quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CHERCHEZ LA FAMME



Quando era jovem e necessitava de desanuviar a mente socorria-me da leitura de romances policias, concretamente dos livros de bolso da Vampiro. Uma colecção bem aceite pelo público, sem esquecer os livros franceses de capa amarela. Nas salas de cinema também nos ofereciam, filmes policiais de boa feitura, com actores de primeira escolha, entre eles recordo Humphey Bogart, Robert Mitchum, Charles Boyer, James Stewart, James Cagney e outros.

Tanto nos romances como nos filmes era frequente ver citada uma frase que se tornou clássica: cherchez la femme. Era uma época onde o machismo imperava, tal como ainda hoje, e se admitia que muitos crimes tinham como motivação, directa ou indirecta, o feitiço da mulher. Coitados dos criminosos, tão vulneráveis à sedução.

Não julgo pertinente o facto de que, ao reler o artigo de opinião escrito por Feliciano B. Duarte, em que surge uma denúncia social, ou desabafo de um desiludido socialmente, fosse reflexo de uma situação amorosa. Nada sugere esta situação, além de que não estamos perante um caso de crime e polícia. Todavia quanto mais medito no assunto, mais considero que deve existir um probleminha de fundo que levou o político, experiente e veterano, apesar de ainda jóvem, a escrever um libelo sobre a situação social no presente.

Cita um problema, que valoriza como grave. E eu estou plenamente de acordo com F. B. D. Pior é o que, implicitamente nos diz: não se sente capaz de conseguir esquematizar um processo de recuperação mental que se possa aplicar, com possibilidades de êxito, a tantos cidadãos, totalmente desligados da realidade que os envolve. Por outro lado sinto que no seu artigo transparece uma subtil crítica a muitos dos políticos da actualidade.

Numa tentativa de me elucidar sobre o Senhor Feliciano B. Duarte fiz o que nunca fiz até hoje. Procurei no Google, escrevendo o seu nome completo, as referências que, como se pode verificar lendo, foram seleccionadas e escritas por ele mesmo. Refere como ocupou lugares, com algum relevo na estrutura do seu partido, PSD, e que mereceu ser escolhido para lugares nas equipas gubernativas. Todavia sem atingir a primeiro patamar. Mas é de lei apreciar que foi subindo tenazmente e com dedicação à causa.

Mas destes elementos biográficos não surge uma explicação para o seu desânimo, e muito menos que a preocupação inerente que sugere ter tenha atingido um grau tal que o obrigue a fazer uma retirada nobre e heróica, por respeito aos seus princípios de ética social. Que não podemos duvidar que os tem.


Apesar desta minha reduzida pesquisa, certamente por não ter accesso aos corredores e às intrigas, lutas e traições, que sempre existiram entre os políticos, tenho que confessar que não encontrei um, ou uns, motivo evidente que tenha incitado a Feliciano B. Duarte no sentido de deixar, preto no branco, um balanço de como uma grande parte da cidadania está, exclusivamente, atenta a factos sem importância. Da minha lavra acrescento que os assuntos importantes sempre são de gestão e digestão difícil, e implicam um esforço comportamental que muitos não mostram estarem dispostos a fazer.

NÃO ESTOU SÓ, infelizmente



É satisfatório encontrar, sem procurar, que alguém, neste caso um político, colunável e conhecido, como é o caso de Feliciano Barreiras Duarte, escreve e assina um artigo num jornal diário (1) dedicado, exclusivamente, a uma das facetas, presentes na cidadania actual. A que a mim, que estou de partida, mais me apenam. Curioso que seja precisamente um político que aponta esta característica social, uma vez que temos a ideia, criada e sedimentada, de que os partidos políticos preferem a maioria ignorante, moldável, servil, alheada, apática.

Gostaria de transcrever a totalidade do artigo em questão. Mas é longo e os meus (poucos) seguidores são avessos contumazes a ler mais do que vinte palavras seguidas. Veremos, seguindo o artigo de F.B.D. Que refere concretamente esta característica, se bem que com outras palavras. Por isso refreio o meu impulso e deixarei só uns destaques, que considero elucidativos.

Já o título é sumamente esclarecedor: O PODER DAS (novas) IGNORÂNCIAS.

Wim Wenders vaticinou que o século XXI iria ser o século da imagem...com conteúdos apoiados numa forte componente de atratividade … por via da imagem em movimento, dos clipes, dos vídeos, das fotos, etc.
Sim, novas ignorâncias, que são filhas de uma espécie de uma nova categoria humana em que a videovida, a vida mediocre e “despida” em directo, amplia a crise de valores...

