domingo, 25 de novembro de 2018

MEDITAÇÕES 45 - Procuram-se responsáveis



BORBA E O PRIMEIRO MINISTRO

Se existe uma situação comum a muitos sucessos mediáticos que,infelizmente,comportam a perda de vidas humanas, concretamente de cidadãos que nada fizeram que justificasse o seu desfecho,é que a maior parte dos cidadãos que recebem a notícia, começando pelos comentadores,só fixam aquela situação concreta, e em consequência rapidamente apontam a um responsável, seja ele directo ou no topo da escala de responsabilidades.
No caso de Borba,conhecendo só aquilo que nos é apresentado nos noticiários, poderíamos atribuir responsabilidades desde o dono da pedreira, ou seu arrendatário e explorador, que podem ser uma só pessoa, a seguir o técnico diplomado que assinava o termo de responsabilidade, mais os inspectores que depois de emitirem o seu parecer e o dirigiram para os serviços competentes,lavaram daí as suas mãos. A cadeia de não intervenientes que, pela sua convivência tácita deveriam ser acusados e julgados,deveria ser bastante longa.
Mas como este, e outros temas parecidos, entra no campo da política, o que causa um maior impacto mediático é atirar a responsabilidade à máxima autoridade governamental do momento. E, como sempre, obviamente ao Primeiro Ministro, que tal como o capitão de uma nave,é o responsável supremo, mesmo que o assunto jamais lhe tenha sido referido nem tivesse tido alguma acção directa.Em casos de importância social e humana quase equivalentes ao que aconteceu em Borba, é usual tentar serenar as águas com a demissão do ministro que estivesse, estatutariamente, mais directamente ligado ao sucesso.
Borba foi utilizado de imediato,pelos partidos actualmente na oposição, como uma bomba de grande potência, baseando-se não só pela conhecida, e repetida, táctica do actual primeiro ministro em sacudir a água do seu capote, como por se desviar, fisicamente e politicamente, da primeira linha nas situações embaraçosas. Podemos dizer que, de facto, tem mostrado uma fixação notável para conseguir e manter o  seu lugar.poder. Todo o seu consulado tem sido um espectáculo de malabarismo digno de uma afamada companhia circense. Não se lhe pode negar a capacidade de manobra. Pelo menos até o dia em que os objectos com que manobra caiam ao chão.
Não desculpo a responsabilidade do P.M., nem tampouco de todos aqueles que,por incúria ou outro género de razões, consentiram naquela exploração perigosa. O que não obsta a que, a meu entender, devemos recordar outros acontecimentos tristes, alguns com perdas de vidas, que aconteceram estando outras personalidades no governo e que, com mais ou menos fintas e habilidades terminaram engolidas pelo tempo, após anos de inquéritos e até de processos em tribunal, sem que jamais alguém, concreto, tivesse sido "levado ao cadafalso".
Se António Costa já deveria ter saído, pelo seu próprio pé, quando o escândalo dos incêndios e incendiários, desde o Pinhal de Leiria até as serras de Pedrogão e meses depois na Serra do Caldeirão, foi por se aproveitar da romaria de beijos e de abraços do presidente da República, que junto com promessas difíceis de satisfazer, lhe permitiram distanciar-se assobiando como alguém que nada tinha que ver com o tema. Para sua defesa existem precedentes de calibre semelhante acontecidos sendo outros os cabeças de cartaz. 
Com pormenores diferentes, os governantes que tem ocupado o trono, simbólico mas efectivo, mais os seus sequazes, tem dado mostras de nada se importarem com o julgamento mental da população. Para eles vale, como um escrito lapidar, o conceito de que o povo é sereno. Que traduzido em linguagem vulgar, a população engole tudo a troco de quase nada.


