sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

RECEITAS MILAGROSAS



Na internet, nomeadamente no espaço facebook, surgem, quase que continuamente, receitas milagrosas para emagrecer, eliminar as rugas da cara e conseguir cozinhar pratos capitosos. Além de abrir a porta para que os adeptos coloquem as suas fotografias e mostrem que são muito estimados pelos seus amigos “de sempre”.

Caso nos dé a moleza de abrir este espaço de vaidades e parvoeiras,é sabido que também encontraremos dezenas de receitas, eficazes em variadas maleitas e doenças, e que se recomendam seriamente. Muitas trazem, como anexo após de apresentar as suas milagrosas potencialidades, uma lista de produtos que sendo indispensáveis poderão adquirir num endereço que surge a seguir. Não caiam na tentação de julgar que aquela história só pretende ir ao bolso do incauto, NADA DISSO, só pretendem ajudar. Deve existir um quantitativo considerável de adictos a tantas recomendações. Se não fosse assim já teriam desistido. A realidade é que nem os avisos de que a maioria das notícias que ali se editam são falsas, além de absurdas, conseguem afastar os crédulos.

E há tantos crédulos que ainda acreditam no Pai Natal e seus equivalentes...

O que todos têm a possibilidade de verificar é que o tratamento de emagrecimento mais eficaz que se descobriu até à data é o de PASSAR FOME, a ser possível ACAMADA. Os simpáticos nazis mostraram, insistentemente, como aqueles que entravam nos seus campos de férias e reeducação, por mais gordos que estivessem quando chegavam saíram só com a pele e os ossos. A não ser que antes de perder peso lhes abrissem a chaminé para uma saída mais rápida em direcção aos céus da sua religião.

Caso o exemplo dos campos organizados pelo Senhor Hitler (como dizia o falecido Fernando Pessa desde as antenas da BBC) e os seus estimados sequazes, posteriormente também no Biafra e no Corno de África nos possibilitaram ter uma visão, cruel, de como se podia perder peso sem entrar num circuito comercial. A estas cobaias involuntárias não julgo que alguém lhes falasse em estética nem nos programas de perder um quilo ao fim de uma semana.


Conclusão; Se querem perder uns quilos, que vos deixam pesarosos, além de pesados ou pesadas, deixem-se de ginásios e produtos que prometem muito mais do que o que gastam. A solução é COMER MUITO MENOS, passar fome durante um par de semanas e depois, quando o vosso estômago já se tiver habituado a arrotar vazio, não regressar às tentações de coisas gordurosas, de bolinhos com muito açúcar e tudo aquilo que sabe bem mas, além de engordar, é mau para a saúde e é pecado!

DISPERSOS OU CONCENTRADOS



Podemos admitir que qualquer pessoa que medita, nem que seja por poucos minutos ao longo de um mês -e não estou a pedir muito...- já gerou as suas noções do porque a população de um determinado espaço tem tendência a se radicar isoladamente ou de uma forma coesa, compacta.

Há razões de ordem histórica, climatológica, laborais, de oportunidades, e das afinidades sociais, ou carência delas, que motivaram a reunião de habitantes em núcleos progressivamente maiores, a até que fossem abandonados quando desapareceram as motivações mais intensas. Podemos apresentar como exemplo o de algumas povoações sitas no Alto Alentejo e na Beira Interior, como Sortelha e Castelo Mendo, entre outras, que por razões militares foram cercadas com altas muralhas num espaço reduzido, com o propósito de que naquele recinto se pudessem abrigar, sem receios, os habitantes. Ao se alterarem as condições políticas e territoriais, os constrangimentos inerentes a viver e conviver apertadamente induziram os habitantes a procurar espaços mais amplos.

