mundial foi a possibilidade de movimentar quantidades ingentes de artigos, com um custo de transporte cada vez menor, quando medido por valor do transporte por tonelada ou metro cúbico. Acrescentado com que o somatório das diversas parcelas que incrementam o custo do artigo na origem até chegar ao comprador final. Não é segredo que o êxito desta mudança se baseia no retribuir mal as primeiras fases do produto e depois em repartir custos por grandes quantidades.

O reflexo social desta mudança de paradigma é duplo: por um lado se eliminaram muitos trabalhos remunerados nos países consumidores. Entre a deslocalização de empresas e a automatização, o leque de actividades remuneradas tem-se reduzido paulatinamente, e as remunerações estagnaram. Surgiu um ambiente de desemprego para não especialistas, e mesmo em tarefas antes de nível de remuneração interessante encontraram-se, sem aviso prévio, no patamar das especialidades consideradas obsoletas ou incorporadas na automatização.

Esta mudança, generalizada em quase todos os sectores, colocou em inactivos muitos cidadãos, com os problemas que se reconhecem quando as pessoas deixam de se sentir úteis e imprescindíveis. Daí um problema duplo: social e psicológico, que não se neutraliza com o recurso a subsídios e acções de apoio social. O estar inactivo e sem vislumbrar, no horizonte restrito de cada indivíduo, uma alternativa satisfactória, não se pode neutralizar, eternamente, através de entregar uma quantia de dinheiro sem retorno, só tentando com isso conseguir uma paz social.

Paralelamente a acelerada evolução das comunicações, quase que em tempo real para todo o globo, as incitações a consumo de bens que nem sequer se conheciam, levou a que muitos habitantes dos chamados segundo e terceiro mundo ansiassem, e se decidissem, a tentar a sua deslocação, individual ou familiar, em sentido de entrar no sonhado primeiro mundo, sem ponderar a real situação de muitos sectores das suas populações. Que, mesmo assim, eram muito melhores das que eles tiveram durante gerações no seu lugar de origem.

Aceitando a possibilidade de incluir o principio de que A CADA ACÇÃO SE LHE OPÕE UMA REACÇÃO EM SENTIDO OPOSTO E IGUAL MAGNITUDE, de imediato sentimos que o mundo ocidental está, neste momento, sob uma complexidade preocupante de forças negativas, e que a resultante não está em equilíbrio.

O “nosso mundo”, ocidental, encontra-se num atoleiro, que se vai magnificando de dia para dia. Usando uma imagem popular diremos que Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Temos que admitir que a mensagem não se pode tomar à letra -pelo menos por enquanto- pois ainda muitos temos “pão na mesa” e até capacidade para alguns extras. Mas as nuvens negras estão em progressão, e não olhamos devidamente para elas.

A intranquilidade social traduz-se, inevitavelmente, pelo avanço dos partidos nitidamente xenófobos, reaccionários. É um facto inquestionável. E a sua pujança não se pode considerar como uma reacção a diferenças de cor da pele, de costumes, de religião e outras características importantes. Por trás destes cartazes de incitação existem aqueles problemas, sociais, de fundo que tentei especificar anteriormente.

A assimilação de revêm chegados depende, quase sempre, da elasticidade do tecido social. Se nos habituamos à imagem de que no comboio, metropolitano ou outro meio de transporte, por muito cheio que estiver “sempre cabe mais um” é forçoso admitir que isso não se pode prolongar até o infinito. Que a realidade nos leva a que “rompa pelas costuras”.

A história universal nos oferece muitos exemplos de como se pode chegar a limites sociais impensáveis, mas que chegam mesmo. O mais triste é que não são fáceis nem “aceitáveis” as acções preventivas. A sociedade, sempre comandada desde cima mas influenciada pelos de baixo, prefere o “deixa andar e logo se vé”. Até que caldo entorne.


Sem vírus. www.avg.com

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

SERÁ UM PROBLEMA LATENTE ?



Com quase 70 anos de vida passados em Portugal considero que tenho a experiência pessoal suficiente para, apoiado na história que fui lendo e na observação do comportamento da sua população, me sentir autorizado para dar algumas opiniões, admitindo, logo a priori, que podem estar erradas.