Numa sociedade que se alimenta do superficial, de tudo o que é “rapidinho”, generalista e que tem que acontecer “no agora”...

Temos que combater este poder das (novas) ignorâncias... a chico-espertice, o generalismo, a mediocridade, a ignorância...

Os resultados estão bem à vista. E têm muito que ver coma crise de participação política... e sobretudo com a perda de qualidade dos próprios sistemas juridico-políticos.

e continua o texto.

Para mim é muito interessante que seja um dos políticos, que se diz estar em contacto com a população, quem se lamente, publicamente, da forma como se preparou, desde cima, a estupidificação da cidadania. O que esperavam? Nas suas fileiras encontram um excesso de gente mal preparada para a sociedade,(mas excelentemente diplomada para a política de baixo nível através das escolas dos JJJ) e também um excesso de ganaciosos e oportunistas. Diria eu que mesmo que fosse só um já seria de mais.



(1) neste caso o I de 13 de Fevereiro 2017, pág 28

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

CAPITAL DE RISCO



Como é público e notório o tempo em que vivemos está sob uma forte pressão da evolução da informática, mãe do moderno automatismo e também mãe descastada daqueles que foram seus filhos preferidos, agora preteridos em oposição aos que aderiram, com deleite e ilusão na maré do progresso. Bem hajam tanto os “desprezados” como os agora estimados.

Se nos basearmos na -nem sempre bem valorizada- biologia, é racional que se admita que, no seio da população deste País, existem entre nós cabeças ágeis, estudiosas e com o ímpeto necessário para se aventurar em novos capítulos ainda por desbravar. Alguns destes investigadores já deram provas não só de abrir caminhos mas também de orientar o seu trabalho para tarefas produtivas.

Mas surgiram os primeiros escolhos sociais e económicos. Por um lado temos que para que uma descoberta ou novidade tecnológica se torne factível comercialmente, ou seja, que possa partir pelo oceano fora, crescer e implantar-se, carece de um factor que os estudiosos que descobriram o filão habitualmente não dispõem, e que é indispensável: Capital de risco.

Sucede que a economia nacional não gera, por si só, grandes rendimentos e nem sequer aqueles que os usufruem habitualmente sintam vocação para investir em temas que, além de não dominarem, não lhes oferecem as garantias de um grande retorno, e com brevidade. Pior do que esta deficiência de montantes disponíveis entre membros da sociedade civil, verificou-se, numa evolução escandalosa nas décadas mais recentes, que as reservas de capital público, incluídas verbas que nos entregaram no intuito de conseguir dar o salto em frente, imprescindível caso se deseje poder ombrear com os (teoricamente) parceiros europeus, quando foram entregues, em geral em quantitativos muito avultados, sob a capa de empréstimos a remunerar e restituir, sumiram-se sem justificação, escandalosamente.

De onde não nos pode causar admiração saber que algumas das boas descobertas conseguidas pelos nossos investigadores ficaram no sono dos justos no fundo de uma gaveta. Ou, noutros casos, só conseguiram ver avançar os seus projectos aliando-se a entidades estrangeiras dispostas a investir com o seu capital, ou que ganharam a confiança da banca do seu país, para conseguir os tão necessários e indispensáveis fundos.

Mas há uma consequência social, muito importante mas que nos esforçamos para não ver nem sentir, que consiste no potencial problema, já actual em zonas que até poucos anos antes eram sede de grandes indústrias, que empregavam numerosos operários, e que tanto eles como seus descendentes se encontram perdidos, empurrados para uma pobreza inactiva. Uma situação tão generalizada entre os urbanitas que os sociólogos já qualificada, em surdina, como potencialmente explosiva.

Um sintoma bem recente de como esta evolução tecnológica, aliada à globalização -que só interessa ao grande capital- afectou fortemente, no sentido de empurrar para a pobreza sectores da sociedade que, sem serem ricos, sentiam-se razoavelmente bem e com horizontes abertos para progredir, mas que o seu capital de conformismo está esgotado, ou em vias de isso.