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

MEDITAÇÕES - 44 A roda da fortuna


NÃO HÁ DINHEIRO NOS BOLSOS

Quando uma pessoa se depara com uma despesa inesperada, a qual não pode atender de imediato com os seus recursos, nem com ajudas desinteressadas de familiares directos, o caminho que lhe fica disponível é o de pedir um empréstimo dando como penhora um bem móvel ou imóvel de que é proprietário. Ao se embarcar neste esquema sabe que o empréstimo implica o pagamento de juros, e que a prudência aconselha a poder abater este empréstimo quanto antes através de uma entrada de capital que lhe ofereça uma garantia de ser factível.
Isso seria o esquema mais aceitável, dentro do problema que ,por princípio, todos tentamos evitar. Mas o famoso "mercado" nos incita a gastar mais do que aquilo que normalmente dispomos, e para possibilitar esta ânsia de consumir, surgiu a táctica, simpática e facilitadora, de oferecer crédito bancário imediato através de um contrato que se assina.Nos entregam um cartão que abre portas no momento de pagar ao fornecedor. Simplesmente, esta modernice não passa de ser um disfarce, bem montado e apresentado com requinte, da agiotagem das casas de penhores. É a versão actual da serpente que ofereceu o fruto da árvore da sabedoria à Eva. Simplesmente o casal inicial (da mitologia tradicional) não tinha uma casa para deixar como penhora. Só tinha a sua liberdade para perder. E perdeu, pois que não só não há almoços gratuitos como nem sequer a fruta se oferecia sem um castigo oculto.
O esquema é muito elaborado, pois que na falta de cumprimento no pagamento da dívida, tão extensiva na sociedade e sob tantos argumentos de incitação, o moderno agiota -leia-se o banco- toma a posse do bem deixado como garantia e procede a uma tentativa de o vender no mercado livre. Caso esta anulação de empréstimo não se consiga pelas vias consideradas como normais, dentro dos estatutos, a verba em falta passa a figurar num capítulo de incobrável, donde se irá acumular a outras importâncias, de montastes sempre elevados, em geral ligadas a empréstimos de negócios já montados com fins fraudulentos. Esta acumulação colocam este capítulo do balanço num patamar perigoso. O banco chega a estar numa posição de risco por incumprimento das normas. Chega então o momento de pedir -digamos exigir- o apoio dos políticos comprometidos.
O conluio existente entre o capital e os políticos, estejam no poder ou estivessem anteriormente e pretendam voltar ao lugar, lhes augura que devem tratar de colocar estas dívidas gerais, nas que se incluem as dos cidadãos anónimos, de serem "transferidas, a "bem do equilíbrio financeiro e para cumprir as regras das entidades supranacionais" em dívida geral. E, de imediato, subsidiar a banca pelos seus erros (ou nem tanto) de previsão e gestão. Esta manobra implica que todos os cidadãos, tivessem ou não empréstimos não satisfeitos, passaram a ser pagantes da verba geral. Ou seja, todos os incobráveis são agora carregados sobre a totalidade da população.
Quem fica a ganhar e quem a perder? Ganham os bancos, ganham os que não pagaram e se escaparam com as massas, e perdem os cidadãos anónimos.


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

MEDITAÇÕES 43 - Pensar antes de agir


PONTOS DE VISTA

No anterior apontamento foquei um tema pontual, que pode ter induzido a que alguns leitores (daquela meia dúzia de sacrificados) não se sentissem motivados. Neste momento, e influenciado por coisas que encontro passeando pela net insisto em me  debruçar sobre assuntos locais, se bem que, a meu entender, devem ser vistos como mais gerais do que localizados. Mas isto depende da visão de cada pessoa.
Antes de entrar em matéria quero deixar um leve alerta acerca de que não podemos ver a actualidade obcecados com a experiência do passado se isto nos tolhe o raciocínio e nos desfasa do que hoje prima e do que se ultrapassou. É evidente que tampouco é  favorável enterrar o passado como sendo um repositório de inutilidades. É pertinente separar o trigo do joio, e aprender recordando. A cultura é cumulativo, mas com um arquivo de accesso fácil.
O progresso científico e tecnológico sempre substituiu funções e objectos. Para melhor? Normalmente é o que se pretende. Então como podemos agir perante actividades que se tornaram obsoletas? Ficam na memória durante uns tempos até que,por chegarem novos abandonos, que progressivamente vão enterrando os anteriores nos estratos do esquecimento. Felizmente há sempre quem tenta manter algumas brasas acesas.
Como exemplo poderíamos recordar que só os grupos de escuteiros, e mesmo assim uma vez por ano, se tanto, é que tentam recuperar a tecnologia de conseguir acender uma fogueira a partir de golpes numa pederneira. Ou que alguém tente sobreviver produzindo, manualmente, talheres de madeira para uso diário. Ou num campo mais tecnológico, produzir cal em fornos verticais aquecidos com lenha e detritos, carregados e descarregados manualmente, como eu vi fazer ainda nos anos '50 e '60 do século passado. Ou saírem a pescar em barcos impulsados manualmente com remos, ou do vento. Ainda existem pescadores que procuram a subsistência com este método, mas a maioria já depende do motor de explosão.