Outras razões se conjugaram para manter reunidos os habitantes de uma zona determinada, como sucede no Alentejo. Sendo um espaço aberto, que desde a substituição do poder muçulmano pelos cristãos, e antes disso já durante a ocupação do Império Romano, foi terra de amplos latifúndios, os habitantes sem terra própria tinham que se agrupar nas povoações aguardando a oportunidade de ser escolhidos e conseguir umas jornas (mal) pagas. Pelo contrário, em zonas com pluviosidade frequente e com terras aptas à agricultura diversificada, propiciou o minifúndio. A tendência lógica de muitos pequenos proprietários tem sido a de se radicar, com armas e bagagens, no seu terreno, mais ou menos afastado do núcleo administrativo a que pertence.

Este assunto surgiu-me quando especulei, mentalmente, sobre os custos que a descentralização residencial implica, pelo menos no que respeita à exigência para que sejam atendidas as "regalias básicas" que todos os habitantes de um concelho entendem, e bem, ue tem direito, independentemente de onde estiver a sua residência. Ou seja, que é pertinente garantir todos os serviços públicos que se consideram indispensáveis. 

Instalar redes e as manter funcionais em toda a área onde se radicaram munícipes, nomeadamente no abastecimento de água potável, energia eléctrica, telefones, iluminação pública, vias de trânsito, escolas ou transporte escolar quando se optou em fechar pequenas escolas e centralizar em complexos de maior dimensão, etc. implica, forçosamente, custos superiores aos que se se verificam existir em centros urbanos, preferentemente quando compactos.

Todavia a realidade factual indicia que não existe uma visão diáfana no que se refere à gestão de custos e benefícios. Suspeita-se, com demasiada frequência e por indícios poucas vezes documentados, que os custos, tanto de um esquema como do outro, não são expressos com clareza. Existem demasiados pontos negros na gestão para que o cidadão comum possa apostar, convictamente, em nada do que se decide em gabinetes fechados.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ERAM AS MELHORES OPÇÕES ?



Apesar de reconhecer que muitas coisas melhoraram surge-me, com excessiva frequência, a dúvida de se foram tomadas as melhores opções no que afecta às populações de certas zonas do País.

Estou convencido de que caso se prestasse a atenção, pertinente e basilar, à demografia, às características dos seus munícipes e às suas fontes de rendimento, sentir-se-ia uma disparidade de acções entre aquilo que seria proveitoso para o progresso do que sempre existiu e as tentativas de imitar actividades que colidem com o idiossincrasia da população. Fantasia que, contrariamente ao que é apregoado, afasta para longe as melhores mentes que nasceram e se criaram no seio de hábitos, quase que ancestrais e que, sem dúvida, carecem de uma actualização.

As mudanças já havidas em muitas zonas rurais, arrisco-me a afirmar que quase sempre foram fruto de acções meramente comerciais, cegas a tudo o que ultrapasse a rentabilidade das suas empresas. Uma cegueira que leva os abnegados produtores do campo a serem tiranizados não só pelos intermediários mas, agora principalmente, pelas grandes superfícies comerciais, que impõem preços e características dos produtos que compram, impondo o preço, como mentalizam o cliente consumidor a rejeitar aquilo que não convêm ao empresário da cadeia.

Apesar de terem surgido iniciativas para escoar os produtos agrícolas e hortícolas que a natureza teima em desobedecer normativas, e com boa vontade e esforço para conseguir penetrar no mercado, dedicaram-se a comercializar aquilo que não obedecia às rigorosas regras do grande comércio. Lamentavelmente a realidade mostrou que estas iniciativas não conseguiram vencer a pressão restritiva da poderosa máquina trituradora, a que de facto comanda as preferências dos clientes.

Será impossível uma reacção concertada entre os produtores e os municípios ou regiões que, sem dúvida, deveriam esforçar-se, quase que exclusivamente, em atender os problemas dos seus conterrâneos?

Os problemas que subsistem, e até se agravaram ao longo das últimas décadas,não se limitam à comercialização dos produtos do seu trabalho.