Foi o que deu a presidência dos EUA a um demagogo, que, mesmo sendo um político neófito, tal como todos os profissionais que o antecederam, tem uma experiência inusual nos meios de comunicação visual e audio-visual. Dirigiu-se, astutamente, aos cidadãos da chamada faixa da ferrugem, os blue-collar, operário de colarinho azul. En entre os dos estados de economia agrícola, os seus equivalentes são citados como redneck pescoço vermelho, queimado do sol)de colarinho azul, em antítese com os citadinos, bem vestidos, bem alimentados e bem instalados, conhecidos como os de colarinho branco. Vistos pelos operários e pelos camponeses com pouca simpatia por estarem ligados ao status que os governa e sentem que pouco os atende.

Historicamente sabemos, ou deveriamos estar cientes, de que foi em momentos de crise social, de falta de emprego e degradação da economia doméstica, que os demagogos Mussolini e Hitler, auto classificando-se de socialistas, com adendas só perceptíveis pelos seus financiadores, se elevaram ao poder prometendo trabalho e “paz”. O trabalho que proporcionaram foi, principalmente, na indústria bélica e em obras públicas, com financiamento dos banqueiros judeus. (1)

Hoje, as obras públicas não conseguem oferecer muitas oportunidades de trabalho mal qualificado. Os equipamentos mecânicos disponíveis, também neste campo, se encarregam de eliminar a ajuda humana até o mínimo. São terreno fértil para as empresas poderosas e para conseguir desviar verbas com as quais conseguir apoios indispensáveis. Mas muito pouco oferece de benefício para aqueles que ficaram abandonados.

(1) Será que toda “a minha gente” conhece a razão de porque existem judeus na banca?


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

COMPRAR BOAS CRÍTICAS


Dizem “os livros”, especialmente os de receitas culinárias, que há cem maneiras de cozinhar bacalhau. Desconfio que nem todas conseguem disfarçar as características especiais deste peixe seco, muitas vezes fibroso e em muito dependente dos temperos que lhe sejam adicionados a fim de o tornar apetecível. E não refiro como gosta, o dito cadáver mumificado, em se intrometer nos espaços interdentais do sacrificado comensal. Certo que deve ser um dos que não se atrevem a ferir os cânones sociais vigentes. Ou seja, o da obrigação de manifestar a sua preferência por este “petisco, que conjuntamente com o “cozido *a portuguesa” e a sempre bem louvada “calçada portuguesa”, constituem uma terna de orgulho nacional. Estes três ícones competem com o outro, também clássico, dos três FFF.

Mas este não era o tema em vista para hoje. Escrevi sobre o bacalhau devido a uma tabela seca com outro conceito radicado no léxico popular, e que, pouco mais ou menos diz: Há muitas maneiras de apanhar moscas; ou pulgas.

E, por extensão, afirmo, convictamente, que Existem muitos esquemas para conseguir boas críticas e bons lugares nas muitas classificações que, constantemente, nos são colocadas à frente dos olhos.

Os indivíduos que se dedicam a criar boa imagem a pedido do interessado, são, na sua imensa maioria, uns jornalistas entre a plêiade dos que podem apresentar uma carteira dita de profissional. Tanto podem ser novatos como com nome já feito. Mas sempre dispostos a dizer bem duma pessoa determinada, de um lugar ou de um evento (prefiro “invento”, tal como se falava, em “inventonas”) ou “noticiar” que numa escala, mais ou menos inventada mas sempre inócua, lhe foi atribuído o primeiro lugar.

Esta proliferação de boas notícias, constantemente referidas sobre o mesmo “cliente” nos deve levar a recordar como funciona tanto os promotores e interessados, como os servidores. Por pouco tempo que dediquemos a pensar neste fétido assunto, é fatal que surjam algumas perguntas. As respostas são imediatas, pois que o discernimento, tantas vezes em estado letárgico, só pergunta aquilo de que julga conhecer a resposta. Ou que tal como o pobre perante uma esmola choruda, desconfia. Neste caso o cidadão, em estado de meditação transcendental, suspeita da existência de tramoia.

Eis algumas destas questões:
- Estas opiniões, em geral muito favoráveis, as podemos considerar como válidas?
Existe isenção e merecem credibilidade?
- Aceitamos que de uma parte e da outra houve honestidade?
- Somos incrivelmente tolos ao aceitar estes embustes potenciais?

Aceitando a possibilidade, mesmo que remota ou de baixa intensidade, de que existam alguns fazedores de opinião verdadeiramente honestos, a experiência nos diz que a maioria aceitam o encargo por uma fraca recompensa. Inclusive, num excesso de boa vontade, podemos admitir que existem algumas borlas. Tal como uma acompanhante de luxo, das que levam coiro e cabelo para atender o tolo endinheirado, é capaz de dar uma borla a um sujeito que lhes caiu no goto.

