E não se entra neste problema com os conhecimentos e disponibilidades actuais. Santa paciência. Alguém vai ganhar com este trabalho.
Neste espaço pretendo colocar relatos de experiência próprias e algumas elucubrações mais ou menos disparatadas.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
ABRIR UMA PORTA PARA DESCARGA DA LAGOA DE ÓBIDOS
É a enésima vez que se faz este trabalho, que dura pouco mais de duas épocas, consoante os temporais e o transporte de areia de Norte para Sul, devido às corrente oceânicas nesta costa.
E não se entra neste problema com os conhecimentos e disponibilidades actuais. Santa paciência. Alguém vai ganhar com este trabalho.
E não se entra neste problema com os conhecimentos e disponibilidades actuais. Santa paciência. Alguém vai ganhar com este trabalho.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
STARTUPS
UM FUTURO PROVIDENCIAL OU UMA CATÁSTROFE A PREVER ?
As
aplicações da informática, que apesar de estarem em progressão
geométrica se nos apresentam como imparáveis e ser a salvação do
mundo, para os pessimistas mais se assemelham a uma maldição
bíblica.
E
porque razões se pode entrar em pessimismo quanto ao futuro?
Simplesmente porque a mente humana e as suas capacidades físicas não
estão em sintonia com as velocidades que a gestão informática pode
tornar inevitáveis. O nosso pensamento, para funcionar devidamente,
carece de tempo para meditar e ponderar, nunca foi bom agir de
imediato a impulsos que alterem o equilíbrio. O nosso esquema de
vida tem, sempre, que romper por algum lado.
Obviamente
a ruptura da-se pelo ponto mais fraco, seja num circuito electrónico,
numa máquina ou num grupo de humanos. O cerne do problema, já hoje,
encontra-se na impossibilidade de ocupar devidamente (entenda-se com remuneração e garantias) uma grande parte da população considerada
como em idade activa. Devemos considerar que o futuro de ocupação
para as pessoas nesta evolução acelerada do automatismo é que
poucos serão os eleitos e inclusive estes escolhidos inicialmente
podem ser substituídos pela nova leva de mentes.
Como
vimos, repetidamente já hoje, muitas das tarefas, de segunda e
terceira linha, que eram reservadas para as nossas abelhas
operárias podem ser realizadas
por automatismos expressamente concebidos e programados.
E com vantagens notáveis !
Os automatismos não carecem de tempos de descanso, nem de
alimentação pois basta estarem servidos de uma fonte energética.
Não há despesas de segurança social, férias ou reformas. Nem de
qualquer outro tipo que possa conduzir a reclamações conflituosas.
Quando a máquina se torna obsoleta, recicla-se ou substitui-se com
custos inferiores aos de utilizar humanos.
O
fiel de armazém deixa de ser necessário. O inventário de
existências e a necessidade de reposição é dado instantaneamente.
Cargas e descargas, mesmo as que implicam movimentos intrincados, já
se programam sem dificuldade. Só ficam para os humanos, por
enquanto, as tarefas mais inesperadas e violentas. E mesmo neste
campo de acção a robótica já está preparando a sua
incorporação..
Que
fazer com a maioria dos humanos “desnecessários”? Imaginar que
os podemos entreter, tal como os romanos faziam com os seus cidadãos
da urbe, com “pão e circo” parece difícil, pelo menos se o
quantitativo de pessoas sem utilização for cada vez mais elevado, em
paralelo com a automatização das tarefas.
A
vontade de automatizar tudo e de aumentar o rendimento já chegou à
agricultura, que só necessidade dois tipos de colaboradores. Por um
lado daqueles que sejam capazes de conceber e manipular os sistemas
automatizados, e depois um mínimo de trabalhadores braçais que
terão um estatuto equivalente ao dos escravos de antigamente. E este
recuo histórico está muito mais próximo de nós do que gostamos de
recordar.
Quando
os escribas bíblicos foram descrevendo as sete
pragas do Egipto,
como é óbvio, só podiam basear-se nos factos que conheciam, embora
os magnificassem e lhes dessem o pendor de malefícios
divinos.