Existem situações problemáticas a montante das colheitas. São centenas os estudiosos que em laboratórios e campos experimentais se preocupam e procuram soluções para contrariar o envenenamento dos terrenos, devido ao uso excessivo de herbicidas. Sem esquecerem o louco extermínio das necessárias abelhas, que são os garantes da polinização de searas e pomares. Uns laboriosos insectos que morrem aos milhares por efeito dos insecticidas. Todos sabem que o número de colmeias activas tem diminuido drásticamente. E ouviram falar em métodos alternativos aos insecticidas para poder afastar, ou eliminar, pragas que causam prejuízos. A pressão dos vendedores dos produtos das multinacionais se encarregam de evitar qualquer alternativa.

Outro capítulo que merecia ser analisado e ponderado numa base que atendesse à saúde dos consumidores é a dos aditivos que se aplicam a muitos produtos, tanto hortícolas como frutícolas, a fim de lhes melhorar o aspecto visual e prolongar a sua duração. Serão inócuos? A resposta imediata é dada pelos produtores, conscientes, que detestan os truques utilizados para conseguir frutos que apresentam uma uniformidade de cor em toda a sua superfície, como são exemplo os morangos e os tomates, que raramente são tão belos na forma e na cor quando criados numa parcela de onde se abastecem com confiança.

Não deveriam ser estes capítulos da investigação aqueles que mais mereciam a atenção e promoção por parte das entidades que se elegeram “democráticamente”? Uma selecção de indivíduos “isentos de interesses pessoais” que, nos seus discursos e documentos distribuídos para ganhar votos, sempre evitam referir os problemas reais dos seus eleitores.


Fica a dúvida de se, de facto, os eleitores são cegos ou se preferem ser manipulados não só no seu trabalho, naquilo que é o seu ganha-pão, como se encadeiam com eventos e actividades que em nada os beneficiam. Serão conscientes do que devem exigir aos seus eleitos?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CHERCHEZ LA FAMME



Quando era jovem e necessitava de desanuviar a mente socorria-me da leitura de romances policias, concretamente dos livros de bolso da Vampiro. Uma colecção bem aceite pelo público, sem esquecer os livros franceses de capa amarela. Nas salas de cinema também nos ofereciam, filmes policiais de boa feitura, com actores de primeira escolha, entre eles recordo Humphey Bogart, Robert Mitchum, Charles Boyer, James Stewart, James Cagney e outros.

Tanto nos romances como nos filmes era frequente ver citada uma frase que se tornou clássica: cherchez la femme. Era uma época onde o machismo imperava, tal como ainda hoje, e se admitia que muitos crimes tinham como motivação, directa ou indirecta, o feitiço da mulher. Coitados dos criminosos, tão vulneráveis à sedução.

Não julgo pertinente o facto de que, ao reler o artigo de opinião escrito por Feliciano B. Duarte, em que surge uma denúncia social, ou desabafo de um desiludido socialmente, fosse reflexo de uma situação amorosa. Nada sugere esta situação, além de que não estamos perante um caso de crime e polícia. Todavia quanto mais medito no assunto, mais considero que deve existir um probleminha de fundo que levou o político, experiente e veterano, apesar de ainda jóvem, a escrever um libelo sobre a situação social no presente.

Cita um problema, que valoriza como grave. E eu estou plenamente de acordo com F. B. D. Pior é o que, implicitamente nos diz: não se sente capaz de conseguir esquematizar um processo de recuperação mental que se possa aplicar, com possibilidades de êxito, a tantos cidadãos, totalmente desligados da realidade que os envolve. Por outro lado sinto que no seu artigo transparece uma subtil crítica a muitos dos políticos da actualidade.

Numa tentativa de me elucidar sobre o Senhor Feliciano B. Duarte fiz o que nunca fiz até hoje. Procurei no Google, escrevendo o seu nome completo, as referências que, como se pode verificar lendo, foram seleccionadas e escritas por ele mesmo. Refere como ocupou lugares, com algum relevo na estrutura do seu partido, PSD, e que mereceu ser escolhido para lugares nas equipas gubernativas. Todavia sem atingir a primeiro patamar. Mas é de lei apreciar que foi subindo tenazmente e com dedicação à causa.

