segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

ABRIR UMA PORTA PARA DESCARGA DA LAGOA DE ÓBIDOS

É a enésima vez que se faz este trabalho, que dura pouco mais de duas épocas, consoante os temporais e o transporte de areia de Norte para Sul, devido às corrente oceânicas nesta costa.
E não se entra neste problema com os conhecimentos e disponibilidades actuais. Santa paciência. Alguém vai ganhar com este trabalho.

Albert Virella Torras Enquanto não se decidir construir uns espigões, de pedra ou betão, que alterem as correntes costeiras, que trazem areia para a lagoa, fecham a saída e elevam o fundo do interior lagunar ate umas centenas de metros da entrada e saída da água salgada, o trabalho agora adjudicado, caso se execute será mais uma quantia gasta sem sucesso. Já a remoção dos depósitos junto às desembocaduras do Arnoia e Real, mesmo que pertinente, será ineficaz a médio prazo caso não se criarem obstáculos que travem a descarga de sedimentos com o fluxo das águas.
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

STARTUPS


UM FUTURO PROVIDENCIAL OU UMA CATÁSTROFE A PREVER ?

As aplicações da informática, que apesar de estarem em progressão geométrica se nos apresentam como imparáveis e ser a salvação do mundo, para os pessimistas mais se assemelham a uma maldição bíblica.

E porque razões se pode entrar em pessimismo quanto ao futuro? Simplesmente porque a mente humana e as suas capacidades físicas não estão em sintonia com as velocidades que a gestão informática pode tornar inevitáveis. O nosso pensamento, para funcionar devidamente, carece de tempo para meditar e ponderar, nunca foi bom agir de imediato a impulsos que alterem o equilíbrio. O nosso esquema de vida tem, sempre, que romper por algum lado.

Obviamente a ruptura da-se pelo ponto mais fraco, seja num circuito electrónico, numa máquina ou num grupo de humanos. O cerne do problema, já hoje, encontra-se na impossibilidade de ocupar devidamente (entenda-se com remuneração e garantias) uma grande parte da população considerada como em idade activa. Devemos considerar que o futuro de ocupação para as pessoas nesta evolução acelerada do automatismo é que poucos serão os eleitos e inclusive estes escolhidos inicialmente podem ser substituídos pela nova leva de mentes.

Como vimos, repetidamente já hoje, muitas das tarefas, de segunda e terceira linha, que eram reservadas para as nossas abelhas operárias podem ser realizadas por automatismos expressamente concebidos e programados. E com vantagens notáveis ! Os automatismos não carecem de tempos de descanso, nem de alimentação pois basta estarem servidos de uma fonte energética. Não há despesas de segurança social, férias ou reformas. Nem de qualquer outro tipo que possa conduzir a reclamações conflituosas. Quando a máquina se torna obsoleta, recicla-se ou substitui-se com custos inferiores aos de utilizar humanos.

O fiel de armazém deixa de ser necessário. O inventário de existências e a necessidade de reposição é dado instantaneamente. Cargas e descargas, mesmo as que implicam movimentos intrincados, já se programam sem dificuldade. Só ficam para os humanos, por enquanto, as tarefas mais inesperadas e violentas. E mesmo neste campo de acção a robótica já está preparando a sua incorporação..

Que fazer com a maioria dos humanos “desnecessários”? Imaginar que os podemos entreter, tal como os romanos faziam com os seus cidadãos da urbe, com “pão e circo” parece difícil, pelo menos se o quantitativo de pessoas sem utilização for cada vez mais elevado, em paralelo com a automatização das tarefas.

A vontade de automatizar tudo e de aumentar o rendimento já chegou à agricultura, que só necessidade dois tipos de colaboradores. Por um lado daqueles que sejam capazes de conceber e manipular os sistemas automatizados, e depois um mínimo de trabalhadores braçais que terão um estatuto equivalente ao dos escravos de antigamente. E este recuo histórico está muito mais próximo de nós do que gostamos de recordar.