Seja devido a factores ambientais, históricos ou da repressão de ditaduras, sente-se que neste nosso espaço, embora pertencente à Europa Ocidental o nível de contestação de rua, com alguma violência não é uma atitude de protesto muito habitual entre nós. A tentativa de imitar os “coletes amarelos” de Paris, e outras cidades francesas, não conseguiu uma adesão notável. Apesar de que por cá existem razões do mesmo teor, e até mais acentuadas, para reclamar.

A actualidade mais recente, sem ser inédita, refere as mostras de agressividade centrados em zonas residenciais, ou mais propriamente em “guetos” habitados por migrantes. Não será um pensamento descabido admitir que nem todos os que lá moram estão integrados na sociedade. O facto de se lhes ter fornecido residência e outras ajudas sociais que não teriam nos seus países de origem, não evita a que se sintam recluídos numa periferia.

Assim sendo não podemos classificar todos os seus habitantes num mesmo estereótipo. Deve-se admitir que existe uma percentagem, indeterminada, que se mantém fora dos limites do que a lei admite, e que possivelmente será de entre estes elementos que surjam as atitudes agressivas.

O que importa é que esta contestação violenta existe e não é, por enquanto, enquadrada pelas agregações sociais, sindicais, religiosas ou profissionais, que os possa representar num esquema aceitável. Isto apresenta para as entidades que dentro do seu campo de actividade, devem tentar acalmar os protestos e propor soluções, caso elas sejam plausíveis. Felizmente, estes grupos de contestação violenta parece que agem de forma isolada, sem coordenar a possibilidade de agirem concertadamente desde locais afastados entre si.

Por um lado este comportamento de acção limitada geograficamente é favorável para a sociedade, que pode incumbir a sua neutralização através das forças da ordem pública. Mas nada nos pode garantir que a situação actual não se possa agravar.

O perigo que se pode antever é o do aparecimento, entre nós, de um movimento extremista, xenófobo, racista que aproveite o nervosismo de uma situação em crescente na Europa e altere o equilíbrio, sempre periclitante, que tem existido entre os grupos com ideias nacionalistas e a população em geral, que desde séculos esta habituada a conviver com quem não é exactamente igual.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

OS MELHORES ANOS



Décadas atrás, muitas, por casa dos meus pais circulavam exemplares das Selecções, uma publicação mais ou menos anódina mas que é muito possível tivesse por trás interesses políticos de algum departamento satélite do governo americano. Desconfianças de quem nasceu desconfiado. Piores coisas se foram sabendo ao longo do tempo. Recordo que o meu avô dizia, referindo-se aos que governavam, muito ou pouco, que não se podia encontrar um palmo limpo.

Mas retomando o fio da meada, comecei citando as Selecções do Reader Digest porque nelas encontrava algumas anedotas "angelicais", pequenos relatos, certamente inventados, onde se referiam "personagens inesquecíveis",  muitos assuntos inócuos e depois um resumo de uma obra literária escolhida pela redacção.

Além de alguns jornais, chegavam revistas pelo correio, entre elas a mensal americana LIFE, pela qual soubemos, atempadamente, de como os EUA financiaram e apoiaram Fidel Castro para que derrubasse o  ditador Baptista, que era amigo da máfia de Miami e, de uma forma indirecta, apoiada pela CIA. Depois todos os veteranos, que estávamos vivos nos anos 40 e seguintes, sabemos como as coisas se desencaminharam. Contrariar os poderosos, que sempre se apoiam entre si, é muito perigoso. Neste caso particular, ao tentar domesticar os barbudos de Cuba, a pedido dos gansters, financiadores exigentes, empurraram os revolucionários cubanos, inicialmente uns senhoritos de boas famílias, certamente que insatisfeitas por alguns abusos cometidos pelos magnatas do jogo e prostituição, para os braços da União Soviética. Voltas que o mundo dá.

Pois nas ditas Selecções além das citadas personagens inesquecíveis, constava outra rubrica que uma trazia relatos dos "melhores anos da minha vida"., ou coisa equivalente.Hoje senti-me vocacionado a procurar recordar os melhores anos da minha vida, os mais felizes. 