Mas destes elementos biográficos não surge uma explicação para o seu desânimo, e muito menos que a preocupação inerente que sugere ter tenha atingido um grau tal que o obrigue a fazer uma retirada nobre e heróica, por respeito aos seus princípios de ética social. Que não podemos duvidar que os tem.


Apesar desta minha reduzida pesquisa, certamente por não ter accesso aos corredores e às intrigas, lutas e traições, que sempre existiram entre os políticos, tenho que confessar que não encontrei um, ou uns, motivo evidente que tenha incitado a Feliciano B. Duarte no sentido de deixar, preto no branco, um balanço de como uma grande parte da cidadania está, exclusivamente, atenta a factos sem importância. Da minha lavra acrescento que os assuntos importantes sempre são de gestão e digestão difícil, e implicam um esforço comportamental que muitos não mostram estarem dispostos a fazer.

NÃO ESTOU SÓ, infelizmente



É satisfatório encontrar, sem procurar, que alguém, neste caso um político, colunável e conhecido, como é o caso de Feliciano Barreiras Duarte, escreve e assina um artigo num jornal diário (1) dedicado, exclusivamente, a uma das facetas, presentes na cidadania actual. A que a mim, que estou de partida, mais me apenam. Curioso que seja precisamente um político que aponta esta característica social, uma vez que temos a ideia, criada e sedimentada, de que os partidos políticos preferem a maioria ignorante, moldável, servil, alheada, apática.

Gostaria de transcrever a totalidade do artigo em questão. Mas é longo e os meus (poucos) seguidores são avessos contumazes a ler mais do que vinte palavras seguidas. Veremos, seguindo o artigo de F.B.D. Que refere concretamente esta característica, se bem que com outras palavras. Por isso refreio o meu impulso e deixarei só uns destaques, que considero elucidativos.

Já o título é sumamente esclarecedor: O PODER DAS (novas) IGNORÂNCIAS.

Wim Wenders vaticinou que o século XXI iria ser o século da imagem...com conteúdos apoiados numa forte componente de atratividade … por via da imagem em movimento, dos clipes, dos vídeos, das fotos, etc.
Sim, novas ignorâncias, que são filhas de uma espécie de uma nova categoria humana em que a videovida, a vida mediocre e “despida” em directo, amplia a crise de valores...

Numa sociedade que se alimenta do superficial, de tudo o que é “rapidinho”, generalista e que tem que acontecer “no agora”...

Temos que combater este poder das (novas) ignorâncias... a chico-espertice, o generalismo, a mediocridade, a ignorância...

Os resultados estão bem à vista. E têm muito que ver coma crise de participação política... e sobretudo com a perda de qualidade dos próprios sistemas juridico-políticos.

e continua o texto.

Para mim é muito interessante que seja um dos políticos, que se diz estar em contacto com a população, quem se lamente, publicamente, da forma como se preparou, desde cima, a estupidificação da cidadania. O que esperavam? Nas suas fileiras encontram um excesso de gente mal preparada para a sociedade,(mas excelentemente diplomada para a política de baixo nível através das escolas dos JJJ) e também um excesso de ganaciosos e oportunistas. Diria eu que mesmo que fosse só um já seria de mais.



(1) neste caso o I de 13 de Fevereiro 2017, pág 28

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

CAPITAL DE RISCO



Como é público e notório o tempo em que vivemos está sob uma forte pressão da evolução da informática, mãe do moderno automatismo e também mãe descastada daqueles que foram seus filhos preferidos, agora preteridos em oposição aos que aderiram, com deleite e ilusão na maré do progresso. Bem hajam tanto os “desprezados” como os agora estimados.

Se nos basearmos na -nem sempre bem valorizada- biologia, é racional que se admita que, no seio da população deste País, existem entre nós cabeças ágeis, estudiosas e com o ímpeto necessário para se aventurar em novos capítulos ainda por desbravar. Alguns destes investigadores já deram provas não só de abrir caminhos mas também de orientar o seu trabalho para tarefas produtivas.