Lamentamos que a experiência de vida nos elucida acerca da existência de personagens, sem préstimo de nenhuma espécie, a não ser a de serem capazes de enganar os seus iguais, mas que conseguem manter as bolas no ar, como um malabarista de casino, até o dia em que um espirro irresistível as faz cair todas de uma vez. Logo surge outro esperto, que aplicando as mesmas tretas toma o lugar vago. Não terá grandes problemas em actuar frente ao mesmo público.


Um público que se imagina muito actualizado e sabido, mas que caiu no conto do vigário com suma facilidade. Hoje até servem as aldrabices em muitos programas de televisão. Alguns inclusive afirmam que entregaram prémios de muitos euros a uns felizardos. Posteriormente ficamos a saber que o agraciado nunca vê a cor deste dinheiro. O mais que recebem são talões de compras de artigos sem préstimo, previamente seleccionados e com preços inflacionados, que só se podem levantar em lojas de patrocinadores. E as pessoas continuam a cair!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

GENEALOGIA



Durante uns longos anos fiz a representação pictórica, fosse sobre tela ou sobre azulejos cozidos a alta temperatura, e sempre a pedido “de várias famílias” o esquema de famílias onde deviam figurar tanto os antepassados como os descendentes. A fim de ser mais vistosa esta representação tudo se organizava na copa de uma árvore, mais alta ou baixa, frondosa ou esquálida consoante os elementos de trabalho que me forneciam. Colocava o casal em activo, em lugar destacado, sempre no meio do tronco. Por vezes, quando as personagens que me indicavam eram poucas, e com o propósito de encher o espaço,  recorria a meter pássaros, animais e flores,  Assim melhorava o ramalhete, tal como as floristas fazem quando o/a cliente escolhe poucas flores.

Sempre tentei seguir a norma de que se albarde o dono à vontade do burro.

Mas, ainda hoje, depois de me deixar desta actividade tão concreta e directamente dirigida a uma série de indivíduos concretos, não estou convencido da primazia entre as duas soluções possíveis. Eu optava, quase sempre, pela que dava prioridade às raízes. A não ser que o cliente, se teimoso e insistente, preferisse a outra solução. Possivelmente influenciado pelo que via representado quando se organizavam as personagens de uma casa reinante. Ou seja,  o colocar os defuntos os que deixaram de estar no activo, no topo da pirâmide, E daí para baixo até chegar aos mais jovens, às crianças. Tudo flutuando no ar. Sem que pudesse, a meu entender, ter cabimento desenhar uma pretensa árvore de família Para mim era como começar a casa pelo telhado.

Apesar de saber, com desgosto meu, que os gostos não se discutem, insisto em que, por uma questão de cronologia biológica, já que da terra viemos e para a terra voltaremos, prefiro representar a chamada árvore de família precisamente bem presa ao chão, e sob a linha que delimita este e o espaço aéreo, colocar os ascendentes falecidos, em patamares tão profundos quanto recordem os que encomendaram o trabalho. Neste caso Iniciar pelas raízes.


Gostaria de referir situações curiosas, embora frequentes. Em geral eram o resultado de separações, divórcios, segundos casamentos, filhos fora do casamento, mas reconhecidos pela mãe e pela família dela; algumas vezes, poucas, inclusive pelo cônjuge actual ou pelo faltoso. Procurei resolver com bom senso alguns problemas bicudos que me colocaram. 

Um dos factores em que insisti foi o sentimento (meu) de que deviam ser bem tratados todos os casos já tão frequentes. Concretamente, a situação que uma criança poderia ficar quando, ao estar graficamente exposta aos comentários dos seus familiares coevos, estivesse destacado como não tendo pai(?).  Insistia com os adultos presentes que as crianças são sumamente cruéis e que não atendem aos silêncios respeitosos que a convivência exige, ou recomenda. Conseguí, quase sempre, que a família da mãe (os pais fogem com o cú à seringa, olimpicamente) cedesse nomeando como pai, putativo, aquele que mais desejavam ter sido o inseminador oculto. Conseguia que a família, atendendo às minhas explicações sobre a situação comparativa da criança, ficasse mais feliz do que quando iniciaram a nomeação das personagens.