Depois de fazer um breve balanço da minha já longa existência, surgiram várias ocasiões que deveriam ficar destacadas. Entre elas ficaria bem que referisse o tempo de namoro com a que veio a ser, e assim continua sendo, a minha mulher. Importantes foram os tempos em que iniciamos a vida de casal, aquilo que se denomina lua de mel.Também tem um lugar destacado os nascimentos dos três filhos. Recuando um pouco, destacaria o terminar a fase de formação académica e entrar na vida profissional. O ver como os filhos cresciam e seguiam os seus percursos de vida,,cada um já independente da casa paterna, mas com laços bem firmes,num grupo disperso mas coeso nos seus princípios. Outras fases da vida deveria destacar, mas nenhuma delas se compara com a que, sentimentalmente, sempre sinto como presente:

Os melhores anos da minha vida foram, sem dúvida, aqueles em que eu ão tinha outra responsabilidade de que dar atenção na escola e obedecer pais e outros familiares que completavam a tutoria do infante.  Os anos da infância, até começar a fase seguinte à escola primária. Tudo aquilo que, posteriormente, foi completando o panorama da situação em que se viveu naquela guerra e sua fase de represálias, só mais tarde é que entrou no arquivo de memórias,por via indirecta. Mas o que de facto ficou como vivenciais pessoais é de uma banalidade habitual nas crianças: os amigos de escola; os amigos das casas da vizinhança; os jogos de então,que em nada se assemelhavam ao que hoje está à disposição das crianças

Destacarei, por mérito e justeza, a companhia que o meu avô materno me deu nesta fase da iniciação para a vida. Muito me ensinou sem tomar numa atitude didáctica. Aprendi, e esqueci, muitas coisas: fazer papagaios de papel e canas, comprar cordel adequado, preparar cola de farinha, e conseguir que o papagaio se erguesse no céu. Ensinou-me os jogos de mesa, cartas, dominó, glória e outros aptos para crianças e que mais tarde pude transmitir a filhos e netas.

Suponho que, se colocarem a mão sobre o peito, não serei um exemplar único por guardar uma memória especial à fase de criança. Podia estar horas rememorando situações concretas, todas elas com um valor formativo muito especial. Sem dúvida estes foram os melhores anos da minha vida.

sábado, 19 de janeiro de 2019

É OBRIGATÓRIO DEIXAR UMA PEGADA ?




Recordo, mas não letra a letra, uma máxima que diz qualquer coisa como : Na vida temos que fazer três coisas, ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.

Não garanto que fosse exactamente assim, mas o espírito da coisa seria este. Afirmo que cumpri as duas primeiras exigências. Quanto à terceira fiquei-me no manuscrito (a bem dizer numa gravação num disco de memória), e não tratei de editar porque a sensatez me esclareceu de que o tema não era para atrair muitos compradores e fazer uma edição paga pelo autor, e ficar com uma pilha de exemplares em casa...

Deixarei três filhos, um deles mulher e o único descendente que nos deu a alegria de nos proporcionar o aceso a uma segunda geração. Quanto a plantar árvore, já comprei e plantei muitas. Algumas foram sacrificadas mais tarde por não corresponderem ao que se esperava.

Além destes capítulos, conseguidos nem que seja parcialmente, não me sinto totalmente realizado no balanço da minha estadia neste mundo.

Fui criativo, sempre num patamar de amador, diletante. Consegui ter um rendimento económico aceitável com algumas das minhas iniciativas, mas naquilo que mais me interessava, que seria o deixar algumas boas memórias, nomeadamente em mentes que não se sentissem pressionadas para me satisfazer, nisso aceito que fui um desastre.

E o mais triste é que não posso descarregar para outrem este peso que me esmaga. Nós, cada um de nós, individualmente, é que tivemos a possibilidade de optar em muitas situações. O somatório das escolhas erradas creio que, tal como tempo, não se pode neutralizar e muito menos começar de novo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

COMO NO FUTEBOL



Deveriam respeitar mais o Norte.

E também noutros desportos em que se joga a duas mãos, o que mais força anímica dá é poder “jogar em casa”. É o que Rui Rio, com sagacidade, fez quando convocou o plenário para a Invicta. Mesmo que os contestatários tivessem a maçada de se deslocar “em peso” para o Porto, bastava este incómodo para os abater, pelo menos moralmente. Caso a sua moral estivesse em máximos, o que é pouco provável

Em complemento podemos afirmar que a teimosia existente de que tudo aquilo que se considera importante tem que se realizar na Capital, é um abuso por excesso de vaidade, e mostra um desprezo notório perante o desgaste de deslocações que implica, aos que ainda teimam em fazer vida longe de Lisboa. Ou será que esqueceram que ninguém gosta de ter que se prostrar de joelhos perante aquele que, a bem ser, deveria acolher os de fora com mais atenção do que a que prestam aos moscões que constantemente giram à sua volta. Bem hajam estes "provincianos" teimosos, pois é entre eles que sempre surgiram as boas e valentes decisões.