Mas surgiram os primeiros escolhos sociais e económicos. Por um lado temos que para que uma descoberta ou novidade tecnológica se torne factível comercialmente, ou seja, que possa partir pelo oceano fora, crescer e implantar-se, carece de um factor que os estudiosos que descobriram o filão habitualmente não dispõem, e que é indispensável: Capital de risco.

Sucede que a economia nacional não gera, por si só, grandes rendimentos e nem sequer aqueles que os usufruem habitualmente sintam vocação para investir em temas que, além de não dominarem, não lhes oferecem as garantias de um grande retorno, e com brevidade. Pior do que esta deficiência de montantes disponíveis entre membros da sociedade civil, verificou-se, numa evolução escandalosa nas décadas mais recentes, que as reservas de capital público, incluídas verbas que nos entregaram no intuito de conseguir dar o salto em frente, imprescindível caso se deseje poder ombrear com os (teoricamente) parceiros europeus, quando foram entregues, em geral em quantitativos muito avultados, sob a capa de empréstimos a remunerar e restituir, sumiram-se sem justificação, escandalosamente.

De onde não nos pode causar admiração saber que algumas das boas descobertas conseguidas pelos nossos investigadores ficaram no sono dos justos no fundo de uma gaveta. Ou, noutros casos, só conseguiram ver avançar os seus projectos aliando-se a entidades estrangeiras dispostas a investir com o seu capital, ou que ganharam a confiança da banca do seu país, para conseguir os tão necessários e indispensáveis fundos.

Mas há uma consequência social, muito importante mas que nos esforçamos para não ver nem sentir, que consiste no potencial problema, já actual em zonas que até poucos anos antes eram sede de grandes indústrias, que empregavam numerosos operários, e que tanto eles como seus descendentes se encontram perdidos, empurrados para uma pobreza inactiva. Uma situação tão generalizada entre os urbanitas que os sociólogos já qualificada, em surdina, como potencialmente explosiva.

Um sintoma bem recente de como esta evolução tecnológica, aliada à globalização -que só interessa ao grande capital- afectou fortemente, no sentido de empurrar para a pobreza sectores da sociedade que, sem serem ricos, sentiam-se razoavelmente bem e com horizontes abertos para progredir, mas que o seu capital de conformismo está esgotado, ou em vias de isso.

Foi o que deu a presidência dos EUA a um demagogo, que, mesmo sendo um político neófito, tal como todos os profissionais que o antecederam, tem uma experiência inusual nos meios de comunicação visual e audio-visual. Dirigiu-se, astutamente, aos cidadãos da chamada faixa da ferrugem, os blue-collar, operário de colarinho azul. En entre os dos estados de economia agrícola, os seus equivalentes são citados como redneck pescoço vermelho, queimado do sol)de colarinho azul, em antítese com os citadinos, bem vestidos, bem alimentados e bem instalados, conhecidos como os de colarinho branco. Vistos pelos operários e pelos camponeses com pouca simpatia por estarem ligados ao status que os governa e sentem que pouco os atende.

Historicamente sabemos, ou deveriamos estar cientes, de que foi em momentos de crise social, de falta de emprego e degradação da economia doméstica, que os demagogos Mussolini e Hitler, auto classificando-se de socialistas, com adendas só perceptíveis pelos seus financiadores, se elevaram ao poder prometendo trabalho e “paz”. O trabalho que proporcionaram foi, principalmente, na indústria bélica e em obras públicas, com financiamento dos banqueiros judeus. (1)

Hoje, as obras públicas não conseguem oferecer muitas oportunidades de trabalho mal qualificado. Os equipamentos mecânicos disponíveis, também neste campo, se encarregam de eliminar a ajuda humana até o mínimo. São terreno fértil para as empresas poderosas e para conseguir desviar verbas com as quais conseguir apoios indispensáveis. Mas muito pouco oferece de benefício para aqueles que ficaram abandonados.

(1) Será que toda “a minha gente” conhece a razão de porque existem judeus na banca?