O CHEIRO A TIGRE



É possível que entre os leitores (uns poucos já assíduos e os outros esporádicos) que conseguem escapar de tantas redes interessantes, ignorem esta frase com que as mulheres desinibidas e pouco receosas de que as classifiquem pela sua verbalidade, referem os homens que “cheiram intensamente a macho”. A sociedade actual, influenciada pela publicidade e pela noção das “boas maneiras” adere à negação da natureza humana, sempre ligada ao seu passado animal.

Sendo assim é imediato reconhecer que se tornou uma exigência social que a mulher cheire a perfumes sintéticos, ou elaborados a partir de algumas essências naturais após complicadas misturas, e que o homem emita uma aura de lavado; que não se fique pelo recurso a um sabão neutro, embora eficaz, mas que à volta dele se sinta um cheiro “másculo e dinâmico”, nem que seja através de uma loção de barba. Mas sempre com a garantia publicitária de uma marca que investiu bastante na sua difusão e promoção comercial.

Estes factos parece que não estão de acordo com os conselhos enviados, gratuitamente, pelos dermatologistas. Pelo menos dos que sendo conscientes da sua função no âmbito da saúde em geral, nos alertam de que banhos em excesso,com uma frequência que chega a ser obsessiva, retiram à nossa pele as secreções naturais com que o corpo se protege.

É evidente que quando nos sujamos, por qualquer motivo, é imprescindível uma lavagem higiénica. E que se transpirarmos intensamente, aliado a um cheiro tão forte que invada as narinas de quem estiver por perto, provocando uma rejeição instintiva, se torna recomendável agir para refrear a secreção. Os mesmos dermatologistas recomendam cuidado no uso de produtos, normalmente onde figuram sais de alumínio, que são tóxicos, que produzem o fecho dos poros por donde se expele o suor. Mas também se sabe que fumar é perigoso e raros são os e as que deixam de fumar!

Mas vamos ao famoso “cheiro a tigre”. Não é outra coisa do que o cheiro, a macho, que é comum a todos os mamíferos. E que se gera nas glandulas sudoríferas que existem no saco testicular. É uma secreção com um conteúdo muito importante de feromonas neste caso masculinas, com as quais os machos pretendem excitar, sexualmente, as fêmeas da sua espécie, como também mostrar a sua potência aos seus competidores.

As fêmeas, como sabemos, também emitem as suas feromonas femeninas, que nos mamíferos só aparecem na altura em que estão férteis. Nós, humanos, com tantos cheiros espalhados em nosso redor raramente detectamos esta fase do ciclo feminino. Se soubesemos instintivamente não haveriam tantos descendentes indesejados.

Pois bem, os mamíferos machos, assim como outros animais nossos companheiros na Terra, estão sempre preparados para tentar garantir a sua descendência. Os seus testículos, enquanto permanecem funcionais, produzem sêmen e feromonas constantemente, todos os dias e horas do ano. E esta é uma actividade que consome muita energia. E a energia degrada-se em calor. E o escroto necessita de poder expelir o excesso de calor para o ar. Por isso vemos como os machos, desde ratos, gatos, leões, toiros, elefantes e os outros todos, apresentam um saco bem destacado, em contacto total com o ar, excepto no reduzido pedúnculo que o liga ao corpo, incluído no aparelho reprodutor encarregado da penetração e ejaculação.

Daí que o sistema reprodutor externo dos homens, exuda, e emite cheiros. Como manda a natureza, que é muito mais sábia do que o homem pensante e manipulável. Os nossos antecessores mais antigos, e alguns que ainda existem no planeta, entre os quais os escoceses que gostam de manter a tradição da vestimenta masculina, e os soldados gregos que dão espectáculo em frente do parlamento em Atenas, recordam as saias que os “ignorantes” sabiam ser o que o corpo necessitava.

Hoje, as modas que oscilam e se repetem periodicamente, insistem em que devemos usar calças apertadas, que comprimam e restrinjam o bom funcionamento do aparelho reprodutor masculino.

E segue-se uma das consequências que se tornam inevitáveis, ou que implicam ter atenção para não “ferir susceptibilidades” daqueles que presumem de ser bem educados. Porque os homens, uns mais e outros menos, uns sem dar nas vistas e outros ostentosamente, coçam “as partes”? Simples e evidente se atenderem o que escrevi anteriormente: O escroto quando sua (sempre está nessa) além do líquido e as feromonas também exuda sais em solução, que quando o suor se evapora, mesmo que com dificuldade por estar fechado ao ar, deixa ficar cristais, que irritam a pele e dão coceira.