Quando os escribas bíblicos foram descrevendo as sete pragas do Egipto, como é óbvio, só podiam basear-se nos factos que conheciam, embora os magnificassem e lhes dessem o pendor de malefícios divinos. Hoje em dia os futurólogos podem discorrer sobre os perigos que o progresso da informática podem implicar à humanidade. Já os herdeiros fidegais de Júlio Verne, tanto na literatura em papel, incluindo a banda-desenhada, como em filmes, se tem dedicado a imaginar um futuro bem sombrio.

A outra possibilidade de mudança, que implicaria um recuo histórico, seria a invasão em massa das pessoas do terceiro mundo, fartas de passar fome, de trabalho escravo, de serem massacradas em guerras preparadas e fornecidas de material bélico pelos ocidentais, que, como é de prever, se encarregarão de armar os seus carrascos. Esta prevista invasão seria a versão actualizada dos CAVALEIROS DA APOCALIPSE.

O MUNDO ESTÁ INSTÁVEL



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E NÃO É A PRIMEIRA VEZ
É um facto verificado por muitos cidadãos que ao tentar raciocinar sobre os acontecimentos que lhes chegam ao seu conhecimento, mesmo que isoladamente poderiam aceitar-se sem gerar um alarme acentuado. Todavia pode suceder que esta paz de espírito seja contrariada pela influência das políticas generalistas que tem sido incrementadas desde os países tradicionalmente mais poderosos económicamente. Dito de outra forma. O sossego imediato não consegue vencer as preocupações geradas pela situação social internacional.

A globalização e a expansão do livre comércio conduziu a um empobrecimento geral e progressivo das classes médias ocidentais, e uma queda mais acentuada em direcção à pobreza das camadas já inicialmente mais desfavorecidas.Simultâneamente a especulação bolsista e a manipulação oculta do capital tem estado nas mãos de um reduzido grupo de profissionais,que conseguem multiplicar os seus lucros na razão inversa de como se degrada a economia das suas vítimas. As quais estão positivamente indefesas e inermes para poder reagir positivamente, perante a pressão consumista -que está na base desta alteração global das sociedade, sem mostrar sintomas de receber pressões nítidas para pretender um abrandamento, Tal mudança na orientação da economia mundial só poderia acontecer por uma decisão revolucionária, e por isso pouco provável, por parte dos que tem poder de mudança, ou seja da vontade regeneradora (caso surgisse) de uma parte das elites que comandam,.

Quanto mais se acentua a globalização e o  "livre comércio" mais fundo fica o fosso que separa a reduzida classe dos beneficiados frente aqueles que são arrastados pela corrente depredadora. Mais se degrada a vida dos novos escravos como, paralelamente, se destrói o habitat deste planeta, que é o nosso único habitat. O capital só declara propósitos de recuperação ambiental sem que tenha a mínima intenção de os cumprir, pois tal decisão implicaria custos imediatos que não lhes parecem ser de rentabilidade rápida. O longo prazo deve ficar para os que venham a seguir.

Todos os que se dedicaram a ler atentamente o que os historiadores descomprometidos nos foram relatando ao longo de séculos e até de milénios, sentem que, apesar de existirem modulações próprias em cada época histórica, existiu uma repetição quase que cíclica de esquemas que deram novos rumos à humanidade. Uma situação que é extensamente referida nos comentários sócio-económicos é o da deslocalização de fabricas da zona onde se geraram para outras zonas do globo onde, como factor preponderante, o ser factível impor condições  laborais muito mais favoráveis para o empresário. Dito de modo mais concreto reduzem-se os custos de produção sempre pagando menos aos empregados, além de lhes exigir horários mais prolongados e reduzir, quase anulando, os períodos de descanso. A isto sobrepõe-se a inexistência total de segurança social e ausência de contratos legais. Agem com uma impunidade maior do que nos tempos da escravatura reconhecida como tal. A responsabilidade de patrão, ausente, é total, como nunca tinha sido.