Hoje vi uma notícia, acompanhada de um incitamento para aderir a uma espécie de impugnação para tentar anular o desmantelamento total dos pavilhões da fábrica de cerâmica SECLA nas Caldas da Rainha. Dizem, os descontentes, que se deve conservar, nem que seja parcialmente, e ali instalar uma espécie de museu, que, como sabemos, seria pouco visitado, a não ser que empurrando grupos com visitas guiadas, habitualmente alunos de escolas, aos quais aquilo lhes interessa pouquíssimo, ou nada. As pessoas radicadas nas Caldas da Rainha, e noutros municípios donde a indústria cerâmica deu muitos postos de trabalho e negócios rentáveis são testemunhas directas de como as matérias plásticas por um lado e a concorrência de produtos vindos do oriente, liquidaram, sem dó nem piedade, um sector que foi florescente.
E estas mudanças ou substituições, imparáveis, são recorrentes, numa sequência cada vez mais rápida. Tentar manter "mortos vivos" como numa série da TV é uma atitude votada ao fracasso. Lamentamos ver desaparecer indústrias e hábitos que acompanhamos com agrado durante décadas. Mas também nos caem os dentes e morreremos, infalivelmente. É aconselhável focar os problemas ou situações com pragmatismo e não nos deixar enlevar pelo sentimentalismo.

A poucos quilómetros das Caldas tem-se um exemplo de como a abordagem fantasiosa do passado, da história visível e não da imaginada, pode afogar uma povoação, deixando-a.literalmente às moscas, mas cheia de visitantes com reduzido tempo de permanência , e vergonhosamente cativados com actividades comerciais mono-temáticas e extensivas. Entretanto foi abandonado ou pouco incentivada a visão real e o passado daquele burgo. Os museus, que estão em fase de abandono - muitos dias com as portas fechadas-  sem visitantes, não se adaptaram a sua temática de modo a oferecer o que um forasteiro, de origem longínqua ou de perto, poderia gostar de encontrar, nomeadamente poder apreciar, nem que seja preparado propositadamente, como os cenários de um filme, o que de diferente foi sendo a vida naquele burgo ao longo dos tempos históricos.. 
Festivais temáticos funcionam durante uns dias por ano, mesmo que os substituam por outros através de um calendário intensivo. E depois tornam-se banais, pois são imitados. Mas um grupo de israelitas sei, por experiência directa, procura saber de como.donde e quando, moravam os judeus em aquela terra. Encontram referências na NET, mas nada de concreto lhes é oferecido para justificar a viagem. Quem subir às muralhas e tiver a sorte de não morrer na aventura, pergunta pela evolução histórica daquela várzea e de como a lagoa de Óbidos foi progressivamente assoreando.  Também, em qualquer país que visitarmos, nos é mostrada a evolução da agricultura, o que deixou de se fazer e o que existe na actualidade. 
Circular entre lojas de artigos manufacturados, como num soco marroquino, não dá uma boa imagem a uma povoação que deveria ter orgulho no seu passado e mostrar, a quem não sabe, o que ali aconteceu.Inclusive a história geológica do local onde se instalou a povoação, irmã do Sobral.
Visitar museus antiquados, por iniciativa pessoal, está fora de moda. Tal como ficaram as enciclopédias, que morrem de tédio numa estante. Hoje a evolução tecnológica levou à noção de que tudo aquilo que nos pode incitar a curiosidade está disponível, sem esforço, num teclado e num visor, a cores e com as explicações pertinentes. Portanto é forçoso mostrar aquilo que não se encontra com facilidade.
Quem se preocupa por questões sociais, promocionais ou culturais, deve, em primeiro lugar, situar-se na realidade do momento e, se possível, tentar antever o futuro mais imediato.