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

COMPRAR BOAS CRÍTICAS


Dizem “os livros”, especialmente os de receitas culinárias, que há cem maneiras de cozinhar bacalhau. Desconfio que nem todas conseguem disfarçar as características especiais deste peixe seco, muitas vezes fibroso e em muito dependente dos temperos que lhe sejam adicionados a fim de o tornar apetecível. E não refiro como gosta, o dito cadáver mumificado, em se intrometer nos espaços interdentais do sacrificado comensal. Certo que deve ser um dos que não se atrevem a ferir os cânones sociais vigentes. Ou seja, o da obrigação de manifestar a sua preferência por este “petisco, que conjuntamente com o “cozido *a portuguesa” e a sempre bem louvada “calçada portuguesa”, constituem uma terna de orgulho nacional. Estes três ícones competem com o outro, também clássico, dos três FFF.

Mas este não era o tema em vista para hoje. Escrevi sobre o bacalhau devido a uma tabela seca com outro conceito radicado no léxico popular, e que, pouco mais ou menos diz: Há muitas maneiras de apanhar moscas; ou pulgas.

E, por extensão, afirmo, convictamente, que Existem muitos esquemas para conseguir boas críticas e bons lugares nas muitas classificações que, constantemente, nos são colocadas à frente dos olhos.

Os indivíduos que se dedicam a criar boa imagem a pedido do interessado, são, na sua imensa maioria, uns jornalistas entre a plêiade dos que podem apresentar uma carteira dita de profissional. Tanto podem ser novatos como com nome já feito. Mas sempre dispostos a dizer bem duma pessoa determinada, de um lugar ou de um evento (prefiro “invento”, tal como se falava, em “inventonas”) ou “noticiar” que numa escala, mais ou menos inventada mas sempre inócua, lhe foi atribuído o primeiro lugar.

Esta proliferação de boas notícias, constantemente referidas sobre o mesmo “cliente” nos deve levar a recordar como funciona tanto os promotores e interessados, como os servidores. Por pouco tempo que dediquemos a pensar neste fétido assunto, é fatal que surjam algumas perguntas. As respostas são imediatas, pois que o discernimento, tantas vezes em estado letárgico, só pergunta aquilo de que julga conhecer a resposta. Ou que tal como o pobre perante uma esmola choruda, desconfia. Neste caso o cidadão, em estado de meditação transcendental, suspeita da existência de tramoia.

Eis algumas destas questões:
- Estas opiniões, em geral muito favoráveis, as podemos considerar como válidas?
Existe isenção e merecem credibilidade?
- Aceitamos que de uma parte e da outra houve honestidade?
- Somos incrivelmente tolos ao aceitar estes embustes potenciais?

Aceitando a possibilidade, mesmo que remota ou de baixa intensidade, de que existam alguns fazedores de opinião verdadeiramente honestos, a experiência nos diz que a maioria aceitam o encargo por uma fraca recompensa. Inclusive, num excesso de boa vontade, podemos admitir que existem algumas borlas. Tal como uma acompanhante de luxo, das que levam coiro e cabelo para atender o tolo endinheirado, é capaz de dar uma borla a um sujeito que lhes caiu no goto.

Lamentamos que a experiência de vida nos elucida acerca da existência de personagens, sem préstimo de nenhuma espécie, a não ser a de serem capazes de enganar os seus iguais, mas que conseguem manter as bolas no ar, como um malabarista de casino, até o dia em que um espirro irresistível as faz cair todas de uma vez. Logo surge outro esperto, que aplicando as mesmas tretas toma o lugar vago. Não terá grandes problemas em actuar frente ao mesmo público.


Um público que se imagina muito actualizado e sabido, mas que caiu no conto do vigário com suma facilidade. Hoje até servem as aldrabices em muitos programas de televisão. Alguns inclusive afirmam que entregaram prémios de muitos euros a uns felizardos. Posteriormente ficamos a saber que o agraciado nunca vê a cor deste dinheiro. O mais que recebem são talões de compras de artigos sem préstimo, previamente seleccionados e com preços inflacionados, que só se podem levantar em lojas de patrocinadores. E as pessoas continuam a cair!