Este início
de Século entre outros acontecimentos de primeira página tem,
sem dúvida, um problema que "ameaça" as zonas que
tradicionalmente qualificamos como "ocidentais". Um
quase eufemismo que esconde o facto de serem zonas com
população maioritariamente branca, economia entre a riqueza
e a sobrevivência periclitante. Este ocidente que,
progressivamente, tem sido visto como zona promissora para as
pessoas que tem estado radicadas em áreas onde a pobreza,
endémica, já não consegue aguentar não só com as
dificuldades de séculos às novas necessidades de consumo que
lhes tem sido inoculadas, como se de uma doença se tratasse,
pelo interesse de escoar os excedentes da produção de
bens,nos países industrializados. Ou seja, já não é só da
fome e problemas de saúde que as populações migram, mas
também pelo desejo de participar do consumismo.
Apesar de
reconhecer que desde os primeiros hominídeos houve migrações,
procurando novos locais onde viver, em cada época a humanidade
tem que se preocupar com os problemas do momento. Na Europa
ocidental as migrações que mais receio causam aos já
instalados são as dos povos subsarianos. O governos europeus,
isoladamente ou em conjunto pela UE, tem procurado travar estas
correntes migratórias comprando a colaboração dos governos
dos países a sul do estreito de Gibraltar. Os que conseguem
ultrapassar as pressões dos residentes nos países que
tem que cruzar. deparam-se com a barreira do mar Mediterrâneo,
que se encarrega de cobrar uma taxa em vidas, mesmo que algumas
organizações procurem furar o bloqueio natural e prestar
ajuda aos que se enfrentam ás águas de Neptuno. Mesmo com
esta colaboração da natureza não se pode considerar que a
velha Europa esteja imune da insistente maré de migrantes.
O caso que
nestes dias se tornou mais preocupante, por ser mediático e
não poder contar com as dificuldades naturais para o travar, é
o da migração de muitos habitantes dos países do zona
central do continente americano, em geral mestiços de índios
americanos e brancos que, em diferentes épocas para ali se
deslocaram. Estes migrantes, maiormente de língua castelhana,
com modismos regionais, são, até agora, gente de paz, pobres,
dispostos a palmilhar milhares de quilómetros andando, com
jovens e velhos, homens e mulheres, crianças de colo e outras
já capazes de andar. Pelas reportagens que nos chegam sabe-se
que alguns destes viajantes conseguem transporte, pelo menos
para trechos que os aliviem das mazelas que, inevitavelmente,
as longas andaduras os sacrificaram.
O que nos
apoquenta é o que sucederá, dentro de horas ou dias, quando
esta maré humana, que parecem as formigas do filme
"marabunta", chegarem junto da barreira erguida pelo
governo dos EUA, que não se declara apto a lhes abrir o
accesso para o seu enorme território. Como se vai desenvolver
esta situação? Vão conseguir um acordo com bandidos
mexicanos para que massacrem os migrantes? Ou o Presidente dos
EUA, que não se mostrou adepto a possibilitar soluções
pacíficas, optará pela força?
Se o erguer uma muralha na fronteira, com arame espinhoso no topo, é a mesma táctica que Espanha tomou em Ceuta e Melilha, e que nos recorda à mundialmente famosa Muralha da China, construída para evitar que os estepários mongóis invadissem o império chinês, sem que de facto o conseguissem, pois que os mongóis invadiram a China e criaram uma dinastia de comando que durou gerações até se fundir com os locais, não nos pode tranquilizar minimamente. Alguma coisa terá que acontecer nos dias ou semanas mais próximas na fronteira entre o México e os EUA. Temos que esperar para ver. |
|||
Neste espaço pretendo colocar relatos de experiência próprias e algumas elucubrações mais ou menos disparatadas.
sábado, 17 de novembro de 2018
MEDITAÇÕES 40 - Migrações
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
MEDITAÇÕES - 39 Quase certezas
No
texto anterior procurei mostrar que, se acreditarmos ou brincarmos,
com as mensagens bíblicas, os humanos já apareceram, por obra e
graça dos trabalhos manuais do supremo Fazedor, com muitas
restrições, e outras tantas obrigações, que deram origem à
noção, consagrada neste jardim de que o respeitinho é
muito bonito, e até exigido sob pena de ...
O
extenso catálogo de pressões ao comportamento individual, e mais
até se atingir o nível de social, é muito extenso. Para o citar
completamente, sem esquecer capítulos importantes, teria que colocar
um papel perto de mim e ir tomando nota do que me ocorresse. Mas esta
aconselhável e prudente preparação não é da minha querença.