Paralelamente no dito "primeiro mundo" os lugares disponíveis para ocupar os que ficaram desempregados ao fechar as empresas onde labutavam, cada vez são menos, pior remunerados e raramente com garantias de continuidade. Esta evolução da sociedade, tipo bola de neve, especialmente na zona do assalariado, só poderia deixar de continuar se moderasse a febre consumista. Por enquanto tal não acontece mesmo que os produtos colocados no mercado possam atingir preços nitidamente abaixo dos que tinham pouco tempo antes. As vacas fracas, mesmo na pele e o osso, que se relatam numa das famosas pregas do Egipto, não tardarão a surgir acentuadamente. É fatal que depois da maré cheia venha a maré vaza, e paulatinamente caminha-se para as marés vivas.

É pertinente  referir que na fase madura do Império Romano já se concretizou muita deslocalização do trabalho manual. Para reduzir os preços de comercialização, sempre, como agora, baixando os custos na origem, transferiram-se o fabrico de muitos artigos de cerâmica para os territórios então ultramarinos (recordemos que o Mediterrâneo era referido, naquele tempo, como Mare Nostrum, daí que muitas marcas estampadas nas peças se verificou que correspondiam a estabelecimentos fabris do Norte de África. Dali também partiam os operários que instalavam os mosaicos com tacelas.


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

FALTAVA A CEREJA


Para completar o meu abjecto retrato ficou por referir um pormenor, importante, de que tem conhecimento aqueles que me seguem desde tempo atrás.

Sou consciente e aceito sem reservas que, desde os tempos mais remotos, a humanidade, quando se enfrentava ao inexplicável, sempre decidiu inventar um apoio invisível, mas com muita influência, ao qual pedir ajuda ou atribuir responsabilidades. Uma entidade que tanto poderia ser protectora como punitiva. E o invento sempre foi sendo paulatinamente elaborado, com contradições às quais não se lhes dava importância.

Com percursos semelhantes ou até divergentes assim se foram gerando crenças que, quando organizadas, se converteram em religiões.

Sendo eu céptico por natureza e convicção, é coerente a atitude de ser ateu total. Não ter preferências por nenhum tipo de credo, e por acréscimo também ser avesso a entrar em qualquer cacifo político, pois sinto que os bem intencionados, que os há, felizmente, não se encaixam nas tricas político-partidárias assim como fogem das velhacarias que lhe estão associadas.

Posso dizer que, mentalmente e ao estilo metafórico, o meu estar na sociedade é a de um eremita sem credo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