Hoje em dia os futurólogos podem discorrer sobre os perigos que o
progresso da informática podem implicar à humanidade. Já os
herdeiros fidegais de Júlio Verne, tanto na literatura em papel, incluindo a banda-desenhada, como em filmes, se tem dedicado a
imaginar um futuro bem sombrio.
A
outra possibilidade de mudança, que implicaria um recuo
histórico,
seria a invasão em massa das pessoas do terceiro mundo, fartas de
passar fome, de trabalho escravo, de serem massacradas em guerras
preparadas e fornecidas de material bélico pelos ocidentais, que,
como é de prever, se encarregarão de armar os seus carrascos. Esta
prevista invasão seria a versão actualizada dos CAVALEIROS
DA APOCALIPSE.
O MUNDO ESTÁ INSTÁVEL
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E NÃO É A
PRIMEIRA VEZ
É
um facto verificado por muitos cidadãos que ao tentar raciocinar
sobre os acontecimentos que lhes chegam ao seu conhecimento, mesmo
que isoladamente poderiam aceitar-se sem gerar um alarme
acentuado. Todavia pode suceder que esta paz de espírito seja
contrariada pela influência das políticas generalistas que tem
sido incrementadas desde os países tradicionalmente mais
poderosos económicamente. Dito de outra forma. O sossego imediato
não consegue vencer as preocupações geradas pela situação
social internacional.
A
globalização e a expansão do livre comércio conduziu a um
empobrecimento geral e progressivo das classes médias ocidentais,
e uma queda mais acentuada em direcção à pobreza das camadas já
inicialmente mais desfavorecidas.Simultâneamente a especulação
bolsista e a manipulação oculta do capital tem estado nas mãos
de um reduzido grupo de profissionais,que conseguem multiplicar os
seus lucros na razão inversa de como se degrada a economia das
suas vítimas. As quais estão positivamente indefesas e inermes
para poder reagir positivamente, perante a pressão consumista
-que está na base desta alteração global das sociedade, sem
mostrar sintomas de receber pressões nítidas para pretender um
abrandamento, Tal mudança na orientação da economia mundial só
poderia acontecer por uma decisão revolucionária, e por isso
pouco provável, por parte dos que tem poder de mudança, ou seja
da vontade regeneradora (caso surgisse) de uma parte das elites
que comandam,.
Quanto
mais se acentua a globalização e o "livre comércio"
mais fundo fica o fosso que separa a reduzida classe dos
beneficiados frente aqueles que são arrastados pela corrente
depredadora. Mais se degrada a vida dos novos escravos como,
paralelamente, se destrói o habitat deste planeta, que é o nosso
único habitat. O capital só declara propósitos de recuperação
ambiental sem que tenha a mínima intenção de os cumprir, pois
tal decisão implicaria custos imediatos que não lhes parecem ser
de rentabilidade rápida. O longo prazo deve ficar para os que
venham a seguir.
Todos
os que se dedicaram a ler atentamente o que os historiadores
descomprometidos nos foram relatando ao longo de séculos e até
de milénios, sentem que, apesar de existirem modulações
próprias em cada época histórica, existiu uma repetição quase
que cíclica de esquemas que deram novos rumos à humanidade. Uma
situação que é extensamente referida nos comentários
sócio-económicos é o da deslocalização de fabricas da zona
onde se geraram para outras zonas do globo onde, como factor
preponderante, o ser factível impor condições laborais
muito mais favoráveis para o empresário. Dito de modo mais
concreto reduzem-se os custos de produção sempre pagando menos
aos empregados, além de lhes exigir horários mais prolongados e
reduzir, quase anulando, os períodos de descanso. A isto
sobrepõe-se a inexistência total de segurança social e ausência
de contratos legais. Agem com uma impunidade maior do que nos
tempos da escravatura reconhecida como tal. A responsabilidade de
patrão, ausente, é total, como nunca tinha sido.
Paralelamente
no dito "primeiro mundo" os lugares disponíveis para
ocupar os que ficaram desempregados ao fechar as empresas onde
labutavam, cada vez são menos, pior remunerados e raramente com
garantias de continuidade. Esta evolução da sociedade, tipo bola
de neve, especialmente na zona do assalariado, só poderia deixar
de continuar se moderasse a febre consumista. Por enquanto tal não
acontece mesmo que os produtos colocados no mercado possam atingir
preços nitidamente abaixo dos que tinham pouco tempo antes. As
vacas fracas, mesmo na pele e o osso, que se relatam numa das
famosas pregas do Egipto, não tardarão a surgir acentuadamente.