Gosto de escrever ao correr da caneta, ou melhor dizendo na
actualidade, com a ligeireza dos dedos no teclado. Por isso não se
admirem de que, ao lerem (os quatro ou cinco sacrificados
seguidores) fiquem com vontade de me recriminar, ou ajudar se
movidos de bons sentimentos, apontando o meu inadvertido e
involuntário esquecimento.
A
experiência me avisa de que não terei tal retorno. é pena.
A
mais imediata desculpa que nos surge par justificar um comportamento
que, mais tarde, lamentamos ou mesmo gostaríamos de poder anular, é
que muitas vezes é o destino que nos empurra para o
caminho indesejado. Os romancistas do século XIX gostavam muito de
referir a tal força do destino, Que não devemos
confundir com a força do intestino, que, de facto,
há ocasiões que manda mais do que o poder de comandar o corpo pelo
raciocínio. Seja como for é pertinente reconhecer que existem
pressões que nos são aplicadas quase que sem se manifestarem.
Correspondem a capítulos que já encontramos estruturados, à nossa
espera, mal nascemos.
Muitos
cidadãos, a maioria, não nasceu em berço de oiro, e para conseguir
escalar socialmente podem ter tido a ajuda, extremosa e sacrificada,
dos seus pais. E quando chegou a ocasião de colocar o seu esforço
na grelha, ele mesmo teve que lutar com todas as suas forças. Mas...
como em muitas causas próprias ou alheias, o sucesso desejado nem
sempre se consegue só com o esforço, dedicação e teimosia do
próprio. Ele vai encontrar forças vectoriais positivas e outras
mais, muitas mais, negativas, o que implica não só o que depende
dele mas, também, o tentar de anular o que de negativo possa surgir,
vindo por vezes de donde menos esperaria.
Não
podemos descurar o facto de que a sociedade em geral sempre está em
mudança, em geral lenta, como um caracol, mas actualmente com uma
rapidez incomum, só comparável a que se verificou na França quando
da revolução que alterou todo o ocidente. Muitos dos analistas
científicos da actualidade estão tomados de uma dose de prudência
e cepticismo quanto ao caminho que a evolução, acelerada, mesmo
vertiginosa, ameaça que nos leva, e como vai afectar, profundamente,
a convivência das pessoas que se encontrem em patamares muito
distantes entre si.
É
curioso, mesmo sintomático, que a partir do já citado Séc XIX, o
papel dos adivinhos "encartados" foi ocupado pelos
visionários encabeçados por Júlio Verne. A partir dele e com a
participação do cinema, o imaginário futurista ficou a posse da
banda desenhada e dos romances de baixo preço que faziam a descrição
do futuro. É sintomático que, com as modulações que a tecnologia,
sempre em evolução, as viagens extraterrestres, submarinas,
voadoras na nossa atmosfera e fora dela, foram descritas com
intensidade e pormenores que depois foram tornados realidade, por
cientistas que, na sua juventude, devoraram com ânsia esta
documentação fantasiosa. Somos levados a considerar que a fantasia
pressiona, sem nos darmos conta, para que se torne realidade.
Temos
alguma dúvida de que os projectistas e fazedores dos submarinos
atómicos, capazes de navegarem submersos durante longos meses, ou
mais de um ano, não se inspiraram no Nautilus do Capitão Nemo?
A
colonização e exploração de matérias primas noutros planetas e
satélites. é descrita, sem receio de ser um engano, com o recurso
ou a "colaboração, forçada ", de escravos. A
futurologia ameaça com a repetição do que já aconteceu, e
acontece ainda hoje, neste "velho planeta".
As
armas laser actuais correspondem a fases evolutivas que pretendem
conseguir as armas de raios que povoavam os cadernos de Flash Gordon
e outras personagens imitadoras.
Ou
seja, os analistas-pensadores, a ser possível independentes, quando
vislumbram o lado negro do futuro, inclusive o domínio da humanidade
pelos seres artificiais robotizados, que escaparam do domínio dos
seus criadores, merecem ser vistos com atenção. Das fantasias
futuristas não só virão os capítulos benéficos. Os tais
analistas-pensadores não concebem que tudo vá progredir para um
"mar de rosas", mas que aparecerão muitos espinhos.