terça-feira, 20 de novembro de 2018

MEDITAÇÕES . 42 Evitar miragens


PRAGMATISMO

A minha noção pessoal de pragmatismo é a de procurar, sempre se possível, ver os assuntos pelo seu lado real, seja positivo ou negativo. É evidente que a maioria das pessoas comporta-se, sem ser propositadamente, no sentido de procurar seguir o caminho que mais lhes agrada, sem se preocuparem acerca de se esta solução é factível ou, pelo contrário, penosa para os seus interesses.
Esta meditação surgiu por dois motivos. O primeiro resultou de ter lido umas declarações atribuídas ao ex-Presidente da República, general Ramalho Eanes. Escreveram que ele disse que, a seu entender, a cidadania portuguesa e por extensão a do mundo ocidental, atingiu um estado de apatia tal que não se rebela contra os abusos que, em seu nome, fazem aqueles que elegeram para os representar e comandar. Os qualifica de excessivamente obedientes, ou mais concretamente, como indiferentes como não era habitual entre as populações, fossem livres ou oprimidas.
Meditando sobre esta análise eu discordo de um comportamento canino generalizado por parte dos cidadãos anónimos. Não me parece que as pessoas ajam como fieis cães domésticos. A meu entender o que nos pode definir ajusta-se melhor aos gatos domésticos, que sabemos serem amáveis e dados a carinhos quando lhes apetece, mas são intrinsecamente egoístas, interesseiros e selectivos.

O segundo motivo surgiu, nesta mente desvairada,sem ter uma ligação directa ao que escrevi nas linhas anteriores surgiu-me, nesta mente desvairada. Um assunto que é só mais um daqueles que reiteradamente aparece nas preocupações citadinas, e não só, e que cabe dentro da longa lista de consequências funestas ocasionadas pela insistente vocação em querer viver acima das possibilidades. 
Os governantes, para satisfazer interesses de quem por um lado lhes pode ter facilitado subir ao poleiro e também de  dar alguma atenção aos que os podem derrubar, comprometem-se a investimentos que, ao nível das capacidades do país, são faraónicos, e difíceis de digerir. Além das concessões económicas que não se coadunam com as entradas de capital.
Um dos assuntos importantes, pelo reflexo que tem para o cidadão anónimo, é o desmantelamento da antiga CP e o consequente congelamento do investimento em melhoras nas linhas férreas e, perigosamente no desleixo com  o material de tracção e circulante. Quando, para dar lugar a muitos parasitas políticos se desdobrou a CP numa série de empresas "independentes", afirmando, com falsidade premeditada -ou total ignorância e ineptidão-, que tal decisão lhe daria uma gestão mais moderna e equilibrada, deram a sentença de morte ao transito ferroviário, tanto de pessoas como de mercadorias. A rede em serviço é muito inferior à que encontrou Salazar quando lhe deram o poder.
E, como resultado da pretensão de modernizar as comunicações, com dinheiro oferecido ou a baixo custo, não só se melhorou, um pouco, a rede viária existente como, principalmente, se entrou numa vertigem de construção de auto-estradas. A febre de proporcionar negócio às empresas de construção e a inevitável atracção das grandes urbes para conseguir emprego à mão de obra "excedentária" do campo, geraram um círculo, cada vez maior, de subúrbios urbanos, cujos habitantes entraram no conhecido fluxo e refluxo entre a residência e o trabalho. Noutros países, não ibéricos, esta deslocalização pendular se resolveu com a conjugação de transportes colectivos com ligação à rede ferroviária. Aqui falha-se em todos os capítulos.
Mas o problema da ferrovia é mais grave: As despesas e decisões mal pensadas, ou tomadas para favorecer interesses privados, conduziram à obsolescência do material ferroviário: Falta tracção e faltam carruagens. E desmantelou-se a oficina que fabricava este tipo de material. Dizem que tratarão de alugar o que falta à vizinha RENFE espanhola. Mas eles tampouco tem excedência de material; só trastes velhos!
As linhas suburbanas estão a braços com falta de material e deficiente manutenção. Há longas filas de equipamento parado em linhas mortas, porque não sabem como o reparar. Não encontram peças sobresselentes nem pessoal habilitado! É fatal que um dia, quando menos se espere (nunca se espera) podemos ter um desastre com muitos mortos numa hora-de-ponta. O Presidente da República terá mais uma oportunidade de dar carinhos, beijinhos e fotos a granel. Vão nomear uma comissão de inquérito (mais uma) que depois de muito paleio e anos de espera não dará culpados, porque estes seriam, forçosamente, os governantes que destruíram a ferrovia. E estes são intocáveis na orgânica vigente.
E depois surgem grupos de "líricos", (sem ânimo de ofender) que se manifestam para exigir (sem noção da realidade) a recuperação de traçados inoperantes. Não há dinheiro, nem sequer para alimentar os sangue-sugas, em número sempre crescente, quanto mais em actualizar traçados que foram executados há mais de cem anos. Em algumas linhas, das que pretendiam modernizar a província, inclusive já desapareceram os carris!, vendidos como sucata. Muitas estações e apeadeiros estão desactivados, abandonados, aos ratos e desfazendo-se de podres. Como se pode pensar em renascer a ferrovia sem material, sem dinheiro e sem pessoal capaz de gerir um País?