Não é do meu hábito dissertar sobre as doutrinas e comportamentos reais dos diferentes grupos políticos. Estou feliz vendo como decorre o torneio desde o segundo balcão. Foi nestes galinheiros que eu fui criando o hábito e paixão pelo cinema. De facto o poder manter uma prudente distância nos proporciona a possibilidade de ter uma visão menos apaixonada, menos clubista, e menos comprometida, e nos vacina do ter que defender acções que repudiamos.

Imagino, sem ter dados que confirmem esta ideia, que os expedicionários da capital, quando regressaram aos seus ninhos iam com o rabo entre as pernas e com muita acidez estomacal. Se tivessem feito, e bem feito, o trabalho de casa na devida altura não teriam colocado a bola na posição de grande penalidade a favor de Rui Rio.

Este encumbramento dos que se sentam na Assembleia da República os deixa encandeados, estáticos, desnorteados, como um animal selvagem que, ao meio da escuridão da noite sem lua, se defronta com os faróis de um automóvel. Não foi a primeira vez que esta orfandade mental cai sobre os vaidosos que residem na capital. E não será a última, pois o que Lisboa faz com os seus residentes, nomeadamente com os recém chegados, é que os converte em desenraizados, eticamente anódinos, sem valores afectivos familiares e de grupo. Por isso se acolhem a clubes “desportivos” que ainda os alienam mais, se possível.

Resumindo e concluindo: A força de Portugal ainda está fora da capital. Por enquanto.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

SOU ASSIM OU PELO CONTRÁRIO




Considero que deve ser geral a dificuldade em nos auto qualificar, em especial quanto a características dificilmente mensuráveis, pois que o esquema usual é fazer, mentalmente, uma comparação quantitativa com um padrão que mesmo que não seja exactamente neutro, intermédio, sirva para nos situar numa escala relativa de méritos ou valores.

Logicamente esta dificuldade não existe, ou não está muito evidente, quando o que queremos qualificar entra no domínio das obviedades. Por exemplo, se nos queremos situar como gordos ou magros, ou assim-assim; ou se altos ou baixos; ou se de tez clara ou escura. entre outras características pessoais, a subjectividade é menor. Mesmo assim inclusive em características tão evidentes sempre se podem encontrar uns pareceres próprios com limites favoráveis, tais como nos vermos como “fortes” e não exactamente “gordos”.

Mais difícil, ou mesmo problemático, se torna o pretender nos calibrar em função de comportamentos, condutas, e características pessoais que serão vistas por terceiros com vontade mais escrutinadora, ou até rigorosa, do que aquela que nos mesmos atribuímos. Não só os critérios próprios podem não coincidir com aqueles que aplicam os terceiros, como tanto eles como nós, nem sempre medimos os comportamentos sob a mesma bitola.

Assim sendo podemos considerar com avaliações subjectivas as que correspondem a comportamentos pessoais de índole social. O nível de seriedade, honestidade, bonomia, correcção, humor, participação na comunidade, integrador ou segregacionista, entre outras mais, é muito provável que seja valorizado em níveis diferentes consoante o avaliador. Sempre mais favorável para si próprio e para os seus amigos do que para os que se lhe opõem ou simplesmente detesta, seja qual for o motivo.

Antes de fechar devo referir a minha convicção de que ao longo da vida e até de um só dia, as condições em que nos encontremos, assim como o estado de ânimo do momento, nos podem induzir a efectuar acções em sentido diferente, ou mesmo oposto, às que tomaríamos noutras circunstâncias. Existe portanto uma dificuldade, quase que inultrapassável, em manter fixos e inalteráveis os níveis de comportamento pessoal e social que livremente aceitamos manter.

Todos entendemos a sabedoria que se transmite no anexim Não se deve ser juiz em causa própria.