Conclusão:
a nossa liberdade de acção e pensamento, incluída a comunicação,
cada vez será mais condicionada e restrita, mesmo que aparentemente
nuca a humanidade teve tantas possibilidades de escolha. Serão mesmo
tantas ou é só a aparência
sábado, 10 de novembro de 2018
MEDITAÇÕES 37 - ELEITORALISMO ?
CAÇA DE VOTOS ?
Uns dizem que sim e outros que não. Depende do lugar que ocupam no leque partidário, incluindo os simples cidadãos com alguma tendência selectiva.
Mas aquilo que se comprovou, sempre, é que todos os que ocupam o`poder, tomaram acções semelhantes ou decidiram captar um sector que tenha muitos votantes potenciais em detrimento de outro que, de facto, pode representar, no máximo, umas poucas centenas de votos. Encontrar uma coutada deste género é valioso. O think-thank que tenha um pensamento tão positivo merece ser compensado, nem que seja com um daqueles rebuçadecos que alguns estabelecimentos colocam ao pé da caixa registadora para adoçar a boca do cliente.
Num destes dias mais recentes surgiu uma noticia que, por não sei que razões (nem quero saber) liguei a uma decisão do governo tripartido que nos assiste. Sempre com sorrisos de orelha a orelha e prometendo que sim, mas que,inevitavelmente, com certas reservas, usando a táctica habitual em Portugal (e noutros cantos deste globo) de empurrar as decisões, sem o dizer abertamente, para o NIM. Podemos admitir que gostamos de ser tratados como crianças, incapazes de pensar de motu próprio, pela figura, manipuladora, dum pai extremoso, Sempre claramente adepto de favorecer a todos os eleitores, sejam eles do lado que forem.
O que gravei, mentalmente, da notícia foi que o grémio dos livreiros não se mostra muito satisfeito com serem simples distribuidores dos manuais escolares, sem que a caixa registe as vendas respectivas. Não sei exactamente como funciona esta orgânica distributiva. Até pode ser que os manuais sejam entregues, em quantidades avultadas, directamente nas escolas e que seja nas respectivas secretarias que os entreguem aos elementos do corpo discente (gostam desta mostra de léxico?).
Seja como for alteraram fortemente o movimento de caixa das livrarias, que na fase do início do novo ano escolar tinham um momento de alívio na sua economia. Concretamente o fornecimento estava baseado em acordos entre as editoras, distribuidoras e vendedores, com prazos de pagamento que incluíam a venda a pronto aos compradores finais, incluindo as comissões bancárias existentes quando o pagamento era feito através de cartões de débito ou crédito. Enquanto que o livreiro devia satisfazer as facturas a 30 ou mais dias. Ou seja, existia um fluxo de dinheiro bastante interessante que, desta vez e não se sabe se vai perdurar, foi interrompido “por ordem superior”. A dúvida mais penosa está em desconhecer quando será que as Finanças paguem as facturas destes livros.
Até aqui podemos considerar que este é um assunto meramente pontual, que não merece uma atenção especial. Será exactamente assim?
Se olharmos para os números, temos por um lado as famílias beneficiadas com este bónus inesperado, cujo agregado familiar satisfeito e agradecido pode comportar entre um e vários votantes potenciais, e pelo outro lado temos os empresários das editoras, distribuidores e livrarias, principais afectados negativamente pois não fazem ideia de quando serão pagos, escaldados como estão pelas notícias do que tem implicado o tema das cativações nos orçamentos do estado.
Avaliando o potencial de cidadãos satisfeitos e o dos descontentes, é quase evidente que o número de votantes favoráveis à política económica actual é nitidamente superior. Este raciocínio é aquele que, possivelmente, é feito pelos que acusam o governo actual, tal como sempre aconteceu, de tomar decisões eleitoralistas. Pessoalmente vejo o assunto desde a bancada, do segundo balcão, que era o lugar de que podia usufruir no tempo de estudante, apesar de ter um financiamento excessivamente benéfico, como mais tarde ajuizei.
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
MEDITAÇÕES - 36 - DURAMOS DEMASIADO
Ontem fui à revisão
Por iniciativa do Médico (por sinal é uma Médica) que, desde décadas, me atende no Serviço Nacional de Saúde fui convocado para uma consulta de seguimento. Apesar de ter algum desgaste físico (e emocional...) deu-me como apto para algum serviço. Não sei bem qual o serviço que posso cumprir com rendimento aceitável, mesmo que mínimo, pois que com os meus 80 considero que já ultrapassei os prazos de validade.