domingo, 18 de novembro de 2018

MEDITAÇÕES , 41 - Uma curiosidade


HETERÓNIMOS OU SIMPLES PLÁGIO

Insisto em só folhear, ou mais concretamente comprar um periódico, que não é jornal mas um semanário. Que raramente consigo digerir todo. Sobram-me muitas páginas, mas algumas não as posso perder, nomeadamente das que foram seleccionadas para estarem na revista E.
Uma das favoritas, que ocupa o primeiro lugar no pódio, conjuntamente com mais alguma que não cito agora, é uma página referenciada como sendo uma carta aberta,  cuja autoria é atribuída a um COMENDADOR MARQUES DE CORREIA, nitidamente uma variante humorística de  marco do correio. Quem escreve esta página, além de possuir uma bagagem notável, tem um humor fino e agudo. A não perder!
Acontece que nas últimas 8 semanas este semanário nos ofereceu, em livrinhos coleccionáveis, uns resumos da história de Portugal. Um resumo preparado por AFONSO ZÚQUETE..E, no fim de cada opúsculo incluiu um POSFÁCIO também atribuído ao tal Marques de Correia. São trechos curtos, mas muito saborosos e desempoeirados, o que não é habitual entre os nossos escribas. Confesso que na  parte dos opúsculos só li, atentamente, estes posfácios, mas já repensei que vou dar o benefício da dúvida ao restante conteúdo, com a esperança de que não se mantivessem na habitual linha patrioteira e falsa da maioria dos historiadores, mais preocupados em "ficar bem na fotografia" do que em elucidar a cidadania sobre o que de facto sucedeu, e as consequências posteriores aos acontecimentos relatados -em geral mal-. Claro que existem Historiadores, com letra grande, correctos e trabalhadores, como Henrique Matoso entre alguns outros merecedores de ser lidos. Mas demasiados há que insistem em dar como verídicas muitas falsidades, inventadas com propósitos vergonhosos, além de esconderem muitas verdades desagradáveis
Terminada a distribuição de opúsculos, e meditando neste  intelectual desempoeirado que os assina, fui procurar na estante um livro, editado em 2014, com o título RICA VIDA,  de LUCIANO AMARAL.  Dado que o lera ainda há pouco tempo intuí que me tinha deixado na memória estava em sintonia com os referidos posfácios. Tive que o voltar a ler de uma ponta a outra. -na minha opinião não se pode perder este trabalho-.  E Ah! Surpresa! Lá encontrei parágrafos inteiros transcritos literalmente do livro para os posfácios. E conclusão imediata é que ali temos a mesma mão, a mesma cabeça, o mesmo atrevimento. Ou então, que algum descontraído tinha plagiado o trabalho de Luciano Amaral. 
E agora resta a dúvida mais forte. Será que  tampouco é o nome oficial deste autor? São dois de uma possível longa lista de heterónimos? Para minha paz de espírito prefiro apostar em que o Comendador Marquês de Correia e Luciano Amaral são a mesma pessoa, com dois fatos diferentes, mas muito parecidos.



sábado, 17 de novembro de 2018

MEDITAÇÕES 40 - Migrações



COMO EVOLUIRÁ A SITUAÇÃO ?