Desculpem os cultos que sabiam disso. E admito que, para não parecer mal, continuarão a usar calças (recomendo que sejam folgadas no entrepernas) e não optem pelas saias para garantir a sua saúde. É quase impossível, entre nós, escapar da pressão das modas.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

cultura e CULTURA - 2


AS PEDRAS NOS ENSINAM MUITO

Assim as sabermos interpretar. Não falam, mas são um arquivo que diz muito mais do que os simples imaginam. Quando viajava, com certa frequência visitamos locais abandonados ou arruinados, que noutras épocas foram famosos, hoje testemunhos de civilizações importantes mas ultrapassadas, em mais de uma vez, algum dos presentes afirmar que “aquilo” não tinha um mínimo interesse. Já estou farto dever pedras! Obviamente não estava interessado em saber o que ali tinha existido.

Hoje as valências da informática possibilitam a recriação, bastante fiel, de muitos locais históricos. Inclusive com animação, que fornecem, sem esforço, uma leitura histórica muito valiosa. Todavia o modo como a sociedade aderiu ao facilitismo, ao mais imediato, ao que fornece diversão, em simultaneidade considerem, convictamente, que para se instruir sobre um qualquer tema lhes basta consultar aquilo que podem encontrar, sem grande esforço, no computador.

Paralelamente a esta modernice encontramos referências do esforço que algumas entidades, certamente que mais atentas ao que devemos valorizar, por ser património, ou mesmo Património Nacional, qualificado oficialmente como tal, que é pertinente agir, com urgência e ampla dedicação, para oferecer mais do que o batido binómio Sol e Praia. Incluem neste programa de valorização o insistir na cozinha tradicional portuguesa, pois para habilidades de mestres cozinheiros já encontram, practicamente iguais, em qualquer canto.

São cada vez mais as pessoas que viajam com intuito de verificar “in loco” aquilo que ao longo da sua vida atenta foram arquivando e entendem ser o momento de confirmar. Muitos destes visitantes, tanto efectivos como potenciais, são pessoas com mais de meio século de vida, que não desejam encontrar-se com multidões, barulhentas e com visíveis mostras de desprezar a cultura. Por outro lado não escatimam o retribuir, monetariamente, o cuidado que sentirem se teve para dar visibilidade ao carácter e história local.

Portugal, sem pretender competir em pé de igualdade com outros países onde o património arquitectónico, monumental, religioso ou civil é muito vasto e reconhecido internacionalmente, tem muitos locais que, por os ver com frequência, e por isso nos podem parecer como carentes de interesse, pode ser que, para quem nos visita com o propósito de poder avaliar quem somos, de onde viemos e até onde chegamos, podem ser muito interessantes.

Para contrariar os bons propósitos temos a realidade mais triste e vergonhosa, conduzida zelosamente por responsáveis, ou mais propriamente irresponsáveis. Por vezes alardeando de canudos que só eles valorizam. Insistem em conspurcar locais históricos com contínuas feiras, que descrevem como sendo temáticas, às quais se juntam ruas infestadas de vendilhões e outras iniciativas preparadas exclusivamente para incitar visitantes com uma visão primária, imediatista, e o lucro fácil de alguns. Mas afastando aqueles que detestan tanta populaça.

Quem tenha responsabilidades sobre locais históricos debe saber como os gerir para os visitantes que interessa cativar, pelo menos por conveniência nacional Na impossibilidade de poder acompanhar todos os que nos procuram, com guias capazes de responder ás mais variadas perguntas dos forasteiros, é pertinente esmiuçar todos os pontos e locais com potencial interesse histórico, não só de índole livresca mas também com ligações ao passado social da zona. É importante, fundamental até, colocar, em local bem visível, notícia explicativa do local e da sua história.

Neste capítulo pouca coisa há a descobrir. Tanto em Portugal como “lá fora” tem-se trabalhado bastante para oferecer a cultura e história local, sem problemas nem perigos (é de recordar e valorizar que são muitos os idosos que, esquecendo os seus problemas motores e de equilíbrio, não resistem a trepar no intuito de poder alcançar uma vista interessante). Não basta colocar avisos nem cartazes referindo o perigo. Viajaram para ver e pagaram para isso. Merecem que cuidemos da sua segurança, vencendo todos os preceitos inibidores.