Comentava com a minha amiga e atenta médica que, meditando sobre a situação pessoal e desconhecendo como pensam os muitos milhares de cidadãos, desconhecidos, que também já passaram dos 75 aniversários, cheguei à conclusão de que os velhos somos uma carga social injustificada. Cada um dos veteranos aposentado custa à sociedade em geral deve ser, se devidamente quantificado, uma verba importante, Apesar do do que alguns opinam, um desperdício que não é equilibrado pelos descontos que nos obrigaram a fazer quando estávamos na fase activa.
Se contabilizássemos tudo aquilo que consumimos, sem produzir, desde a alimentação aos cuidados de saúde, incluídos custos hospitalares e fármacos, que foram calculados nuns tempos em que a esperança de vida, depois de entrar na aposentação, raramente atingia mais de cinco anos, e o facto de que a população activa é progressivamente menor, e com uma taxa global de aportação ao sistema social que não cobre, nem de longe, o seu orçamento, temos que deduzir que, mais cedo ou mais tarde, a humanidade vai estabelecer uma espécie de "prazo de validade" que se ajuste à contabilidade e à realidade que nos rodeia.
Pessoalmente aceito, em teoria, que os humanos num futuro mais ou menos próximo decidam uma forma, um método sistemático, de extermínio do excesso populacional. A ser possível seguindo critérios éticos quanto mais correctos e aceitáveis melhor. Infelizmente, mesmo que os habitantes do globo terrestre devam ser considerados como iguais, abstraído dos factores endógenos que se tornaram incorrectos de referir, não podemos esquecer que existem zonas e grupos humanos que não seguem o mesmo ritmo de cobertura populacional. O ocidente já há décadas em que mostra um deficit de substituição nas suas populações autóctones que, aritméticamente, é compensada pela imigração de gentes com outros costumes, nomeadamente mais proliferas.
Este tema, especialmente o desenvolvimento que apresentei, admito que seja desconfortável e até inaceitável. Não quero referir factos históricos, alguns relativamente recentes, em que se decidiram extermínios em massa. Umas vezes seleccionando aqueles que se queria eliminar, e noutras ocasiões de uma forma mais extensiva, mais abrangente. Seja qual for a evolução da humanidade o que certamente não será factível é a transferência dos milhares de milhões de terrestres para outro planeta. A solução, queiramos ou não, será a de restringir a número de habitantes, começando pelos mais fracos. Foi e será sempre assim que os animais se comportam. E nós esquecemos que somos animais?
.
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
MEDITAÇÕES 35 - QUANTOS SOMOS ?
Quantos somos num só corpo?
É relativamente frequente ver que alguém é indiciado como tendo uma dupla personalidade. Uma afirmação que em geral comporta uma reprovação sobre o comportamento do indivíduo visado. Hoje, casualmente, estava pensando em se, qualquer um de nós, pode gabar-se de ter uma personalidade única, nem que seja do calibre de causar repúdio, repulsa, pela maioria daqueles que tiveram a oportunidade de privar com ele, com uma certa continuidade, ou seja não ajuizando com base num convívio esporádico.
A meu entender a pessoa que mais tem a obrigação de se conhecer,profundamente, é o próprio, enquanto que os outros, inclusive os seus familiares directos, podem desconhecer ou tentar desvalorizar, certas facetas que nem o visado gosta de referir. Por isso insisto em que esta análise comportamental implica um tempo de isolamento, onde as interferências normais não se façam sentir. É difícil e potencialmente desconfortável pois que muitas das considerações que se procuram ficar num limbo são, precisamente, desagradáveis para ele mesmo.
O que vou tentar esmiuçar deveria ser comum aos dois sexos, mas sabemos que a personalidade das mulheres, independentemente das pressões familiares e sociais, não funciona exactamente igual à dos homens. Não me atrevo a especular sobre as nossas fêmeas, e fico, propositadamente, restrito a um dos dois sexos tradicionais, apesar de saber que a complexidade hoje reconhecida tem a sua história bem antiga na humanidade.