Este início de Século entre outros acontecimentos de primeira página tem, sem dúvida, um problema que "ameaça" as zonas que tradicionalmente qualificamos como "ocidentais". Um quase eufemismo que esconde o facto de serem zonas com população maioritariamente branca, economia entre a riqueza e a sobrevivência periclitante. Este ocidente que, progressivamente, tem sido visto como zona promissora para as pessoas que tem estado radicadas em áreas onde a pobreza, endémica, já não consegue aguentar não só com as dificuldades de séculos às novas necessidades de consumo que lhes tem sido inoculadas, como se de uma doença se tratasse, pelo interesse de escoar os excedentes da produção de bens,nos países industrializados. Ou seja, já não é só da fome e problemas de saúde que as populações migram, mas também pelo desejo de participar do consumismo. 

Apesar de reconhecer que desde os primeiros hominídeos houve migrações, procurando novos locais onde viver, em cada época a humanidade tem que se preocupar com os problemas do momento. Na Europa ocidental as migrações que mais receio causam aos já instalados são as dos povos subsarianos. O governos europeus, isoladamente ou em conjunto pela UE, tem procurado travar estas correntes migratórias comprando a colaboração dos governos dos países a sul do estreito de Gibraltar. Os que conseguem ultrapassar  as pressões dos residentes nos países que tem que cruzar. deparam-se com a barreira do mar Mediterrâneo, que se encarrega de cobrar uma taxa em vidas, mesmo que algumas organizações procurem furar o bloqueio natural e prestar ajuda aos que se enfrentam ás águas de Neptuno. Mesmo com esta colaboração da natureza não se pode considerar que a velha Europa esteja imune da insistente maré de migrantes.

O caso que nestes dias se tornou mais preocupante, por ser mediático e não poder contar com as dificuldades naturais para o travar, é o da migração de muitos habitantes dos países do zona central do continente americano, em geral mestiços de índios americanos e brancos que, em diferentes épocas para ali se deslocaram. Estes migrantes, maiormente de língua castelhana, com modismos regionais, são, até agora, gente de paz, pobres, dispostos a palmilhar milhares de quilómetros andando, com jovens e velhos, homens e mulheres, crianças de colo e outras já capazes de andar. Pelas reportagens que nos chegam sabe-se que alguns destes viajantes conseguem transporte, pelo menos para trechos que os aliviem das mazelas que, inevitavelmente, as longas andaduras os sacrificaram.

O que nos apoquenta é o que sucederá, dentro de horas ou dias, quando esta maré humana, que parecem as formigas do filme "marabunta", chegarem junto da barreira erguida pelo governo dos EUA, que não se declara apto a lhes abrir o accesso para o seu enorme território. Como se vai desenvolver esta situação? Vão conseguir um acordo com bandidos mexicanos para que massacrem os migrantes? Ou o Presidente dos EUA, que não se mostrou adepto a possibilitar soluções pacíficas, optará pela força?


Se o erguer uma muralha na fronteira, com arame espinhoso no topo, é a mesma táctica que Espanha tomou em Ceuta e Melilha, e que nos recorda à mundialmente famosa Muralha da China, construída para evitar que os estepários mongóis invadissem o império chinês, sem que de facto o conseguissem, pois que os mongóis invadiram a China e criaram uma dinastia de comando que durou gerações até se fundir com os locais, não nos pode tranquilizar minimamente. Alguma coisa terá que acontecer nos dias ou semanas mais próximas na fronteira entre o México e os EUA. Temos que esperar para ver.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

MEDITAÇÕES - 39 Quase certezas

No texto anterior procurei mostrar que, se acreditarmos ou brincarmos, com as mensagens bíblicas, os humanos já apareceram, por obra e graça dos trabalhos manuais do supremo Fazedor, com muitas restrições, e outras tantas obrigações, que deram origem à noção, consagrada neste jardim de que o respeitinho é muito bonito, e até exigido sob pena de ...

O extenso catálogo de pressões ao comportamento individual, e mais até se atingir o nível de social, é muito extenso. Para o citar completamente, sem esquecer capítulos importantes, teria que colocar um papel perto de mim e ir tomando nota do que me ocorresse. Mas esta aconselhável e prudente preparação não é da minha querença. Gosto de escrever ao correr da caneta, ou melhor dizendo na actualidade, com a ligeireza dos dedos no teclado. Por isso não se admirem de que, ao lerem (os quatro ou cinco sacrificados seguidores) fiquem com vontade de me recriminar, ou ajudar se movidos de bons sentimentos, apontando o meu inadvertido e involuntário esquecimento.
A experiência me avisa de que não terei tal retorno. é pena.