É fatal que depois da maré cheia venha a maré vaza, e
paulatinamente caminha-se para as marés vivas.
É
pertinente referir que na fase madura do Império Romano já
se concretizou muita deslocalização do trabalho manual. Para
reduzir os preços de comercialização, sempre, como agora,
baixando os custos na origem, transferiram-se o fabrico de muitos
artigos de cerâmica para os territórios então ultramarinos
(recordemos que o Mediterrâneo era referido, naquele tempo, como
Mare Nostrum, daí que muitas marcas estampadas nas peças se
verificou que correspondiam a estabelecimentos fabris do Norte de
África. Dali também partiam os operários que instalavam os
mosaicos com tacelas.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
FALTAVA A CEREJA
Para completar o meu abjecto retrato ficou por referir um pormenor, importante, de que tem conhecimento aqueles que me seguem desde tempo atrás.
Sou consciente e aceito sem reservas que, desde os tempos mais remotos, a humanidade, quando se enfrentava ao inexplicável, sempre decidiu inventar um apoio invisível, mas com muita influência, ao qual pedir ajuda ou atribuir responsabilidades. Uma entidade que tanto poderia ser protectora como punitiva. E o invento sempre foi sendo paulatinamente elaborado, com contradições às quais não se lhes dava importância.
Com percursos semelhantes ou até divergentes assim se foram gerando crenças que, quando organizadas, se converteram em religiões.
Sendo eu céptico por natureza e convicção, é coerente a atitude de ser ateu total. Não ter preferências por nenhum tipo de credo, e por acréscimo também ser avesso a entrar em qualquer cacifo político, pois sinto que os bem intencionados, que os há, felizmente, não se encaixam nas tricas político-partidárias assim como fogem das velhacarias que lhe estão associadas.
Posso dizer que, mentalmente e ao estilo metafórico, o meu estar na sociedade é a de um eremita sem credo.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
INVENTÁRIO E BALANÇO
Não que ainda tenha
minimamente uma convicção de que a mudança da contagem dos dias,
meses e anos, implique a possibilidade de implicar umas mudanças,
apreciáveis, na nossa maneira de ser e de nos comportar, ou até na
forma como encaramos e valorizamos, seja positivamente ou
negativamente, os factos que nos chegam e, certamente, nos
influenciam em maior ou menor grau.
Mesmo
assim o ter umas horas de sossego nesta altura de dias curtos e
frios, quase que recluídos nas nossas casas, incita a que se faça
alguma loucura, que descarrilemos abrindo agulha de uma linha que,
de preferência, devia estar fechada ao transito, ou mais
concretamente à possibilidade de ser vista e criticada por
terceiras pessoas. Um descuido qualquer pessoa pode ter de vez em
quando, e este promete ser o meu neste fecho de ano civil, ou
militar.
Optei
por uma tentativa, tanto quanto possível honesta e credível, que
defina a minha forma de ser. Numa espécie de auto-retrato, sem
garantia de ser correcto, já que aceito que todos somos
mentirosos, pois que sempre deturpamos a realidade a nosso respeito,
adoçando-a ou amargando-a, dependendo do estado anímico do
momento.
Uma
troca de mensagens com um familiar "político", não
consanguíneo, incitou-me a que desse mais uma vota na porca que
aperta o torniquete da minha forma de avaliar certas situações.,
comportamentos e grupos sociais diferentes daquele onde estou
situado. Com palavras suaves, mas suficientemente explícitas, sou
acusado de ser discriminatório, de fugir à pressão actual (?) de
nos comportar de forma gentil e amigável para todos os grupos
humanos, rácicos, religiosos, culturais que não coincidam
exactamente com os meus. Pergunto, com voz angelical: Quem jamais
tem pensamentos e comportamentos discriminatórios? Quem pode atirar
a primeira pedra? O difícil é conseguir vencer a repulsa e aceitar
a convivência.