Comecemos, por um lado qualquer pode ser a da fidelidade conjugal. Por muito que custe aceitar a alguns que alardeiam de puristas, o homem é, como a maioria dos animais, aparentemente monogâmico mas instintivamente promíscuo. Ou seja, deve ser muito raro o noivo, marido ou companheiro que nunca tenha saltado a cerca, fosse porque tentou e conseguiu ou porque a oportunidade surgiu de tal modo propícia que não podia negar a sua participação, sob pena de ser qualificado como um macho totalmente domado ou nem sequer tão interessado pelo outro sexo quanto era a sua imagem pública. Quem teve aconselhamento doutrinal na sua juventude deve recordar que se admitia que podia pecar-se por obra ou pensamento. Daí que suponho ser muito raro encontrar um homem que nem sequer em pensamento, incluídos os sonhos, não tenha sido infiel.
Da honestidade na faceta económica teríamos que conhecer, com profundidade, as razões e motivações que podem ter conduzido a faltar à sua própria regra. No caso extremo é citado aquele que tem que surripiar comida, que não pode pagar, para se alimentar ou dar alimento à sua família. A partir daí temos uma longa escala de pressões, umas interiores e outras exteriores, que podem levar a que o indivíduo que, sinceramente, se considera totalmente honesto, tenha sido levado a faltar ás suas próprias regras.
Honestidade e coerência política é um dos ramos que nem sequer vale a pena debater. Aqueles que se sentiram, interiormente, tentados a endireitar a governação, depressa descobrem que ficaram presos entre grossos muros de interesses, sempre ligados a favores que são quantificados em dinheiro ou o equivalente em poder,mais cedo ou mais tarde remunerado. A partir da simples gratificação um porteiro -nem sempre justificável- a compensação de favores é endémica. E quem não quer abdicar da sua liberdade não entra no jogo ou renuncia rapidamente. Os que continuam, insistem, estão condenados a um dos muitos infernos de Dante. Mas não se preocupam com isso, pois que além de não valorizar as penas depois da morte, contam com que outros lhes devem favores que não desejam sejam publicitados. Daí que se apoiem uns aos outros.
O capítulo da vida sexual, ou mais especificamente, dos comportamentos não clássicos ou os que se aceitava não existirem, (fechando os olhos) a evolução dos parâmetros sociais já deixou de apontar, de forma alarmista e recriminatório os que se filiaram nos comportamentos até pouco tempo atrás vistos como infamantes. Personagens que já eram qualificados como "extravagantes", saíram do armário voluntariamente. Todavia, não se considera aceitável que o mesmo indivíduo mantenha uma vida familiar do tipo clássico e, simultaneamente, circule pelo passeio oposto.
Ainda me ocorre o caso de um indivíduo ter uma imagem social de extrema seriedade, um cara de pau, e depois vir a saber-se que é um crítico, gozarão, cruel e despiedado. Que sob pseudónimo ou simples anonimato tem o costume de descascar nos outros, com razão ou sem ela, por simples desejo de infamar.
domingo, 4 de novembro de 2018
MEDITAÇÕES - 34 VERDADES
SÃO MESMO APRECIADAS AS VERDADES?
Estão registados dezenas de ditados, anexins, provérbios, onde se refere o quanto é apreciada a verdade. Que dizer a verdade e desmascarar a falsidade sempre merece um prémio da sociedade, um aplauso, loas a granel. Será assim? sempre? Ou é pertinente recordar que existem verdades amargas, que é aconselhável não serem expostas?
Um dos capítulos sociais onde esta auto-censura prévia é exercida, em especial por aqueles mais cautelosos, os que antes de se lançar ás ondas vigiam, cautelosamente, a sua roupa, é o de agir obedecendo às regras, tampouco escritas num decálogo, do politicamente correcto. E, como é óbvio, neste campo a política abrange todo o espectro das relações sociais. De facto temos que considerar que nesta vida social em que andamos, -uns mais e outros menos- tudo aquilo que se faz e diz, nos fazem ou nos carregam sobre as costas, tudo, mas tudo, é política. Seja qual for o tema visado encontraremos que desde o nascimento, ou mesmo desde o momento da concepção´, a política nos acompanha e decide por nós.
Vem isto a propósito de que, pessoalmente, tenho demasiados impulsos de manifestar aquilo que sinto, o que sei ou o que me é intuitivo dada a experiência acumulada, sem atender que muitas realidades são vistas como ofensivas por quem as recebe ou lê, e daí a um corte de relações é um passo curtinho. Especialmente se apresentadas com identificação do emissor. Ou seja, que podem lançar-se bostas para o ar, mas sempre anonimamente. Enquanto não se conhecer o infractor das tais regras não escritas, a opinião, ou mesmo a denúncia se for o caso, passam como o trovão na tempestade.