INVENTÁRIO E BALANÇO


Não que ainda tenha minimamente uma convicção de que a mudança da contagem dos dias, meses e anos, implique a possibilidade de implicar umas mudanças, apreciáveis, na nossa maneira de ser e de nos comportar, ou até na forma como encaramos e valorizamos, seja positivamente ou negativamente, os factos que nos chegam e, certamente, nos influenciam em maior ou menor grau. 
Mesmo assim o ter umas horas de sossego nesta altura de dias curtos e frios, quase que recluídos nas nossas casas, incita a que se faça alguma loucura, que descarrilemos abrindo agulha de uma linha que, de preferência, devia estar fechada ao transito, ou mais concretamente à possibilidade de ser vista e criticada por terceiras pessoas. Um descuido qualquer pessoa pode ter de vez em quando, e este promete ser o meu neste fecho de ano civil, ou militar.
Optei por uma tentativa, tanto quanto possível honesta e credível, que defina a minha forma de ser. Numa espécie de auto-retrato, sem garantia de ser correcto, já que aceito que todos somos  mentirosos, pois que sempre deturpamos a realidade a nosso respeito, adoçando-a ou amargando-a, dependendo do estado anímico do momento.
Uma troca de mensagens com um familiar "político", não consanguíneo, incitou-me a que desse mais uma vota na porca que aperta o torniquete da minha forma de avaliar certas situações., comportamentos e grupos sociais diferentes daquele onde estou situado. Com palavras suaves, mas suficientemente explícitas, sou acusado de ser discriminatório, de fugir à pressão actual (?) de nos comportar de forma gentil e amigável para todos os grupos humanos, rácicos, religiosos, culturais que não coincidam exactamente com os meus. Pergunto, com voz angelical: Quem jamais tem pensamentos e comportamentos discriminatórios? Quem pode atirar a primeira pedra? O difícil é conseguir vencer a repulsa e aceitar a convivência.
Pessoalmente e convencido de não estar faltando à verdade, não tenho preconceitos discriminatórios, agudos, perante raças, cores, credos e hábitos de outras pessoas, sejam de grupos próximos ao meu ou mais afastados. Posso conviver e tolerar, sem problemas mentais com gentes muito diversas, sempre e tanto que não me sinta potencialmente agredido pelos outros quando eles se comportam de forma nitidamente agressiva ou discriminatória. Ou seja, a convivência deponde muito da atitude  e comportamento dos elementos do outro grupo.
Um exemplo notório é o caso dos membros da tal etnia cigana. Eles são absurda e totalmente segregacionistas, embora nas novas gerações se possa notar um esforço visível para de adaptarem aos costumes dos "paios". Mesmo assim são gentes que, grupalmente, não nos podem inspirar confiança, e nos induzem a os ver com uma prudente reserva. Melhor longe que perto. Aceito que entre os "calé" existem, sem dúvida, excelentes cidadãos. Mas o facto de que eles prefiram viver num círculo exclusivo, fechado, nos leva de imediato a desconfiar. O que não implica que devemos confiar,plenamente, com todos os membros do "nosso grupo", sabendo que os há tão velhacos,ou mais, do que o mais rejeitável cigano.
Concretamente no meu caso pessoal, e por ser de origem catalão, as diferenças que fui apreciando em relação aos espanhois castelhanos, acentuaram a adversão geral perante o seu comportamento grupal perante a Catalunya. Independentemente das convicções de cada um, o governo central da Espanha, herdeira do fascismo franquista e com uma monarquia recuperada pela força das armas, depois de muitos milhares de mortos consequência de um golpe militar ultra-conservador, conduziu a que os avanços conseguidos no período republicano, rejeitado pelos católicos extremistas e militares facciosos, fossem anulados sine die.
Ou seja, ainda hoje se percebe que a imensa maioria de cidadãos espanhóis comportam-se, tacitamente, como sendo partidários de manter, e exigir, um centralismo totalmente unificado, que se disfarçou com um chamado estado de autonomias, com o qual se concederam alguns graus de liberdade a determinadas regiões, sempre e tanto que permaneçam fiéis à indivisibilidade da que consideram ser UMA NAÇÃO. Isso não os impede a que, de boca pequena, declarem que a Espanha é um País de Nações !
Podemos encontrar alguns espanhóis, com fala e sentimentos castelhanos, que nos digam ser favoráveis a uma mudança no sentido de recuperar um ESTADO FEDERAL, como se tentou na República derrubada. Tretas !, por enquanto não se vislumbra existir um quórum que apoie, firmemente, esta mudança. Que implicaria a desconstrução da monarquia teatral actual, que é acusada de ser fonte de negócios prejudiciais para a Nação, e retomar a República Parlamentária e Federal. Digam o que disserem estes pretensos contestatários, por enquanto comportam-se coniventes e agradados com o comportamento do centralismo, que deve manter a sua bota sobre o povo catalão.
O argumento de que no espaço geográfico da Catalunha os cidadãos, indiscutivelmente catalães, são menos do 50% dos residentes, é o mesmo argumento que foi usado pelos diferentes governos anexionistas no globo terrestre  ao longo da história. Enviam-se colonos para diluir os naturais.
Por estas e outras razões, da mesma laia, reneguei do facto de por nascimento ter sido favorecido com a nacionalidade espanhola. O que não me impede de ter trato, de igual para igual, com espanhóis não obcecados com o centralismo oficial e oficioso.

sábado, 15 de dezembro de 2018

TRISTE MEDITAÇÃO

Quando me decidi a colocar os meus pensamentos, em vez de os deixar morrer em páginas de papel, no que se chamava de diário pessoal, e os editei neste meio electrónico, ficando à disposição de não identificados leitores, sempre esperei conseguir uma dose, mesmo que pequena, de diálogo. Não que esperasse aplausos ou adesões, pois aqui não germinaria uma movimento político.