Pessoalmente
e convencido de não estar faltando à verdade, não tenho
preconceitos discriminatórios, agudos, perante raças, cores,
credos e hábitos de outras pessoas, sejam de grupos próximos ao
meu ou mais afastados. Posso conviver e tolerar, sem problemas
mentais com gentes muito diversas, sempre e tanto que não me sinta
potencialmente agredido pelos outros quando eles se comportam de
forma nitidamente agressiva ou discriminatória. Ou seja, a
convivência deponde muito da atitude e comportamento dos
elementos do outro grupo.
Um
exemplo notório é o caso dos membros da tal etnia
cigana. Eles são absurda e totalmente segregacionistas,
embora nas novas gerações se possa notar um esforço visível para
de adaptarem aos costumes dos "paios". Mesmo assim são
gentes que, grupalmente, não nos podem inspirar confiança, e nos
induzem a os ver com uma prudente reserva. Melhor longe que
perto. Aceito que entre os "calé" existem, sem
dúvida, excelentes cidadãos. Mas o facto de que eles prefiram
viver num círculo exclusivo, fechado, nos leva de imediato a
desconfiar. O que não implica que devemos confiar,plenamente, com
todos os membros do "nosso grupo", sabendo que os há tão
velhacos,ou mais, do que o mais rejeitável cigano.
Concretamente
no meu caso pessoal, e por ser de origem catalão, as
diferenças que fui apreciando em relação aos espanhois
castelhanos, acentuaram a adversão geral perante o seu
comportamento grupal perante a Catalunya. Independentemente das
convicções de cada um, o governo central da Espanha, herdeira do
fascismo franquista e com uma monarquia recuperada pela força das
armas, depois de muitos milhares de mortos consequência de um golpe
militar ultra-conservador, conduziu a que os avanços conseguidos no
período republicano, rejeitado pelos católicos extremistas e
militares facciosos, fossem anulados sine die.
Ou
seja, ainda hoje se percebe que a imensa maioria de cidadãos
espanhóis comportam-se, tacitamente, como sendo partidários de
manter, e exigir, um centralismo totalmente unificado, que
se disfarçou com um chamado estado de autonomias, com o
qual se concederam alguns graus de liberdade a determinadas regiões,
sempre e tanto que permaneçam fiéis à indivisibilidade da que
consideram ser UMA NAÇÃO. Isso não os impede a que, de boca
pequena, declarem que a Espanha é um País de Nações !
Podemos
encontrar alguns espanhóis, com fala e sentimentos castelhanos, que
nos digam ser favoráveis a uma mudança no sentido de recuperar
um ESTADO FEDERAL, como se tentou na República
derrubada. Tretas !, por enquanto não se vislumbra
existir um quórum que apoie, firmemente, esta mudança. Que
implicaria a desconstrução da monarquia teatral actual, que é
acusada de ser fonte de negócios prejudiciais para a Nação, e
retomar a República Parlamentária e Federal. Digam
o que disserem estes pretensos contestatários, por enquanto
comportam-se coniventes e agradados com o comportamento do
centralismo, que deve manter a sua bota sobre o povo catalão.
O
argumento de que no espaço geográfico da Catalunha os cidadãos,
indiscutivelmente catalães, são menos do 50% dos residentes, é o
mesmo argumento que foi usado pelos diferentes governos anexionistas
no globo terrestre ao longo da história. Enviam-se colonos
para diluir os naturais.
Por
estas e outras razões, da mesma laia, reneguei do facto de por
nascimento ter sido favorecido com a nacionalidade espanhola. O que
não me impede de ter trato, de igual para igual, com espanhóis não
obcecados com o centralismo oficial e oficioso.
sábado, 15 de dezembro de 2018
TRISTE MEDITAÇÃO
Quando me decidi a colocar os meus pensamentos, em vez de os deixar morrer em páginas de papel, no que se chamava de diário pessoal, e os editei neste meio electrónico, ficando à disposição de não identificados leitores, sempre esperei conseguir uma dose, mesmo que pequena, de diálogo. Não que esperasse aplausos ou adesões, pois aqui não germinaria uma movimento político.
A realidade dos factos é que fiquei mais isolado do que o canário na gaiola. Por varias vezes tentei abandonar esta triste e solitária iniciativa, mas minha falta de respeito a mim mesmo me fez tombar uma e outra vez nesta vergonha de isolamento. Até um dia em que vos deixarei sossegados.