Como em tudo existem excepções de peso. Algumas denúncias são tão explícitas, tão graves e incisivas que podem merecer alguma atenção, mesmo por parte de autoridades competentes. Outras, incluindo muitas que são conhecidas por "todos", ou mais concretamente por um número de cidadãos considerável, podem ser neutralizadas e levadas para o nível de boatos não merecedores de atenção. Pêlo menos é o que o visado deseja e trata de conseguir fechando portas e janelas, se tiver poder de influência para empurrar a bola para canto.
MEDITAÇÕES - 33 Aluados
SERÁ PELA LUA?
Tenho a impressão de que actualmente as pessoas estão cada vez mais cépticas, descrentes, mesmo aqueles que por rotina seguem os ritos religiosos que herdaram dos seus ancestros. Em geral os cumprem mecanicamente, sem aprofundarem no seu significado e nos efeitos que provocam na sociedade.
A mente das pessoas sofre múltiplas influências, e na época em que vivemos e atendendo à velocidade com que os costumes se vão adaptando a novas solicitações, é de justiço admitir que existem vectores novos com um potencial de captação muito poderoso. Apesar desta espécie de controle inusitado, quase que imperceptível que instintivamente exercemos, a nossa mente absorve e digere muitos conceitos que nos desviam do que anteriormente constituía o roteiro pessoal, o legado do grupo a que se pertence.
O que mais me perturba é a ideia, que pode não corresponder à realidade, de que muito daquilo que constituía uma cultura popular, de transmissão oral familiar, está sendo substituída por uma série de transferências, incompletas e por vezes mal aplicadas, dos progressos do conhecimento mais elevado. Nem sempre o que se oferece à população corresponde ao quede mais importante existe naquele tema.
Uma faceta que pode parecer sem importância, mas confunde a cidadania é a perda, progressiva, do contacto real com a influência das estações nos cuidados na agricultura e na presença dos seus frutos em épocas determinadas. A invasão de mercadorias alimentares pelo comércio global, mundial é mais importante neste desencontro do que possa parecer num visão simplista. Penso que muitos cidadãos já não se admiram de encontrar nas bancas frutas e legumes que 40 anos atrás só estavam disponíveis nas alturas pertinentes. Pode parecer uma meditação sem importância, mas o que se verifica é um desfasamento entre o consumidor em geral e o produtor tradicional. Ganhamos ou perdemos? Uns apostarão num sentido e outros, mais conservadores, no outro.
E após este prelúdio quero fazer referência a uma influência astral que, durante milénios, além de se considerar como indiscutível, foi tomada em linha de conta pela sociedade humana, e também pelos animais ditos irracionais. A lua e a sua situação a distância variável em relação à Terra, sempre foi vista como tendo um poder “misterioso” mas indiscutível.
Para nós, humanos, o capítulo mais notável nesta actuação invisível, mas verificada ao longo de séculos, está no período normal de gestação das mulheres. Ainda hoje os médicos procuram saber a data em que se deu a fecundação para, a partir dela, prever a altura do parto. E para isso fazem a contabilização do tempo de duração de dez períodos lunares, e não de meses do calendário civil, como erradamente se considera.
Desde a alvorada da civilização, mesmo a mais rudimentar, atribuíram-se ao nosso satélite poderes mentais e comportamentais que, deram origem a definições, empíricas mas com pretensões de serem correctas, de desvios comportamentais. Mesmo que alguns dos termos clássicos hoje já passaram para o baú do esquecimento, considero ser interessante a sua citação. Vejamos alguns exemplos:
Aluado; alucinado; aluarado lunático.
Os exemplos seleccionados nos incitam a considera-los como directamente ligados à Lua. Mas existem sinónimos mais abrangentes que complementam a ideia de transtornos mentais e comportamentais que só se explicavam pela influência do astro circunavegador. Tais como: absurdo; alienado; aloucado; alvoreado; amalucado; arrebatado; atoleimado; demente; desequilibrado; disparatado; doidivanas; doido; estouvado; excêntrico; extravagante; exorbitante; fantasista; furioso; insensato; maluco; maníaco; sonhador; tresloucado; variado.
Hoje,em que pretendemos que a sensatez e a ciência, incluída a farmacologia, ou seja as drogas, nos resolvam todos os problemas físicos e psíquicos, incluídos os comportamentais que se desviam das regras ditas normais, o poder dos astros ficou reservado aos adeptos da astrologia e quiromancia, que são vistos como chalados pelos que nos valorizamos como sensatos de pró.
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