A realidade dos factos é que fiquei mais isolado do que o canário na gaiola. Por varias vezes tentei abandonar esta triste e solitária iniciativa, mas  minha falta de respeito a mim mesmo me fez tombar uma e outra vez nesta vergonha de isolamento. Até um dia em que vos deixarei sossegados.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

MEDITAÇÕES 59 - Ser racional e honesto



Sempre? É difícil

Admito que as pessoas, pelo menos aquelas que se auto-avaliam como tais, desejam se apresentar e manifestar, seja de viva voz ou por escrito, sempre com total racionalidade, e sendo possível com honestidade. A experiência obriga a reconhecer que não são poucas as ocasiões em que, seja pressionados pelas obrigações sociais ou para não desgostar intrinsecamente aquele/a a quem nos dirigimos, falseamos o nosso parecer. Depois podemos sentir a consciência pesada; não estarmos satisfeitos connosco; a opção mais practica é a de aproveitar o automatismo de nos defender esquecendo os remorsos.

Infelizmente, o ter atingido uma idade provecta (gosto deste termo. É bom para aplicar nas palavras cruzadas) oferece-me o lastro de rememorar acções de que, hoje, me recrimino e, para mais peso na consciência, reconheço que não se pode voltar atrás no propósito de corrigir. Dentro deste saco de recordações desagradáveis há pecadilhos, veniais com diziam na catequese (o dicionário diz que este termo corresponde a uma falta leve) outros mais graves e no topo da escala os mortais, sem possível remissão. Cinicamente tento ficar no nível dos veniais. Mas sem convicção.A catequese pesa.

As horas sem conseguir ferrar o sono e nas que, quase sempre, faço inventário dos meus pecados. São fases amargas, e constituem a minha penitência em vida, pois que, pelo que me atinge, não necessito de falecer para me encarar com o santo tribunal. Eu mesmo nestes momentos de fraqueza, sou o meu juiz implacável. Ou seja, a história da classificação dos pecados ainda me pesa. Mas não me ameaço com penas pós-morte, dado que não conseguiram que ficasse até a idade adulta com a crença da ressurreição e das almas penadas. Sou dos que afirmam, convictamente, que os que tem penas são os índios americanos, os outros levam um turbante, quando levam. Pontualizando, os índios penados, do continente americano, são cada vez em menor número; e mesmo entre os que restam a maioria desistiram de cravar penas na cabeça.

Não quero terminar sem insistir que, dentro de ser possível, é conveniênte e favorável para a convivência -mas arriscado- ser racional e honesto. O risco que se corre é sobejamente conhecido, pois se há coisa perigosa é ser escravo voluntário da verdade. Em muitas ocasiões é preferível um cauto silêncio e deixar passar a bola. Até já ouvimos contos didácticos em que se referem os perigos da verdade. A maior parte das pessoas, bem educadas e conhecedoras, sabias portanto, utilizam eufemismos menos crus do que a estrita verdade. Aliás, recordemos que existe a máxima social que avisa Com a verdade me enganas, afirmação que implicitamente nos diz que existem verdades que é preferível negar.

E agora um apanhado de provérbios sobre o tema:

A verdade, ainda que amarga, se traga.
A verdade é amarga, a mentira é doce.
A verdade é clara e a mentira é sombra.
A verdade é manca, mas chega sempre a tempo. (será assim?)
A verdade e o azeite andam sempre ao de cima.
A verdade não quer enfeites.
A verdade não sofre dissimulações.
A verdade não tem pés e anda.
A verdade tem asas.
Mal me querem as comadres, porque lhes digo as verdades.
Do dinheiro e da verdade a metade da metade.
Onde falecem as verdades, prevalecem os enganos.
As más suspeitas destroem as verdades.
Não há pior zombaria do que a verdade.
Pelejam-se as comadres,descobrem-se as verdades.
Dobrada é a maldade se feita com cor de verdade.
Ao médico, ao advogado e ao abade, falar verdade.
Quem não me crê, verdade não diz.
Vai-te a língua para a verdade.