A realidade dos factos é que fiquei mais isolado do que o canário na gaiola. Por varias vezes tentei abandonar esta triste e solitária iniciativa, mas minha falta de respeito a mim mesmo me fez tombar uma e outra vez nesta vergonha de isolamento. Até um dia em que vos deixarei sossegados.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
MEDITAÇÕES 59 - Ser racional e honesto
Sempre?
É difícil
Admito
que as pessoas, pelo menos aquelas que se auto-avaliam como tais,
desejam se apresentar e manifestar, seja de viva voz ou por escrito,
sempre com total racionalidade, e sendo possível com honestidade. A
experiência obriga a reconhecer que não são poucas as ocasiões em
que, seja pressionados pelas obrigações sociais ou para não
desgostar intrinsecamente aquele/a a quem nos dirigimos, falseamos o
nosso parecer. Depois podemos sentir a consciência pesada; não
estarmos satisfeitos connosco; a opção mais practica é a de
aproveitar o automatismo de nos defender esquecendo os remorsos.
Infelizmente,
o ter atingido uma idade provecta (gosto deste termo. É bom para
aplicar nas palavras cruzadas) oferece-me o lastro de rememorar
acções de que, hoje, me recrimino e, para mais peso na consciência,
reconheço que não se pode voltar atrás no propósito de corrigir.
Dentro deste saco de recordações desagradáveis há pecadilhos,
veniais com diziam na catequese (o dicionário diz que este termo
corresponde a uma falta leve) outros mais graves e no topo da escala
os mortais, sem possível remissão. Cinicamente tento ficar
no nível dos veniais. Mas sem convicção.A catequese pesa.
As
horas sem conseguir ferrar o sono e nas que, quase sempre, faço
inventário dos meus pecados. São fases amargas, e constituem a minha
penitência em vida, pois que, pelo que me atinge, não
necessito de falecer para me encarar com o santo tribunal. Eu mesmo
nestes momentos de fraqueza, sou o meu juiz implacável. Ou
seja, a história da classificação dos pecados ainda me pesa. Mas
não me ameaço com penas pós-morte, dado que não conseguiram que
ficasse até a idade adulta com a crença da ressurreição e das almas penadas. Sou dos
que afirmam, convictamente, que os que tem penas são os índios
americanos, os outros levam um turbante, quando levam. Pontualizando, os índios penados, do continente americano, são
cada vez em menor número; e mesmo entre os que restam a maioria
desistiram de cravar penas na cabeça.
Não
quero terminar sem insistir que, dentro de ser possível, é
conveniênte e favorável para a convivência -mas arriscado- ser
racional e honesto. O risco que se corre é sobejamente conhecido, pois se há coisa perigosa é ser escravo voluntário da
verdade. Em muitas ocasiões é preferível um cauto silêncio e
deixar passar a bola. Até já ouvimos contos didácticos em que se
referem os perigos da verdade. A maior parte das pessoas, bem
educadas e conhecedoras, sabias portanto, utilizam eufemismos menos
crus do que a estrita verdade. Aliás, recordemos que existe a
máxima social que avisa Com a verdade me enganas, afirmação
que implicitamente nos diz que existem verdades que é preferível
negar.
E
agora um apanhado de provérbios sobre o tema:
A
verdade, ainda que amarga, se traga.
A
verdade é amarga, a mentira é doce.
A
verdade é clara e a mentira é sombra.
A
verdade é manca, mas chega sempre a tempo. (será assim?)
A
verdade e o azeite andam sempre ao de cima.
A
verdade não quer enfeites.
A
verdade não sofre dissimulações.
A
verdade não tem pés e anda.
A
verdade tem asas.
Mal
me querem as comadres, porque lhes digo as verdades.
Do
dinheiro e da verdade a metade da metade.
Onde
falecem as verdades, prevalecem os enganos.
As
más suspeitas destroem as verdades.
Não
há pior zombaria do que a verdade.
Pelejam-se
as comadres,descobrem-se as verdades.
Dobrada
é a maldade se feita com cor de verdade.
Ao
médico, ao advogado e ao abade, falar verdade.
Quem
não me crê, verdade não diz.
Vai-te
a língua para a verdade.
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