A mais imediata desculpa que nos surge par justificar um comportamento que, mais tarde, lamentamos ou mesmo gostaríamos de poder anular, é que muitas vezes é o destino que nos empurra para o caminho indesejado. Os romancistas do século XIX gostavam muito de referir a tal força do destino, Que não devemos confundir com a força do intestino, que, de facto, há ocasiões que manda mais do que o poder de comandar o corpo pelo raciocínio. Seja como for é pertinente reconhecer que existem pressões que nos são aplicadas quase que sem se manifestarem. Correspondem a capítulos que já encontramos estruturados, à nossa espera, mal nascemos. 
Muitos cidadãos, a maioria, não nasceu em berço de oiro, e para conseguir escalar socialmente podem ter tido a ajuda, extremosa e sacrificada, dos seus pais. E quando chegou a ocasião de colocar o seu esforço na grelha, ele mesmo teve que lutar com todas as suas forças. Mas... como em muitas causas próprias ou alheias, o sucesso desejado nem sempre se consegue só com o esforço, dedicação e teimosia do próprio. Ele vai encontrar forças vectoriais positivas e outras mais, muitas mais, negativas, o que implica não só o que depende dele mas, também, o tentar de anular o que de negativo possa surgir, vindo por vezes de donde menos esperaria.

Não podemos descurar o facto de que a sociedade em geral sempre está em mudança, em geral lenta, como um caracol, mas actualmente com uma rapidez incomum, só comparável a que se verificou na França quando da revolução que alterou todo o ocidente. Muitos dos analistas científicos da actualidade estão tomados de uma dose de prudência e cepticismo quanto ao caminho que a evolução, acelerada, mesmo vertiginosa, ameaça que nos leva, e como vai afectar, profundamente, a convivência das pessoas que se encontrem em patamares muito distantes entre si.

É curioso, mesmo sintomático, que a partir do já citado Séc XIX, o papel dos adivinhos "encartados" foi ocupado pelos visionários encabeçados por Júlio Verne. A partir dele e com a participação do cinema, o imaginário futurista ficou a posse da banda desenhada e dos romances de baixo preço que faziam a descrição do futuro. É sintomático que, com as modulações que a tecnologia, sempre em evolução, as viagens extraterrestres, submarinas, voadoras na nossa atmosfera e fora dela, foram descritas com intensidade e pormenores que depois foram tornados realidade, por cientistas que, na sua juventude, devoraram com ânsia esta documentação fantasiosa. Somos levados a considerar que a fantasia pressiona, sem nos darmos conta, para que se torne realidade.

Temos alguma dúvida de que os projectistas e fazedores dos submarinos atómicos, capazes de navegarem submersos durante longos meses, ou mais de um ano, não se inspiraram no Nautilus do Capitão Nemo?

A colonização e exploração de matérias primas noutros planetas e satélites. é descrita, sem receio de ser um engano, com o recurso ou a  "colaboração, forçada ", de escravos. A futurologia ameaça com a repetição do que já aconteceu, e acontece ainda hoje, neste "velho planeta". 
As armas laser actuais correspondem a fases evolutivas que pretendem conseguir as armas de raios que povoavam os cadernos de Flash Gordon e outras personagens imitadoras.

Ou seja, os analistas-pensadores, a ser possível independentes, quando vislumbram o lado negro do futuro, inclusive o domínio da humanidade pelos seres artificiais robotizados, que escaparam do domínio dos seus criadores, merecem ser vistos com atenção. Das fantasias futuristas não só virão os capítulos benéficos. Os tais analistas-pensadores não concebem que tudo vá progredir para um "mar de rosas", mas que aparecerão muitos espinhos.

Conclusão: a nossa liberdade de acção e pensamento, incluída a comunicação, cada vez será mais condicionada e restrita, mesmo que aparentemente nuca a humanidade teve tantas possibilidades de escolha. Serão mesmo tantas ou é só a aparência